Hoje abordaremos a discografia dos reis do Prog Metal, Dream Theater. A sessão “Do Pior Ao Melhor” foi criada há alguns anos com o objetivo de ranquear os álbuns de determinadas bandas. Esta análise é feita listando os trabalhos do menos expressivo até o mais significativo. Os critérios usados neste quadro são diversos, como aceitação crítica dos registros, importância para a época, nível técnico em comparação a outros discos da banda, assim como o fator diversão, entre outros.
Note que não estamos impondo certezas ou leis, dessa forma, esta é apenas uma análise feita por um redator do site Mundo Metal para estabelecer a ordem em que os álbuns são posicionados neste ranking.
Se o seu álbum favorito estiver em uma posição abaixo do que você esperava ou se aquele disco que você detesta estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata.
Neste episódio, teremos uma das bandas precursoras do Progressive Metal e uma das mais importantes e influentes dentro deste gênero: Dream Theater!

Um breve histórico
Formado em 1988 nos Estados Unidos, o Dream Theater nasceu da união de três estudantes da renomada Berklee College Of Music: John Petrucci (guitarra), John Myung (baixo) e Mike Portnoy (bateria). A banda rapidamente se destacou por sua habilidade técnica impressionante e por unir elementos do Rock progressivo clássico ao peso do Metal, ajudando a consolidar as bases do que hoje conhecemos como Progressive Metal.
Depois de um primeiro disco que passou praticamente despercebido pelo público, o grupo demonstrou uma evolução gigante, principalmente, com “Images And Words” (1992) e “Awake” (1994), discos fundamentais para estabelecer o Dream Theater como um dos pilares do Prog Metal. O segundo álbum, que marcou a estreia do vocalista James LaBrie, trouxe o hit “Pull Me Under” e abriu as portas do mainstream para uma banda com uma proposta musical extremamente complexa e ousada.

Take The Time and Bend The Clock
Ao longo dos anos, o grupo construiu uma discografia extensa, mas um dos seus maiores marcos veio em 1999 com “Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory”, considerado até hoje um dos maiores álbuns conceituais da história do Metal. Este trabalho elevou o conceito de storytelling musical a outro patamar, combinando técnica, emoção e narrativa de forma magistral.
Em 2010, uma reviravolta abalou os fãs: Mike Portnoy, fundador, líder e baterista da banda, anunciou sua saída. A banda seguiu em frente com o virtuoso Mike Mangini, que permaneceu por mais de uma década, gravando discos importantes e mantendo a tradição técnica da banda viva, embora muitos fãs sentissem falta da veia mais espontânea e criativa de Portnoy.
Para surpresa de todos, em 2023, o Dream Theater anunciou o retorno triunfal de Mike Portnoy, reunindo a formação clássica. Esse reencontro se materializou no álbum “Parasomnia” (2024), que foi recebido como um verdadeiro presente para os fãs, celebrando não apenas a volta de um dos maiores bateristas da história do Metal, mas também a essência do próprio Dream Theater.
16. When Dream And Day Unite (1989)

O álbum de estreia carrega uma importância histórica, afinal, é o ponto de partida do Dream Theater. Contudo, é inegável que, tanto em termos de produção quanto de maturidade musical, a banda ainda estava em fase de desenvolvimento. Além disso, a presença do vocalista Charlie Dominici, que não possuía a mesma potência e versatilidade de seu sucessor, faz deste um registro que envelheceu de forma apenas razoável. É curioso, poder ser nostálgico para alguns fãs mais velhos, mas é distante do que a banda entregaria em futuro breve.
15. The Astonishing (2016)

Ambicioso até demais, The Astonishing é um álbum conceitual que dividiu completamente os fãs. Com mais de duas horas de duração e uma narrativa fantasiosa, o disco prioriza elementos sinfônicos e teatrais em detrimento do peso e da complexidade instrumental que consagraram a banda. Poderia ter tido um desempenho melhor caso não tivesse sido um disco duplo e tivesse um tracklist mais enxuto? Sim. Poderia ser melhor avaliado caso tivesse sido lançado como discos independentes ao estilo “parte 1” e “parte 2”? É claro. Mas não foi a estratégia adotada. É um projeto ousado, mas que sofre com excesso de pretensão e pouca entrega no quesito “fator replay”.
14. Distance Over Time (2019)

Após o polêmico The Astonishing, o Dream Theater buscou retomar suas raízes progressivas e pesadas. Distance Over Time é um álbum competente, bem produzido e tecnicamente impecável, como sempre. No entanto, falta aquele brilho especial, aquele conjunto de faixas memoráveis que cravam o disco na história. Passa a sensação de ser um trabalho seguro, porém pouco ousado e pouco memorável.
13. Dream Theater (2013)

O homônimo da banda soa como um disco de transição. Embora tenha momentos muito interessantes, como “The Enemy Inside”, no geral, ele entrega pouco diante da expectativa que sempre gira em torno de um lançamento do Dream Theater. As composições parecem seguir no piloto automático, com soluções um pouco previsíveis e pouco inspiradas, exceção de uma ou outra faixa. Isso tudo acaba tornando este álbum pouco empolgante, mas trazendo vislumbres de um brilhantismo que ainda se fazia presente.
12. Octavarium (2005)

