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Resenha: Sorcerer – “Lamenting Of The Innocent”

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“Lamenting Of The Innocent” é apenas o terceiro álbum da banda sueca de Epic Doom Metal, Sorcerer.

Fundada em 1988 em Estocolmo, eles só lançaram o seu debut, “In The Shadow Of The Inverted Cross”, no ano de 2015.

A saber, o atual full-lenght, lançado no último dia 29 de maio, é sucessor do disco “The Crowning Of The Fire King” de 2017.

Apesar de eu gostar de várias bandas do estilo, o Doom Metal, geralmente, não chega a me deixar, extremamente, empolgado.

Porém, o Sorcerer é uma exceção a essa regra, superando para mim, inclusive, Candlemass e Memento Mori, que estão entre os meus favoritos no subgênero Doom Metal.

Amor a primeira audição

Desde a minha primeira audição, Sorcerer consegue prender a minha atenção de uma forma inédita dentro dessa vertente.

Talvez isso se deva ao fato da sonoridade me lembrar à fase do vocalista Tony Martin no Black Sabbath, mas acho que isso é somente uma impressão, exclusivamente, minha.

SORCERER / Divulgação / Facebook

A pequena intro instrumental “Persecution” torna o ambiente propício para a excelente faixa “The Hammer Of Witches”.

Não há como o riff não conduzir minha mente a sonoridade do Black Sabbath, porém isso é até comum em bandas de Doom Metal, pois Black Sabbath é, definitivamente, o pai desse subgênero.

Como já mencionado por mim, o vocal de Anders Engberg me lembra o de Tony Martin, fato que torna tudo ainda mais “sabbáthico”. Os solos de guitarra de Kristian Niemann e Peter Hallgren dispõem de uma qualidade indiscutível.

Não há maneira alguma de criticá-los. Uma introdução sombria dá sequência ao álbum através da canção a qual o intitula. Anders dá uma aula de feeling, afinação e interpretação.

Melodia e musicalidade são atributos que lhe sobram. Ele consegue fazer nascer o mais belo de uma sonoridade que representa a desgraça, como seu próprio nome sugere.

Não há como não ficar arrepiado nesse refrão. Emoção é o sentimento que me conduz nessa deleitosa audição.

A imensa beleza de “Lameting Of The Innocent”

Quando eu acho que não posso ficar ainda mais impressionado, vocais guturais são, perfeitamente, encaixados num trecho de “Lameting Of The Innocent”. Surpreendentemente, minha mente viaja livre pelo paraíso do Doom Metal.

Sorcerer / Reprodução / Facebook

Insistoris” é conduzida por um riff imponente, pesado e macabro. Ela é uma canção com a pegada Doom Metal old school, porém mantendo sua personalidade sonora moderna.

Em seguida, temos “Where Spirits Die”, que até aqui é a faixa mais cadenciada do álbum.

Engberg dá mais uma aula de interpretação vocal, recheada de melodia e sentimento, porém sem deixar de lado a atmosfera macabra que envolve a sua música.

Ele se encontra num patamar acima dos outros vocalistas do gênero, sem dúvida.

“Deliverance” conta com a participação do ícone Johan Längquist, vocalista do Candlemass, que retornou recentemente a banda, gravando o álbum “The Door To Doom” no ano passado.

Vozes do Sorcerer e Candlemass, juntas

Esses dois vocais reunidos têm tudo para produzir algo de qualidade e é dessa forma que ocorre.

O dueto funciona, a canção encanta e, desse modo, a audição me deixa cada vez mais envolvido.

“Age Of The Damned” tem o riff mais sombrio do disco, em contrapartida, a melodia segue intensa.

Além disso, Anders Engberg tem o dom de soar apaixonado enquanto fala das trevas. Como resultado, esse paradoxo faz dele um vocalista único.

SORCERER / Divulgação / Facebook

A primeira fístula do tridente final representa “Condemned”.

Sinos de igreja e mantras gregorianos soam ,primordialmente, antes da entrada do vocal sedutor de Anders.

Essa canção tem interessantes variações de andamento e, além disso, solos de guitarra devastadores.

Portanto, mesmo o álbum possuindo diversos trechos melodiosos e lentos, ele não é enjoativo por um único segundo sequer.

Antes de mais nada, não dá pra começar a ouvi-lo e interromper a audição de forma deliberada.

“Dance With The Devil”, que foi um dos singles junto com “Hammer Of The Witches” e “Deliverance”, tem coro de vocais, que então, causam um efeito singular na introdução e em momentos alternados da canção.

O destaque da bateria de Richard Evensand

O baterista Richard Evensand se destaca em trechos recheados de contratempos mais complexos, além disso, conta com a competênciad o baixista Justin Biggs, que o acompanha com precisão.

Um álbum desse nível não poderia ser finalizado com uma música que não fosse exuberante.

Pois é justamente o que acontece. “Path To Perdition” começa com solos avassaladores de guitarra.

Avassaladores, tanto quanto são suas estrofes e refrãos.

Em síntese, Anders me deixa atônito mais uma vez, aliás, ocorre o mesmo em todas as faixas, pois ele canta demais. Portanto, esse é o melhor disco de Doom Metal que foi lançado esse ano até o momento.

Mais do que aprovado e recomendado aos fãs desse subgênero sombrio e malevolente.

Nota 10,00

Integrantes:

  • Anders Engberg (vocal)
  • Richard Evensand (bateria)
  • Kristian Niemann (guitarra)
  • Justin Biggs (baixo)
  • Peter Hallgren (guitarra)

Faixas:

  • 1. Persecution
  • 2. The Hammer Of Witches
  • 3. Lamenting Of The Innocent
  • 4. Institoris
  • 5. Where Spirits Die
  • 6. Deliverance
  • 7. Age Of The Damned
  • 8. Condemned
  • 9. Dance With The Devil
  • 10. Path To Perdition

Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz

Quem é Mundo Metal?

Mundo Metal nasceu em 2013, através de uma reunião de amigos amantes do Rock e Metal, com o objetivo de garimpar, informar e compartilhar todos os bons lançamentos, artistas promissores e tudo de melhor que acontece no mundo da música pesada.

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Portanto, se vocês amam a música pesada de alguma forma, o lugar de vocês também é aqui conosco.

Lançamento: Napalm Death – “Throes Of Joy In The Jaws Of Defeatism” (2020)

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Gravadora: Century Media Records

Um dos melhores lançamentos do ano e um dos mais extremos também, diga se de passagem. Já começando com a capa repleta de simbolismos ao trazer uma ilustração que nos mostra uma brutal amostra da realidade com o qual somos obrigados a viver todos os dias, e por vezes acaba até mesmo sendo comum e trivial. A indiferença com o próximo, a violencia diária e tantos outros tópicos estão presentes nas letras também. “Throes Of Joy In The Jaws Of Defeatism” é o décimo sexto álbum do Napalm Death e foi lançado no dia 18 de setembro via Century Media. Em terras nacionais, pela Voice Music, Rock Brigade e Xaninho Discos.

“Fuck The Factoid” na minha visão foi a melhor escolha pra abrir os trabalhos. Uma verdadeira ogiva nuclear Grindcore, com um clima e pegada punk, o destaque fica pro batera Danny Herrera, que arranca a 200 por hora! Sem tempo pra respirar ou se recuperar, “Backlash Just Because”, uma das primeiras músicas divulgadas, traz uma introdução com o baixo de Shane Embury rasgando nossos tímpanos com um timbre tão pesado que parece uma furadeira conduzindo o som, isso acontece até seu Riff final que encerra esse destaque.

