Ozzy Osbourne, vocalista do Black Sabbath, responsável ao lado de seus companheiros por eternizar o Heavy Metal no mundo, finalmente encontrou seu descanso final. Aos 76 anos de idade, o vocalista inglês teve uma longa jornada ao lado dos fãs e, principalmente, de sua família.
A notícia divulgada hoje (terça-feira,22 de julho) foi assinada por sua esposa, Sharon Osbourne, e seus três filhos, Kelly, Jack e Aimee. O comunicado dizia:
“É com mais tristeza do que mera palavras podem transmitir que temos que informar que nosso amado Ozzy Osbourne faleceu esta manhã.”
O príncipe das trevas morreu rodeado por sua família e por amor. Segundo a mensagem, é hora de respeitar a privacidade da família no momento.

O Legado!
Ozzy deixou muito mais que uma história, ele deixou um legado irreversível. O Heavy Metal é um gênero que possui muitas figuras lendárias, mas nenhuma delas conseguiu obter a mesma importância e o mesmo impacto de Ozzy Osbourne.
John Michael Osbourne iniciou sua carreira no final dos anos 60 e início dos 70. O primeiro disco gravado por Ozzy é nada menos que o disco de estreia do Black Sabbath, certamente reconhecido como marco zero do Heavy Metal.
Uma trajetória gigante
Com o Sabbath, Ozzy gravou uma sequência inacreditável de clássicos, como o álbum autointitulado em 1970, “Paranoid” (1971), “Master Of Reality” (1971), “Vol 4” (1972), “Sabbath Bloody Sabbath” (1973) e “Sabotage” (1975). Além disso, ele emprestou sua voz de assinatura ímpar para hinos do porte de “War Pigs”, “Iron Man”, “Paranoid”, “Children Of The Grave”, “Snowblind”, “Sabbath Bloody Sabbath”, “Sympton Of The Universe” e tantas outras da mesma estirpe.

Ao lançar sua carreira solo no início da década de 80, seguiu apresentando trabalhos icônicos como “Blizzard Of Ozz” (1980), “Diary Of A Madman” (1981), “Bark At The Moon” (1983), “The Ultimate Sin” (1986) e, mais tarde, “No More Tears” (1991) e “Ozzmosis” (1995). Com esses discos, uma nova enxurrada de hits surgiram e Ozzy deixou de ser um mero mortal para se tornar uma lenda.
Músicas como “Crazy Train”, “Mr. Crowley”, “Suicide Solution”, “Flying High Again”, “Over The Moutain”, “Bark At The Moon”, “Shot In The Dark”, “No More Tears”, “Mama, I’m Coming Home” e “Perry Mason”, entre outras, elevaram a carreira de Ozzy a um patamar ainda mais alto que em sua época de Black Sabbath.
Os números não mentem!
Estima-se que Ozzy tenha vendido mais de 100 milhões de discos ao longo de sua trajetória, somando as fases no Black Sabbath e solo. Ele também foi o primeiro artista de Heavy Metal a ter uma estrela tanto na Calçada da Fama de Hollywood quanto na Calçada da Fama da Música do Reino Unido.
Em termos de premiações, Ozzy recebeu quatro Grammy Awards, incluindo o de Melhor Performance de Metal por “I Don’t Want to Change the World” e pelo álbum do Black Sabbath. “13″. Além disso, foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame como membro do Black Sabbath em 2006 e solo em 2024. Ele recebeu o Ivor Novello Award por sua contribuição excepcional para a música britânica, assim como também consolidou sua imagem pop com o reality show The Osbournes, que ganhou um Emmy, provando sua influência que vai além do Metal. Dessa forma, seu legado é celebrado em festivais como o Ozzfest, criado por ele e sua esposa, Sharon Osbourne, que ajudou a popularizar dezenas de bandas e a fortalecer a cena do Metal mundial.
O resultado dos excessos
Uma outra coisa que Ozzy fez muito bem ao mesmo tempo em que nos abastecia com inúmeras composições marcantes, foi abusar do seu corpo. É fato e notório que o vocalista cometeu excessos mil durante sua juventude. E, evidentemente, sabíamos que um dia estes excessos iriam cobrar seu preço.

Nos últimos anos, infelizmente, nosso querido Madman passou a sofrer de muitas debilidades físicas que abalaram sua carreira e sua vida pessoal. O lendário vocalista do Black Sabbath foi diagnosticado com a doença de Parkinson em 2019, algo que ele mesmo descreveu como devastador. Antes disso, sofreu uma infecção grave na mão que precisou de cirurgia e o deixou hospitalizado. Em 2019, também passou por uma cirurgia após uma queda em casa. Isso agravou antigas lesões na coluna, decorrentes de um acidente de quadriciclo em 2003. Esses episódios o forçaram a cancelar várias turnês e compromissos importantes, o que afetou diretamente sua rotina e seu contato com os fãs.
Além desses problemas, Ozzy teve complicações respiratórias, pneumonia e chegou a enfrentar uma hospitalização prolongada por causa de gripes severas que evoluíram perigosamente, considerando sua saúde fragilizada. Em 2022, precisou passar por uma delicada cirurgia no pescoço e na coluna para corrigir danos causados pelas quedas anteriores. Desde então, ele passou um longo processo de reabilitação e, finalmente, em fevereiro de 2023, anunciou sua aposentadoria das turnês.
Apesar de tudo, Ozzy manteve um espírito combativo inspirador, seguindo tratamentos e manifestando repetidamente o desejo de voltar aos palcos. A força e resiliência demonstrada por ele é impressionante e, com o anúncio do show “Back To The Beginning”, onde aconteceriam os últimos shows tanto de sua banda solo como do Black Sabbath, muitos fãs se comoveram, mas ao mesmo tempo ficaram preocupados.
Back To The Beginning
O show aconteceu, e marcou o fim de uma trajetória irreparável. Ozzy se preparou, ensaiou, lutou contra suas dores e contra seu próprio corpo. O dia 5 de julho de 2025 foi a data que eternizou uma luta infindável. O Villa Park foi o palco que fez todos os fãs de Heavy Metal voltaram suas atenções à um dos maiores eventos de toda a música do mundo. Todos estavam com os olhos vidrados na transmissão do evento para ver Ozzy pela última vez em cima de um palco e cantando seus clássicos. Esse foi o ápice mais importante de todos, não se trata de números, não se trata de vendas, não se trata de gostos. Um legado, uma história, um pedaço pulsante e real da cultura e vida da sociedade humana estava lá.
Ozzy Osbourne representou, emocionou e corou seu nome por toda a eternidade. Deixamos aqui, em meio a lágrimas e corações estilhaçados, a nossa singela homenagem aquele que se eternizou em vida, e perpetuou-se para sempre nos registros da história.

Aos poucos uma geração icônica está se despedindo. Um a um vão nos deixando, e estamos cada vez mais órfãos daqueles que se tornaram lenda, ainda em vida. Mas ao invés de lamentar a perda, devemos celebrar o tempo que os tivemos. Vá em paz Ozzy.