Dave Mustaine transforma batalha contra o câncer em relato de esperança em novo livro

Créditos: Facebook de Dave Mustaine

O vocalista e guitarrista do Megadeth, Dave Mustaine, vai celebrar o lançamento de sua nova autobiografia, “In My Darkest Hour”, com um encontro especial no Kaufman Music Center, em Nova York, no dia 8 de setembro. Coescrito com o jornalista Joe Layden, o livro revisita um dos períodos mais difíceis da vida do músico: o diagnóstico de carcinoma espinocelular na parte posterior da língua, em 2019. Além do intenso tratamento que enfrentou enquanto continuava trabalhando na música.

Com lançamento marcado para a mesma data do evento, pela Grand Central Publishing, através do selo Da Capo, a obra acompanha Mustaine entre sessões de quimioterapia e radioterapia e longas jornadas de gravação do 16º álbum do Megadeth, “The Sick, The Dying … And The Dead!”, lançado em 2022. Caso tenha interesse em comparecer ao evento, caro leitor, acesse AQUI.

Além dos desafios físicos, o livro aborda seus questionamentos sobre mortalidade, sua relação com a família e sua fé. Durante uma recente sessão de perguntas e respostas promovida pela TalkShopLive, o músico explicou que a doença não mudou sua perspectiva espiritual. Isso pois o mesmo já possuía uma convicção anterior ao diagnóstico:

“Não. Eu já estava bastante decidido espiritualmente antes de tudo isso acontecer, e muitas das pessoas que sugeriram coisas online, muitas delas eram pessoas realmente maravilhosas. Então, foi ótimo ver pessoas com a mesma mentalidade, pessoas que estavam dispostas a enviar pensamentos e sentimentos positivos para mim. Mas tenho que lembrar de toda a minha questão — Deus querendo que eu fosse curado — e era isso. Ele disse que isso aconteceria, e eu fui curado.”

Música como combustível durante o tratamento

Questionado sobre o que o manteve motivado a continuar criando durante o difícil tratamento contra o câncer, Mustaine destacou principalmente seus companheiros de banda e a equipe de produção. O guitarrista também mencionou os problemas internos que o Megadeth enfrentava naquele período, aparentemente em referência à saída de David Ellefson em 2021. Entretanto, preferiu enfatizar a importância de concentrar sua energia no trabalho.

“Ótimos companheiros de banda. Um coprodutor realmente profissional. Tínhamos algo realmente ótimo funcionando. Infelizmente, tivemos o drama que estava acontecendo em uma área da banda que foi resolvido”, afirmou. “E normalmente não falamos muito sobre isso, simplesmente porque é um capítulo feio, e acho que ninguém quer falar sobre isso. Então, foi principalmente focar na música, o que foi algo tão bom de fazer, e oferecer algo musical aos nossos fãs, concentrar-se na música em vez de toda essa merda de pessoas tentando criar drama nas bandas que amam.”

Dave também recordou o apoio recebido de pessoas próximas enquanto enfrentava a doença. Entre elas estavam o então baterista do Megadeth, Dirk Verbeuren, o guitarrista Kiko Loureiro, além de seu filho, sua esposa e sua filha. O atual guitarrista Teemu Mäntysaari ainda não fazia parte da formação naquele momento.

“Sim. Dirk foi ótimo. Ele foi maravilhoso. Teemu ainda não estava na história. Kiko foi muito prestativo, mas acho que ele estava muito desconfortável e, de certa forma, um pouco assustado com o que aconteceria, porque aqui estava esse cara que ele tinha acabado de conhecer, que ele admirava muito, e nós nos tornamos amigos, e então, de repente, eu estava parecendo alguém que ia morrer por fora. Então, sim, Dirk foi muito solidário, assim como meu filho e minha esposa. Minha filha também estava muito assustada, então acho que cada um lidou com isso à sua maneira. E falamos sobre isso no livro. Cada uma das pessoas que participou do livro foi convidada a compartilhar sua experiência com tudo isso, e acho que ficou realmente ótimo ter todas essas perspectivas diferentes sobre o assunto.”

