Quem inventou o blast beat? Dave Lombardo e Charlie Benante dão respostas diferentes

O blast beat é uma das técnicas mais emblemáticas e revolucionárias do Metal extremo, marcada por sua velocidade avassaladora e total intensidade rítmica. Apesar de não haver consenso absoluto sobre sua origem, muitos creditam Mick Harris, baterista do Napalm Death, como o grande responsável por dar nome e identidade à técnica, além de torná-la mundialmente reconhecida através do icônico álbum “Scum” (1987). Seu trabalho ajudou a consolidar o blast beat como elemento central do Grindcore e, posteriormente, do Death Metal. Foi certamente a criação de um novo paradigma para a bateria no Metal extremo.

Entretanto, a história do blast beat é mais complexa e multifacetada do que a simples atribuição a um único nome. Antes mesmo da ascensão do Napalm Death, diversas bandas já haviam experimentado variações da batida. O Asocial, em 1982, é frequentemente lembrado como pioneiro, assim como o álbum “Riot Fight”, dos Beastie Boys, lançado no mesmo ano. Pouco depois, Eric Brecht do D.R.I. e Charlie Benante do S.O.D. também registraram versões embrionárias da técnica. Outros nomes como Repulsion adicionaram ainda mais camadas a essa trajetória, mostrando que o blast beat foi fruto de uma construção coletiva, atravessando fronteiras musicais do Hardcore ao Metal.

Nesse contexto, é impossível deixar de destacar o papel de Dudu, baterista da lendária banda brasileira Sarcófago. Ainda em 1986, ele já utilizava uma variação conhecida como “metranca”, imprimindo velocidade e brutalidade inéditas até então. Embora tenha surgido um pouco depois de alguns experimentos internacionais, Dudu refinou a técnica de forma única, tornando-a uma marca registrada do som de sua banda. Apesar de sua importância, seu nome raramente aparece entre os grandes bateristas mencionados na história do blast beat — uma omissão que não faz jus ao seu impacto e à forma como ajudou a moldar os rumos do Metal extremo.

Dave Lombardo e Charlie Benante discordam

Em uma nova entrevista para a Ultimate Guitar, o ex-baterista do Slayer, Dave Lombardo, opinou sobre a criação da técnica. Ele disse o seguinte:

“Ouvi rumores sobre o blast beat, que é quando o bumbo duplo está rolando e a caixa está, tipo, por cima do bumbo duplo, batendo nas mesmas notas, ou como você quiser descrever. Ouvi dizer que foram bateristas de jazz, e acredito que provavelmente foram eles mesmo, porque eles fizeram tudo primeiro, antes de qualquer um. E depois ouvi… que pode ter sido Mick Harris, do Napalm Death. Nos primeiros dias do Napalm Death.

Acho que comecei a usar blast beat durante o ‘Christ Illusion’ do Slayer… Não, não, na verdade foi no Fantômas. Então, acredito que em 2000 eu comecei a usar.”

Charlie Benante do Anthrax, há cerca de um ano e meio atrás, em entrevista ao “Drum For The Song”, disse que o seu próprio trabalho no álbum do SOD (Stormtroopers Of Death) foi fundamental para a criação dos blast beats. Benante disse o seguinte:

“Havia uma música do SOD chamada ‘Milk’, e o riff era realmente rápido. Danny Lilker, o baixista do SOD, disse que queria que fosse mais um tipo de batida rápida, como uma remada… Então, basicamente, era um blast de um pé só. E quando gravamos, nos divertimos muito fazendo isso. E depois, quando tocávamos ao vivo, aquilo meio que evoluía — em vez de ser um blast de um pé só, acabou virando o que hoje é conhecido como blast beat.

O blast foi algo que — acho que foi a primeira vez que apareceu em um disco. Acho que o D.R.I. tinha algo parecido no EP ‘Dirty Rotten’. Mas acredito que essa música específica e essa banda específica influenciaram muitas outras bandas que vieram depois. E eu revisitei o blast beat no disco do Anthrax, ‘State Of Euphoria’, em uma música chamada ‘Misery Loves Company’. E depois, no álbum ‘We’ve Come For You All’, há uma faixa chamada ‘Black Dahlia’ que também tem blast beat. Mas acredito que o disco do SOD foi a primeira vez que isso foi gravado.”

Charlie Benante ainda menciona que Pete Sandoval do Morbid Angel vieram logo na sequência, mas usando a técnica de uma forma um pouco diferente:

“Acho que a primeira vez que ouvi isso depois do álbum do SOD foi talvez com Pete Sandoval, do Morbid Angel. E depois o Cannibal Corpse, com Paul Mazurkiewicz, ele estava fazendo também. E então, claro, as bandas de Black Metal começaram a adotar. Eles faziam de uma forma um pouco diferente — mais com os dois pés, mais independente. Acho que o melhor para mim foi no disco do Dimmu Borgir com Nick Barker, o primeiro com o Nick. Acho que foi aí que o blast beat se tornou algo do tipo: ‘Que p*** é isso?’ Especialmente para mim, ao ouvir aquele álbum pela primeira vez, fiquei completamente impressionado com a forma de tocar dele, com o estilo e com a própria banda. E então começou a se tornar muito popular. E começou a entrar na bateria, meio que no vocabulário dos bateristas. E agora você tem até crianças pequenas com suas mães fazendo blast beat.”

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Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
1 comentário
  • Ficam me dando vontade de ouvir Napalm Death,Sarcófago e Cannibal Corpse.

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