“That Curse Of Being In Thrall” é um hardcore dos infernos, com vocais monstruosos de Mark ” Barney ” Greenway. “The Contagion” segue uma linha mais cadenciada, porém violenta e, da pra imaginar a galera no moshpit, pois essa faixa tem um andamento insano e propício para isso. “Joie De Ne Pas Vivre (The Joy of Not Living)”, ou A Alegria de Não Viver, não tem nenhuma guitarra e vai causar estranheza em muitos incautos, essa faixa mostra um lado industrial com forte influência dos suíços The Young Gods e também dos conterrâneos do Godflesh (banda formada pelo guitarrista Justin Broadrick, que tocou no primeiro álbum do Napalm, o seminal “Scum”). Com apenas 02:28 a banda traz uma música cáustica, claustrofóbica e densa, com Barney fazendo vozes praticamente Black Metal. “Invigorating Clutch” tem um andamento hipnótico e um Riff mais arrastado, um dos melhores Riffs do disco. Em várias resenhas esse som foi bastante criticado, mas na modesta opinião deste resenhista, achei um dos melhores momentos do álbum.

“Zero Gravitas Chamber” traz o Death/Grind novamente, esse som é um arregaço, poderia estar perfeitamente no clássico “Utopia Banished” que não iria fazer feio de jeito algum. “Fluxing of the Muscle’ é outra que traz um som mais tradicional. Veloz e esmagadora, com viradas absurdas de bateria, nessa música senti falta do Guitarrista Mitch Harris (presente em todos os álbuns do Napalm a partir do “Harmony Corruption”, o guitarrista deixou o grupo em razão de problemas pessoais e gravou uns trechos de guitarra, porém sem escrever nenhuma composição, vale lembrar que ele lançou esse mês o debut álbum de sua nova banda chamada Brave The Cold). O cara estaria com suas bases insanas de guitarra e seus backin vocals fazendo a frente por aqui, certamente.

A próxima música também foi single, “Amoral” começa com uma guitarra mais limpa, com muita influência de “Killing Joke”, essa música grudou no meu cérebro, aqui temos uma idéia de todo o espectro musical dos veteranos de Birmingham, com vozes do Baixista Shane Embury e Barney, mais um dos grandes momentos desse registro. “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” é uma pedrada, curta grossa e direta, lembrando a fase mais recente da banda, aonde deixaram os experimentalismos de álbuns como “Diatribes” (1996) e “Inside The Torn Apart” (1997) e “Words from the Exit Wound” (1998) e retornaram no ano 2000 com o desgraçado “Enemy of Music Business”, uma aula de Grindcore por sinaL. “Acting in Gouged Faith” traz o trio Barney/Herrera e Embury destruindo tudo novo (novidade…). Vale lembrar que a sonoridade do disco está matadora, a cargo de Russ Russell, que deu sua contribuição nas composições também sendo co-autor de duas músicas (“Joie de ne Pas Vivre” e “A Bellyful of Salt and Spleen”).

Por sinal, é esta última, “A Bellyful of Salt and Spleen”, que encerra o track list oficial, como uma marcha militar e com Barney recitando a letra em meio a uns barulhos caóticos, achei esse enceramento muito legal, como se estivesse fechando um ciclo. Posso afirmar que este seja um dos melhores discos do Napalm Death, não se “mixaram” e gravaram em Trio (Shane Embury gravou o baixo e guitarra) e mostraram que tem muita lenha pra queimar ainda.

Dou quase nota máxima para o Napalm Death que poderia tranquilamente seguir gravando discos de Grindcore e encher os bolsos, ao invés disso mostram maturidade e uma musicalidade diversa, extrema e sem deixar de se posicionar politicamente em nenhum momento. Agora, se o amigo leitor prefere ficar ouvindo o “Scum” e o “F.E.T.O”, fique á vontade e deixe passar em branco um dos discos do ano.

Nota: 9.5

Integrantes:

Shane Embury (baixo)

Mitch Harris (guitarra)

Mark “Barney” Greenway (vocal)

Danny Herrera (bateria)

Faixas:

1. Fuck the Factoid

2. Backlash Just Because

3. That Curse of Being in Thrall

4. Contagion

5. Joie de ne pas vivre

6. Invigorating Clutch

7. Zero Gravitas Chamber

8. Fluxing of the Muscle

9. Amoral

10. Throes of Joy in the Jaws of Defeatism

11. Acting in Gouged Faith

12. A Bellyful of Salt and Spleen

Redigido por Jonatan Gorehead

Lançamento: Uada – “Djinn” (2020)

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“Djiin” é o terceiro álbum da banda de Melodic Black Metal, Uada, lançado no último dia 25 de setembro. O quarteto norte-americano de Portland/Oregon, que teve sua fundação em 2014, já tinha dois full lenghts anteriores, “Cult Of A Dying Sun” em 2018, assim como “Devoid Of Light” em 2016.

O disco abre, justamente, com a canção que o intitula, “Djiin”. Nas duas primeiras audições ela parece um pouco alegre demais, mas é tudo questão de assimilação.

O trabalho harmônico da dupla de guitarristas James Sloan e Jake Superchi, que também é o vocalista e tecladista, é o ponto forte dessa canção. Os guturais de Superchi têm muitas variações e, inclusive, ele arrisca alternar para vocais mais limpos em alguns momentos.

“The Great Mirage”

“The Great Mirage”, uma das minhas favoritas, já é bem mais sombria que a sua antecessora desde o início, os riffs sabbáthicos dão a faixa uma atmosfera que mistura sonoridades dos anos 80 com anos 70.

Ora soando Heavy tradicional, ora como Doom, ela tem até uma singela veia psicodélica. O baterista Josiah Babcock usa de forma agradável seus pedais duplos, sem aquele costumeiro exagero de blast beats.

UADA / Divulgação / Facebook / Black Metal

“No Place Here” introduz seguindo a pegada da faixa anterior, porém a canção é ligeiramente mais rápida e pesada.

“Versos de individualismo, coletivismo / o que é livre arbítrio / se a vontade não pode ser livre? / Com persuasão de denominação faz o que você acredita / concedem o direito de enganar”.

Em alguns momentos, ela soa muito próxima de Black Metal old school, mas sem perder a identidade da banda que tem bastante força dentro de sua música. Babcock dá, novamente, um show de viradas insanas, acompanhadas pelo baixo de Nate Verschoor.

Começando ainda mais acelerada, “In The Absence Of Matter” é o exato equilíbrio entre o flerte com a velha escola, Melodic Black Metal e guitarras influenciadas em Heavy tradicional.

Black Metal com Heavy

A dupla das seis cordas me passa a impressão, que são guitarristas de Heavy que decidiram tocar Black Metal, porém o adaptam a sua sonoridade e não ao revés, que seria o elementar a ser feito.

O conjunto dessas pequenas peculiaridades compõe a personalidade sonora do Uada.

“Vácuo material, leve além de seus meios / Seja, oh, luminoso Sol, um peão e Luna, nossa rainha das rainhas / Serpentes ardentes, irradiando topázio pelos céus / Além das ilusões da realidade é onde atualização absoluta encontra-se”.


Uma bela linha de baixo comanda a leve e calma introdução da faixa “Forestless”. Ainda que o Black Metal tenha a sua aura densa, algumas bandas conseguem me transmitir paz e fazem com que a minha mente divague através de meu universo interior.

Uada está inclusa nesse seleto grupo. Retomando “Forestless”, ela é uma excelente canção, executada com perfeição por um quarteto que, apesar de jovem, demonstra saber e muito o que deseja transmitir pela sua sonoridade.

