Rafael Bittencourt celebra sintonia com Alírio Netto e destaca nova fase do Angra

Rafael Bittencourt por Jaca

Em entrevista a Sakis Fragos, da Rock Hard Greece, o guitarrista Rafael Bittencourt, do Angra, falou sobre a chegada de Alírio Netto, que assumiu oficialmente os vocais da banda em novembro de 2025, substituindo Fabio Lione. Segundo Rafael, a escolha do novo integrante envolveu muito mais do que encontrar um cantor capaz de interpretar o repertório do grupo: a longa amizade entre os músicos tornou a transição algo natural.

“Bem, fizemos apenas alguns shows no Brasil. Ele é brasileiro, e as pessoas o adoram aqui no Brasil. Ele é amigo da banda há muito tempo, então foi algo natural. O mais importante agora não é encontrar apenas uma pessoa capaz de cantar as músicas do Angra, alguém que seja muito — como dizer? — um virtuose com a voz. Essa não é a abordagem, porque existem muitos grandes cantores e, hoje em dia, temos informações sobre como tocar ou como cantar; é muito mais acessível. Então, ele é um virtuose, mas também é um amigo. É uma pessoa que estamos acostumados a ter por perto. E, conforme você envelhece, fica mais difícil trazer alguém para dentro da sua casa, para dentro do seu lar. E o Alírio já me visitava e dormia na minha casa mesmo antes do Angra, então foi algo natural.”

A experiência teatral de Alírio chegou aos palcos

A experiência de Alírio Netto no teatro também passou a influenciar a maneira como o Angra constrói seus shows. Para Rafael, o vocalista contribui com ideias relacionadas não apenas à performance. Mas, sobretudo, à iluminação, aos vídeos e ao equilíbrio entre diferentes momentos do repertório.

“Ah, sim. Ah, sim. Ele sempre aparece com boas ideias sobre a performance, sobre como o show… Não deveria ser apenas alguns caras tocando as músicas, mas também comunicando coisas, pensando em como podemos aproveitar as luzes, os vídeos na tela de LED, no fundo. Então, a dinâmica de como as músicas se equilibram deve acontecer ao longo do concerto, como onde as músicas de Power Metal veloz entrariam, como equilibrá-las com as baladas e coisas assim. Então, sim, a experiência teatral dele influenciou muito o show.”

Angra recentemente, por Jaca

Além disso, Alírio também toca piano, característica que levou Rafael a recordar André Matos, antigo vocalista do Angra, que também se apresentava ao instrumento.

“Sentimos um pouco de nostalgia porque André [Matos], o saudoso vocalista do Angra, era um cantor que tocava piano, e agora podemos levar um pouco disso ao público, que está sempre feliz por, de alguma maneira, reviver esse momento.”

Amizade ficou ainda mais forte dentro da banda

Quando questionado sobre como a chegada de Alírio modificou sua perspectiva sobre o legado e o futuro do Angra, Rafael destacou a energia trazida pela convivência musical. O guitarrista também revelou que chegou a temer que a entrada do amigo pudesse prejudicar a relação entre os dois, mas aconteceu justamente o contrário.

“Isso dá energia, porque a empolgação dos nossos ensaios, o tempo que passamos juntos, a parceria musical, é sempre algo bom. Músicos gostam de ter músicos por perto. Músicos gostam de falar sobre música. Músicos gostam de falar sobre o próximo trabalho ou a próxima música e sobre como apresentar essa música no palco. E ficamos muito empolgados com esse cara novo por perto. Ele já era um amigo. Ele sempre esteve por perto, mas eu nunca soube como seria realmente conversar no mesmo nível que um integrante do Angra. Ele sempre trazia ideias sobre como o Angra poderia ser ou o que poderíamos fazer, porque também é um músico profissional e um amigo. Conversamos muitas vezes sobre o Angra, mas nunca como companheiros de banda. E agora temos essa oportunidade, então estamos empolgados porque a dinâmica funcionou muito bem. Eu sempre tive medo de tê-lo na banda e nossa amizade acabar sendo prejudicada. Mas aconteceu o contrário. Ficamos ainda mais próximos. E ele é muito bobo, assim como eu, nas nossas piadas. Então somos bobos juntos. Fazemos papel de idiotas o tempo todo. Então ficamos empolgados, e essa empolgação é uma boa motivação e uma boa inspiração para continuar.”

Apesar da empolgação com a nova formação, Rafael não pretende estabelecer grandes planos para o futuro imediato. O foco atual está nas comemorações de dois trabalhos fundamentais da discografia do Angra, “Holy Land”, de 1996, e “Rebirth”, de 2001. Obras estas que completam aniversários importantes em 2026.

“Ainda não temos planos concretos. O que quero agora é celebrar esses dois grandes álbuns, “Rebirth” e “Holy Land”. Ambos têm grandes aniversários neste ano. Mas não quero fazer grandes planos para o futuro. Só quero viver o presente, viver o momento.”

O Angra prepara uma extensa agenda internacional para o restante de 2026, passando pelo Brasil, outros países da América do Sul, Europa e Ásia. Entre os compromissos estão apresentações especiais pelos 30 anos de “Holy Land”, além de shows dedicados a diferentes períodos da carreira. Em abril, no Bangers Open Air, em São Paulo, a banda ainda reuniu a formação responsável por “Rebirth” e “Temple Of Shadows”, com Kiko Loureiro, Edu Falaschi e Aquiles Priester, enquanto a atual formação apresentou Alírio Netto ao público.

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