A tecladista do Cradle Of Filth,Zoë Marie Federoff, não faz mais parte da banda. Em meio à turnê “The Screaming Of The Americas” que encerrou sua passagem pelo Brasil com show em São Paulo no último sábado (23) e seguiu para Buenos Aires, Argentina, no domingo (24), a tecladista anunciou a sua saída. No domingo (24), Zoë emitiu um comunicado através das redes sociais:
“É com profundo pesar que compartilho que, por motivos pessoais, não posso continuar esta turnê e continuar em geral com o CRADLE OF FILTH.
Por favor, respeitem a minha privacidade e a privacidade da minha família. Não responderei mais perguntas. Sejam gentis com a minha sucessora. Desejo tudo de bom a ela e aos meus ex-companheiros de banda.
Pelo menos, como Roy Khan disse há mais de uma década, Deus estava lá, afinal.
Sua, Zoe”.
O vocalista do Cradle of Filth, Dani Filth, se manifestou sobre o assunto:
“Olá, Filthlings, uma estranha reviravolta aconteceu aqui na turnê do CRADLE OF FILTH na América do Sul. Nossa tecladista/vocalista de apoio Zoe Smerda decidiu deixar a banda no meio da turnê, com efeito imediato.
Nós, é claro, desejamos a ela tudo de melhor para o futuro e nós, como banda, continuaremos avançando e crescendo como sempre, com uma vocalista substituta aqui, Kelsey Peters, uma das talentosas integrantes do CREWDLE.
Na vida, nem sempre podemos prever o que o futuro nos reserva, mas permaneceremos sempre profissionais e continuaremos com os shows ‘The Screaming Of The Americas’ para nossos fãs, sem permitir que nada disso manche nossa trajetória.
Então, nossos irmãos da América do Sul e Central, nos vemos na próxima leva de shows implacáveis.
Os shows já foram incríveis no Brasil e estamos extremamente gratos pela enorme e apaixonada presença de vocês, meus amigos e amigos.
Vida longa à Filth!”
O Mundo Metal marcou presença no show da banda no Carioca Club em São Paulo, no sábado (23). Confira a resenhado redator Stephan Giuliano.
Recentemente, o guitarrista Kerry King conversou com a Metalshop TV durante o festival Brutal Assault e, comentou a participação do Slayer no vento histórico Back To The Beginning, que marcou a despedida do Black Sabbath com a sua formação original bem como a última apresentação solo de Ozzy Osbourne, que faleceu apenas 17 dias após o evento, em 22 de julho devido a uma ataque cardíaco. Kerry King disse:
“Eu fiz questão de estar lá o dia todo no show ‘Back To The Beginning’. Meus amigos do MASTODON tocariam primeiro, então eu queria vê-los. Eu sei que o HALESTORM tocaria cedo; eu queria vê-los. Eu vi o soundcheck do ALICE IN CHAINS no dia anterior. Eu assisti Ozzy e o BLACK SABBATH tocarem… Eles tinham algo montado como uma tela de LED gigante nos bastidores com seu próprio sistema de som, então eu simplesmente me estacionei bem na frente dela e tive basicamente um lugar na primeira fila para o show inteiro para aqueles dois. Eu estava no palco para o METALLICA.
Foi um ótimo dia. Quando você faz um festival, como o que estamos fazendo hoje [no Brutal Assault], muitas vezes eu não sei com quem estamos tocando, mas eu conhecia ‘Back To The Beginning’ há meses, então tinha um dia inteiro planejado para ver meus amigos tocarem. E foi legal. E com o falecimento do Ozzy logo depois, estou muito feliz por ter podido fazer parte disso.”
O guitarrista falou sobre a primeira vez em que conheceu Ozzy Osbourne:
“Provavelmente foi no final dos anos 90. Porque quando eles estavam testando o Ozzfest, fizemos todos os shows originais, quando eram só um ou dois shows, talvez no sul da Califórnia e em Phoenix, só para ver se era uma ideia viável. Então, presumo que tenha sido por volta dessa época, mas não me lembro disso. [Risos]”
Convidado a compartilhar alguma lembrança especial sobre Ozzy, Kerry King declarou:
“Por mais Ozzfests que fizéssemos, parecia que estávamos sempre nos apresentando na época em que “The Osbournes” era um programa de TV popular. E quando estávamos em turnê, eu nunca via nenhum deles. Era como se fossem fantasmas. Lembro-me de uma vez num dos hotéis, porque às vezes todas as bandas ficavam no mesmo hotel e o SABBATH estava no nosso hotel, e eu abri a porta e o Tony Iommi, estava passando pelo corredor com, tenho certeza, o seu guarda-costas, ou quem quer que fosse, e eu era tão fã que abaixei a cabeça e disse: ‘Ei, Tony’, tentando ser legal, sem ser chato. Mas, anos depois, passamos a nos encontrar com mais frequência e, não sei se nos tornamos amigos, mas passamos a ser mais do que conhecidos. Ele é um dos meus super-heróis, então foi difícil para mim superar isso.”