“Between Two Worlds”, a qual tem o solo de guitarra mais viajante do disco, é o destino dessa deleitosa viagem psíquica. A faixa soa como um apanhado geral de tudo o que comentamos até aqui.

Ela reúne todas as qualidades da banda, sendo chave de ouro de uma obra prima do Black Metal atual, pois um disco dessa qualidade não poderia encerrar de outra forma. Confesso que audição desse álbum foi o meu primeiro contato com o trabalho do Uada, e, realmente, eles me impressionaram bastante.

As temáticas são bem inteligentes e reflexivas, sem o satanismo “arroz e feijão” que muitas bandas do gênero repetidamente utilizam. O instrumental é digno de aplausos, os vocais são bem trabalhados como devem ser e a produção de estúdio é excelente.

Acompanhei bons trabalhos de Black Metal esse ano, mas nenhum sequer se aproxima da qualidade suprema de “Djiin” do Uada. É uma hora de puro prazer proporcionado por boa música.

Aprovado e indicado, portanto, a todos os fãs de excelente gosto musical.

Nota 9,0

Integrantes:

  • James Sloan (guitarra)
  • Jake Superchi (vocal, guitarra, teclado)
  • Nate Verschoor (baixo)
  • Josiah Babcock (bateria)

Faixas:

  • 1.Djiin
  • 2.The Great Mirage
  • 3.No Place Here
  • 4.In The Absence Of Matter
  • 5.Forestless
  • 6.Between Two Worlds

Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz

Resenha: Testament – “Titans Of Creation” (2020)

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“Titans Of Creation” é o décimo segundo full lenght da banda americana de Thrash Metal, Testament.

Nesse registro, o Testament demonstra que é a banda veterana de Thrash que melhor “envelheceu”.

Em uma excelente fase desde “The Formation OF Damnation”, disco de 2008, o quinteto californiano soa cada vez mais convincente para seus admiradores.

Apesar do antecessor, “Brotherhood Of Snake”, não ter sido uma unanimidade entre os fãs, os mesmos não têm do que reclamar em relação aos últimos anos da banda.

O quinteto conseguiu a proeza que poucos artistas da velha guarda conseguem, modernizou sua sonoridade sem torná-la desinteressante, pelo contrário, ainda a deixando mais pesada, técnica e intensa.

Divulgação / Instagram / TESTAMENT

“Children Of The Next Level”, início matador:

O disco começa atropelando todos com a matadora canção “Children Of The Next Level”. Só essa faixa já teria feito valer à pena a audição, mas ela é somente o começo do que ainda está por vir.

Alex Skolnick continua arrasador na guitarra, sustentando a posição de melhor guitarrista do subgênero Thrash Metal, enquanto Chuck Billy aperfeiçoa seu vocal a cada novo registro e Gene Hoglan faz toda a diferença, como sempre fez. Steve DiGiorgio está entre os melhores baixistas da história do Metal, assim sendo, não são necessários maiores comentários sobre ele. Eric Peterson segue sendo o líder desse Dream Team do Thrash Metal mundial, ao mesmo tempo que é o principal compositor do Testament.

A pancadaria continua com “WW III”

“WW III” dá sequência à matança de ouvidos despreparados, desse modo, declarando a terceira guerra mundial contra os posers do planeta Terra. “Dream Deceiver” tem um riff mais arrasador, embora seja discretamente mais cadenciada que suas duas antecessoras, ela compensa essa mínima diferença em peso e agressividade. Enquanto isso, a violência sonora, praticada velozmente, predomina em “Night Of The Witch”. Não surpreendentemente, Hoglan dá uma verdadeira aula de como tocar bateria em Thrash Metal.

O didático da vez é DiGiorgio, que detona seu baixo em “City Of Angels”, como se fosse uma brincadeira infantil. Chuck intercala seu vocal com momentos mais melódicos que dão a essa canção um clima sombrio. Skonick arrebenta no seu solo, usando efeito wah wah.

“Ishtars Gate” proporciona uma atmosfera mística. A faixa fala da deusa Istar dos sumérios, Astarte dos Fenícios, Asterote dos filisteus, assim como Easter, deusa do amor na mitologia nórdica.

Um belo trabalho conjunto das guitarras e do baixo introduz “Symptons”.

O mais lindo solo de Skolnick do disco encontra-se nessa música, a qual é conduzida com um riff, similarmente, empolgante.

Reprodução / Facebook / TESTAMENT

“False Prophet”

“False Prophet” volta a acelerar o andamento como no princípio do full-lenght. Está aqui uma canção digna de set list, assim como também são os dois singles “Children Of The Next Level” e “Night Of The Witch”.

”The Healers” abusa de peso e brutalidade, musicalmente falando. Incrível como Gene Hoglan parece uma máquina de espancar tambores nessa e nas demais faixas gravadas por ele desde o moderno clássico, “Dark Roots On The Earth”, de 2012.

Um lindo riff de baixo incendeia “Code Of Hammurabi”, música que debulha dente por dente, olho por olho, arrancando-os das almas posers.

Pra finalizar, o maravilhoso solo melódico de Alex Skolnick é um momento mais que especial que faz parte dessa canção.

Reprodução / Facebook / TESTAMENT

Logo após, a maldição continua a aniquilar os posers em “Curse Of Osiris”, Deus egípcio que os condenou ao eterno sertanejo universitário (rs), brincadeiras a parte, trata-se de mais uma canção matadora quase no fim dessa obra prima. Enfim, o disco termina com um tema instrumental de curta duração, “Catacombs”, o qual possui uma sonoridade voltada para o épico.

Só a resistência ao teste do tempo é que confirmará se estou diante de um novo clássico do Testament, mas minhas audições me deixaram bastante empolgado.

Dedico e indico esse fabuloso registro aos fãs de Thrash Metal. Audição mais que obrigatória para todos eles.

Nota 9,4

Integrantes:

  • Eric Peterson (guitarra)
  • Chuck Billy (vocal)
  • Steve DiGiorgio (baixo)
  • Gene Hoglan (bateria)
  • Alex Skolnick (guitarra)

Faixas:

  • 1.Children Of The Next Level
  • 2.WW III
  • 3.Dream Deceiver
  • 4.Night Of The Witch
  • 5.City Of Angels
  • 6.Ishtars Gate
  • 7.Symptons
  • 8.False Prophet
  • 9.The Hearlers
  • 10.Code Of Hammurabi
  • 11.Curse Of Osiris
  • 12.Catacombs

Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz

Lançamento: Mentalist – “Freedom Of Speech” (2020)

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A última vez que eu escutei um disco inteiro com Thomen Stauch na bateria foi há bons anos atrás, creio que no debut do Savage Circus, em 2005, quase três anos após sua saída do Blind Guardian. Sempre me perguntei por onde andaria Thomen e por que o cara não havia engrenado nenhum grande projeto desde então, fiz um trabalho de pesquisa no início do ano e vi que ele ainda estava na ativa, com um canal no Youtube e participando esporadicamente de alguns trabalhos. O notável baterista gravou um álbum com a banda alemã de Heavy/Power Stormrider e mais alguns singles com o Serious Black entre 2014 e 2016, mas só, nada de banda nova e nenhum projeto realmente grande. Pelo menos até aqui…

Há pouco mais de dois meses, fui surpreendido com a composição “Freedom Of The Press”, primeiro single do Mentalist. Na legenda estava a informação necessária que me fez dar play com gosto para ouvir a tal canção: “nova banda de Thomen Stauch”. E que música legal! Um Power Metal bem diferente do que o Blind Guardian praticava, porém, com aquela pegada marcante de Thomen. Alguns outros fatores me chamaram a atenção e, obviamente, parti para o trabalho de pesquisa, afinal, quem era aquele ótimo vocalista, e aquelas guitarras, de onde vinham? Bem, tudo fez sentido quando li os nomes de Rob Lundgren (vocalista sueco que tocou em uma infinidade de bandas) e Kai Stringer (guitarista do Starchild).

