Uma das coisas mais impressionantes à respeito deste retorno do Savatage após mais de 20 anos, foi constatar o alto nível de performance do grupo ao vivo. O Mundo Metal esteve nos dois shows que a banda fez no Brasil e foi uma sensação quase unânime. Parecia que estávamos vendo uma banda em plena forma que estava simplesmente fazendo mais um show dentre muitos.
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Em uma nova entrevista concedida ao MetalTalk, o guitarrista Chris Caffery comentou justamente sobre esta impressão que acometeu a todos de que parecia não fazer mais de 20 anos que o Savatage não estava em plena atividade. Ele começou dizendo o seguinte:
“Bem, esses caras da banda são pessoas que vejo todo ano nas turnês do Trans-Siberian Orchestra. Zak e Jeff são pessoas com quem faço turnês, e Al, eu, Johnny e Jeff excursionamos juntos com o TSO nas turnês ‘Beethoven’s Last Night’ e coisas assim. Então, eu sempre os vejo e sempre tocamos. Eles são meus amigos mais próximos. E quando tocamos novamente, não pareceu que foram 23 anos, pareceu que foram 3 anos. Foi estranho. Parecia que nunca paramos. É tão louco isso.
Parecia a mesma coisa de antes, mas diferente, porque estamos um pouco mais velhos e muito tempo se passou. Fomos lá e foi como se estivéssemos de volta em casa. A música do Savatage é tão poderosa nesses palcos e tão divertida de tocar ao vivo. E a música que Jon Oliva e seu irmão Criss, junto com Paul O’Neill, reuniram para a carreira desta banda é tão mágica quando tocada diante do público. E eu sei que os fãs sentiram tanta falta quanto eu.
A vida passa por tantos altos e baixos e à medida que envelhecemos parece-me que os baixos tendem a aparecer com mais frequência quando você menos espera. E agora isso vem da saúde dos seus familiares e de coisas ao seu redor. Mas ter o Savatage de volta na minha vida tem sido como uma boa âncora no meio de tudo isso, porque o TSO é o melhor show musical do planeta — eu adoro fazer parte dessa banda e ir lá todos os anos. É tão incrível fazer parte do que Paul criou com o TSO. É o melhor show de Rock que eu poderia imaginar dentro de uma arena. A produção é incrível. As músicas são incríveis. Os cantores e músicos são incríveis. A equipe — a coisa toda é tão, tão incrível. E agora existe essa âncora ali. Então você vai para o outro lado da sua vida e você tem todas essas outras coisas. E há um tempo entre quando você está com o TSO e todo o resto.
E ter o Savatage para equilibrar esse tempo é tão forte quanto o TSO, e fica no meio disso. Então, onde você pode ter um elástico meio que subindo e descendo com tudo, o Savatage está no meio e me deu uma espécie de calma agradável, sabendo que minha banda de infância, da qual comecei a gostar aos 19 anos, está de volta e faz parte do meu dia a dia de novo. Estou fazendo a divulgação do Savatage e vejo cartas e posts, e temos shows marcados, e minhas próximas apresentações ao vivo são isso. É uma sensação ótima ter isso de volta. E sei que todos na banda estão muito animados com essa volta aos palcos, e estamos todos pulando como um bando de crianças. É muito divertido.”

Sobre as declarações de Jon Oliva sobre o lançamento de um novo álbum de inéditas do Savatage, Caffery disse:
“Sim. É engraçado, porque Jon mencionar esse disco em uma entrevista de 2023 é provavelmente um dos motivos pelos quais estamos tocando, porque ele fez isso em uma entrevista na época da COVID, e no dia seguinte recebi todos esses e-mails e mensagens diretas: ‘Isso é ótimo. O Savatage está fazendo outro disco. Eu vi o artigo no Blabbermouth’. E eu fiquei tipo, ‘Estamos?’. Mas acho que isso fez com que os agentes viessem até mim, à banda e à gerência, e por meio disso, nossa gerência veio até nós e disse: ‘Ei, queremos ter uma teleconferência com vocês’. E então eles fizeram isso e disseram: ‘Bem, há muitas boas ofertas para vocês tocarem em alguns shows’. E acho que muita coisa surgiu disso.
O Jon quer fazer essa música e nós vamos conseguir. Espero que a ideia dele de chamar o disco de ‘Curtain Call’ não seja uma referência à cortina se fechando, mas sim à cortina se abrindo. Tenho duas versões diferentes de como acho que isso deveria acontecer. Acho que essa versão de ‘Curtain Call’ deveria ser o recomeço de um novo capítulo. E espero que seja isso. Para mim, nada me deixaria mais feliz. Sei que planejamos tocar e ouço os caras conversando, e falamos sobre um plano de turnê de 10 anos e isso e aquilo. Então, se vamos sair por aí, que seja com alguma música nova. E vai ser divertido adicionar algumas coisas ao catálogo louco e bom de antigamente.
Estou feliz por estarmos tocando de novo. Não consigo imaginar o tempo passando mais rápido do que isso. Mas ver 23 anos passarem num piscar de olhos é uma loucura, cara. É uma loucura. É mesmo.”