O Exodus está a todo vapor trabalhando em dois álbuns simultaneamente, e o guitarrista Gary Holt revelou que a banda já tem 18 músicas para o sucessor de “Persona Non Grata” (2021), que serão lançadas em dois discos separaradamente.
Durante uma nova entrevista concedida à jornalista sérvia Jadranka Janković Nešić na passagem do Exodus pelo país no dia 16 de junho, o guitarrista do Exodus declarou:
“Será lançado como dois discos totalmente separados, mas continuamos compondo e continuamos compondo, e tínhamos tanto material que simplesmente pensamos: vamos trabalhar mais duro para que, quando chegar a hora de começar a pensar em um segundo álbum novo, depois do primeiro, possamos relaxar um pouco. Eu queria que tivéssemos 20 músicas prontas, em vez de 18, porque aí teríamos o próximo álbum pronto, e aí eu poderia tirar férias ou algo assim. Nunca tive férias.”
Nenhuma das músicas do novo trabalho é de “preenchimento” ou alguma sobra usada apena completar o tempo. Todas as faixas são ótimas, segundo Gary Holt:
“Todas são ótimas. Todas são incríveis. São 18 músicas, e todas são totalmente incríveis. É difícil escolher quais irão entrar no primeiro álbum novo. Mas fizemos isso para podermos trabalhar menos depois.
Estamos ficando mais velhos. Tenho 61 anos. Quando pensarmos em lançar o próximo álbum, será daqui a três anos, então estarei muito mais velho. E aí poderei tirar férias entre os álbuns. Como eu disse, nunca tirei férias. Já tive férias em que toquei guitarra para estar presente, mas nunca tirei férias em que não precisasse tocar para estar presente.
Depois que o segundo álbum estiver pronto e tudo mais, sim, vou tirar férias em algum lugar. Mas não sei como não trabalhar. Sou workaholic. Minha esposa vai ter que me mandar desligar o telefone. Em casa, eu relaxo. Mas onde moro no campo, dá muito trabalho morar lá, no meio da floresta. Então, estou trabalhando, mas é trabalhar na minha casa, e eu gosto disso. Moro no campo, sim. Não preciso mais da vida na cidade.”
Gary Holt também abordou a direção musical do novo disco:
“É 100% EXODUS e, às vezes, 100% diferente. Tem algumas surpresas. É superpesado. Tem momentos que são muito rápidos. Tem momentos que são superlentos. Simplesmente satânico, malvado pra caramba.”
Existe uma tendência hoje no mercado de lançar singles independentes, e não álbuns completos. Gary Holt comentou sobre isso:
“Nós compomos álbuns. Nunca nos preocupamos com singles. É por isso que, no passado, algumas das nossas músicas tinham 11 minutos de duração, porque não nos importávamos. Uma música está pronta quando está pronta. Se tiver três minutos, ótimo. Se tiver 11 minutos, ótimo também.”
Sobre a saída do vocalista Steve “Zetro” Souza e o retorno de Rob Dukes, Gary Holt disse:
“Bem, não quero entrar em detalhes porque não há ressentimentos. É que estamos todos envelhecendo e queremos ser felizes. E ele não estava feliz. Ele estava muito infeliz. Ele era incrível no palco, incrível no estúdio e incrível com os fãs, e não há problema algum nisso. E eu adorei a performance dele e sua voz está ótima como sempre. Mas é na hora em que você não está no palco que a coisa começa a desanimar todo mundo. E esse é um trabalho difícil de fazer quando você tem a nossa idade. Toda vez que vou ao aeroporto para sair em turnê, fico triste, porque estou deixando meus netos, meus filhos, minha esposa e minha casa, e é difícil. Mas quando chego aqui em turnê, estou com meus irmãos e me divirto. E se essa parte não é mais divertida, então nada disso é divertido. Talvez no palco — talvez. Mas Estamos felizes agora. O Rob está aqui e nós cinco saímos juntos, passamos muito tempo juntos e nos divertimos muito.”
Jadranka observou que trazer Dukes de volta era uma escolha lógica, e Holt comentou:
“Estou preso aos meus hábitos. Não gosto de mudanças. Então, mudar de vocalista nunca esteve nos meus planos para o futuro. Não gosto de mudanças de jeito nenhum. Estou preso aos meus hábitos. E a ideia de encontrar uma nova pessoa que você não conhece e que não sabe se suas personalidades combinam, isso nunca foi uma opção para mim. Quer dizer, eu poderia encontrar alguém com metade da minha idade que tivesse muita energia, fosse incrível, tivesse músculos abdominais visíveis e pulasse do topo da bateria, mas eu poderia não ter nada em comum com ele… Contratar um garoto da mesma idade da minha filha mais nova seria estranho. Eu me sentiria como um pai mandando ele arrumar o quarto o tempo todo. [Risos]”