O Mentalist lançou seu debut, “Freedom Of Speech”, em 28 de agosto de 2020 e, desde então, vem colecionando elogios ao redor do mundo. A sonoridade da banda é bastante encorpada, com certo grau de complexidade e, o mais importante, carrega doses cavalares de feeling. Esta mistura rende músicas ímpares que, apesar de não reinventar a roda, conseguem soar agradáveis e com certo teor de originalidade. O disco é bem equilibrado e traz de tudo um pouco, desde aquelas faixas mais tradicionais ao Power Metal, com refrões pegajosos e bumbo duplo comendo solto, até belas baladas e composições mais longas, com aquela aura épica típica do gênero.

É verdade que nem tudo são flores, já que há alguns excessos aqui e ali e a produção dá umas pisadas de bola em alguns momentos, porém, não é nada que desqualifique a audição e, tão pouco, algo que chegue a incomodar de fato. Na parte dos excessos, menciono a duração do álbum, cerca de 1 hr e 7 min. Não havia necessidade para um disco tão longo e, certamente, a versão acústica da bela balada “Whispering Winds” poderia ter ficado de fora, assim como alguma outra faixa escolhida pela banda. Isto, certamente, daria uma dinâmica mais adequada a audição.

Um ponto muito forte em “Freedom Of Speech” são as letras apresentadas. Em alguns momentos, tratam de temas atuais como política e o caos generalizado que nosso mundo enfrenta e, em outros, sobre questões intimistas bastante peculiares. Em ambos os casos, a banda manda muito bem e consegue passar a sua mensagem de forma extremamente satisfatória. Outro ponto a se destacar está na parte técnica, as passagens instrumentais são belíssimas, tanto com relação aos solos da dupla Kai Stringer e Peter Moog, como nas marcações precisas e cirurgícas de Thomen, que simplesmente arrebenta durante todo o álbum com viradas matadoras e linhas que são um verdadeiro deleite. Por sinal, Thomen recebeu aqui um parceiro bastante hábil para completar a forte cozinha da banda, já que o baixista Florian Hertel encaixou de forma perfeita suas bases e, logo no disco de estréia, os dois músicos parecem estar com a química em dia.


Se você é fã daquele Power mais direto, “Freedom Of The Press”, “Digital Mind”, “Your Throne” e “Price Of Time” farão a sua cabeça. Se gosta de belas baladas, “Whispering Winds” e, principalmente, “Isolation” vão te fazer apagar as luzes, levantar as mãos para o alto e, se bobear, até acender o seu isqueiro e ficar balançando de um lado para o outro. Agora, se a sua pegada são aqueles sons mais trabalhados, com duração um pouco mais longa e clima épico, “Belief” e “Run Benjamim” vão te deixar em estado de graça. E olha que o disco ainda apresenta a excelente “Life”, um som mid-tempo com um refrão pra lá de cativante, além de “Devil’s Game”, que não se encaixa em nenhum parâmetro do estilo, mas ainda sim, é uma composição forte e marcante.

Pode ser que “Freedom Of Speech” ainda não seja o álbum capaz de colocar o Mentalist entre as bandas pertencentes ao primeiro escalão do estilo, mas com toda a certeza, os coloca no caminho certo para isso. Talvez, com uma produção um pouco melhor e um disco com uma duração não tão longa, o próximo seja o registro derradeiro. Enquanto isso, é preciso dar os créditos que os caras merecem, pois mesmo com estes pequenos poréns, o álbum é capaz de bater de frente com os grandes trabalhos de Power lançados em 2020 e deve figurar em muitas das tradicionais listas de melhores do ano.

  • Nota: 8,9
  • Integrantes:
  • Rob Lundgren (vocal)
  • Peter Moog (guitarra)
  • Kai Stringer (guitarra)
  • Florian Hertel (baixo)
  • Thomen Stauch (bateria)
  • Faixas:
  • 1. Metasphere
  • 2. Freedom Of The Press
  • 3. Life
  • 4. Whispering Winds
  • 5. Digital Minds
  • 6. Belief
  • 7. Your Throne
  • 8. Isolation
  • 9. The Deal
  • 10. Devil’s Game
  • 11. Price Of Time
  • 12. Run Benjamin
  • 13. Whispering Winds (orchestral version)
  • Redigido por Fabio Reis

Lançamento: Benediction – “Scriptures” (2020)

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Após um hiato de doze anos, a banda de Death Metal britânica, Benediction, lança o seu oitavo full lenght, “Scriptures”, o qual sucede o álbum “Killing Music” de 2008. “Scriptures” marca o retorno do vocalista Dave Ingram, que havia atuado na banda de 1990 a 1998. Ingram substituiu Dave Hunt, vocalista de longa data do Benediction, que havia sido seu substituto em 1998. Além da volta de Ingram, o baterista Giovanni Durst e o baixista Dan Bate estão fazendo seu disco de estreia no quinteto.

O oitavo “abençoado” filho do Benediction começa a ser gerado em “Iterations Of I”, a qual começa com um riff cortante. Dave Ingram mostra que o bom filho sempre retorna a casa e ele o faz com méritos. Giovanni Durst exibe o seu cartão de visita com precisão e técnica. O solo de guitarra, ainda que bem simples, fomenta uma atmosfera que espalha Death Metal a todo o nosso universo metalhead. Os guitarristas Peter Rew e Darren Brookes prestam o ótimo serviço de sempre, tendo o competente Date Bate como o companheiro de quatro cordas.

“Scriptures In Scarlet” é menos acelerada que a anterior, mas, igualmente, leva Metal da Morte de qualidade aos insaciáveis ouvidos que por ele suplicam. Death Metal feito em 2020, mas com corpo e alma old school. “The Crooked Man”, que encerra o lado A do disco um da versão em do vinil duplo, mantém a pegada da velha escola, mostrando a personalidade Benediction explícita em sua agradável sonoridade, ou seja, o disco soa como o fã da banda espera. “Stormcrow” tem como ponto forte suas mudanças de andamento. Ouço uma produção que prioriza a nitidez de cada instrumento sem comprometer o seu peso, algo que é sempre bem vindo.

“Progenitors Of A New Paradigm” conta com riffs mais simples e diretos, discretamente diferenciados das faixas anteriores, principalmente na introdução, chegando a ter uma pegada Heavy, a qual ganha, rapidamente, elementos característicos de Death Metal. Ela está entre minhas favoritas do disco e entre as melhores canções de Death de 2020. O primeiro single do álbum, “Rabid Carnality”, já havia servido de prenúncio para a qualidade satisfatória que desfruto agora. Até os solos de guitarra, que não são ponto forte da banda, são divinamente bem empregados nessa música. “In Our Hands, The Scars” dá início à segunda metade do oitavo capítulo completo da história do Benediction. “Chama nascente, de uma ruína violenta / A estrela da manhã / Com a extração de sangue, libere o dilúvio / Em nossas mãos, as cicatrizes”. Uma linda linha de baixo de Dave Bate comanda “Tear Off These Wings”, a qual sustenta um ritmo mais cadenciado por pouco mais de um minuto e meio. O poder gutural da voz de Ingram também se destaca nessa canção, escrevendo sua nova história dentro do Benediction de forma promissora.