Imagine que o Cradle of Filth tenha desembarcado em São Paulo para a realização de alguns shows. Seriam três no total e todos eles ligados à tour “The Screaming of the Americas” (2025). Agora, pare de imaginar e se concentre na realidade. Afinal, os shows realmente aconteceram a cá estaremos para destacar o que aconteceu de tão bom na apresentação dos ingleses em território paulistano.
O ano de 2025 tem sido muito proveitoso e importante para o Heavy Metal como um todo, pois o seu calendário de shows está completamente insano! Praticamente todos os subgêneros possuem um cardápio amplamente recheado e coberto por grandes bandas e artistas do mundo todo, incluindo também do nosso quintal, em diversos eventos pelo país.
O Cradle of Filth, liderado pelo carismático e impactante vocalista Dani Filth, sempre carregou a alcunha de ser uma banda completamente distinta das demais figuras famosas e mais tradicionais do Black Metal. Embora o exército das sombras inglês seja também uma banda veterana, ainda sim possui essa pecha de ser colocada em algum pote diferenciado. Assim sendo, podemos dizer que ela acaba sendo deixada de lado por muitos e idolatrada por tantos outros. No discorrer dessa história, estarei falando um pouco do meu primeiro contato com a sonoridade do Cradle e como eu passei a ver a banda de uns tempos para cá.
Ponto de encontro tradicional é praticamente jogo ganho
Decerto, isso é bem verdade. Afinal, quando um lugar se torna bastante tradicional para o público, dificilmente uma mudança é bem aceita. O local deste evento foi no já tradicional Carioca Club, região de Pinheiros, e que todo headbanger aparece por lá sem maiores problemas. Obviamente que, o transporte público na cidade de São Paulo é uma porcaria requentada com a falsa propaganda de renovação de frotas e linhas, e todas as baboseiras ditas para enganar o tão sofrido povo a qual me incluo. Mas, ainda sim é possível chegar com certa tranquilidade ao local específico.
O Carioca Club tem evoluído bastante a cada oportunidade que eu posso ir até lá conferir algum show. Minha última aparição por lá havia sido no show do Carcass. Show único em São Paulo e nesse mesmo ano de 2025.
As hordas que vieram estender o tapete negro para a grande atração da noite
Bons shows necessitam de ótimos inícios. Quem abre as cortinas primeiro acaba ditando o rumo da história e, para que isso ocorra de maneira condizente com a trama, deve-se colocar a responsabilidade nas mãos de quem realmente poderá entregar uma apresentação de qualidade.
A banda que toca primeiro sempre sofre por conta do público ainda reduzido, mesmo que a redução não seja tão grande assim. Muitos fatores acabam resultando nesse tipo de acontecimento. Horários, locomoção e distância, o próprio transporte como já foi mencionado no início deste pergaminho das trevas, além de muita gente trabalhar aos finais de semana e, portanto, só conseguir garantir a presença diante da atração principal. Além disso, temos aqueles que chegam cedo, mas optam por ficarem nos bares ao redor da casa de shows para, a partir de então, adentrar ao local no horário do grande nome da noite.
A partir de agora, te convido a entrar na festa e conferir comigo no replay o que de melhor aconteceu na “The Screaming of the Americas” deste último sábado.
O aterrorizante Tellus Terror e sua breve, porém macabra jornada
Direto de Niterói, Rio de Janeiro, o Tellus Terror veio para iniciar a abertura do caixão e liberar o monstro para aterrorizar a cidade de São Paulo. Seu trabalho mais recente, o ótimo “Deathinitive Love Atmosfear” (2024) é um atrativo e tanto para conhecer sobre o caminho percorrido pela banda. Não é à toa que este foi um dos lançamentos de destaque do Metal nacional daquele ano. E, certamente, isso evidencia a força motriz encontrada por aqui.
Possuem uma veia forte que caminha entre várias eras do Black Metal. Desde o mais cru ao sinfônico, apresentando um equilíbrio difícil de se encontrar por aí. Por entre riffs pesados e densos, temos a pancadaria tradicional e as melodias que tocar no âmago do ser pútrido e de alma corrompida. A quatro primeiras faixas tocadas pertencem ao disco citado e foram tocadas na ordem do tracklist original, mostrando a força que este trabalho possui tanto nas gravações quanto ao vivo!
