No último dia 16 de julho foi ao ar uma entrevista do guitarrista Jairo Guedez, da banda The Troops Of Doom, no podcast Rockerall. Como sempre, as entrevistas de Jairo são muito boas e diversos temas relevantes ao Metal nacional, experiências pessoais do músico e até mesmo temas sobre bastidores e gerenciamento de carreira foram abordados.
Em um trecho específico, Jairo foi questionado sobre as melhores e as piores coisas que ele passou em sua carreira. E foi então que o músico relatou um episódio bastante desagradável e, decerto, humilhante. Em um show que o The Troops Of Doom fez com uma outra banda brasileira em 2024, o músico disse ter passado por uma experiência extremamente ofensiva e o relato pode ser visto na íntegra através do vídeo abaixo.
Jairo não mencionou o nome da banda, mas diversas pessoas que assistiram ao show, isto é, que estavam no local e presenciaram os acontecimentos narrados por ele, se manifestaram nos comentários afirmando que a banda citada era a Crypta.
A cobrança
Não precisa ser muito esperto para concluir que o espaço para comentários do vídeo em questão virou um depósito de hate para ambos os lados da história. Fãs da Crypta defendendo a banda e fãs do Jairo e Troops achando um absurdo o episódio relatado. Muitos expectadores do podcast acabaram acessando o perfil da Crypta e, principalmente, da vocalista/baixista Fernanda Lira, para cobrar uma explicação/esclarecimento sobre o assunto.
E foi então que a situação desandou de vez…
Fernanda acabou publicando uma nota onde tentou desvencilhar o nome da Crypta com o acontecido, veja a nota:

O problema é que logo em seguida, Fernanda começou a responder comentários em seu perfil e acabou se contradizendo. Ela deixou claro que era realmente a Crypta a banda relatada por Jairo e disse, inclusive, que o roadie que havia invadido o palco do Troops tinha sido chamado atenção e depois demitido. Veja:

