Lançamento: Mentalist – “Freedom Of Speech” (2020)

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A última vez que eu escutei um disco inteiro com Thomen Stauch na bateria foi há bons anos atrás, creio que no debut do Savage Circus, em 2005, quase três anos após sua saída do Blind Guardian. Sempre me perguntei por onde andaria Thomen e por que o cara não havia engrenado nenhum grande projeto desde então, fiz um trabalho de pesquisa no início do ano e vi que ele ainda estava na ativa, com um canal no Youtube e participando esporadicamente de alguns trabalhos. O notável baterista gravou um álbum com a banda alemã de Heavy/Power Stormrider e mais alguns singles com o Serious Black entre 2014 e 2016, mas só, nada de banda nova e nenhum projeto realmente grande. Pelo menos até aqui…

Há pouco mais de dois meses, fui surpreendido com a composição “Freedom Of The Press”, primeiro single do Mentalist. Na legenda estava a informação necessária que me fez dar play com gosto para ouvir a tal canção: “nova banda de Thomen Stauch”. E que música legal! Um Power Metal bem diferente do que o Blind Guardian praticava, porém, com aquela pegada marcante de Thomen. Alguns outros fatores me chamaram a atenção e, obviamente, parti para o trabalho de pesquisa, afinal, quem era aquele ótimo vocalista, e aquelas guitarras, de onde vinham? Bem, tudo fez sentido quando li os nomes de Rob Lundgren (vocalista sueco que tocou em uma infinidade de bandas) e Kai Stringer (guitarista do Starchild).

O Mentalist lançou seu debut, “Freedom Of Speech”, em 28 de agosto de 2020 e, desde então, vem colecionando elogios ao redor do mundo. A sonoridade da banda é bastante encorpada, com certo grau de complexidade e, o mais importante, carrega doses cavalares de feeling. Esta mistura rende músicas ímpares que, apesar de não reinventar a roda, conseguem soar agradáveis e com certo teor de originalidade. O disco é bem equilibrado e traz de tudo um pouco, desde aquelas faixas mais tradicionais ao Power Metal, com refrões pegajosos e bumbo duplo comendo solto, até belas baladas e composições mais longas, com aquela aura épica típica do gênero.

É verdade que nem tudo são flores, já que há alguns excessos aqui e ali e a produção dá umas pisadas de bola em alguns momentos, porém, não é nada que desqualifique a audição e, tão pouco, algo que chegue a incomodar de fato. Na parte dos excessos, menciono a duração do álbum, cerca de 1 hr e 7 min. Não havia necessidade para um disco tão longo e, certamente, a versão acústica da bela balada “Whispering Winds” poderia ter ficado de fora, assim como alguma outra faixa escolhida pela banda. Isto, certamente, daria uma dinâmica mais adequada a audição.

Um ponto muito forte em “Freedom Of Speech” são as letras apresentadas. Em alguns momentos, tratam de temas atuais como política e o caos generalizado que nosso mundo enfrenta e, em outros, sobre questões intimistas bastante peculiares. Em ambos os casos, a banda manda muito bem e consegue passar a sua mensagem de forma extremamente satisfatória. Outro ponto a se destacar está na parte técnica, as passagens instrumentais são belíssimas, tanto com relação aos solos da dupla Kai Stringer e Peter Moog, como nas marcações precisas e cirurgícas de Thomen, que simplesmente arrebenta durante todo o álbum com viradas matadoras e linhas que são um verdadeiro deleite. Por sinal, Thomen recebeu aqui um parceiro bastante hábil para completar a forte cozinha da banda, já que o baixista Florian Hertel encaixou de forma perfeita suas bases e, logo no disco de estréia, os dois músicos parecem estar com a química em dia.


Se você é fã daquele Power mais direto, “Freedom Of The Press”, “Digital Mind”, “Your Throne” e “Price Of Time” farão a sua cabeça. Se gosta de belas baladas, “Whispering Winds” e, principalmente, “Isolation” vão te fazer apagar as luzes, levantar as mãos para o alto e, se bobear, até acender o seu isqueiro e ficar balançando de um lado para o outro. Agora, se a sua pegada são aqueles sons mais trabalhados, com duração um pouco mais longa e clima épico, “Belief” e “Run Benjamim” vão te deixar em estado de graça. E olha que o disco ainda apresenta a excelente “Life”, um som mid-tempo com um refrão pra lá de cativante, além de “Devil’s Game”, que não se encaixa em nenhum parâmetro do estilo, mas ainda sim, é uma composição forte e marcante.

Pode ser que “Freedom Of Speech” ainda não seja o álbum capaz de colocar o Mentalist entre as bandas pertencentes ao primeiro escalão do estilo, mas com toda a certeza, os coloca no caminho certo para isso. Talvez, com uma produção um pouco melhor e um disco com uma duração não tão longa, o próximo seja o registro derradeiro. Enquanto isso, é preciso dar os créditos que os caras merecem, pois mesmo com estes pequenos poréns, o álbum é capaz de bater de frente com os grandes trabalhos de Power lançados em 2020 e deve figurar em muitas das tradicionais listas de melhores do ano.

  • Nota: 8,9
  • Integrantes:
  • Rob Lundgren (vocal)
  • Peter Moog (guitarra)
  • Kai Stringer (guitarra)
  • Florian Hertel (baixo)
  • Thomen Stauch (bateria)
  • Faixas:
  • 1. Metasphere
  • 2. Freedom Of The Press
  • 3. Life
  • 4. Whispering Winds
  • 5. Digital Minds
  • 6. Belief
  • 7. Your Throne
  • 8. Isolation
  • 9. The Deal
  • 10. Devil’s Game
  • 11. Price Of Time
  • 12. Run Benjamin
  • 13. Whispering Winds (orchestral version)
  • Redigido por Fabio Reis
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