Kiko Loureiro explica saída do Megadeth: “Dave era muito aberto às minhas sugestões. É por isso que acho que fiquei tanto tempo lá”

O guitarrista Kiko Loureiro voltou ao centro das atenções nas últimas semanas após se envolver em uma polêmica internacional com a banda Arch Enemy. O músico brasileiro insinuou que o grupo teria plagiado uma de suas composições, o que levou à emissão de uma notificação extrajudicial por parte de seu advogado, exigindo indenização. Em resposta, o Arch Enemy apresentou demos com datas anteriores ao lançamento da música de Kiko, colocando em xeque a acusação. O caso segue nos bastidores, sem novos desdobramentos públicos até o momento.

Enquanto isso, a trajetória de Kiko Loureiro continua sendo amplamente reconhecida no cenário do Heavy Metal. Inicialmente consagrado como guitarrista do Angra, o músico expandiu ainda mais sua projeção internacional ao integrar o Megadeth, uma das bandas mais influentes do gênero. Ainda assim, sua saída do grupo liderado por Dave Mustaine segue cercada de questionamentos e especulações entre fãs e especialistas.

Os motivos por trás da decisão

Em uma entrevista recente ao Sixty Scales And The Truth, Kiko Loureiro esclareceu que sua saída do Megadeth no fim de 2023 não teve uma causa única. Pelo contrário, ele destacou que a decisão foi resultado de uma soma de fatores ao longo de sua trajetória de quase nove anos na banda.

Segundo o guitarrista, a rotina intensa de turnês foi um dos principais pontos de desgaste. Ele revelou que passava cerca de cinco a seis meses por ano viajando, o que contrastava com experiências mais curtas em sua carreira solo. Nesse contexto, a necessidade de equilíbrio entre vida profissional e pessoal começou a pesar cada vez mais.

Além disso, a família teve papel central na escolha. Kiko explicou que ingressou no Megadeth quando sua filha ainda era pequena e, pouco tempo depois, tornou-se pai de gêmeos. Com o passar dos anos, a distância constante tornou-se mais difícil de administrar, especialmente diante do crescimento dos filhos e das demandas familiares.

Photo: Carlos Santiago/ Eyepix Group/ Future Publishing via Getty Images

Entre a carreira e a vida pessoal

Outro aspecto relevante mencionado por Kiko Loureiro foi o desejo de ter maior controle sobre sua própria agenda. O músico destacou a dificuldade de conciliar compromissos profissionais com momentos importantes, como visitas aos pais no Brasil ou acompanhamento mais próximo da família.

Ele também apontou que, com o tempo, surgiram reflexões naturais sobre novos caminhos criativos. Apesar de ter contribuído significativamente para álbuns como “Dystopia” — vencedor do Grammy — e “The Sick, The Dying… And The Dead!”, o guitarrista sentiu a necessidade de explorar outras possibilidades musicais e estilos dentro do Rock e além.

Mesmo reconhecendo a liberdade criativa que teve dentro do Megadeth, incluindo colaborações diretas com Dave Mustaine, Kiko afirmou que existe um momento em que mudanças se tornam inevitáveis. Para ele, essa transição foi impulsionada tanto por questões pessoais quanto por um desejo de renovação artística.

O futuro de Kiko Loureiro

Por fim, o guitarrista segue ativo e com planos já encaminhados. Kiko Loureiro participará de alguns shows do Angra na turnê que celebra a chamada formação “nova era”, reacendendo a expectativa dos fãs quanto a um possível retorno mais duradouro à banda.

No entanto, ainda não há confirmação sobre uma reintegração definitiva ao lineup. Assim, o futuro do músico permanece em aberto — dividido entre novas possibilidades criativas, projetos pessoais e eventuais colaborações com grandes nomes do Metal mundial.

Veja a fala completa de Kiko:

“Durante o Megadeth, foi ótimo, então não tenho nada do que reclamar. Mas foram oito anos, quase nove anos, e eu estava em turnê talvez — não sei — cinco meses, às vezes até seis meses [por ano], então isso é bastante. É muito diferente de fazer 25 dias [como fiz na minha turnê solo].”

“Houve muitos motivos [que contribuíram para isso]; nunca existe apenas um motivo quando você toma uma grande decisão na vida. Então, um dos motivos foi a família. Esse foi o mais intenso. Depois de fazer uma turnê, já havia outra de três meses, e aí eu pensei: ‘Talvez isso seja demais.’ Mas eu já vinha lidando com esses pensamentos desde que entrei no Megadeth, basicamente. Minha filha tinha cerca de cinco anos [quando entrei no Megadeth], e um ano depois [em 2016], após entrar na banda, no ano em que lançamos o álbum “Dystopia”, vencedor do Grammy e tudo mais, eu tive gêmeos. Então, todos aqueles anos no Megadeth foram difíceis, viajando e tendo gêmeos recém-nascidos em casa, e depois viajando de novo. Isso faz você refletir muito, porque era exatamente o que eu sempre quis: estar em turnê, tocar guitarra, etc. Mas aí você também tem filhos, e sua mentalidade muda bastante. Depois veio a pandemia, depois fizemos outro álbum, e assim por diante. Até que, em certo ponto, eu pensei: ‘Acho que oito, nove anos é o suficiente.’ E então senti que estava tudo bem. Também senti que meus filhos precisavam mais de mim do que antes. Houve também outras questões acontecendo. E havia uma turnê de três meses chegando, então eu disse: ‘Olha, posso ajudar a encontrar um substituto. Se puderem esperar, ótimo. Se não quiserem esperar, tudo bem também.’”

Sobre outros fatores que contribuíram para sua saída: “Nós gravamos o álbum de 2022, ‘The Sick, The Dying… And The Dead!’, nesse período. E compor é algo de que eu também gosto. Acho que, em determinado momento, você começa a pensar em ter liberdade na sua agenda. Tenho pais idosos no Brasil, então eu queria passar um tempo lá, e nunca havia um momento para viajar e ficar — não sei — dez dias.”

“Isso é algo comum, um pensamento comum [entre músicos em turnê], acredito, dependendo da idade, claro. E a maioria dos lugares onde toquei — nós tocamos em lugares incríveis —, mas eu também faço isso há muito tempo. Então você começa a pensar: ‘Já fiz muito disso, e para onde posso ir agora?’ E tem isso também. Às vezes você pensa: ‘Eu adoraria fazer algo diferente’, ou ‘Será que eu deveria tocar outros tipos de música, compor de forma diferente ou me abrir mais para outras possibilidades?’ Mas isso é constante. A mente criativa, digamos, nunca fica satisfeita.”

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
Deixe seu comentário