Nesse ponto da história, fica difícil acreditar em qualquer coisa que a Fernanda diga. Ao invés de tentar tirar o corpo fora, não seria muito mais fácil ter dito desde o começo que não compactua com as ações do tal roadie e explicado que o mesmo havia sido demitido e, portanto, não trabalha mais com a banda? Obviamente, seria a melhor decisão. Todos entenderiam que a banda não teve culpa e tudo teria sido acertado entre as partes. Mas ao invés disso, vieram outros comentários, tanto da Xaninho Discos (que trabalha com a Crypta) quanto de Fernanda Lira. E aqui precisamos ressaltar a dificuldade em lidar com questões simples.
De fato aconteceram problemas no show
O primeiro ponto nesta história é básico. É evidente que ocorreram problemas no show e cada um dos lados se viu prejudicado de alguma forma. O Troops por conta de tudo relatado por Jairo e a Crypta por ter seu show atrasado. E, ao que tudo indica, também por ter um único camarim disponível para as duas bandas, sendo que em uma das bandas há quatro mulheres.
Quando acontece um mal entendido desse tamanho, o ideal é que as partes conversem, se resolvam nos bastidores e depois venham a público explicar o ocorrido de maneira serena e profissional. Jairo não mencionou o nome da Crypta, portanto uma conversa entre as partes talvez resolvesse. O grande problema é a necessidade de querer estar sempre certo e não assumir erros. A nota da Xaninho joga toda a responsabilidade em cima da produção local e dá a entender que Jairo deve se pronunciar e esclarecer a situação. Veja:
“É incrível como a falta de informação faz com que pessoas que nada têm a ver com problemas de produção sejam atacadas gratuitamente. Muitas pessoas estão atacando a Crypta, uma das bandas com quem trabalhamos desde o início da sua carreira.
Temos regras básicas de convivência — seja com produtores, equipes ou público, no mundo todo — e jamais aconteceram, nem acontecerão, situações como as citadas, por questões éticas e profissionais.
Antes de jogar no ar algo que envolva ataques gratuitos, deveria existir bom senso e responsabilidade.
A banda Crypta foi contratada como headliner de um evento, e isso precisa ser esclarecido. O que ocorreu nesse caso foi consequência de falhas da produção local. Todos os horários, além de uma série de outros requisitos contratuais, foram desrespeitados pela produtora. A banda não tem poder de decisão nesses casos.
A Crypta jamais desligaria equipamentos de outra banda, assim como jamais trancaria um camarim — até porque isso está especificado em contrato: não dividimos camarins. Trata-se de um espaço onde as integrantes trocam de roupa e podem, infelizmente, ser desrespeitadas. Há casos, inclusive, em que são impedidas de entrar no próprio camarim por serem confundidas com groupies (nada contra groupies, mas isso precisa ser dito).
A banda e nossa equipe não têm o poder de ação mencionado no vídeo — esse tipo de controle é exclusivo da produção do evento. Prova disso é que todos os nossos equipamentos são ligados em sistemas de sonorização independentes, tanto em clubes quanto em festivais.
O que houve aqui foi uma falha grave de comunicação. As falas divulgadas não condizem com a realidade e muito menos com a postura da banda.
Esperamos que o Jairo, por quem temos admiração e que sempre foi uma referência para nós, possa se pronunciar e esclarecer esse mal-entendido, já que a banda, em nenhum momento, teve qualquer atitude do tipo citado.
Respeitamos todas as pessoas, independentemente do tempo de estrada — sejam bandas iniciantes ou lendas do metal mundial. Respeito é bom, e todos nós gostamos.
Não haverá pronunciamento oficial nas redes. A banda está na estrada, vivendo a vida real e fazendo o que sabe fazer. Vocês gostando ou não, são quatro garotas da nova geração que estão todos os dias fazendo as coisas acontecerem — e não há tempo para alimentar esse tipo de polêmica.”
Por outro lado, Fernanda mesmo dizendo que pediria desculpas quando encontrasse pessoalmente com Jairo, faz críticas ao músico por ele ter relatado o episódio em um podcast. É como se ela devesse desculpas, só que existisse um enorme “mas”… Soa como, “Peço desculpas, mas não resolvo essas coisas pela internet ou podcast”. Ou, “O lado que se sentiu prejudicado está certo, mas errou em trazer o assunto à público”.
Quando você reconhece um erro e resolve pedir desculpas por algo, não existe “mas”. Você se desculpa e acabou. Resolve o problema e demonstra maturidade. Errou e se redimiu. É evidente que os fãs do Troops e os fãs da Crypta iriam se sentir contemplados e evitaria todo o resto que se seguiu.
Ladeira abaixo
Lamentavelmente, Fernanda resolveu virar a chavinha de vez e, seguiu respondendo comentários em seu perfil. Dessa vez, sem qualquer filtro, ela resolveu dizer que a história relatada por Jairo foi simplesmente inventada. Em outras palavras, segundo Fernanda, Jairo mentiu deliberadamente. Veja:

Três intenções diferentes
Percebam que em menos de 24 horas, existiram três narrativas diferentes vindas de Fernanda. Quando a nota foi publicada, ela respondeu um comentário em que uma pessoa diz que um canal do Youtube afirmou que a banda mencionada seria a Crypta, e ela pede inclusive para enviar no privado o nome do canal, como se pretendesse tomar alguma atitude sobre isso.

Então, veja bem, primeiramente, ela tenta desvincular o nome da Crypta com o episódio relatado e ainda insinua que foi “irresponsabilidade” de quem publicou e do próprio Jairo:

Em seguida, ela assume que o episódio aconteceu com a banda Crypta e que o roadie teve sua atenção chamada:

Por último, a história é “inventada”, não aconteceu, e Jairo é consequentemente um mentiroso:

A pergunta que fica é: qual das três versões de Fernanda devemos acreditar? Cada um que tire suas conclusões, mas não havia a menor necessidade de escalonar a este ponto.
O que fica evidente é que existe uma tremenda inabilidade por parte de Fernanda Lira e de seus assessores em resolver questões simples. Antes de se pronunciar, seria prudente entender o ocorrido, conversar com o outro lado, se necessário se desculpar publicamente (por que não?), e somente depois redigir uma nota realmente esclarecedora e que contemple os fãs da Crypta e também o outro lado da história.
Lembrando mais uma vez que o Jairo não mencionou o nome da banda. Quem fez isso foram pessoas que estavam assistindo ao podcast e que presenciaram o episódio narrado por ele.
Aguardamos os próximos capítulos, e é quase certeza que eles virão…