Os álbuns que Gregor Mackintosh do Paradise Lost levaria para uma ilha deserta

Em entrevista concedida ao portal tcheco Metal & Rock Zone, o guitarrista Gregor Mackintosh, um dos fundadores do Paradise Lost, falou sobre os álbuns que escolheria caso fosse enviado para uma ilha deserta. O músico aproveitou a ocasião para relembrar algumas das principais influências que ajudaram a definir sua identidade musical e até mesmo o seu característico timbre de guitarra.
As primeiras duas escolhas de Gregor são, antes de mais nada, clássicos do Doom. A primeira escolha do músico logo surgiu de maneira quase imediata.
“Bem, um deles é bem fácil. Tem que ser o primeiro álbum do Candlemass, Epicus Doomicus Metallicus.”
Embora admita não acreditar na existência de um álbum absolutamente perfeito, Mackintosh destacou a importância do clássico lançado em 1986.
“Não existe um álbum 100% perfeito para mim, mas esse… Para mim, ele praticamente não tem faixas descartáveis. Cada parte possui algo especial.”

O guitarrista também decerto revelou que o disco exerceu enorme influência sobre sua forma de tocar.
“Foi nele que eu meio que roubei muito do meu timbre de guitarra solo. Especialmente no solo de ‘Crystal Ball’. Eu pensava: ‘Eu adoro isso. Como será que ele conseguiu esse som?'”
Por muitos anos, o músico tentou reproduzir aquela sonoridade.
“Passei anos perseguindo esse timbre, até desistir, porque ele estava nos dedos do cara. Mas talvez isso tenha acabado se tornando parte do meu próprio som.”
A segunda escolha de Gregor Mackintosh remete diretamente à juventude e aos primeiros anos de contato com o metal.
“Hoje em dia eu gosto de muitos tipos diferentes de música, mas, se você está falando do meu eu de 18 anos, quando você descobre a música, ela fica marcada em você.”
Por esse motivo, ele optou por outro importante nome do Doom Metal.
“Teria que ser algum álbum do Trouble. Provavelmente Psalm 9.”
Terceira foge dos alicerces do Doom Metal
Já a terceira escolha acabou carregando um forte componente emocional e nostálgico. O músico relembrou o período em que dividia uma casa com o vocalista Nick Holmes, ainda nos primórdios do Paradise Lost.
“Essa é difícil, mas eu e o Nick morávamos juntos. Bem no começo da banda, compartilhávamos uma casa.”
Segundo ele, havia um álbum que se tornou a trilha sonora perfeita para as noites de sábado.
“Nossa música para nos prepararmos para sair era Retaliation, do Carnivore. Nós colocávamos aquilo no volume máximo.”
A lembrança veio acompanhada de uma cena bem-humorada.
“Estávamos nos arrumando, ele totalmente vestido de couro marrom, eu de couro preto, e depois íamos esperar o ônibus para o centro da cidade ao lado de várias senhorinhas.”
Gregor Mackintosh está passando por problemas de saúde
As escolhas de Gregor Mackintosh ajudam a compreender algumas das raízes musicais que moldaram o som do Paradise Lost ao longo das décadas. O peso épico do Candlemass, a melancolia do Trouble e a agressividade do Carnivore aparecem, de diferentes maneiras, na discografia dos britânicos, considerados pioneiros do Gothic Metal e uma das bandas mais influentes do Doom Metal moderno.
Recentemente, o guitarrista também revelou estar enfrentando alguns problemas de saúde, os quais resultaram em uma significativa perda de peso nos últimos meses. Apesar disso, o Paradise Lost segue promovendo seu mais recente álbum, Ascension, lançado em setembro do ano passado pela Nuclear Blast Records. O disco, sucessor de Obsidian (2020), marcou o décimo sétimo trabalho de estúdio da banda e recebeu elogios tanto da crítica especializada quanto dos fãs.