Do Pior ao Melhor: Slayer

A sessão “Do Pior Ao Melhor” foi criada há alguns anos com o objetivo de ranquear os álbuns de determinadas bandas. Esta análise é feita listando os trabalhos do menos expressivo até o mais significativo. Os critérios usados neste quadro são diversos, como aceitação crítica dos registros, importância para a época, nível técnico em comparação a outros discos da banda, assim como o fator diversão, entre outros.

Note que não estamos impondo certezas ou leis. Dessa forma, esta é apenas uma análise feita por um redator do portal ou pela bancada de apresentadores do canal do Mundo Metal no Youtube para estabelecer a ordem em que os álbuns aparecem posicionados neste ranking.

Se o seu álbum favorito estiver em uma posição abaixo do que você esperava ou se aquele disco que você não gosta estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata.

Neste episódio, teremos uma das bandas precursoras do Thrash Metal e uma das mais importantes e influentes do Metal como um todo: Slayer!


12 — Undisputed Attitude (1996)

Lançado em 28 de maio de 1996 pela American Recordings, Undisputed Attitude ocupa uma posição bastante peculiar dentro da discografia do Slayer. Produzido por Rick Rubin em parceria com a própria banda, o álbum possui cerca de 33 minutos de duração e é composto quase inteiramente por covers de grupos que influenciaram profundamente a formação musical do quarteto. Em vez de apresentar material inédito após o intenso ciclo de divulgação de Divine Intervention, o grupo optou por prestar homenagem às raízes do Hardcore Punk, revisitando clássicos de bandas como Minor Threat, D.R.I., T.S.O.L., Verbal Abuse e Dr. Know.

Comercialmente, o trabalho teve desempenho sólido para um disco de covers. Nos Estados Unidos, alcançou a posição 34 da Billboard 200, enquanto em diversos mercados europeus obteve resultados semelhantes aos lançamentos anteriores da banda. Entretanto, a recepção foi bastante dividida. Parte da crítica elogiou a honestidade da homenagem ao underground punk, enquanto muitos fãs esperavam um sucessor direto para Divine Intervention e ficaram decepcionados com a ausência de composições inéditas.

Musicalmente, o álbum evidencia o quanto o Hardcore Punk foi essencial para moldar a agressividade do Thrash Metal praticado pelo Slayer. Faixas como “Gemini”, única composição inédita do disco, além de versões para “I Hate You”, “Richard Hung Himself” e “Violent Pacification”, mostram uma banda tocando de maneira extremamente crua e direta. Raramente aparece entre os favoritos dos fãs, mas tem certa importância histórica por revelar as origens sonoras que ajudaram a construir a identidade da banda.

11 — Diabolus In Musica (1998)

Lançado em 9 de junho de 1998, através da American Recordings, Diabolus In Musica marcou uma das fases mais controversas da carreira do Slayer. Produzido por Rick Rubin, o álbum possui aproximadamente 41 minutos de duração e surgiu em um momento em que diversas bandas tradicionais experimentavam novas influências. O cenário musical era dominado pelo crescimento do Nu Metal, e o quarteto buscou modernizar parcialmente sua sonoridade sem abandonar completamente sua identidade.

O álbum estreou na posição 31 da Billboard 200, demonstrando que a popularidade do grupo permanecia elevada. Apesar disso, a recepção dos fãs não foi das melhores. Muitos admiradores de longa data criticaram a presença de afinações mais graves, estruturas simplificadas e grooves mais evidentes. Já parte da crítica enxergou o trabalho como uma tentativa legítima de evolução em um período de transformação para o Metal pesado.

Entre os destaques estão “Bitter Peace”, “Stain Of Mind” e “Point”. O disco apresenta riffs mais cadenciados, menor velocidade média e uma atmosfera sombria bastante distinta dos clássicos dos anos 80. Com o passar dos anos, Diabolus In Musica passou por um processo de reavaliação e conquistou defensores que enxergam nele uma obra subestimada. Ainda assim, continua sendo um dos capítulos mais debatidos da trajetória do Slayer.

10 — Repentless (2015)

Lançado em 11 de setembro de 2015 pela Nuclear Blast, Repentless representa um dos momentos mais delicados da trajetória do Slayer. Produzido por Terry Date, o álbum possui aproximadamente 42 minutos de duração e foi o primeiro trabalho sem a participação de Jeff Hanneman, falecido dois anos antes. O disco também consolidou a presença do guitarrista Gary Holt, do Exodus, como integrante efetivo da formação ao vivo.

