Dave Lombardo relembra recepção de “Reign In Blood”: “As críticas não eram todas positivas”

Créditos: Nate Million

O baterista Dave Lombardo, ex-integrante do Slayer, comentou o impacto e a recepção inicial de “Reign In Blood”, álbum que completou 40 anos em outubro de 2026. Em entrevista a Ed Hack, do programa This Day In Metal, o músico recordou como a influência do disco se tornou evidente gradualmente. Do mesmo modo, revelou que a imprensa nem sempre recebeu o trabalho de maneira favorável quando chegou às lojas, em 7 de outubro de 1986, pela Def Jam Recordings.

Segundo Lombardo, a percepção de que o grupo havia criado algo especial surgiu conforme a carreira avançava. Principalmente entre 1987 e 1988, período que antecedeu o lançamento de “South Of Heaven”.

“Acho que foi um processo contínuo. Não aconteceu de uma hora para outra. Discos lendários e bandas que deixam um legado levam tempo para construir isso. Também leva tempo para compreender ou alcançar esse reconhecimento.”

Imitações e tumultos mostraram a influência do Slayer

Entretanto, o baterista afirmou que perceber outras bandas reproduzindo o som do Slayer foi um dos sinais mais claros de sua influência.

“Quando outras bandas começam a imitar você, percebe que está influenciando muitos fãs. Elas entregavam uma fita demo e, quando você decidia ir até o fundo do ônibus para ouvi-la, o som era exatamente igual ao seu. A imitação é a maior forma de bajulação, mas era algo evidente.”

Dave Lombardo (à esquerda) e Ed Hack (à direita); Créditos: This Day In Metal

Lombardo também mencionou um episódio no Hollywood Palladium, em Los Angeles, quando um show do grupo provocou tumulto do lado de fora. Segundo ele, a organização vendeu ingressos além da capacidade do local, assim levando a polícia de choque a se preparar para intervir.

“E você pensa: ‘Ei, devemos estar fazendo alguma coisa certa’. O interessante é olhar para trás e lembrar daquela atitude: fazemos o que queremos. Esta é a nossa música. Somos músicos, somos artistas e fazemos o que bem entendemos. Se você gosta, seja bem-vindo. Se ainda não gosta, vamos esperar por você. Eventualmente, as pessoas vão entender, porque isso não vai desaparecer.”

Críticas negativas não impediram o reconhecimento

Apesar da importância que “Reign In Blood” conquistou ao longo das décadas, o baterista ressaltou que a recepção inicial esteve longe de ser unânime.

“Na época, você realmente não tem consciência de quanta influência sua música terá. Às vezes, vai ao supermercado ou a uma banca de jornais, pega uma revista e encontra seu rosto nela, junto de uma crítica. E essas avaliações nem sempre eram boas naquele período. Vocês pensam: ‘Ah, este é um grande álbum’, mas muitas vezes recebemos críticas pesadas por causa daquele disco. Depois de um tempo, obviamente, tiveram que se conformar.”

Lançado em 1986, “Reign In Blood” marcou a primeira colaboração do Slayer com o produtor Rick Rubin, cuja participação ajudou a moldar a sonoridade do trabalho. A revista Kerrang! chegou a descrevê-lo como “o álbum mais pesado de todos os tempos”. Além disso, destacou sua importância para o Thrash Metal e o Metal Extremo num geral. O disco também foi o primeiro da banda a entrar na Billboard 200, alcançando a 94ª posição, e recebeu certificação de ouro da RIAA em 20 de novembro de 1992, após ultrapassar 500 mil cópias vendidas.

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