Tellus Terror/Stephan Giuliano/Mundo Metal
Tellus Terror – setlist:
1. Amborella’s Child 2. Absolute Zero 3. Darkest Rubicon 4. Psyclone Darxide 5. Empty Nails 6. Lone Sky Universum 7. Shattered Murano Heart 8. Sickroom Bed 9. Brain Technology Pt. II
A missa negra e encapuzada do Uada
Embora o início da jornada tenha sido bastante atrativo, as coisas poderiam ficar ainda mais extremas. Decerto, coube ao Uada essa grata missão. A banda norte-americana representa Portland, Oregon, e carrega em seu capuz um Melodic Black Metal com boas doses de Punk Rock, partindo para a receita “motorheadiana” do cardápio sonoro. A partir da faixa “Djinn”, que dá nome ao terceiro álbum lançado em 2020, coloca o público em maior conexão com os encapuzados.
Entretanto, um fator a se destacar, porém mais por curiosidade, foi o fato de que o vocalista/guitarrista Jake Superchi teve alguns problemas com o microfone e em dado momento, acabou se irritando e empurrando uma das PA’s com o pé para baixo e jogado o pedestal no chão. Uma moça com um celular na mão (não sei se fazia parte da equipe de roadies da banda) tentou resgatar o pedestal e, ao coloca-lo de pé, o mesmo caiu e quase a atingiu. O líder do Uada pegou o pedestal, ergueu e jogou no chão de volta. Puro Rock n’ Roll? Ou uma irritação espontânea mesmo? No entanto, isso não abalou a banda nem os fãs que seguiram empolgados e agitando do início do fim da apresentação.
Uada/Stephan Giuliano/Mundo Metal
Uada – setlist:
1. Natus Eclipsim 2. Djinn 3. Blood Sand Ash 4. Cult of a Dying Sun 5. Black Autumn, White Spring
Uada/Stephan Giuliano/Mundo Metal
Faltava a grande atração do baile, mas…
Quem comandou a mesa de som, roubou a cena ao inserir músicas bastante emblemáticas durante os intervalos entre cada apresentação. Me recordo de algumas bandas como Tristania, Behemoth (Conquer All), Dimmu Borgir (Death Cult Armageddon), Nightwish e o encerramento foi… Deixarei para o final para ficar na ordem do ocorrido. Dito isso, vamos à grandiosa apoteose.
Cradle of Filth e a divulgação do novo livro musical de terror abissal
A banda está divulgando o seu mais recente trabalho, “The Screaming of the Valkyries”. Para quem não é habituado ao som do Cradle of Filth, a sua música atravessa o horizonte de eventos do Metal extremo, se estendendo até a borda do universo desse subgênero tão amado por fãs de Death, Black e Thrash Metal, por assim dizer.
Sua musicalidade possui uma veia forte voltada para o Gothic Metal, mas encaixado em um molde extremo, e que por sua vez, vai de encontro ao conhecido Symphonic Black Metal. Contudo, creio que possamos dizer que vem a ser algo como Symphonic Black Metal/ Extreme Gothic Metal.
Além disso, podemos mencionar a excelente fase vivida atualmente pela banda, com discos de alto calibre como “Hammer of the Witches” (2015), “Cryptoriana (The Seductiveness of Decay)” (2017), “Existence Is Futile” (2021), assim como o mais recente, a qual você poderá conferia a resenha dele ao clicar AQUI.
“The Screaming of the Americas Tour”
O Cradle of Filth, por si só, não estava em dívida com ninguém e não havia ninguém no recinto questionando a presença ou até mesmo a sonoridade da banda. Os fãs reais estavam presentes e o que se via era um público empolgado e com os olhares fixos em direção ao palco.
As cortinas, por sua vez, estavam fechadas e ninguém arredava os pés de onde estavam. Cada vez ia chegando mais pessoas ávidas por Dani Filth e seus asseclas. Era notória a grande expectativa de cada um ali presente. Amigos que estavam juntos comentavam sobre o que esperavam ver e como poderia ser a apresentação dos ingleses.
Bastou um pequeno abrir de cortinas para todos irem ao delírio como se algum time fizesse um gol naquele instante. As cortinas se abriram e o cenário estava pronto, com cada integrante ia entrando por vez. Por fim, Dani Filth chegou com o seu estilão já interpretando e colocando as pessoas para junto dele e de sua banda.
Era notória a presença de muitas mulheres no evento e isso ganhou um destaque ainda maior durante a apresentação do Cradle of Filth.
Cradle of Filth/Stephan Giuliano/Mundo Metal
Por entre clássicos sombrios e singles nefastos mais novos
O Cradle of Filth manteve o seu set fixo com relação à sua apresentação anterior, trazendo o mesmo tempero para mais pessoas apreciarem tais iguarias. Ninguém questionou a ausência de uma música sequer no show. Muito pelo contrário, pois todas as músicas tocadas foram ovacionadas e em dado momento houve o início de uma bela valsa. Uma pena que eu não estava em condições físicas de poder participar da honorável dança e macabra.