“Embrance The Kill” da sequência a obra com uma veia Thrash/Death Metal, elemento que encaixou muito bem na proposta sonora do álbum. “Neverwhen” abre o Lado B do disco dois da versão em vinil do disco. Sem deixar de lado, por completo, a pegada Thrash/Death da faixa anterior, essa canção busca ir de encontro com a fórmula que é utilizada nas primeiras canções. Seu solo de guitarra fornece uma pitada de feeling e melodia que brilha no meio de tanto peso. “The Blight At The End” é o anúncio de que o fim está próximo. O fim do mundo? Não ainda, mesmo que o ano de 2020 tenha dado essa impressão, mas ela é a penúltima música do full lenght, que mantém a alta temperatura do mesmo. Vou falar novamente dos solos do Benediction. Apesar de não serem técnicos, eles são bonitos e tem características sonoras próprias, o que sempre deve ser elogiado. “We Are A Legion” finaliza o oitavo registro completo da banda com uma chuva de riffs matadores que vem acompanhados por uma marcha que chama pra guerra. ”Amaldiçoados adoradores de deuses negam a besta no homem / Dente e garra / Possuída pelo inferno, elite alienígena / Legião em armas para a guerra – Guerra!”, e a letra apenas confirma essa minha leitura sensorial.

Que o Death Metal está quebrando tudo em 2020, ninguém mais duvida, porém, uma banda veterana clássica voltar de um hiato prolongado e apresentar um disco de alta qualidade, é sempre algo que contenta. Aprovado e indicado para os amantes de Death Metal e Metal extremo em geral.

Nota 9,2

Integrantes:

  • Peter Rew (guitarra)
  • Dave Ingram (vocal )
  • Dan Bate (baixo)
  • Giovanni Durst (bateria)
  • Darren Brookes (guitarra )

Faixas:

  1. Iterations Of I
  2. Scriptures In Scarlet
  3. The Crooked Man
  4. Stormcrow
  5. Progenitors Of A New Paradigm
  6. Rabid Carnality
  7. In Our Hands, The Scars
  8. Tear Off These Wings
  9. Embrance The Kill
  10. Neverwhen
  11. The Blight At The End
  12. We Are Legion

Lançamento: Necrophobic – “The Dawn Of The Damned” (2020)

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É certo dizer que o ano de 2020 não está sendo nada fácil para quase todo mundo, mas quando Joakim Sterner resolve criar e lançar mais um trabalho novo, dificilmente algo de errado pode acontecer. Afinal, o Necrophobic possui uma riquíssima discografia capaz de emparelhar com grandes ícones do Metal ao redor do globo terrestre. Se em 2018 a banda entregou o excelente “Mark Of The Necrogram”, o que estaria por vir dessa vez, através do mais novo lançamento intitulado “The Dawn Of The Damned”? Para quem acompanhou esse último full-length até então, sabe que os suecos de Estocolmo não vieram para brincadeira e honraram a profana junção entre o Black e o Death Metal como normalmente fazem. Uma pista sobre esse novo disco que foi lançado no dia 9 de outubro via Century Media Records, é que este álbum possui ainda mais elementos de Black Metal do que o álbum anterior. Isso a princípio já entrega que se trata de um trabalho ainda mais obscuro e sinistro no bom sentido da coisa, obviamente. “The Dawn Of The Damned” foi gravado e mixado por Fredrik Folkare (guitarrista do Unleashed, Firespawn, entre outros) no Chrome Studios em Estocolmo (ou Stockholm para os poliglotas), Suécia. E a arte da capa ficou a cargo de Jan Kristian Wåhlin, mais conhecido como Necrolord.

Por ser uma banda da Suécia, esta também entra naquele dito popular de que “se é da Suécia, então é bom”, porém, sabemos que nada é 100% ou 0% exatamente. A nós, eu e você, assíduos e grandes adeptos da boa “múzga”, cabe a missão de fazer a análise com calma para captar toda a essência espalhada em toda a nova obra. Está ansioso para saber se o reinado está intacto? Também estou e te convido para acompanhar essa jornada comigo. Só peço que calce botas a prova de fogo para que possamos adentrar as entranhas do castelo do submundo de chamas negras infernais. Está bem calçado e protegido? Então, vamos nessa!

O barulho borbulhante da lava incandescente que cerca o castelo assusta de início, mas para quem realmente deseja desbravar esse novo caminho não se dá por vencido facilmente e parte para o ataque através da canção que inaugura o marcador. “Aphelion” é o nome da criança que, de forma instrumental, apresenta uma visão ampla e devastadora de um lugar que prospera insanidade e malevolência, unindo o arder das chamas com o ar gélido e sombrio perante as linhas de guitarra que contornam todo o circuito negativo a ser explorado. A percussão esnoba a luz e abre caminho para os riffs iniciais maquiavélicos de “Darkness Be My Guide”, que de forma magistral fazem o teto pontiagudo rachar e quase cair em nossas cabeças. A lava se torna cada vez mais inquieta e os vultos das masmorras passam a te vigiar, enquanto você percorre disco adentro. A escuridão é o seu guia e a lua vermelha é sua única aliada como ponto cardeal. “Deixe a escuridão ser meu guia / Deixe a luz eterna enfraquecer e morrer / Deixe a escuridão ser meu guia brilhante / Deixe-me andar a noite com a morte ao meu lado” – o fim está próximo e sob a batuta de Satanás sua missão termina hoje junto a linhas de guitarra e baixo muito bem trabalhadas conforme o “necrograma” manda. Sem deixar a peteca cair no mar de lava, damos prosseguimento ao destino final, descobrindo mais um som que atende por “Mirror Black” e possui um videoclipe muito caprichado por sinal. O som agudo de uma das guitarras convoca todas as asseclas da desolação para causar um dano imenso no adversário que usa deck branco. Como em Magic: The Gathering (dos tempos áureos), Necrophobic despeja todo seu arsenal disposto a vencer mais uma batalha contra a luz imperial. Sebastian e Johan formam uma dupla de guitarristas capaz de fazer com que todos os gárgulas se reúnam na noite mais escura para um ‘headbanging’ espetacular. “Caia, caia / Através da escuridão abismal sem fim / Caia, caia / No vazio escuro divino / Caia, caia / Através do vasto nada morto / Caia, caia / Onde a vida e a morte se alinham” – o alinhamento entre vida e morte se consagra graças aos solos arrebatadores de lares ortodoxos, sem clemência, feitos por Sebastian.

A quarta esfinge da construção milenar é “Tartarian Winds”, que começa de forma completamente extrema e passa a sofrer algumas variações positivas, até que Anders chega para recitar seus versos macabros e dilacerantes de ouvidos banhados com água benta. Conforme eu deixei a pista no início do pergaminho das trevas, os sons caminham muito e quase que totalmente para o lado do Black Metal, bem parecido com o que os compatriotas do Dark Funeral fizeram em seu último trabalho até então, só para se ter uma ideia mais palatável. “Eu não sou um daqueles / Em uma busca pela salvação de Cristo / Através de chamas escaldantes e neve congeladora / Eu procuro a purgação do diabo” – aliado ao tártaro a busca pela liberdade pelo outro lado das cataratas prossegue sem que haja envolvimento com quem siga pelo caminho convencional e manipulável. Acompanhando o mesmo ritmo de festa que balança o coração, “The Infernal Depths Of Eternity” mantém a chama sombria acesa que toca o coração sem alma de todo ser que rasteja mundo afora. Ainda explorando os compartimentos do castelo destacado neste papiro bestial, continuamos a nos guiar pelas notas de baixo do guerreiro Allan e todos os seus aliados que entregaram mais um videoclipe desta vez utilizando um jogo de imagens capaz de te fazer viajar anos-luz de distância sem sair do lugar. O início é calmo e misterioso, mas só por alguns segundos até que tudo vá pelos ares novamente. Estamos em um território onde o perdão significa derrota plena e não há espaço para choros e lamentações. Talvez crucificações… O refrão com efeito de eco lembra a clássica faixa “Aces High” do gigante Iron Maiden. Porém, a lembrança fica apenas neste momento do hino anti-sagrado. “Eu te invoco, deus demônio com escamas vermelhas adornadas / Eu te invoco de sangue sagrado, leve minha alma além / Agora me responda, rei serpente, divindade da noite / Agora me responda, asa de fogo, salve-me da luz” – um guia completo para se safar da falsa pureza existente do lado iluminado da moeda. Seguindo por este caminho não precisará de nenhum manipulador e feiticeiro de hóstias para dizer o que tens para fazer durante sua estadia neste plano astral. O final da canção após mais um solo bastante afiado e sangrento segue em um andamento menos veloz do que o de costume.


