Gene Hoglan rebate acusações de Rob Shallcross, cobra prestação de contas e ameaça: “Nos vemos no tribunal”

Uma parceria profissional de quase duas décadas entre Gene Hoglan e Rob Shallcross, cofundador da Reversed Records, terminou em uma troca pública de acusações que agora pode chegar aos tribunais. O produtor e empresário acusa o baterista do Dark Angel de possuir faturas não pagas, reter valores destinados a profissionais envolvidos em seus projetos e deixar despesas relacionadas ao álbum Extinction Level Event sem ressarcimento. Hoglan, por sua vez, nega as alegações, cobra uma prestação de contas sobre receitas que, segundo Shallcross, chegariam à casa dos milhões e acusa o antigo parceiro de retirar o acesso do Dark Angel e do Death To All às próprias redes sociais.
A relação entre os dois vinha de longa data. Através da Reversed Records, Shallcross trabalhou na administração da carreira de Hoglan, além de atuar com Dark Angel e Death To All. Ele também produziu e trabalhou na engenharia de Extinction Level Event, álbum lançado pelo Dark Angel em 2025. Foi o primeiro registro de inéditas do grupo desde Time Does Not Heal, de 1991. A ruptura ganhou contornos públicos em 14 de agosto, quando o empresário publicou uma extensa manifestação apresentando sua versão para o fim da parceria.
Rob Shallcross acusa Gene Hoglan de deixar faturas sem pagamento
Segundo Rob Shallcross, Gene Hoglan teria acumulado diversas faturas pendentes com a Reversed Records. O empresário afirmou que ele e a gravadora decidiram interromper qualquer trabalho relacionado ao baterista enquanto a situação financeira não fosse solucionada. Em sua declaração, resumiu a acusação dizendo que Hoglan possuía “muitas faturas não pagas” com o selo.
De acordo com Shallcross, o desgaste aumentou durante a campanha de Extinction Level Event. Ele afirmou que aconselhou Hoglan a não utilizar IA na arte relacionada ao disco, por considerar previsível uma reação negativa de parte dos fãs. O baterista decidiu seguir em frente e, posteriormente, realmente enfrentou críticas pela utilização da tecnologia.
Shallcross também disse que, depois da repercussão, sua equipe chegou a recomendar o cancelamento da turnê do Dark Angel. E o argumentando nasceu pois a campanha enfrentava forte resistência. Hoglan não concordou e manteve os compromissos. Na versão do produtor, todos os envolvidos acabaram perdendo dinheiro, enquanto valores destinados a profissionais que trabalharam naquela campanha e em projetos anteriores teriam ficado sem pagamento.
O empresário contestou ainda a ideia de que Hoglan teria sido o responsável pelo rompimento profissional. Segundo ele, ocorreu justamente o contrário: a Reversed Records abandonou a relação de trabalho depois que o baterista teria se recusado a quitar as pendências. Shallcross declarou que não guardava ressentimento pela separação, mas afirmou que continuaria cobrando os valores que considera devidos.
Produção de Extinction Level Event também entrou na disputa

Outro ponto importante das acusações envolve diretamente a produção de Extinction Level Event. Shallcross afirmou que o processo levou aproximadamente três anos, incluindo cerca de seis meses efetivos dentro do estúdio. Assim, segundo ele, não houve pagamento pelo trabalho e parte do investimento empregado na produção também jamais retornou.
O período ainda coincidiu com a morte de Jim Durkin, guitarrista fundador do Dark Angel, em 2023. Shallcross, que tinha uma relação próxima com o músico, disse que a perda tornou o trabalho inegavelmente difícil. Além disso, afirmou que outras pessoas começaram a interferir na estrutura de negócios e que uma disputa por poder transformou a conclusão do projeto em uma experiência desgastante.
O produtor também alegou que perdeu parte da autonomia que normalmente possuía em estúdio. De acordo com sua manifestação, ele não recebeu autorização para produzir os vocais ou os solos de guitarra de Laura Christine, algo que classificou como inédito em aproximadamente 30 anos trabalhando com gravações. Para Shallcross, a situação havia se tornado “tóxica” e impossível de recuperar.
Shallcross diz que ajudou a transformar carreira de Hoglan em negócio milionário
Ao relembrar o começo da parceria, Rob Shallcross afirmou que conheceu Gene Hoglan quando o baterista vivia na sala da casa de um amigo em East Vancouver. A partir daquele período, segundo sua versão, os dois desenvolveram uma amizade e construíram uma estrutura empresarial que passou a movimentar milhões de dólares por ano.
É justamente essa afirmação que se tornaria um dos principais pontos da resposta de Hoglan. Shallcross alegou que, com o passar dos anos, passou a acreditar que o baterista queria concentrar toda a receita sem dividir os valores correspondentes às despesas e à equipe. Ele diz ter proposto uma separação amigável, condicionada ao pagamento dos profissionais e custos pendentes, mas afirma que a proposta não foi aceita.
O produtor acrescentou que outras pessoas da indústria musical entraram em contato depois que a disputa começou a aparecer publicamente, relatando experiências envolvendo serviços não remunerados por artistas. Shallcross, entretanto, não apresentou documentação pública que comprovasse essas alegações envolvendo terceiros. Ao encerrar sua manifestação, afirmou que continuaria perseguindo a suposta dívida até receber o que considera devido.
Gene Hoglan rebate acusações e diz: “Nos vemos no tribunal”