Entretanto, as músicas foram executadas de maneira tão condizente, que não importava será um som mais antigo ou mais novo, acabava por soar de igual importância, potência e tamanho durante o show. Certamente, a banda soube trabalhar o seu set para que soasse dessa forma admirável de tão equilibrada.
Abertura digna de um ritual sombrio
“To Live Deliciously” (“The Screaming of the Valkyries”, de 2025) foi a escolhida para abrir os portões do inferno e apresentar uma das novas mensagens musicais da banda ao público presente, que já conhecia muito bem o novo single. Essa canção já se tornou marcante e deverá ser figurinha carimbada nos futuros shows da banda. “The Forest Whispers My Name” veio para trazer um pouco do forte tempero de enxofre contigo na obra “The Principle of Evil Made Flesh”, clássico debut de 1994.
Quando Dani começou o seu anúncio, muitos adeptos manifestação ampla empolgação. Ao anunciar “She Is a Fire”, todos vibraram bastante. Mulheres sorriam em êxtase e todo mundo acompanhou a banda nota por nota, verso por verso. A faixa pertence ao álbum ao vivo “Trouble and Their Double Lives”, assim sendo uma das duas faixas inéditas desse live álbum, ao lado de “Demon Prince Regent”, de 2023. Só para ilustrar, cada música abre um lado do álbum. “She Is a Fire” abre o lado A, enquanto a segunda citada abre o lado B.
Perfeição maligna
“Malignant Perfection” é mais uma faixa do álbum novo a se colocar presente na festa. É outra música a atender as vontades do público, tendo uma performance impecável de todos os componentes da banda e mantendo as chamas negras acesas. Imagine os jatos de vapor de gelo como propulsores tirados de algum calabouço antigo e trazido aos tempos atuais. A perversidade sonora ajudou bastante nesse aspecto. Destaque para denso baixo de Daniel Firth e para a presença vocálica da também tecladista Zoë Marie Federoff-Šmerda.
Eis que, foi invocada a primeira faixa cantada por Dani Filth em um disco do Cradle of Filth. O debut estava presente de volta e agora com a faixa-título “The Principle of Evil Made Flesh”. Vale lembrar que essa música é a segunda do tracklist, ficando atrás da instrumental “Darkness Our Bride (Jugular Wedding)”. O vocalista fez o anúncio aos seus moldes misteriosos e sarcásticos e, novamente, só para variar, o público interagiu em comemoração ao que estava por vir, provocando um mosh natural e obrigatório. Cortesia do baterista Marthus (Martin Škaroupka).
“Heartbreak and Seance” foi a próxima e fez o álbum “Cryptoriana (The Seductiveness of Decay)” vir à tona nesse show. Faixa merecida, por sinal!
A ninfa que faz a alma de cada ser viciado por música extrema dançar no escuro
Agora, achou que não teria ela? Claro que teria! E fez muito bem em ter! Falo de “Nymphetamine (Fix)”, faixa pertencente ao álbum “Nymphetamine”, de 2004. Ano esse em que as bandas com apelo gótico estavam em bastante evidência. Esse álbum me fez deixar a banda meio que de lado, pois nunca fui atrás para conhecer mais e o tempo foi passando… Esse disco, tempos mais recentes, me mostrou que essa banda não faz nada por acaso e não possui nenhum resquício de banda com ideias forçadas ou coisas fúteis do tipo.
Ao ser anunciada, as mulheres presentes se soltaram ainda mais e acompanharam a vocalista e tecladista Zoë Marie na parte inicial da música, que é um dos clássicos da banda, com toda a certeza.
A sequência veio com “Born in a Burial Gown”, presente no EP de 2001, “Bitter Suites to Succubi”. Essa emenda trouxe ainda mais os fãs para perto da banda. A sintonia estava no nível máximo e tudo se saiu conforme manda o roteiro dos ótimos shows. Os teclados lembram o Graveworm do velho testamento.
Antes do intervalo, teve tempo para mais um grande anúncio. “White Hellebore”, terceiro single do novo álbum a ser apresentado, e já parecia uma música antiga. Isso se deu conta pelo fato da incrível receptividade do público. Portanto, todas as três faixas de “The Screaming of the Valkyries” foram super aprovadas! Dani Filth poderá muito bem incluir outras músicas do novo álbum em seu set para também medir a temperatura ao delas ao vivo.
Cradle of Filth/Stephan Giuliano/Mundo Metal
“Creatures That Kissed in Cold Mirrors” / “The Monstrous Sabbat (Summoning the Coven)”
Um breve intervalo para recobrar a consciência dentro de um universo de musicalidade densa, veloz, técnica, agressiva, experimental, dançante (para diversas damas presentes) e maldita. Afinal, a maldição impera em um show do Cradle of Filth!
