Diretamente da Finlândia, o Horizon Ignited é outro bom nome dentro do concorridíssimo Death Metal Melódico, segmento em que brotam bandas, sobretudo na Europa. Construindo sua carreira aos poucos, com lançamentos espaçados e muitos shows pela região, o grupo chegou ao seu terceiro disco, “Tides” (2025), lançado no Brasil pela parceria Shinigami Records com a Reaper Entertainment.
O sexteto segue à risca o tripé que os fãs do estilo esperam encontrar em um disco de Death Metal Melódico: peso, melodia e gravação impecável, tudo convivendo harmoniosamente.

Peso, melodia e gravação
Começando pelo peso. Para dar uma temperada ou mesmo como uma maneira de se diferenciar no meio desse mar de bandas, o Horizon Ignited propositadamente deixou seu som mais pesado nesse lançamento graças ao Metalcore e a distorção alta e afinação baixa das guitarras, beirando o Djent. Os fãs tradicionais do estilo podem ficar tranquilos: foram intervenções pontuais que não fizeram o grupo tirar os dois pés do Death Metal Melódico.
Segundo pilar, da melodia. Os destaques ficam para o tecladista Miska Ek e o vocalista Okko Solanterä. Discreto nas suas intervenções, Miska criou boas ambientações, efeitos de fundo e intervenções curtas, porém certeiras. Já Okko, uma revelação, consegue alternar seus vocais com facilidade, seja cantando de forma limpa, rasgada e urrada, dessa forma, demonstrando muita versatilidade. Se vai conseguir replicar ao vivo essas variações na voz com essa mesma desenvoltura do estúdio…
Por fim, a gravação. Com a tecnologia de gravação digital cada vez mais acessível, ter um disco bem gravado já não é um diferencial, a questão é saber gravá-lo e o resultado aqui ficou inegavelmente muito bom. Juho Räihä, guitarrista do Swallow The Sun, assina a gravação que durou apenas três semanas. A mixagem, bem como a masterização ficaram por conta de Chris Clancy (Amon Amarth, Machine Head, Overkill, Kataklysm).

Audição fluída
Os quarenta minutos de “Tides” (2025) passam rápido, as faixas estão bem niveladas, mas se for para apontar destaques, eu fico com a abertura “Beneath The Dark Waters” com uma intro bem legal de sintetizadores; “Ashes”, que teve a participação de Jaakko Mäntymaa (Marianas Rest, ex-ID: Exorcist) que tem baixo distorcido, bons vocais, teclados carregados, um trecho Metalcore com parada bruta e peso na volta; “Welcome To This House Of Hate” (não se assustem com o começo techno/eletro) e seu refrão que vai soar bem ao vivo; “Fraction Of Eternity” que traz uma boa combinação de guitarra de Metal moderno com bom refrão e a faixa título, quase um Prog Metal, bem agradável graças a bela voz de Okko.
Não é fácil ter um trabalho se destacando em um meio em que bandas como In Flames, Dark Tranquility, The Halo Effect lideram, mas aos poucos, o Horizon Ignited vai conquistando seu lugar no sol – ainda que lá no Norte escandinavo ele não seja tão quente assim.
Nota: 8
Integrantes:
- Okko Solanterä (vocal)
- Johannes Mäkinen (guitarra)
- Vili Vottonen (guitarra)
- Miska Ek (teclado)
- Jiri Vanhatalo (bateria)
- Jukka “jugi” Haarala (baixo)
Faixas:
- 01 Beneath The Dark Waters
- 02 Ashes feat. Jaakko Mäntymaa
- 03 Baptism By Fire
- 04 Welcome To This House Of Hate
- 05 My Grave Shall Be The Sea (Leviathan Pt. II)
- 06 Prison Of My Mind
- 07 Fraction Of Eternity
- 08 Aurora’s Dance
- 09 Tides
- 10 Fragments