Sepultura: “esse é o objetivo de ser um artista, é se esforçar para fazer essas coisas desafiadoras”, diz Derrick Green

PUBLICIDADEspot_imgspot_img

O vocalista do Sepultura, Derrick Green, concedeu uma nova entrevista ao Chaoszine da Finlândia e, foi indagado se houve algum álbum do Sepultura em que ele sentiu que se superou como cantor, e se descobriu ou aprendeu algo sobre si mesmo, enquanto músico:

“Essa é uma boa pergunta. Acho que a cada álbum aprendo algo novo, porque geralmente trabalhamos com produtores que… temos a sorte de trabalhar com produtores que trazem à tona muito de si mesmos. Acho que o objetivo número um de um produtor é ter essa capacidade de trazer à tona algo que você nunca imaginou.”



Derrick prosseguiu falando sobre a importância de ter um bom produtor musical e não poupou elogios ao renomado produtor sueco Jens Bogren, com quem a banda trabalhou nos dois últimos discos, “Machine Messiah” (2017) e “Quadra” (2020):

“Trabalhamos nos dois últimos álbuns com o SEPULTURA com o produtor Jens Bogren; ele é sueco. Eu tinha ouvido falar do trabalho dele através do OPETH — sou um grande fã, e de outras coisas que eles fizeram — e eu sempre pensava: ‘Quem está produzindo isso? O que está acontecendo aqui? Acho que precisamos trabalhar com eles’. Entramos em contato com ele e acabamos gravando os dois últimos álbuns na Suécia. E foi uma experiência inacreditável, eu acho, para todos nós.

Jens realmente se tornou um membro da banda, de certa forma. Sua ética de trabalho é tão forte, e sua capacidade de ouvir os artistas e elaborar em cima disso é incrível. Então ele trouxe muitas coisas que — me empurraram, especialmente vocalmente, cantando, fazendo coisas como harmonias, tendo ideias com um coral. Foi simplesmente super desafiador, e eu nunca imaginei ser capaz de criar um refrão básico para um coral. E isso foi algo que fizemos no último álbum, onde acabamos levando aquela ideia que eu tive no estúdio para uma igreja de verdade com as pessoas cantando e, tipo, ‘Ei, vocês vão cantar assim, e vai funcionar muito bem em um álbum do SEPULTURA.’ [Risos] E conseguimos fazer isso. E isso foi algo que eu nunca imaginei. Também fazer uma música em japonês [‘Ultraseven No Uta’, na versão deluxe de ‘Machine Messiah’] que era como uma faixa bônus e ter que cantar em japonês e ter um estudante de intercâmbio japonês vindo e ajudando vocalmente a fazer isso. E isso foi super desafiador, e eu nunca imaginei fazer isso em uma sessão de gravação. Mas isso foi algo muito especial que eu me lembro das últimas gravações… Esse é o objetivo de ser um artista, eu acho, é se esforçar para fazer essas coisas desafiadoras.”



Derrick conta que sempre recebeu muito apoio dos seus pais:

“Acho que eles sempre me apoiaram, porque, por mais que não entendessem o que estávamos fazendo, os gritos e a música alta, era na casa dos meus pais, no porão, e eles meio que sabiam onde eu estava. Era algo muito positivo. E minha mãe, sendo professora de música, entendia a importância de ser capaz de construir uma personalidade por meio da música. Era algo que muitas crianças, eu acho, não faziam, mas era algo muito especial para nós e nos trazia muita felicidade. Então, eles não se importaram muito com isso. E eles realmente conseguiram assistir a alguns shows, o que foi chocante para eles. Mas eles gostaram do fato de as pessoas gostarem do que estávamos fazendo, ou pelo menos do que eu também fazia. E foi algo muito especial. Mas [eles] tinham a mente muito aberta. E isso foi algo super importante, eu acho, na vida de todos nós. Todos na banda tinham pais que nos apoiavam muito.”



Antes de se juntar ao Sepultura em 1997, Derrick (natural de Cleveland), cantava na banda hardcore de Ohio Outface. Quando entrou no Sepultura, ele veio para o Brasil, onde morou em São Paulo por quase vinte anos. Hoje, ele reside em Los Angeles.

PUBLICIDADE

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Veja também

PUBLICIDADE

Últimas Publicações

PUBLICIDADE