A faixa-título “Dawn Of The Damned” vem a contemplar e declamar o aumento da linhagem dos condenados junto ao amanhecer do maldito. Mais uma breve intro para abrir o hall lúcido onde habita o ser supremo e indomável que destina parte de sua força para que riffs de guitarra e viradas de bateria sejam cada vez mais potentes e rachem crânios em pedaços de nada. Seres sem profundidade e sem identidade vagam pelo mundo sem qualquer propósito. Estes são alvos fáceis da enganação da luz divina e se entregam facilmente aos falastrões que amam seus púlpitos na qual tiram inspiração para continuar enganando os fracos de espírito. “The Shadows” é a sétima faixa e carrega consigo um diferencial diante de boa parte das canções anteriores, ou seja, não possui tanta agressividade e nas partes mais melódicas traz um pouco do tempero utilizado pelo Kreator. Sem perder nenhuma característica própria, Anders espalha através de seus versos a sensação de pertencer aos mundos inferiores e sentir o hálito gelado do ser supremo tão de perto. Você se torna a ferramenta do demônio e passa a pertencer às profundezas mais escuras do inferno. “As The Fire Burns” volta a acelerar e anima ainda mais a jornada musical profana e blasfemadora. O castelo do submundo fica cada vez mais perigoso conforme vai sendo visitado e observado. “Meus sonhos estão contorcidos e meu caminho também / Ardente, íngreme e terrivelmente distante / Agora ecos distorcidos, transformem o medo em ira / E a subida começa pela estrela ardente” – o poder das chamas serve para desintegrar, regenerar, obliterar, ressuscitar, apagar o seu passado, entre outras diversas coisas que ampliam a essência maligna e voraz. Em penúltimo lugar no set list deste full-length, nós temos “The Return Of A Long Lost Soul” com mais uma intro calma e bastante linear ao disco em si, como se fosse mais uma peça de Lego a se encaixar com precisão junto às demais canções. Dessa vez o som se inicia de forma cadenciada, trazendo mais elementos de Death Metal, apesar do destaque ser realmente o mais puro suco do Black Metal sueco, sempre eficiente e altamente eficaz. Diante da intimidação de Succubus não se tem escapatória para que seja mais uma peça do tabuleiro sombrio e nefasto. A canção toma um arquipélago de frases e ritmos recheada de solos que tornam a obra ainda mais brilhante.

“Devil’s Spawn Attack” fecha este mais novo documento histórico do Necrophobic. É a terceira faixa a contar com um videoclipe e conta com a participação de Schmier, vocalista e baixista do Destruction. O clipe é bem descontraído e mostra a banda e o convidado gravando todas as partes da “múzga”. Se o Schmier cantar assim em um próximo álbum do Destruction, o resultado será muito melhor do que nos últimos discos. Mostrou-se em grande forma. Quanto a Anders e sua trupe não há muito que dizer. Afinal, a banda manteve a majestade intacta com riffs e solos sensacionais. “Pois eu sou gerado pelo diabo / E eu vou atacar o mundo / Quando o passado está morto esquecido / Eu vou viver pela espada de Satanás.”

Suas botas quase derreteram por completo, mas você se saiu muito bem e conseguiu completar esse grande percurso. Espero que tenha sido tão excepcional quanto eu achei. Ou melhor, tenho certeza de que é muito mais do que excepcional. Novamente, Necrophobic se superou e conseguiu entregar um trabalho ainda melhor que o anterior. Essa é o tipo da banda que é difícil não gostar e mais fácil não conhecer a sonoridade dos caras do que repudiar a sua arte indigna e submundana. Já estou imaginando vários dos sons deste novo disco sendo tocados ao vivo. As casas de shows virão abaixo! Simples assim! Sempre no bom sentido, meu caro e minha cara! E antes de terminar você por acaso se lembra da parte em que estivemos analisando as introduções das canções? Elas não se parecem simplesmente por acaso, pois fazem parte dos capítulos do disco. Após a faixa 1, o álbum é dividido em três capítulos: Faixas 2-4: Descenso; Faixas 5-9: Metamorfose; Faixa 10: Renascimento. Ah, e mais uma nota importante é a de que houve uma mudança no line up da banda com a saída do baixista Alexander Friberg em 2019 para a entrada de Allan Lundholm ,que fora citado nessa grande aventura, na qual espero que continue havendo continuação com outros grandes álbuns como este que fora dissecado e destacado aqui.

“Oh, as the moon turns red a starless sky I praise / Oh, so I join the dead onto the night with a blaze.”

Nota: 9,3

Formação:

  • Joakim Sterner (bateria)
  • Anders Strokirk (vocal)
  • Sebastian Karl Peter Ramstedt (guitarra solo)
  • Johan Bergebäck (guitarra base)
  • Allan Lundholm (baixo)

Faixas:

  1. Aphelion
  2. Darkness Be My Guide
  3. Mirror Black
  4. Tartarian Winds
  5. The Infernal Depths Of Eternity
  6. Dawn Of The Damned
  7. The Shadows
  8. As The Fire Burns
  9. The Return Of A Long Lost Soul
  10. Devil’s Spawn Attack

Sessão Dualidade: Pantera

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Aqueles menos familiarizados com o Metal, tendem a ver o gênero como única e exclusivamente um combinado de violência, agressividade, vulgaridade, morte e, segundo alguns, até mesmo ‘nazismo’ (vai vendo!) Até aí ‘tudo bem’, é só metade do cachê, né…

Mas para quem aprecia, em específico, os sub gêneros principais, sabe muito bem da amplitude instrumental e lírica dos mesmos. A capacidade dos caras em escrever e tocar verdadeiros petardos arrasa quarteirões, aqueles socos na cara e tiroteios sonoros, mas ainda conseguir conceber uma baladinha calma, introspectiva, leve e harmoniosa, é incrível!.

Hoje, cito um dos melhores exemplos dessa dualidade, que em um minuto te põe em estado de calmaria e reflexão, para no instante seguinte te agarrar pelo pescoço, te sacudir e grita na sua cara.

Estreando nosso novo quadro, temos:

Pantera – “The Great Southern Trendkill” (1996)

“Suicide Note Pt.I”:

“Suicide Note Pt. II”:

Resenha: Iron Angel – “Emerald Eyes” (2020)

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“Emerald Eyes” é o quarto full lenght da veterana banda de Speed Metal alemã, Iron Angel. O álbum é o sucessor do disco “Hellbound” de 2018, o qual marcou o retorno do grupo após um hiato de 32 anos.