Após a intro citada em subtítulo, temos o retorno dos guitarristas Ashok (Marek Šmerda) e Donny (Donald Burbage), com cervejas nas mãos e saudando a todos os presentes, todos os outros integrantes também retomam os seus postos até que, Dani também chega sem a sua “armadura” de cavaleiro negro de armadura reluzente. E chega com mais ímpeto e empolgação ainda, como se o show ainda estivesse para começar!
Estava na hora da velharia ser posta à prova nesta noite! “Cruelty Brought Thee Orchids” foi a escolhida para iniciar o que seriam os últimos passos até a apoteose. E o público acompanhou os primeiros versos recitados por Zoë Marie:
“Hear Me now! All crimes should be treasured If they bring thee pleasure somehow”
A mesma pertence a um dos trabalhos mais elogiados por público e mídia, o excelente “Cruelty and the Beast”, terceiro disco lançado em 1998. Não teve erro! A valsa obliterante estava diante de todos nós e o que restava de nossas almas estava fervilhando como água esquecida com o fogão ligado.
O grand finale se resume em “Midian”
Tido como o melhor álbum do Cradle of Filth por muitos, inclusive pelo meu grande compatriota Fabio Reis. Foi ele quem me fez ouvir o “Midian” na íntegra e eu logo absorvi a ideia de modo a nunca mais recuar. Ou seja, todo aquele pessimismo que eu tinha com relação ao trabalho de Dani Filth caiu por terra em questão de poucos minutos. E ao vivo eu estava presenciando um poderio ainda maior vindo dele e seus comparsas de sonoridade extrema e maquiavélica.
Duas faixas desse clássico álbum a qual foi lançado em 2000, foram oferecidas a quem esteve presente! Dani Filth anunciou e ela veio a pleno vapor de gelo! Seu nome? “Death Magick for Adepts”, quarta faixa do artefato sonoro citado e que atendeu aos anseios dos fãs e felicitou quem não conhecia tanto assim o som dos caras. Baixo e bateria desintegrando gerações de corpos sem alma sob uma forte e densa camada de teclado fantasmagórico. E as guitarras surgem nos momentos propícios para dizer que muitas bandas deveriam aprender algumas coisas com a horda negra de Dani Filth.
O fim definitivo veio com “Her Ghost in the Fog” e fez todos comemorarem, cada um ao seu modo, porém com todos muito mais do que satisfeitos. Surge o piano amaldiçoado para abrir caminho para o comboio infernal passar. Zoë Marie honra as tradições e faz aquele dueto caprichado com Dani, enquanto toda a estrutura musical é colocada diante dos olhos e ouvidos atentos das pessoas.
Stephan Giuliano/Mundo Metal/Cradle of Filth
Considerações finais de uma apresentação digna de muitos aplausos
É bem por aí mesmo, pois o Cradle of Filth vai muito além de usar corpse paint e utilizar adereços de palco, além das próprias vestimentas e tudo mais que complementa o seu trabalho. É uma banda em ação de verdade e usando de forma concisa da teatralidade a seu favor e à favor do público. Tudo muito bem inserido e cada integrante agindo ao seu modo, de acordo com a sua personalidade. Nada causa estranheza e tudo soa muito natural. Os músicos tornam isso natural, o que é um fator muito importante para se ganhar a devida atenção.
Marthus é um trator humano no quesito destruir com o seu kit. O que a música pede ele entrega como se estivesse tomando o seu café da manhã, sendo bastante versátil, técnico e com ímpeto de um bom destruidor de peles de bateria. Zoë é afiadíssima quanto às passagens atmosféricas e teclados nos moldes fantasmagóricos, vampíricos e densos em favor do Black Metal.
Os guitarristas Ashok e Donny formam uma dupla e tanto, com cada um tendo o seu momento e executando cada som ao seu modo. Um complementa o outro e vice-versa. Destaque para o bom humor de Ashok ao fazer graça em frente às câmeras e celulares que o filmavam e ao humor mais nórdico de Donny, o colocando como um guerreiro em favor de Filth.
Mais aplausos, “pufavô”!
O baixista Daniel Firth, que deve ser proibido de usar apelido para não ser confundido com o Dani Filth, coloca toda a técnica e agressividade de um baixista qualificado em favor dos fãs e da consequente apresentação. Ele consegue sustentar muito bem cada passagem sonora, deixando cada trecho com a sua verdadeira assinatura. E então, somando forças com Marthus, torna o fator cozinha muito mais sólido e equilibrado para que os outros componentes se sobressaiam por igual.