“Eu queria compartilhar essa história de esperança”

Ao explicar por que decidiu transformar aquela experiência em livro, Mustaine destacou sua preocupação com os fãs. Bem como da importância de poder contar pessoalmente como chegou à remissão. O músico afirmou que ficou especialmente feliz quando recebeu a confirmação médica, em outubro de 2019.

“Eu pessoalmente adoro meus fãs. Eu não queria que eles ficassem tão tristes quanto eu os vi ficar. E fiquei realmente feliz por poder dizer que estava em remissão quando o médico me disse isso em outubro [de 2019].”

Ele prosseguiu:

“Você nunca sabe realmente, com algumas dessas coisas que acontecem na vida, a extensão do que o tratamento vai exigir. Eu tinha muita esperança e muitas pessoas rezando por mim, muitas pessoas enviando pensamentos positivos e coisas assim. Eu tinha dinheiro para conseguir um bom tratamento. Eu vivia em uma região onde os médicos eram fantásticos. E nem todo mundo terá a mesma oportunidade. Então, eu queria ter certeza de que estaria disponível para contar minha história e compartilhar essa história de esperança. Porque, mesmo que você tenha acesso a todas essas coisas, ainda está com medo. Você não sabe o que está acontecendo. E você vai colocar a cabeça em uma máquina que foi feita para, porra, matar você.”

Quando o entrevistador observou que as sessões de quimioterapia certamente não haviam sido agradáveis, Mustaine revelou que sequer consegue se lembrar de boa parte daquele período e descreveu o chamado “chemo brain”, termo usado para alterações cognitivas associadas ao tratamento.

“Eu não me lembro de muita coisa. Essa foi uma das coisas terríveis que acontecem quando você faz radioterapia e quimioterapia. É chamado de ‘chemo brain’, quando seu cérebro, assim como todo o seu corpo, está sendo atacado, e seu corpo está morrendo. Então, mentalmente, foi uma completa merda entrar em algum lugar e voluntariamente dizer: ‘Ok, me mate. Mate-me um pouco mais hoje.’ Foi muito assustador.”

Em uma declaração sobre a autobiografia, Mustaine resumiu o período como uma das experiências mais difíceis de sua vida adulta:

“Uma das experiências mais angustiantes da minha vida adulta foi minha jornada de sete anos através do tratamento contra o câncer e depois até a remissão. Essa história é consideravelmente mais do que apenas: ‘Vá ao médico, seja diagnosticado, faça o tratamento e, com sorte, viva feliz para sempre’. Esta foi uma jornada de eu me salvar, permanecer vivo, manter minha família unida e continuar fazendo música durante tudo isso.”

Para Ben Schafer, editor-executivo da Da Capo, o livro mostra um lado particularmente vulnerável do músico:

“‘In My Darkest Hour’ é Dave Mustaine em seu estado mais revelador, vulnerável e verdadeiro. Com uma honestidade cortante e uma reflexão profunda, ele fala sobre a experiência humana universal de enfrentar uma doença grave e como isso transforma uma pessoa, sua família e seus amigos, além de sua relação com a criatividade.”

Coescrito pelo jornalista do The New York Times Joe Layden, que já havia trabalhado com Mustaine em “Mustaine: A Heavy Metal Memoir” e com o ex-guitarrista do Kiss, Ace Frehley, em “No Regrets: A Rock ‘N’ Roll Memoir”, “In My Darkest Hour” chegará às livrarias em 8 de setembro. O evento em Nova York também oferecerá aos fãs um exemplar autografado mediante a compra do ingresso.

No fim das contas, histórias como a de Dave Mustaine também lembram que, por trás de grandes bandas, discos e palcos, existem pessoas sujeitas às mesmas fragilidades que qualquer outra. Até guitarristas mundialmente famosos podem enfrentar períodos extremamente difíceis, inclusive uma doença como o câncer. Independentemente de fama ou reconhecimento, muita força e luta para todos aqueles que estão enfrentando essa batalha.

Créditos das imagens: Página oficial do Facebook de Dave Mustaine

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