David Ellefson dispara contra Dave Mustaine: “Quando eu não estou no Megadeth, sempre encaro aquilo como a banda solo do Dave”

A relação entre Dave Mustaine e David Ellefson se deteriorou completamente nos últimos anos. Depois da demissão do baixista em 2021, na esteira de um escândalo sexual envolvendo uma fã do Megadeth, os antigos parceiros seguiram caminhos opostos. Desde então, Ellefson passou a fazer críticas frequentes ao antigo companheiro, enquanto Mustaine preferiu manter silêncio na maior parte do tempo. Neste ano, porém, o líder do Megadeth respondeu indiretamente às provocações durante entrevista ao canal brasileiro Ibagenscast, descartando a possibilidade de reunir ex-integrantes na turnê de despedida da banda.

Mesmo assim, David Ellefson voltou ao assunto durante uma participação no programa “Trunk Nation With Eddie Trunk”, da SiriusXM. Questionado novamente sobre uma eventual participação na turnê de despedida do Megadeth, o baixista afirmou que nunca fechou essa porta, mas aproveitou para reforçar uma opinião que certamente reacenderá a polêmica envolvendo Dave Mustaine.

“Quando eu não estou no Megadeth, vejo aquilo como uma banda solo do Dave”

Relembrando a tentativa de reformação do grupo em 2004, Ellefson contou que chegou a sugerir uma reunião mais ampla, envolvendo diversos ex-integrantes históricos, mas afirmou que o projeto acabou tomando outro rumo:

“Eu nunca fechei essa porta… Quando o Dave quis colocar a banda de volta na ativa em 2004, eu disse a mesma coisa. Na época havia conversas sobre reunir a formação de ‘Rust In Peace’, mas isso nunca aconteceu. Depois voltamos a falar disso novamente por volta de 2014, e, quando também não aconteceu, acabamos reconstruindo a banda e lançamos ‘Dystopia’.”

Na sequência, veio a declaração que mais chamou atenção da entrevista:

“Eu disse ao Dave em 2004, quando tentávamos remontar a banda, que aquilo acabou se tornando mais um projeto solo… Quando eu não estou no Megadeth, sempre encaro aquilo como a banda solo do Dave. É assim que eu vejo. Não estou dizendo que isso seja bom ou ruim, apenas diferente. Para mim, existe uma sensação completamente diferente em relação ao Megadeth formado por Ellefson e Mustaine. Na época eu sugeri: ‘Por que não chamar Jeff Young, Chris Poland, os outros integrantes sobreviventes, Nick Menza, até mesmo Marty Friedman? Vamos transformar isso em algo maior’.”

“Cada formação tem seus próprios fãs”

Segundo Ellefson, uma turnê de despedida deveria celebrar toda a história da banda, já que cada fase do Megadeth conquistou um público diferente.

“Hoje, antes de encerrar uma banda desse tamanho e com esse legado, especialmente considerando quantos integrantes importantes passaram por ela, faz sentido reconhecer que cada formação e cada álbum possuem seus próprios fãs. Nós sabemos disso como fãs do Kiss. Existe o Kiss dos anos 70, o dos anos 80… Cada versão conquistou um público diferente. Se dependesse de mim, com certeza faria algo assim. Mas eu me dou bem com todo mundo, então não sei como isso acabaria acontecendo.”

Elogios aos atuais integrantes, mas reforçando que “soa diferente”

Apesar das críticas direcionadas a Mustaine, o ex-baixista fez questão de elogiar os músicos que atualmente acompanham o líder do Megadeth, incluindo James LoMenzo e Dirk Verbeuren.

“Eu não tenho nenhum ressentimento contra quem está tocando com o Dave hoje. São músicos extremamente competentes. Eu e o Kiko Loureiro, inclusive, ajudamos a trazer o Dirk Verbeuren para a banda em 2016. Sempre elogiei o LoMenzo. Eu até me surpreendi com a forma como ele toca esse tipo de música, porque não era o estilo pelo qual eu o conhecia, mas ele fez um excelente trabalho. Podemos ser amigos tranquilamente.”

Ainda assim, Ellefson voltou a reforçar que, em sua visão, existe uma diferença fundamental entre o Megadeth atual e a formação clássica.

“Como eu disse, para mim simplesmente soa diferente. Quando somos eu e o Dave, essa é uma versão do Megadeth. É a formação original dos anos 80 e 90, revisitada novamente entre 2010 e 2021. Existe uma sonoridade diferente. Mas tudo bem. A banda segue em frente. Eu continuo recebendo meus royalties, então podem continuar trabalhando. Está ótimo para mim.”

Photo: Amy Harris/Invision/AP
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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