E por último, o dono dessa trajetória toda. Mr. Daniel Lloyd Davey, mais conhecido pelo pseudônimo Dani Filth, mostra toda sua versatilidade como cantor, além de ter um preparo físico formidável. O cara é um Bruce Dickinson no palco, pois não para em canto nenhum, dando atenção para todas as partes da plateia e interagindo bastante com o público. Além disso, chegou até a citar o Sepultura em uma de suas falas com o público. Por fim, foi um show de Metal extremo muito bem humorado e o que me alegrou também foi encontrar grandes amigos por lá. Isso é sempre muito gratificante e agradeço por cada amigo que eu tenho nesse mundo.
Obrigado, Mundo Metal! Seguiremos para mais aventuras musicais em breve.
“Thank you, Cradle of Filth!”
Cradle of Filth – setlist:
1. To Live Deliciously 2. The Forest Whispers My Name 3. She Is a Fire 4. Malignant Perfection 5. The Principle of Evil Made Flesh 6. Heartbreak and Seance 7. Nymphetamine (Fix) 8. Born in a Burial Gown 9. White Hellebore
Encore:
Creatures That Kissed in Cold Mirrors / The Monstrous Sabbat (Summoning the Coven) – sons gravados 10. Cruelty Brought Thee Orchids 11. Death Magick for Adepts 12. Her Ghost in the Fog
Para finalizar, nossa super amiga de longa data Luiza Silva, a qual também esteve presente no show, montou o setlist do show. Ouça logo abaixo:
O veterano Distraught, grupo gaúcho de thrash metal com mais de trinta anos de estrada, lançou o seu mais novo single e vídeo para a faixa “Extermination Of Mother Nature”.
A faixa faz parte do novo EP do grupo, “InVolution” (2025), lançado de forma independente em julho desse ano que conta com cinco faixas, com possibilidade de lançamento físico.
Segundo material de divulgação:
“a faixa foiinspirada na tragédia que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024, a música é um manifesto contra a degradação ambiental e humana, denunciando a negligência política que coloca o lucro acima da vida”.
O vídeo, filmado na parte inferior da Plataforma do Cais de Charqueadas/RS, contou com a direção de fotografia de Cristiano Seifert e Marcos Neuberger. A produção é de Ricardo Silveira e Marcos Neuberger e roteiro, direção e edição por Ricardo Silveira e Thiago Caurio.
O Distraught atualmente é André Meyer (vocais), Ricardo Silveira (guitarra), Everton Acosta (guitarra), Alan Holz (baixo) e Thiago Caurio (bateria).
“Emerge do fruto sacrossanto o embrião de toda loucura, prazer e instinto. Tudo que surge do homem também se origina no não-homem: a sombra, o negado, a escuridão. Ainda que sombras apolíneas cubram a alma em esplendor, é pelos poros, em sutil murmúrio, que as sombras dionisíacas reivindicam o ser.”
É assim que o Bastiel, grupo de death/black metal da cidade de Maracanaú/CE, abre o EP “Descendant Of Moloch” (2025).
Bastiel, de acordo com a banda, seria uma figura mitológica presente em tradições esotéricas e ocultistas, sendo um arcanjo que teria se recusado a participar da batalha celestial durante a rebelião de Lúcifer no paraíso. Essa tida indiferença em escolher um lado, bem ou mal, seria o seu pecado capital.
Formado como um projeto pela dupla Thanatuz e Siffus em 2022, o grupo mudou seu som de black/thrash/death metal para death/black metal e de temas ligados a blasfêmia, assim como luxúria e satanismo, para letras voltadas ao ocultismo e esoterismo.
Atualmente um quarteto, o grupo passou também por algumas mudanças de formação, inclusive durante a gravação do EP – talvez isso ajude a explicar uma leve diferença sonora entre as faixas, exemplo de “Descendant Of Moloch” em relação as demais.
De sonoridade intensa e ríspida, na linha do que grupos como Impurity, Mystifier, Beherit, Blasphemy e Sarcófago ajudaram a definir como sendo black metal, o Bastiel tem vocais rasgados acompanhados por um instrumental sem muitas variações, mas eficiente. Para um EP de pouco mais do que dezesseis minutos, tudo bem, mas vale a pena trabalharem um pouco mais as variações das músicas para evitar ficar algo maçante.
Enquanto muitas bandas do black metal investem (ou seria desinvestem?) em gravações propositadamente ruins, o Bastiel entrega uma boa produção. Saulo Rodrigues, do Neurotic Sounds Records, manteve a crueza do som do grupo, mas sem comprometer as músicas lançando algo inaudível como muitas outras bandas preferem fazer.
“Descendant Of Moloch” (2025) é um disco bruto, direto ao ponto e mostra uma boa banda que, com uns ajustes aqui e ali, tem tudo para entregar materiais melhores ainda no futuro.
