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Clássicos: Monstrosity – “Imperial Doom” (1992)

Muitos conhecem a figura de George Corpsegrinder, ou simplesmente George Fisher. Porém, nem todos conhecem os trabalhos que faz e fez fora do glorioso Cannibal Corpse. Há até quem diga que os trabalhos por fora sejam melhores do que o trabalho feito em sua principal banda. Só que hoje especificamente não é dia para falarmos sobre o Cannibal, e sim sobre o Monstrosity, banda que além de contar com Corpsegrinder trazia em seu line up, Jon Rubin na guitarra; Mark van Erp no baixo; e Lee Harrison na bateria. Um super time do Death Metal, não?! Pois é, e o debut “Imperial Doom” é sempre citado entre os principais álbuns do estilo na qual alcançou um espaço disputadíssimo nas prateleiras de principais álbuns de Death Metal de todos os tempos da última semana!

   

Imperial Doom foi produzido e projetado pela lenda Jim Morris, em parceria com o Monstrosity, no Morrisound Studios, em Tampa, Florida. Markus Staiger foi o produtor executivo. O álbum foi lançado dia 16 de maio de 1992 pelo selo Nuclear Blast Records com a clara intenção de figurar entre os gigantes daquela época e que perduraria até os dias de hoje. A arte da capa é assinada por Dan Seagrave, uma figura tarimbada quando o assunto são capas de discos de Death Metal. Se você pensar em algum medalhão com toda certeza esbarrará nesse nome. Falando sobre o disco, este um daqueles álbuns de estreia que ficam marcados por eras e por vezes é quase impossível de ser igualado pela própria banda. Não vou dizer se este é o melhor trabalho dos caras, mas sem sombra de dúvidas é um disco a ser tocado sempre que possível. Jamais poderá deixar um disco desse calibre encostado na prateleira. Afinal de contas, isso é magma puro e fervilhante totalmente contra os ouvidos mais sensíveis que avistamos aqui e acolá.

Ao analisar mais profundamente te convido para adentrar nas entranhas do abismo sepulcral e encontrar cada faixa dentro desse emaranhado de criaturas do submundo. Certamente você já deve ter ouvido falar em faixas como a própria que dá nome ao disco e também “Definitive Inquisition”. Acredito que sim, pois se trata de um dos inícios mais insanos que um álbum dessa vertente pode proporcionar. A primeira citada já começa marretando a cabeça do pobre desavisado e que em sua sequência traz levadas e quebradas de deixar qualquer mandíbula destroncada. Se isso não for uma aula de Death Metal, eu não sei o que seria. Ainda na mesma canção encontramos uma mudança de andamento que deixa o som ainda mais encorpado sem ser aquela música mais “diretona”, ou coisa do tipo. E para não deixar pedra sobre pedra Rubin entrega um solo daqueles de torcer todo seu sistema nervoso. “Uma sepultura ardente de dor eterna / Processo habitual de conquistar a desgraça / Este caminho de torturas é percorrido lentamente / Vítimas de aflições crônicas são arruinadas” – simplesmente uma luxúria de sangue completa. Já a segunda citada parece querer competir em peso e velocidade com a anterior. Com um riff diferente conduz a sua alma velha e remendada para o mosh mais infernal que se possa imaginar. Harrison abusa de seu kit demonstrando toda a sua técnica e perspicácia, apoiado pela condução firme de Van Erp e seu baixo. Claro que temos ‘blast beats’, afinal estamos falando de Metal extremo. Tudo em sua devida ordem, inclusive com mais um solo de ressuscitar defunto. “Envolvido apenas pelo conhecimento / Pensamos que nossas vidas não podem suportar / Para aqueles que não sabem, é inútil / Nossa proficiência humana permanece inexplorada” – nossa espécie prefere ouvir o que lhe é confortável para não precisar estudar sobre qualquer assunto, pois isso faz doer o cérebro de muitos incompetentes que vemos nas esquinas da vida.

A primeira tríade é completada por “Ceremonial Void”, faixa esta que logo em seu início revela linhas assombrosas de pedal duplo até que em uma das clássicas paradas, o conglomerado pisa fundo no acelerador, oferecendo mais pancadaria e dor de cabeça para quem não está acostumado com tamanha brutalidade sonora. Corpsegrinder se mostra muito competente e é praticamente um senhor das vozes guturais. Os diferenciais e solos junto com alguma morbidez qualificam ainda mais a canção que nem por isso perde o seu ímpeto. “Pesadelos rodeados de ilusão / Tecendo uma teia subconsciente de tristeza / Obcecado por altercações da mente / Perturbado, meus sentidos são malignos” – a mente pode ser a sua melhor amiga ou a sua pior inimiga de acordo com o que se pensa e o que se tem sonhado. A próxima profecia atende pelo nome de “Immense Malignancy”, outra faixa que não “nega o fogo” e possui um trabalho de caixa excepcional, além de contar com a estrutura da bateria e um solo inicial de Rubin. Uma chuva de mísseis em forma de “metranca” cerca o ambiente e ensurdece o mais sensível dos seres que choram e imploram ao ouvir um som tão grandioso assim. É algo do tipo que se elogiar muito pode estragar ao não conseguir encontrar palavras para descrever com mais clareza e profundidade. “Decrépito, repleto de miséria / Os mais velhos estão doentes / E estão mortos ou morrendo / Dilapidados, nos sentimos torturados / Você vive a vida de um cadáver / É o destino da sua morte” – o vazio e a ignorância, o falso saber e a degradação humana provocam essa desvalorização espiritual que se passa pelo contrário, mas que se pode enxergar através dos próprios olhos de tal ser que ele está realmente vazio por dentro.