Apesar das circunstâncias difíceis, o lançamento obteve excelente desempenho comercial. O álbum alcançou a quarta posição da Billboard 200, a melhor colocação da carreira do grupo nos Estados Unidos. A recepção crítica foi majoritariamente positiva, especialmente pela capacidade da banda de continuar produzindo material relevante mesmo após a perda de um de seus principais compositores.

A faixa-título, “When The Stillness Comes”, “Cast The First Stone” e “You Against You” estão entre os principais destaques. O trabalho mantém a agressividade característica do grupo, embora apresente uma abordagem mais moderna e menos caótica do que os clássicos dos anos 80. Historicamente, Repentless funciona como uma homenagem permanente a Jeff Hanneman, especialmente através da faixa-título, composta originalmente pelo guitarrista antes de sua morte.

09 — World Painted Blood (2009)

Após um intervalo de três anos desde Christ Illusion, o Slayer retornou em 3 de novembro de 2009 com World Painted Blood, lançado pela American Recordings em parceria com a Columbia Records. Produzido por Greg Fidelman e Rick Rubin, o álbum possui cerca de 40 minutos de duração e acabou se tornando o último trabalho com o guitarrista Jeff Hanneman antes de sua morte em 2013.

O disco alcançou a posição 12 da Billboard 200, uma das melhores colocações da carreira da banda. A crítica especializada recebeu o lançamento de forma bastante positiva, destacando o equilíbrio entre agressividade clássica e produção moderna. Muitos fãs também consideraram o trabalho um retorno à forma após as experiências mais controversas da década anterior.

Faixas como “World Painted Blood”, “Hate Worldwide”, e “Psychopathy Red” figuram entre os grandes destaques. Musicalmente, o álbum reúne elementos de praticamente todas as fases do grupo, alternando momentos de velocidade extrema com passagens mais pesadas e atmosféricas. Sua relevância histórica aumentou significativamente após a morte de Jeff Hanneman. O registro se transformou em uma espécie de despedida involuntária de um dos maiores compositores da história do Thrash Metal.

08 — Christ Illusion (2006)

Lançado em 8 de agosto de 2006, Christ Illusion marcou o retorno do baterista Dave Lombardo ao estúdio após mais de uma década afastado das gravações da banda. O álbum saiu pela American Recordings e foi produzido por Josh Abraham, apresentando cerca de 38 minutos de duração.

O disco estreou na posição 5 da Billboard 200, estabelecendo na época o melhor resultado comercial da carreira do grupo. A crítica especializada celebrou o retorno da formação clássica e destacou a intensidade das composições. Entre os fãs, o álbum rapidamente conquistou status de um dos melhores trabalhos lançados pelo grupo desde o início dos anos 90.

Músicas como “Eyes Of The Insane”, vencedora de um Grammy Award, “Jihad”, “Cult” e “Flesh Storm” demonstram uma banda revitalizada. O retorno de Dave Lombardo trouxe novamente a velocidade e a precisão que muitos admiradores consideravam fundamentais para a identidade do Slayer. Além disso, o disco abordou temas contemporâneos como terrorismo, guerra e fanatismo religioso, reforçando a tradição provocadora do grupo.

07 — God Hates Us All (2001)

Lançado em 11 de setembro de 2001, data que coincidentemente ficou marcada pelos atentados terroristas nos Estados Unidos, God Hates Us All chegou ao mercado através da American Recordings. Produzido por Matt Hyde e Rick Rubin, o álbum possui aproximadamente 42 minutos de duração e apresenta uma das sonoridades mais agressivas e pesadas da carreira do grupo.

Com o passar do tempo, o disco tornou-se um dos lançamentos mais bem-sucedidos da banda comercialmente. A obra alcançou a posição 28 da Billboard 200 e recebeu indicações importantes em premiações da indústria musical. Embora tenha dividido opiniões inicialmente, muitos fãs passaram a enxergar o álbum como um dos trabalhos mais brutais produzidos pelo quarteto após os anos 80.

Faixas como “Disciple”, “God Send Death”, “New Faith”, “Payback” e “Bloodline” tornaram-se presença constante nos shows. Musicalmente, o álbum mistura elementos tradicionais do Thrash Metal com influências contemporâneas do Metal extremo dos anos 2000. Sua importância histórica reside justamente nessa capacidade de atualizar a fórmula do Slayer sem descaracterizar a identidade construída em mais de duas décadas de carreira.