O Mastodon homenageou o seu ex-guitarrista e cofundador Brent Hinds, que morreu no último dia 22 de agosto, aos 51 anos, devido a um trágico acidente de moto em Atlanta. A banda se apresentou na noite do mesmo dia na Feira Estadual do Alasca, como parte da série de concertos Conoco Phillips Alaska, no Teatro Borealis em Palmer, Alasca, onde o baterista/vocalista Brann Dailor, disse à plateia:
“Perdemos alguém muito especial para nós ontem. Brent Hinds, que esteve conosco como guitarrista por 25 anos, uma das pessoas mais criativas e bonitas que já conhecemos neste mundo, nos deixou tragicamente. Muito, muito lamentável. Nós o amávamos muito, muito, muito mesmo. E tivemos os altos e baixos de um relacionamento de 25 anos. Sabem o que quero dizer? Nem sempre é perfeito, nem sempre é incrível, mas fomos irmãos até o fim. E nós realmente nos amávamos e fizemos muitas, muitas músicas lindas juntos. E acho que isso vai resistir ao teste do tempo, como vocês aqui hoje à noite comprovam.
Então, continuaremos a tocar a linda, linda música de Brent, que ele nos ajudou a fazer, que nos fez formar essa banda juntos e viajar pelo mundo juntos, dormir em uma van juntos, deitar nossas cabeças em camas de areia para gatos, ficar bêbados demais para lembrar de qualquer coisa no dia seguinte, umas mil, milhões de vezes, repetidamente, com o amor que compartilhamos e a beleza, todas as plateias em que tocamos, em todos os palcos em que pisamos.
Não sei. Estamos sem palavras. Estamos absolutamente devastados e arrasados por perdê-lo e por nunca mais podermos tê-lo de volta. Mas vocês fizeram com que fosse aceitável para nós subirmos ao palco e fazermos isso hoje à noite. Então, isso foi pelo Brent, tá?! Muito obrigado, pessoal. Nos vemos em breve. Tá? Vou dar uns pedaços de madeira para vocês, tá? Nós amamos vocês.
Obrigada, Alasca, por nos receber. É o 50º estado que riscamos da nossa lista de desejos. Então, obrigada por esse marco incrível e obrigada por nos ajudar a superar esse. Foi muito difícil para nós, mas vocês são incríveis, então obrigada, obrigada, obrigada mais uma vez. Nos vemos em breve, ok?! Nós te amamos, nós te amamos, te amamos, te amamos muito. Boa noite.”
A polícia de Atlanta informou que uma mulher dirigindo uma SUV BMW faiza uma conversão à esquerda e não cedeu a passagem atingindo a motocicleta de Brent que seguia para oeste na Boulevard. A mulher permaneceu no local do acidente e prestou esclarecimentos aos investigadores.
A lendária banda de Heavy Metal, Raven, comunicou o adiamento da turnê europeia que estava programada para este ano. A decisão se deve a duas cirurgias pelas quais o baixista/vocalista John Gallagher teve que passar. Recentemente, John Gallagher foi diagnosticado com um hematoma subdural (sangramento no cérebro).
Veja abaixo a declaração oficial da banda compartilhada através das redes sociais:
“Tenho uma notícia infeliz para vocês!
Estamos muito tristes em dizer que teremos que adiar a próxima turnê europeia devido à saúde de John. Ele foi internado no hospital com uma forte dor de cabeça em 12 de agosto.
Após uma tomografia computadorizada, foi determinado que ele estava sofrendo de uma hemorragia no cérebro, hematoma subdural.
A cirurgia foi planejada para o dia seguinte, e outra cirurgia mais invasiva foi realizada no dia 19. Ele está bem agora, mas é claro que precisa se recuperar e não poderá voar de avião.
Pouquíssimos shows foram cancelados em nossos 50 anos de carreira.
EDIT: Estamos trabalhando com nossa agência Dragon Productions, bem como com os promotores para remarcar essas datas.
Gostaríamos de agradecer ao nosso agente de reservas Bart Gabriel, aos promotores e, claro, a todos os Raven Lunatics que compareceram aos shows pela compreensão.
O novo álbum da banda brasileira de Thrash Metal, Violator, intitulado “Unholy Retribution”, será lançado em 5 de setembro via Kill Again Records. Este será o terceiro álbum completo da banda oriunda de Brasília, Distrito Federal, e estreará 12 anos após “Scenarios of Brutality”, de 2013.
Após a estreia do single “Chapel of the Sick”, é a vez de conhecermos a nova faixa “The Evil Order”. Ouça abaixo:
“Unholy Retribution” foi gravado no Refinaria Estúdios, em Brasília, e mixado e masterizado por Yarne Heylen (Carnation) no Project Zero Recording Studio, em Laakdal. O artista Andrei Bouzikov criou a arte de capa.
Violator é: Poney Ret Crucifier (baixo, vocal), Batera Bone Crusher, Capaça Bloody Nightmare (guitarra) e Cambito Chains Killer (guitarra).
