O Mercyful Fate foi uma banda extremamente original e que abalou o mundo do Heavy Metal quando surgiu no início dos anos 80 com seus dois primeiros discos, os clássicos “Melissa” (1983) e “Don’t Break The Oath” (1984).
Um dos pontos fortes da banda, além dos vocais do vocalista King Diamond, eram as melodias criadas pela dupla Michael Denner e Hank Shermann.
Mas parece que algo mudou na relação entre os integrantes, já que o grupo anunciou um retorno em 2019 e Denner não foi chamado. É claro que o músico não gostou de ter ficado de lado e, inclusive, falou abertamente sobre isso em algumas entrevistas.
No festival Nordic Noise 2025, em Copenhague, na Dinamarca, o Ardennery substituiu o Blitzkrieg, mas o amigo leitor deve estar se perguntando: o que é o Ardennery? Bem, é o nome escolhido por Michael Denner para representar uma banda tributo aos primeiros discos do Mercyful Fate, na qual ele e integrantes do Artillery estão envolvidos.
O show aconteceu no último dia 9 de maio e alguns vídeos feitos por fãs está disponível logo abaixo:
Em 2022, King Diamond resolveu responder Michael Denner em uma entrevista concedida à revista Creem. Na época ele disse:
“Há razões pelas quais Michael Denner e Kim Ruzz simplesmente não estão aqui. Sei que Michael Denner deu uma entrevista recentemente e não vou me aprofundar nisso, mas ele disse muitas coisas que são absolutamente falsas. Eu poderia entrar em muitos detalhes sobre os motivos pelos quais esta formação atual não conta com ele ou com Kim Ruzz. Não quero falar mal de ninguém, mas você não pode dizer: ‘Ei, eu deveria estar tocando lá’.
Por quê? Devo expulsar um membro da banda que é absolutamente perfeito, que se dedica ao máximo pela banda o tempo todo, não importa o que aconteça? E a habilidade dele está além de qualquer coisa com que eu tenha tocado naquela época? Não tem como ele ser demitido porque outra pessoa de repente se interessou em fazer parte. Isso é completamente errado. Eu jamais trataria alguém assim.
E mais, foi muito legal e muito divertido tocar com o Mercyful Fate novamente, mas as pessoas entenderam mal o que estamos fazendo agora. Não se trata de uma reunião. Estamos apenas retomando o trabalho porque as estrelas estão alinhadas corretamente agora. E isso tem sido assim o tempo todo. Antes, quando as pessoas perguntavam: ‘você acha que vai tocar com o Mercy de novo?’, eu nunca diria nunca. Mas tem que estar completamente certo. Não quero sair por aí tentando ordenhar uma vaca, fazer um show com todo o cenário, depois recolher tudo e dizer: ‘Foi isso’. Isso não está certo. E Hank Shermann tem a mesma filosofia. Ou fazemos 200% ou não fazemos.”
A saber, a fala que King Diamond mencionou foi esta a seguir, em que Michael Denner disse o seguinte ao Chaozine:
“Sinto que esta não é mais a minha banda. Não faço parte dela porque eles não me avisaram; não me convidaram. Nem conversamos sobre isso. Então, é claro, levou um tempo para eu digerir. Foi bem doloroso, porque sinto falta dos meus amigos dos anos 80 — sinto falta deles. Mas não das pessoas que estão na banda hoje, estas são outras pessoas. Desejo o melhor a eles, quer dizer, quanto melhor tocarem, mais discos poderemos vender e mais dinheiro eu conseguirei ganhar no final. Mas é claro que é de partir o coração.
E também ver e ouvir — eles tocam as minhas músicas, que eu criei. A maioria das músicas que eles tocam agora são coisas que eu fiz — quer dizer, são meus solos característicos, meus temas, meus arranjos, minhas coisas. E é outro cara que toca. Mas, por outro lado, Mike Wead é um ótimo guitarrista e ainda é um bom amigo meu. Então, se alguém deveria fazer o trabalho, fico feliz que tenha sido ele, de verdade. Ele consegue fazer essa merda direito. É um tipo de conforto em meio a toda essa agonia e decepção — que é o Mike Wead quem toca. E isso faz eu me sentir bem.”