Um dos discos mais controversos da carreira. Octavarium é amado por muitos, porém, para outros, representa uma tentativa frustrada de soar acessível, com músicas mais morosas e menos pesadas do que em álbuns anteriores. Apesar disso, ele tem seus momentos de inspiração, como em Panick Attack. Já a faixa título, com seus 24 minutos, é extremamente maçante e autoindulgente, elevando bastante o nível de chatice do material. Dessa forma, o disco como um todo oscila bastante e, só para alimentar a polêmica, trata-se de um dos queridinhos de muitos fãs.
11. A Dramatic Turn Of Events (2011)

O primeiro álbum sem Mike Portnoy. A responsabilidade era enorme e a banda respondeu com um trabalho sólido, embora um tanto burocrático. Existem ótimos momentos, como “On The Backs Of Angels”, “Lost Not Forgotten” e “Breaking All Illusions”, mas, no geral, o disco peca por jogar seguro e não ousar tanto quanto poderia.
10. Six Degrees Of Inner Turbulence (2002)

Aqui começam os pesos pesados. Six Degrees é um disco ambicioso, duplo, com uma primeira parte focada em faixas longas e pesadas, e uma segunda que apresenta a suíte homônima com mais de 40 minutos de duração. É um álbum grandioso, complexo e desafiador, mas dependendo do ouvinte, pode soar massivo e um pouco exaustivo em alguns momentos. “The Glass Prison” é uma das melhores músicas da banda está aqui, só para deixar registrado.
9. A View From The Top Of The World (2021)

O mais recente antes de Parasomnia, responsável pela banda ter ganho um Grammy Awards é, sem dúvida, um disco muito bem equilibrado. Mistura o peso moderno com as passagens progressivas de forma eficiente. Destaque para a épica faixa título, com mais de 20 minutos, e para músicas como “The Allien”, “Sleeping Giant” e “Awaking The Master”. Um trabalho que mostra que, mesmo após décadas, o Dream Theater ainda tem lenha pra queimar.
8. Systematic Chaos (2007)

Muito subestimado, Systematic Chaos tem grandes momentos que, por vezes, são esquecidos pela própria fanbase. Faixas como “In The Presence Of Enemies” (Partes I e II) e “The Ministry Of Lost Souls” são verdadeiras viagens progressivas. É um disco denso, pesado e que, com o tempo, ganhou mais reconhecimento.
7. Parasomnia (2025)

O novíssimo Parasomnia chega surpreendendo positivamente. Um trabalho que resgata elementos clássicos da banda, com peso na medida certa, técnica apurada, melodias marcantes e um conceito sensacional. Ainda é cedo para determinar seu legado definitivo, mas, sem dúvidas, já se posiciona como um dos melhores da era recente do Dream Theater.
6. Falling Into Infinity (1997)

O famoso “álbum da discórdia”. Pressionado pela gravadora para entregar algo mais acessível, o Dream Theater criou um dos discos mais diferentes da carreira. Apesar das interferências externas, o álbum tem faixas memoráveis como “Peruvian Skies”, “New Millenium”, “Hollow Years” e “Trial Of Tears”. Com o passar dos anos, muitos fãs passaram a olhar para este trabalho com mais carinho e diversas composições foram se tornando cada vez mais comemoradas.
5. Black Clouds & Silver Linings (2009)

O último álbum com Mike Portnoy antes de sua saída é uma verdadeira despedida em alto nível. Longas faixas, riffs pesados, atmosferas sombrias e uma pegada progressiva de altíssimo nível. Destaques para “A Nightmare To Remember” e “The Count Of Tuscany”. Uma obra que consolidou ainda mais o legado da banda antes da saída de seu baterista fundador e foi um verdadeiro divisor de águas.
4. Train Of Thought (2003)

O disco mais pesado da carreira. Train Of Thought abraça o Metal mais pesado de vez, com riffs cortantes, linhas vocais agressivas e pouquíssima concessão para momentos suaves. É o álbum perfeito para quem gosta do lado mais pesado e direto do Dream Theater, sem abrir mão da técnica absurda que sempre os acompanhou.
3. Awake (1994)

Denso, sombrio e emocionalmente carregado, Awake mostra uma banda amadurecendo rapidamente após o sucesso de Images and Words. É aqui que começam a surgir elementos mais pesados e experimentais. Faixas como “The Mirror”, “Lie” e “Scarred” são clássicos absolutos. Um disco que envelheceu maravilhosamente bem.
2. Metropolis Pt. 2: Scenes From A Memory (1999)

O álbum conceitual mais importante da banda. Uma verdadeira obra de arte do Prog Metal. Scenes From A Memory entrega narrativa, técnica, emoção e coesão do começo ao fim. Uma experiência sonora que até hoje é referência mundial no gênero progressivo. O que dizer de um disco que tem em seu tracklist grandes composições como “Beyond This Life”, “Home”, “Strange Déjà Vu” e “The Spirit Carries On”?
1. Images And Words (1992)

O divisor de águas. Images And Words não só colocou o Dream Theater no mapa, como redefiniu o que seria o Metal Progressivo nos anos 90. Faixas como “Pull Me Under”, “Take The Time”, “Metropolis Pt.1” e “Another Day” tornaram-se hinos instantâneos. É, sem dúvidas, o disco mais importante, influente e reverenciado da discografia da banda.
Se concorda, discorda ou faria um ranking diferente, deixe sua opinião nos comentários! Afinal, a música é feita para gerar debates, paixões e, principalmente, unir as pessoas.
Ouça a playlist especial que preparamos com algumas das nossas canções favoritas de toda a discografia do Dream Theater.