Opeth: Mikael Åkerfeldt afirma que aparência da banda poderia ter provocado rejeição na cena Black Metal

Photo: Per Ole Hagen/Redferns

O vocalista e guitarrista Mikael Åkerfeldt, do Opeth, acredita que sua banda poderia ter enfrentado dificuldades para conquistar espaço na cena extrema norueguesa durante a década de 1990 caso seus integrantes fossem conhecidos por sua aparência.

Em entrevista ao Loudwire, o músico relembrou um período em que determinados segmentos do Black Metal valorizavam uma imagem sombria e agressiva. Tal imagem era frequentemente associada a roupas pretas, referências ocultistas e uma postura de oposição a outras manifestações culturais.

O problema, segundo Åkerfeldt, é que os integrantes do Opeth não correspondiam exatamente àquele padrão.

O músico contou que a banda utilizava fotografias nas quais os integrantes apareciam apenas como silhuetas, o que ajudava a preservar certa distância entre sua identidade visual e a percepção do público.

Photo: Terhi Ylimainen

“Parecíamos os hippies que eles queriam matar”

Durante a conversa, Mikael Åkerfeldt explicou que os integrantes utilizavam roupas bastante diferentes daquelas normalmente associadas ao Black Metal norueguês.

O vocalista mencionou especificamente as calças boca de sino e outras referências visuais relacionadas à década de 1970.

Em tom bem-humorado, afirmou que os músicos pareciam justamente os hippies que determinados integrantes daquela cena desprezavam.

Para Åkerfeldt, a preocupação excessiva com a imagem representava um comportamento pouco razoável.

O cantor destacou que sempre procurou se concentrar principalmente na música, sem demonstrar grande interesse em corresponder às expectativas visuais de uma determinada comunidade.

As diferenças entre o Opeth e parte da cena extrema não se limitavam à aparência.

Embora o grupo sueco tenha iniciado sua trajetória com uma sonoridade bastante associada ao Death Metal, Åkerfeldt sempre demonstrou admiração por artistas de outros estilos.

Entre suas referências estavam bandas como Deep Purple, Scorpions, Genesis, Jethro Tull e Wishbone Ash.

Essas influências ajudariam a construir uma identidade musical que, com o passar dos anos, aproximou o Opeth de diferentes vertentes do Rock Progressivo.

O vocalista também comentou seus encontros com integrantes do Emperor, uma das bandas mais importantes do Black Metal norueguês.

Segundo ele, apesar da imagem pública construída por determinados grupos, os músicos que conheceu não eram necessariamente tão diferentes de outros artistas.

Uma identidade construída sem seguir padrões

Ao longo de sua carreira, o Opeth tornou-se conhecido pela combinação de passagens agressivas, melodias acústicas e estruturas progressivas.

Álbuns como Orchid (1995), Morningrise (1996), My Arms, Your Hearse (1998) e Still Life (1999) demonstram como a banda desenvolveu sua identidade durante os primeiros anos.

Posteriormente, trabalhos como Blackwater Park (2001) e Ghost Reveries (2005) ampliaram ainda mais seu reconhecimento internacional.

As declarações de Åkerfeldt ajudam a compreender parte dessa trajetória: enquanto determinados segmentos do Metal extremo valorizavam uma identidade visual rígida, o Opeth procurava construir sua personalidade principalmente por meio da música.

A discussão continua atual, especialmente quando surgem questionamentos sobre a aparência, as influências ou o comportamento que uma banda supostamente deveria adotar para ser aceita em determinado estilo.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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