“Vicious Mental Thirst” fecha a quina e posso dizer que é uma das canções que mais abrem espaço para o baixo flanqueador de Van Erp com momentos curtos bem contagiantes. A leitura sonora recebe um compasso harmônico macabro até que a mesma se esvai como o dissolver do sal na carne que está na grelha. “Destino calculado de suas impurezas / Saturação desta doença / Uma sede mental viciosa!” – uma crise mental que se alimenta de maus pensamentos sobre o divino e o maligno. Na sequência temos outra faixa impetuosa chamada “Burden Of Evil” que descamba para um bate-cabeça daqueles deixar a sua “peita” favorita em frangalhos e seu tênis mais sujo que sua privada. Corpsegrinder usa de seus vocais cavernosos para recitar mensagens como esta: “Os ventos da tristeza / Sangra pelo ar / Infestado de poluentes / É tarde demais para me importar / O céu agora está cheio de produtos químicos / Cheio de partículas tóxicas” – pode-se pensar na poluição que assola boa parte do planeta e também em uma mente conturbada, quebrada, dilacerada por seus próprios medos e sem esperança. Riffs e mais riffs com solos mirabolantes para empenar toda a estrutura do seu prédio.

“Horror Infinity” começa com uma levada mais cadenciada só para o doutor ajeitar a gravata e partir para o ataque. Mais um solo visceral capaz de separar as moléculas de sua base principal e preencher o universo com uma pancadaria magistral. Bateria removedora de posers e baixo triturador de vacilões contornam e mantém o alicerce mais do que firme do Monstrosity. “Através dos vales mais profundos do pensamento distorcido / Agarrando-se à razão, controlamos nossa queda” – um refrão que faz refletir sobre os caminhos que a mente e a alma podem levar. Os primeiros acordes de “Final Cremation” lembram um pouco o Korzus dos tempos de “Mass Illusion” (1991), mas a combinação para por aí e a canção logo toma forma própria com todo o conjunto incendiando os lares mais ortodoxos que se possa imaginar. Em outros momentos a lembrança citada ainda paira no ar e isso não é tão surpreendente assim, já que muitas bandas se inspiraram neste disco para elaborar os seus respectivos trabalhos. Porém, aqui só pode ter acontecido o contrário já que o álbum dos brasileiros foi lançado antes do álbum dos norte-americanos. Sobre o próprio Monstrosity, percebemos um amplo entrosamento entre banda e produção, pois tudo soa muitíssimo bem. Não é um clássico à toa! “Uma ação sacrílega queima por dentro / Este canto de morte agora escoa através de seus olhos / Um sangue enegrecido carbonizado arrebata” – pode ser o fim de quem não possui forças para continuar onde apenas sente o cheiro da morte à sua volta com diversos zumbis, acompanhando toda a escória e a tragédia anunciada sem que haja alguma escapatória.

“Darkest Dream” é a faixa do rodapé deste, maravilhoso e demoníaco, full-length. Novamente Corpsegrinder e seus asseclas acertam em cheio e mandam mais um petardo fenomenal. O jogo de pedais de Harrison impressiona em todas as faixas, e nessa dá a nítida impressão de que o rapaz estava com apetite para tocar. Faixa perfeita para finalizar esta obra prima que está marcada na história. “Uma civilização tornou-se agora / As sementes são costuradas para acabar com a humanidade / A profanação persiste contra o portador da esperança / Para espalhar o mal nessas mentes inocentes” – a esperança ainda persiste dentro de corações bondosos que prezam por algo melhor e sofrem mais devido à pressão negativa exercida sobre tais alvos.

Harrison é quem assina todas as letras e se mostra um grande pensador sobre a mente humana e seus caminhos tortuosos influenciados pela sociedade frágil e intimidadora. E toda a banda em si soube mostrar do que é capaz com cada integrante explorando todas as suas qualidades. É um disco que você deve ouvir sempre que pensar em ouvir Death Metal. O trabalho de Corpsegrinder, aqui, supera a muitos dos discos de sua outra banda, tamanho o seu desempenho em “Imperial Doom”. Se você que é nosso grande compatriota ainda não conhece esse disco, não perca tempo e ouça logo. Garanto que mudará muito do que você pensa sobre essa magnífica vertente do Metal, caso não familiarize tanto com ela. E se você for adepto desse estilo, passará a gostar ainda mais e se tornará fã do gigante Monstrosity.

Nota: 9,5 Integrantes:

George “Corpsegrinder” Fisher (vocal)

Jon Rubin (guitarra)

   

Mark van Erp (baixo)

Lee Harrison (bateria)

Faixas:

1. Imperial Doom

2. Definitive Inquisition

3. Ceremonial Void

4. Immense Malignancy

5. Vicious Mental Thirst

6. Burden Of Evil

7. Horror Infinity

   

8. Final Cremation

9. Darkest Dream

Redigido por Stephan Giuliano

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