Com “Thrill Of The Bite”, o Crazy Lixx não apenas entrega mais um álbum impecável, como também se candidata com força a figurar na lista dos melhores discos de Hard/Glam de 2025. O nono trabalho de estúdio da banda sueca é um verdadeiro deleite para os amantes do som oitentista, mas com uma pegada moderna que mostra por que Danny Rexon e companhia são mestres no que fazem.
A produção e mixagem do próprio Rexon são de cair o queixo: tudo soa nítido, pulsante e incrivelmente equilibrado, sem perder o peso e a sujeira que esse tipo de som pede. A masterização ficou a cargo de Erik Martensson (Eclipse, W.E.T.), que finaliza o trabalho com brilho, reforçando o impacto de cada riff, cada solo e cada refrão grudento. A combinação dos dois resulta em uma parede sonora que parece ter saído diretamente da Sunset Strip em seu melhor ano, o de 1987 — incrementada também com suplementos suecos de altíssima qualidade.

Consistente e energético
As dez faixas do disco passam voando, tamanha é a consistência e energia do material. O álbum começa com a potente “Highway Hurricane” e segue numa avalanche de hinos, como a deliciosa “Little Miss Dangerous”, carregada de malícia à la Alice Cooper, e a sombria “Call Of The Wild”, que poderia facilmente figurar na trilha sonora de “The Lost Boys”. Mas o verdadeiro soco na cara vem com “Who Said Rock ‘N’ Roll Is Dead” — um hit certeiro, com refrão gigante e uma cutucada divertida em Gene Simmons, que certa vez declarou a morte do Rock. Ironias do destino: até ele tentou surfar na onda Glam nos anos 80 e… bom, digamos que a tentativa de subir na prancha não resultou na melhor fase do Kiss, que quase deu de cara com os tubarões.
O entrosamento da banda é notável e faz toda a diferença. A formação está estável há quase uma década, e isso se traduz em coesão assim como em maturidade musical. A única novidade é o baterista Robin Nilsson, que entrou em 2024 trazendo ainda mais pegada e energa renovada ao som da banda. Ao lado de Jens Lundgren e Chrisse Olsson nas guitarras e Jens Anderson no baixo, o Crazy Lixx mostra que está mais afiado do que nunca.
Honrando o legado do Hard/Glam
O mais impressionante, talvez, seja a capacidade da banda de beber de diversas fontes — Guns N’ Roses, Kiss, Aerosmith, Mötley Crüe, Def Leppard, Whitesnake — sem jamais soar derivativa. Ao contrário, o Crazy Lixx honra o legado com autenticidade e paixão, ao mesmo tempo em que injeta uma dose de identidade própria e atualidade. Isso certamente os coloca muito além do rótulo de “revival”.
“Thrill Of The Bite” é um álbum vibrante, festivo assim como irresistível. Um lembrete alto e claro de que o Rock está mais vivo do que nunca — e, sim, ainda muito sexy. Um disco para ouvir em volume máximo, com o punho erguido e o sorriso no rosto. Dessa forma, se alguém ainda tinha dúvidas, Crazy Lixx veio para cravar de vez: o Hard Rock não morreu. Ele só estava esperando os suecos certos para trazê-lo de volta com estilo.
Nota: “Thrill Of The Bite” foi lançado pela gravadora Frontiers e está disponível no Brasil através da Shinigami Records.
Integrantes:
- Danny Rexon (vocal)
- Jens Anderson (baixo)
- Chrisse Olsson (guitarra)
- Jens Lundgren (guitarra)
- Robin Nilsson (bateria)
Faixas:
- 1.Highway Hurricane
- 2.Who Said Rock N’ Roll Is Dead
- 3.Little Miss Dangerous
- 4.Call Of The Wild
- 5.Recipe For Revolution
- 6.Run Run Wild
- 7.Midnight Rebels
- 8.Hunt For Danger
- 9.Final Warning
- 10.Stick It Out