06 — Divine Intervention (1994)

Lançado em 27 de setembro de 1994 pela American Recordings, Divine Intervention marcou o primeiro álbum de estúdio do Slayer sem o baterista Dave Lombardo, substituído por Paul Bostaph, ex-Forbidden. Produzido por Rick Rubin e pelo próprio grupo, o disco possui aproximadamente 56 minutos de duração, tornando-se um dos trabalhos mais extensos da carreira da banda até aquele momento. A expectativa era enorme, já que o álbum sucedia o consagrado Seasons In The Abyss, lançado quatro anos antes.

O desempenho comercial foi bastante expressivo. O disco alcançou a posição 8 da Billboard 200, estabelecendo na época a melhor colocação da carreira do grupo nos Estados Unidos. A recepção da crítica foi positiva, embora muitos jornalistas tenham destacado a ausência do swing característico de Dave Lombardo. Entre os fãs, a aceitação também foi boa, mas o álbum acabou ficando à sombra dos clássicos que o precederam.

Faixas como “Killing Fields”, “Dittohead”, “Serenity In Murder” e “Sex. Murder. Art.” demonstram uma banda mais técnica, brutal e menos preocupada com refrões memoráveis. Musicalmente, o disco intensificou o lado extremo do Thrash Metal praticado pelo grupo, aproximando-se em alguns momentos do Death Metal que ganhava força naquele período. Embora raramente apareça entre os favoritos absolutos dos fãs, Divine Intervention foi fundamental para provar que o Slayer conseguiria sobreviver mesmo após a saída de um integrante tão importante quanto Dave Lombardo.

05 — Show No Mercy (1983)

O álbum de estreia do Slayer chegou às lojas em 3 de dezembro de 1983 através da lendária Metal Blade Records. Produzido por Brian Slagel, fundador da gravadora, o disco possui cerca de 35 minutos de duração e foi gravado com orçamento extremamente limitado. Mesmo assim, apresentou ao mundo a banda formada por Tom Araya, Kerry King, Jeff Hanneman e Dave Lombardo, que em poucos anos redefiniria os limites do Metal extremo.

Embora tenha sido lançado de maneira independente e sem grande apoio comercial, o álbum vendeu surpreendentemente bem para os padrões do underground da época. Ao longo dos anos, ultrapassou a marca de centenas de milhares de cópias comercializadas e tornou-se um dos lançamentos mais importantes da história da Metal Blade Records. A crítica especializada reconheceu rapidamente o potencial do grupo, enquanto o público underground abraçou a agressividade da banda.

Músicas como “Black Magic”, “Die By The Sword”, “The Antichrist” e “Evil Has No Boundaries” tornaram-se pilares do repertório do grupo. Musicalmente, o disco mistura influências da New Wave Of British Heavy Metal, especialmente de Iron Maiden e Judas Priest, com a velocidade crescente do nascente Thrash Metal. Historicamente, Show No Mercy ajudou a estabelecer as bases do Metal extremo americano e abriu caminho para uma geração inteira de bandas que surgiria nos anos seguintes.

04 — South Of Heaven (1988)

Version 1.0.0

Lançado em 5 de julho de 1988 pela Def Jam Recordings, South Of Heaven representou uma mudança significativa de direção após a intensidade quase incontrolável de Reign In Blood. Produzido por Rick Rubin em parceria com a banda, o álbum possui aproximadamente 37 minutos de duração e mostrou um Slayer disposto a explorar atmosferas mais sombrias e cadenciadas.

O disco alcançou a posição 57 da Billboard 200, resultado bastante respeitável para um grupo de Metal extremo na época. Inicialmente, parte dos fãs estranhou a redução de velocidade em diversas composições. No entanto, a crítica recebeu o trabalho de forma extremamente positiva, elogiando a maturidade dos arranjos e a coragem da banda em evitar simplesmente repetir a fórmula do álbum anterior.

A faixa-título, “Mandatory Suicide”, “Silent Scream” e o cover de “Dissident Aggressor”, do Judas Priest, figuram entre os principais momentos do disco. Musicalmente, o álbum ampliou o vocabulário sonoro do Slayer, incorporando mais dinâmica, peso atmosférico e passagens melódicas. Sua importância histórica reside justamente nessa expansão criativa, demonstrando que o grupo podia ser igualmente ameaçador sem depender exclusivamente da velocidade extrema.

03 — Hell Awaits (1985)

Lançado em 7 de setembro de 1985 pela Metal Blade Records, Hell Awaits foi produzido por Brian Slagel e pela própria banda. Com aproximadamente 37 minutos de duração, o disco representou uma evolução gigantesca em relação à estreia. O orçamento mais generoso permitiu gravações mais elaboradas, enquanto as composições tornaram-se significativamente mais complexas e ambiciosas.