Apesar de ainda ser um disco de Speed Metal, “Emerald Eyes” está longe da sonoridade dos dois primeiros álbuns, “Hellish Crossfire” e “Winds Of War”, que tinham uma pegada Speed mais pura, mesclada com pitadas até de Thrash Metal. Em seu retorno triunfal, em “Hellbound”, Iron Angel já havia dado sinais dessa mudança de sonoridade, a qual se concretizou em seu atual registro.

Dirk Schröder, que é o vocalista desde sempre, mostra uma evolução considerável em seus atributos técnicos, sem deixar seu feeling e sua artéria selvagem de lado. A nova dupla de guitarristas Robert Altenbach, o qual já estava no álbum anterior, e Nino Helfrich, pode ter sido uma das principais responsáveis por essa mudança na sonoridade do Iron Angel, pois ambos soam bem diferentes da saudosa dupla Sven Strüven e Peter “Piet” Wittke. Enfim, nunca o Speed Metal do quinteto germânico foi tão mesclado com Heavy Metal como em seu mais novo disco.

IRON ANGEL / Divulgação / Facebook

“Sacred Slaughter”

O full lenght abre com uma machadada nos miolos, intitulada “Sacred Slaughter”, que é Speed Metal como nos velhos tempos, salvo pelo vocal mais melódico de Schröder. A atual dupla de seis cordas faz jus ao legado deixado pela dupla que, certamente, assiste aos seus substitutos com orgulho do plano espiritual.

A velocidade continua mandando no jogo em “Descend”, que só toma certo fôlego para o seu quentíssimo refrão. Os solos de guitarra dessa canção estão entre os melhores do álbum. O single “Sands Of Time” já havia sido o aperitivo da grande obra de arte que está sendo apreciada nesse exato momento. Seu refrão, ao mesmo tempo, é grudento e suga feito carrapato o sangue da alma, engrossando o coro da sua envolvente trova.

“Demons”

“Demons” se destaca pelos seus riffs esmagadores e sua velocidade coordenada pelo dono das baquetas, Mäx Behr. Dessa forma, a audição mantém o seu nível de interesse sem muito esforço. Pois cada nova música é mais cativante que as anteriores.

Eis que surge o primeiro “grande hit” do disco, “What We’re Living For”, uma canção com um refrão que é mais que sedutor, ele é mágico, pois, é praticamente impossível não ser levado a cantar junto. No entanto, Isso não é algo comum em Speed Metal, um refrão para ser cantado em coro por toda a galera. Em seguida, a faixa título enfia o pé do acelerador até quebrar o cabo. “Emerald Eyes” tem todas as chances de intitular o disco do ano. A canção fica mais acentuada para dar uma fantástica atmosfera para seus solos de guitarra.

“Fiery Winds Of Death” é completamente Heavy Metal tradicional, desse modo, exalando os ares do NWOBHM, período no qual o Iron Angel também nasceu.

IRON ANGEL / Divulgação / Facebook

“Sacrificed”

O Speed Metal volta de sua folga na faixa seguinte, “Sacrificed”, a qual também possui um refrão vibrante e convidativo.

Dirk Schröder prova a cada canção que se tornou um vocalista ainda melhor do que era na primeira década da banda na ativa. Mais um dos singles surge, também candidato a “hit”, a Heavy tradicional, “Bridges Are Burning” entra quebrando tudo. Assim como no caso de “What We’re Living For”, essa música também tem um refrão que encanta o ouvinte, assim como seus solos de guitarra, igualmente, o fazem. “Heaven In Red” abre com um conjunto de riffs que lembra um pouco a fase old school da banda. Realmente, esse é um dos momentos nos quais eles flertam com o antigo Iron Angel e isso jamais deixaria de ser muito interessante. Mantendo essa mesma tendência, “Dark Sorcery” encerra, sem nenhum receio de dizer, um dos melhores discos de 2020. Só o teste do tempo dirá se ele se tornará um clássico, mas eu aposto bastante nessa possibilidade.

Tive o prazer de ser o redator de todos os álbuns de Speed Metal que fizemos resenha no Mundo Metal esse ano, por essa razão foi um dos subgêneros que mais, atentamente, escutei. Afirmo que se ele não levar a medalha de ouro do TOP 10 de Speed Metal, eu ficarei muito surpreso.

Aprovado e indicado, portanto, para os fãs de música rápida, pesada e sem firulas.

Nota 9,4

Integrantes:

  • Dirk Schröder – (vocal)
  • Didy Mackel – (baixo)
  • Mäx Behr – (bateria)
  • Robert Altenbach – (guitarra)
  • Nino Helfrich – (guitarra)

Faixas:

  1. Sacred Slaughter
  2. Descend
  3. Sands Of Time
  4. Demons
  5. What We’re Living For
  6. Emerald Eyes
  7. Fiery Winds Of Death
  8. Sacrificed
  9. Bridges Are Burning
  10. Heaven In Red
  11. Dark Sorcery

REDIGIDO POR: CRISTIANO “BIG HEAD” RUIZ

Clássicos: Monstrosity – “Imperial Doom” (1992)

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Muitos conhecem a figura de George Corpsegrinder, ou simplesmente George Fisher. Porém, nem todos conhecem os trabalhos que faz e fez fora do glorioso Cannibal Corpse. Há até quem diga que os trabalhos por fora sejam melhores do que o trabalho feito em sua principal banda. Só que hoje especificamente não é dia para falarmos sobre o Cannibal, e sim sobre o Monstrosity, banda que além de contar com Corpsegrinder trazia em seu line up, Jon Rubin na guitarra; Mark van Erp no baixo; e Lee Harrison na bateria. Um super time do Death Metal, não?! Pois é, e o debut “Imperial Doom” é sempre citado entre os principais álbuns do estilo na qual alcançou um espaço disputadíssimo nas prateleiras de principais álbuns de Death Metal de todos os tempos da última semana!

Imperial Doom foi produzido e projetado pela lenda Jim Morris, em parceria com o Monstrosity, no Morrisound Studios, em Tampa, Florida. Markus Staiger foi o produtor executivo. O álbum foi lançado dia 16 de maio de 1992 pelo selo Nuclear Blast Records com a clara intenção de figurar entre os gigantes daquela época e que perduraria até os dias de hoje. A arte da capa é assinada por Dan Seagrave, uma figura tarimbada quando o assunto são capas de discos de Death Metal. Se você pensar em algum medalhão com toda certeza esbarrará nesse nome. Falando sobre o disco, este um daqueles álbuns de estreia que ficam marcados por eras e por vezes é quase impossível de ser igualado pela própria banda. Não vou dizer se este é o melhor trabalho dos caras, mas sem sombra de dúvidas é um disco a ser tocado sempre que possível. Jamais poderá deixar um disco desse calibre encostado na prateleira. Afinal de contas, isso é magma puro e fervilhante totalmente contra os ouvidos mais sensíveis que avistamos aqui e acolá.