Gene Hoglan respondeu publicamente às declarações no dia seguinte. Em vez de entrar apenas na discussão sobre as supostas faturas, o baterista questionou diretamente os números apresentados pelo antigo parceiro e sinalizou que pretende tratar o assunto através de seus advogados.
A resposta também virou a discussão financeira contra Shallcross. Se os negócios realmente movimentavam milhões de dólares, como afirmou o empresário, Hoglan diz desconhecer esses valores e cobra justamente a prestação de contas que afirma solicitar há algum tempo. O músico ainda menciona especificamente as receitas provenientes da loja online e acusa o antigo parceiro de reter informações financeiras.
Além disso, o baterista sustenta que financiou Extinction Level Event com recursos próprios, trabalhou sem pagamento garantido e ainda não recebeu qualquer valor relacionado ao projeto.
Por fim, Hoglan lançou outra acusação: segundo ele, Shallcross retirou do Dark Angel e do Death To All o acesso às contas das bandas nas redes sociais, apagou o material anteriormente publicado e passou a utilizar essas plataformas para promover projetos pessoais e divulgar conteúdos que o baterista considera falsos e difamatórios.
Confira abaixo, na íntegra, a declaração publicada por Gene Hoglan:
“Ao Sr. Shallcross, da Reversed Records: se suas acusações públicas de que eu lhe devo dinheiro fossem verdadeiras, elas seriam facilmente comprovadas em um tribunal. Agora você já conhece minha equipe jurídica. Nos vemos no tribunal.
Além disso, agora surge uma questão: nós perdemos ‘muito’ dinheiro ou ganhamos milhões? Porque, se existem milhões, eu desconheço completamente esse dinheiro. Mas, já que você parece ter tanta certeza disso, está na hora de finalmente me mostrar a prestação de contas que venho pedindo durante todo esse tempo. Estou realmente interessado em ver esses milhões provenientes da loja online que você vem escondendo de mim.
Eu coloquei todo o dinheiro para financiar o álbum, trabalhei sem qualquer pagamento garantido e não recebi um único centavo.
Sem mencionar que você bloqueou o acesso do Dark Angel e do Death To All às nossas contas nas redes sociais, apagou todo o nosso conteúdo, substituiu por material de suas bandas e projetos pessoais e utilizou nossas plataformas para divulgar publicações enganosas e difamatórias.
Mais uma vez: nos vemos no tribunal.”
Disputa agora coloca contabilidade e redes sociais no centro do conflito
As duas versões são diretamente conflitantes. Shallcross acusa Hoglan de dever dinheiro à Reversed Records e a profissionais que trabalharam em seus projetos, além de sustentar que investiu na produção de Extinction Level Event sem ressarcimento. Já o baterista afirma ter financiado o álbum, diz não ter recebido qualquer valor e exige documentos que esclareçam a movimentação financeira da parceria, especialmente os números relacionados à loja online.
Até o momento das publicações consultadas, nenhuma das partes havia tornado públicos contratos, faturas, extratos ou relatórios contábeis que permitissem verificar independentemente as acusações. Também não havia confirmação pública de que uma ação judicial já tivesse sido formalmente protocolada. Hoglan, entretanto, repetiu duas vezes em sua declaração que espera encontrar Shallcross no tribunal.