Embora não tenha alcançado grandes posições em charts devido ao caráter extremamente underground do lançamento, o álbum conquistou enorme respeito dentro da cena metálica mundial. A crítica especializada reconheceu rapidamente que o grupo estava elevando os limites do Thrash Metal, enquanto os fãs mais dedicados passaram a enxergar o disco como um marco da música extrema.

Faixas como “Hell Awaits”, “At Dawn They Sleep”, “Necrophiliac” e “Kill Again” apresentam estruturas mais longas, mudanças de andamento frequentes e uma atmosfera quase ritualística. Musicalmente, o álbum serviu como ponte entre o Thrash Metal tradicional e o futuro Death Metal. Bandas como Death, Morbid Angel, Cannibal Corpse e inúmeras outras reconheceram sua influência direta. Poucos discos exerceram impacto tão profundo sobre o Metal extremo quanto Hell Awaits.

02 — Seasons In The Abyss (1990)

Lançado em 9 de outubro de 1990, Seasons In The Abyss foi o quinto álbum de estúdio do Slayer e o último da formação clássica durante muitos anos. Produzido por Rick Rubin e Andy Wallace, o disco possui aproximadamente 42 minutos de duração e consolidou o grupo em um momento de enorme prestígio artístico e comercial.

O álbum alcançou a posição 44 da Billboard 200 e recebeu certificação de ouro nos Estados Unidos. A crítica especializada o elogiou amplamente, destacando a capacidade da banda de unir a velocidade de Reign In Blood com as atmosferas sombrias de South Of Heaven. Entre os fãs, o disco permanece até hoje como um dos trabalhos mais equilibrados e completos da carreira do quarteto.

“War Ensemble”, “Dead Skin Mask”, “Spirit In Black”, “Skeletons Of Society” e a faixa-título figuram entre os maiores clássicos do grupo. Musicalmente, o álbum representa a síntese perfeita de tudo o que o Slayer havia desenvolvido até então. Sua influência atravessou gerações e ajudou a consolidar definitivamente o grupo como uma das maiores forças da história do metal pesado.

01 — Reign In Blood (1986)

Lançado em 7 de outubro de 1986, Reign In Blood não é apenas o melhor álbum do Slayer. Para muitos críticos, músicos e fãs, trata-se simplesmente do maior disco de Thrash Metal de todos os tempos. Produzido por Rick Rubin e lançado pela Def Jam Recordings, o trabalho possui apenas 28 minutos e 55 segundos de duração, tornando-se um dos exemplos mais impressionantes de impacto máximo em tempo mínimo na história da música pesada.

Apesar da polêmica envolvendo a faixa “Angel Of Death”, o álbum alcançou a posição 94 da Billboard 200 e, posteriormente, recebeu certificação de ouro nos Estados Unidos. A crítica especializada foi praticamente unânime em seus elogios. Décadas depois, publicações como Rolling Stone, Kerrang!, Metal Hammer e inúmeras outras continuam citando o disco entre os lançamentos mais importantes já realizados no universo do Metal.

“Angel Of Death”, “Piece By Piece”, “Necrophobic”, “Altar Of Sacrifice”, “Jesus Saves”, “Postmortem” e “Raining Blood” fazem parte de uma sequência praticamente impecável. Musicalmente, o álbum elevou a velocidade, a agressividade e a intensidade a níveis nunca vistos até então. Sua influência sobre o Death Metal, o Black Metal, o Grindcore e praticamente toda a música extrema posterior é impossível de mensurar completamente. Quase quarenta anos após seu lançamento, Reign In Blood continua sendo a referência definitiva quando o assunto é agressividade, eficiência e excelência dentro do metal extremo.


Em maio de 2022, o canal do Mundo Metal apresentou um ranking do Slayer, mas desta vez com participação de toda a bancada e o resultado ficou um pouco diferente. Assista o debate abaixo:

Confira nossa playlist contendo faixas de todas as fases da banda:

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
1 comentário
  • curti o estilo da materia com uma mini-analise e musicas de destaque de cada disco ,para mim a fase de ouro são os 5 primeiros discos apesar de ter albums bacanas depois disso a banda nunca mais chegou mais nesse patamar.
    1 – Reign in Blood
    2 – Show no Mercy
    3 – Seasons in The Abyss
    4 – Hell Awaits
    5 – South of Heaven

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