Faixas:
1. Hang The Merchants Of Illusion 2. Cult Of Death 3. Persecution Personality 4. Destroy The Altar 5. The Evil Order 6. Chapel Of The Sick 7. Rot In Hell 8. Vengeance Storm
O baterista do Judas Priest, Scott Travis, participou recente do programa“Rock Of Nations With Dave Kinchen And Shane McEachern”, e foi perguntado se ele tem alguma lembrança de Ozzy Osbourne, dos momentos em que estiveram juntos. Ele mencionou a participação do Judas Priest no Ozzfest 2004:
“Rob voltou a se juntar ao Judas Priest e estávamos na turnê do Ozzfest em 2004… As duas atrações principais daquele ano eram a formação original do BLACK SABBATH e PRIEST. E foi uma turnê de verão inteira nos Estados Unidos, então foi muito bom poder fazer aquela turnê com o SABBATH original e, naquele momento, ainda era com KK e Glenn. Então esse foi um momento superlegal, e, obviamente, Rob voltando a se juntar ao PRIEST depois de ficar ausente por 13 anos — um longo tempo. Então foi muito legal.”
Scott Travis também comentou sobre o show de despedida da formação original do Black Sabbath (Back To The Beginning) no dia 5 de julho, em Birmingham. O Judas era uma das bandas convidadas, mas teve que recusar o convite por conta de um compromisso fechado anteriormente com o Scorpions para o show especial de celebração dos 60 anos de carreira da banda alemã:
“Sabíamos sobre a reunião do SABBATH ou o show final do SABBATH que aconteceria no Reino Unido, mas, como tenho certeza de que vocês sabem, já tínhamos fechado contrato e concordado em fazer o SCORPIONS, o show de 60º aniversário deles na Alemanha no mesmo dia. Então, não podíamos fazer a coisa do Ozzy. Mas achamos que seria legal gravar um cover de uma música do SABBATH como um tributo a Ozzy. E, claro, recebemos a bênção da Sharon Osbourne. Então, fizemos nossa versão de ‘War Pigs’. Mas fizemos isso bem antes — não apenas antes do show do BLACK SABBATH, mas antes do falecimento do Ozzy. Então foi meio estranho termos conseguido fazer isso. E então acho que estamos tentando — acho que há uma versão saindo com o Ozzy realmente cantando nessa versão. Em outras palavras, o Rob canta um verso e então o Ozzy canta um verso. Eu Acho que isso vai sair. Mas enfim, fizemos nossa versão e um vídeo, então está disponível. E aí, claro, sim, estávamos no meio da nossa turnê quando recebemos a notícia da morte do Ozzy, e foi devastador.”
Infelizmente, Ozzy Osbournefaleceu aos 76 anos, apenas 17 dias após fazer o show de despedida do Black Sabbath em Birmingham.
Ronnie Atkins, vocalista do Pretty Maids e colaborador de longa data do Avantasia, compartilhou uma mensagem com os fãs sobre sua longa batalha contra um câncer de pulmão, desde 2019. Contrariando todas as expectativas, Ronnie Atkins segue firme como uma rocha e não pensou em dar um tempo com a música nem por um momento, pelo contrário… da música ele extrai a força necessária, a alegria e a motivação para lidar com a doença. Ele seguiu gravando discos solo, retomou as atividades com o Pretty Maids em atividade novamente e continua colaborando com Tobias Sammet (Avantasia). Atkins é o exemplo de determinação, coragem, garra e vontade de viver!
Veja a mensagem que ele compartilhou com os fãs nas redes sociais, na última sexta-feira (22):
“Parece surreal para mim que já faz 6 anos que a merda bateu no ventilador e eu encontrei essa doença horrível pela primeira vez! Desde então, houve altos e baixos, momentos bons e ruins, mas o cerne da questão é, claro, que ainda estou aqui e me sentindo bem, apesar de tudo.
Estatisticamente, é contra todas as probabilidades, uma espécie de história otimista, eu acho, mas milagres às vezes acontecem, dizem alguns. Dito isso, meu diagnóstico de estágio 4 nunca mudará, mas os tratamentos estão, felizmente, melhorando cada vez mais ultimamente. Em outras palavras, não estou totalmente em segurança, mas estou vivo e ainda me sinto abençoado!
Obrigado a todos que me apoiaram, me incentivaram e me apoiaram durante todos esses anos. Deus abençoe a todos.”
Alguns de seus colegas da música comentaram sua publicação:
Dino Jelusick: “Estou muito feliz por ver isso.” ❤ Jorn Lande: “Amo você, meu amigo, estou muito feliz que você esteja indo tão bem.” Ronnie Romero: “Continue arrasando, querido Ronnie.”