“Thought Insertion” é o debut da banda brasileira de Power Metal, The Giant Void.
Entre as incontáveis galáxias, há colossais espaços vazios, nos quais as trevas e a ausência imperam absolutas. São milhões de anos-luz de imensidão no meio do absolutamente nada. A cada um desses universos de vácuo chamamos The Giant Void.
Porém, no ano de 2021, algo diferente aconteceu, um desses imensuráveis espaços foi preenchido com puro Heavy/Power Metal vindo direto da cidade paulista de Sorocaba.
LINE-UP
O multi-instrumentista Felipe Colenci e o vocalista Hugo Rafael se uniram para levar a iluminação de sua música pesada e cessar a escuridão total que a falta dela nos traz. Nascia The Giant Void e os nove focos de luz que compõe o full lenght “Thought Insertion”. O baterista Michael Ehré (Gamma Ray) gravou todas as linhas de bateria.

“Thought Insertion”
Nascido no dia 28 de outubro de 2021, “Thought Insertion” veio para iluminar as cenas Metal nacional e mundial com mais uma masterpiece impecável.
“Voidwalker”
Em primeiro lugar, “Voidwalker” abre o disco impressionando por suas linhas de guitarra, baixo e bateria.
Hugo Rafael rouba todas as atenções quando sua voz entra em cena, impondo um refrão avassalador. Eis um Heavy/Power Metal no qual sobram melodia e técnica e há uma pitada de agressividade que é o ingrediente especial da receita.
“Bite The Bullet”
Em seguida, “Bite The Bullet” chega ainda mais agressiva. O idioma inglês se mistura com o idioma espanhol. Hugo Rafael tem a companhia do lendário vocalista argentino do Rata Blanca, Adrian Barilari.
“Dead End Job”
Porém, Michael Ehré mostra mais uma vez toda sua técnica e precisão em “Dead End Job” e a linha de baixo de Colenci é fantástica em mais um momento no disco.
“Ordinary Men”
Impressionante o peso dos riffs em “Ordinary Men” e seus solos que combinam técnica e feeling. Seu refrão talvez seja o mais puramente Power Metal da obra.
Além disso, a produção do álbum não deve ser somente elogiada, deve ser também aplaudida pela intensidade do peso de toda massa sonora musical, tornando a obra um disco que exala a fragrância do Metal.
Felipe Colenci usa awa em um dos seus solos, o que sempre torna tudo muito especial pra mim, pois amo esse efeito. Será que é por causa do Mick Box (Uriah Heep)? (rs).
“Beltalowda”
“Beltalowda”, que tem a participação do baixista Tomas Andugar, mostra o quão diversificada é a voz de Rafael, contendo uma veia AOR irresistível, ainda assim, dando um intervalo naquela onda mais bruta presente nas primeiras canções.
Aliás, AOR e Power Metal costumam se encontrar em diversas oportunidades, mas confesso que nessa música soou de uma forma ímpar.
“Pale Blue Dot (Meant To Last)”
A veia Power Metal/AOR é usada como ferramenta novamente em “Pale Blue Dot (Meant To Last)” e mais uma vez funcionou muito bem.
Renan Roveran
Imagine misturar Kansas com Prog/Power/Metal. Imaginou? Então, é essa a sensação dessa canção, exceto pelos guturais de Renan Roveran que serviram de tempero extra em certo momento e deram ainda mais sabor ao prato principal.
“Rotten Souls”
Entretanto, os riffs no início de “Rotten Souls” não transmitem a ideia de que ela é uma das músicas mais trabalhadas do disco.
Pois, apenas imaginem o Power Metal alemão nascido no final dos anos 80 mesclado a brutalidade do Metal brasileiro e um refrão maravilhoso.
Tudo isso junto e perfeitamente equilibrado. Tinha como não funcionar? Quem ouviu o disco sabe a resposta.
“Chernobyl”
Ainda que mantenha a altíssima qualidade, a faixa título, “Thought Insertion”, acalma os ânimos. Porém, ela é o descanso necessário para “Chernobyl”, da qual vamos falar no próximo parágrafo.
Percebe-se que o duo tentou ser mais old school e conservador nessa canção e deu certo até certo ponto, porém a agressividade excêntrica do The Giant Void foi destaque ainda assim. Mesmo que você tente encher uma pimenta de açúcar, em algum momento ela será picante, não tem como evitar.

Tudo nesse debut foi acertado. Desde a produção, os integrantes, as composições, os músicos convidados, a sonoridade, porém nada atingiu mais o alvo que deixar “Chernobyl” para o fechamento desse primeiro capítulo completo da história do The Giant Void.
Acima de tudo, imaginem Power e Death Metal unidos em uma só música. Alguns dizem que isso acontece no Melodic Power Metal, mas posso garantir que não é a mesma coisa.
Hugo Rafael tem como companheiro nos vocais, seu conterrâneo Renan Roveran, vocalista e guitarrista do Warshipper, e os dois conseguem realmente unir a atmosfera do Power e do Death Metal de maneira magistral.
Sorocaba é Metal
Lembro que no ano anterior, Renan havia lançado o elogiadíssimo “Barren…” com o Warshipper, que esteve entre os melhores discos de Death Metal daquele ano. Minha pergunta é simples: Tem plantações de Metal de qualidade em Sorocaba? Alguém deveria espalhar tais sementes para esse mundo que tanto está precisando de Metal.
Em resumo, o registro que começou pesado, se acalmando em seus meados, finalizou da maneira mais agressiva que poderia e isso não surpreendeu aos que entenderam a sua alma desde o princípio.
Parabéns ao The Giant Void por ter preenchido ao menos um pouco dessas trevas atuais com o seu foco de luz que tem como fonte o mais puro Heavy Metal.
Nota: 9,1
Integrantes:
- Felipe Colenci (guitarra, baixo, teclado)
- Hugo Rafael (vocal)
- Michael Ehré (bateria)
Músicos Convidados:
- Adrian Barilari (Rata Blanca) (vocal em “Bite The Bullet”)
- Geraldo Cortês (vocal de apoio em “Bite The Bullet”)
- Renan Roveran (Warshipper) (vocal de apoio em “Pale Blue Dot” e vocal gutural em “Chernobyl”)
- Tomas Andugar (baixo em Beltalowda)
- Francisco Rangel (teclado em Chernobyl)
Faixas:
- 1.Voidwalker
- 2.Bite The Bullet
- 3.Dead End Job
- 4.Ordinary Men
- 5.Beltalowda
- 6.Pale Blue Dot (Meant To Last)
- 7.Rotten Souls
- 8.Thought Insertion
- 9.Chernobyl
Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz
Mundo Metal nasceu em 2013, através de uma reunião de amigos amantes do Rock e Metal. Com o objetivo de garimpar, informar e compartilhar todos os bons lançamentos, artistas promissores e tudo de melhor que acontece no mundo da música pesada.
Despretenciosamente, veio o grupo e depois a página no Facebook, aos poucos passamos a utilizar outras redes como Instagram e Youtube e, posteriormente, nosso site oficial veio a luz. Apesar de todas as dificuldades da vida cotidiana, nunca desistimos de nossos objetivos e, hoje, nosso site está em franca expansão.
Sejam muito bem-vindos a nossa casa e desejamos de coração que voltem sempre.