Ao analisar mais profundamente te convido para adentrar nas entranhas do abismo sepulcral e encontrar cada faixa dentro desse emaranhado de criaturas do submundo. Certamente você já deve ter ouvido falar em faixas como a própria que dá nome ao disco e também “Definitive Inquisition”. Acredito que sim, pois se trata de um dos inícios mais insanos que um álbum dessa vertente pode proporcionar. A primeira citada já começa marretando a cabeça do pobre desavisado e que em sua sequência traz levadas e quebradas de deixar qualquer mandíbula destroncada. Se isso não for uma aula de Death Metal, eu não sei o que seria. Ainda na mesma canção encontramos uma mudança de andamento que deixa o som ainda mais encorpado sem ser aquela música mais “diretona”, ou coisa do tipo. E para não deixar pedra sobre pedra Rubin entrega um solo daqueles de torcer todo seu sistema nervoso. “Uma sepultura ardente de dor eterna / Processo habitual de conquistar a desgraça / Este caminho de torturas é percorrido lentamente / Vítimas de aflições crônicas são arruinadas” – simplesmente uma luxúria de sangue completa. Já a segunda citada parece querer competir em peso e velocidade com a anterior. Com um riff diferente conduz a sua alma velha e remendada para o mosh mais infernal que se possa imaginar. Harrison abusa de seu kit demonstrando toda a sua técnica e perspicácia, apoiado pela condução firme de Van Erp e seu baixo. Claro que temos ‘blast beats’, afinal estamos falando de Metal extremo. Tudo em sua devida ordem, inclusive com mais um solo de ressuscitar defunto. “Envolvido apenas pelo conhecimento / Pensamos que nossas vidas não podem suportar / Para aqueles que não sabem, é inútil / Nossa proficiência humana permanece inexplorada” – nossa espécie prefere ouvir o que lhe é confortável para não precisar estudar sobre qualquer assunto, pois isso faz doer o cérebro de muitos incompetentes que vemos nas esquinas da vida.

A primeira tríade é completada por “Ceremonial Void”, faixa esta que logo em seu início revela linhas assombrosas de pedal duplo até que em uma das clássicas paradas, o conglomerado pisa fundo no acelerador, oferecendo mais pancadaria e dor de cabeça para quem não está acostumado com tamanha brutalidade sonora. Corpsegrinder se mostra muito competente e é praticamente um senhor das vozes guturais. Os diferenciais e solos junto com alguma morbidez qualificam ainda mais a canção que nem por isso perde o seu ímpeto. “Pesadelos rodeados de ilusão / Tecendo uma teia subconsciente de tristeza / Obcecado por altercações da mente / Perturbado, meus sentidos são malignos” – a mente pode ser a sua melhor amiga ou a sua pior inimiga de acordo com o que se pensa e o que se tem sonhado. A próxima profecia atende pelo nome de “Immense Malignancy”, outra faixa que não “nega o fogo” e possui um trabalho de caixa excepcional, além de contar com a estrutura da bateria e um solo inicial de Rubin. Uma chuva de mísseis em forma de “metranca” cerca o ambiente e ensurdece o mais sensível dos seres que choram e imploram ao ouvir um som tão grandioso assim. É algo do tipo que se elogiar muito pode estragar ao não conseguir encontrar palavras para descrever com mais clareza e profundidade. “Decrépito, repleto de miséria / Os mais velhos estão doentes / E estão mortos ou morrendo / Dilapidados, nos sentimos torturados / Você vive a vida de um cadáver / É o destino da sua morte” – o vazio e a ignorância, o falso saber e a degradação humana provocam essa desvalorização espiritual que se passa pelo contrário, mas que se pode enxergar através dos próprios olhos de tal ser que ele está realmente vazio por dentro.

“Vicious Mental Thirst” fecha a quina e posso dizer que é uma das canções que mais abrem espaço para o baixo flanqueador de Van Erp com momentos curtos bem contagiantes. A leitura sonora recebe um compasso harmônico macabro até que a mesma se esvai como o dissolver do sal na carne que está na grelha. “Destino calculado de suas impurezas / Saturação desta doença / Uma sede mental viciosa!” – uma crise mental que se alimenta de maus pensamentos sobre o divino e o maligno. Na sequência temos outra faixa impetuosa chamada “Burden Of Evil” que descamba para um bate-cabeça daqueles deixar a sua “peita” favorita em frangalhos e seu tênis mais sujo que sua privada. Corpsegrinder usa de seus vocais cavernosos para recitar mensagens como esta: “Os ventos da tristeza / Sangra pelo ar / Infestado de poluentes / É tarde demais para me importar / O céu agora está cheio de produtos químicos / Cheio de partículas tóxicas” – pode-se pensar na poluição que assola boa parte do planeta e também em uma mente conturbada, quebrada, dilacerada por seus próprios medos e sem esperança. Riffs e mais riffs com solos mirabolantes para empenar toda a estrutura do seu prédio.

“Horror Infinity” começa com uma levada mais cadenciada só para o doutor ajeitar a gravata e partir para o ataque. Mais um solo visceral capaz de separar as moléculas de sua base principal e preencher o universo com uma pancadaria magistral. Bateria removedora de posers e baixo triturador de vacilões contornam e mantém o alicerce mais do que firme do Monstrosity. “Através dos vales mais profundos do pensamento distorcido / Agarrando-se à razão, controlamos nossa queda” – um refrão que faz refletir sobre os caminhos que a mente e a alma podem levar. Os primeiros acordes de “Final Cremation” lembram um pouco o Korzus dos tempos de “Mass Illusion” (1991), mas a combinação para por aí e a canção logo toma forma própria com todo o conjunto incendiando os lares mais ortodoxos que se possa imaginar. Em outros momentos a lembrança citada ainda paira no ar e isso não é tão surpreendente assim, já que muitas bandas se inspiraram neste disco para elaborar os seus respectivos trabalhos. Porém, aqui só pode ter acontecido o contrário já que o álbum dos brasileiros foi lançado antes do álbum dos norte-americanos. Sobre o próprio Monstrosity, percebemos um amplo entrosamento entre banda e produção, pois tudo soa muitíssimo bem. Não é um clássico à toa! “Uma ação sacrílega queima por dentro / Este canto de morte agora escoa através de seus olhos / Um sangue enegrecido carbonizado arrebata” – pode ser o fim de quem não possui forças para continuar onde apenas sente o cheiro da morte à sua volta com diversos zumbis, acompanhando toda a escória e a tragédia anunciada sem que haja alguma escapatória.

“Darkest Dream” é a faixa do rodapé deste, maravilhoso e demoníaco, full-length. Novamente Corpsegrinder e seus asseclas acertam em cheio e mandam mais um petardo fenomenal. O jogo de pedais de Harrison impressiona em todas as faixas, e nessa dá a nítida impressão de que o rapaz estava com apetite para tocar. Faixa perfeita para finalizar esta obra prima que está marcada na história. “Uma civilização tornou-se agora / As sementes são costuradas para acabar com a humanidade / A profanação persiste contra o portador da esperança / Para espalhar o mal nessas mentes inocentes” – a esperança ainda persiste dentro de corações bondosos que prezam por algo melhor e sofrem mais devido à pressão negativa exercida sobre tais alvos.

Harrison é quem assina todas as letras e se mostra um grande pensador sobre a mente humana e seus caminhos tortuosos influenciados pela sociedade frágil e intimidadora. E toda a banda em si soube mostrar do que é capaz com cada integrante explorando todas as suas qualidades. É um disco que você deve ouvir sempre que pensar em ouvir Death Metal. O trabalho de Corpsegrinder, aqui, supera a muitos dos discos de sua outra banda, tamanho o seu desempenho em “Imperial Doom”. Se você que é nosso grande compatriota ainda não conhece esse disco, não perca tempo e ouça logo. Garanto que mudará muito do que você pensa sobre essa magnífica vertente do Metal, caso não familiarize tanto com ela. E se você for adepto desse estilo, passará a gostar ainda mais e se tornará fã do gigante Monstrosity.

Nota: 9,5 Integrantes:

George “Corpsegrinder” Fisher (vocal)

Jon Rubin (guitarra)

Mark van Erp (baixo)

Lee Harrison (bateria)

Faixas:

1. Imperial Doom

2. Definitive Inquisition

3. Ceremonial Void

4. Immense Malignancy

5. Vicious Mental Thirst

6. Burden Of Evil

7. Horror Infinity

8. Final Cremation

9. Darkest Dream

Redigido por Stephan Giuliano

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