Do Pior ao Melhor: Nevermore

A sessão “Do Pior Ao Melhor” foi criada há alguns anos com o objetivo de ranquear os álbuns de determinadas bandas. Esta análise é feita listando os trabalhos do menos expressivo até o mais significativo. Os critérios usados neste quadro são diversos, como aceitação crítica dos registros, importância para a época, nível técnico em comparação a outros discos da banda, assim como o fator diversão, entre outros.

Note que não estamos impondo certezas ou leis. Dessa forma, esta é apenas uma análise feita pela bancada de apresentadores do canal do Mundo Metal no Youtube para estabelecer a ordem em que os álbuns aparecem posicionados neste ranking.

Se o seu álbum favorito estiver em uma posição abaixo do que você esperava ou se aquele disco que você não gosta estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata.

Neste episódio, para falarmos de uma das mais importantes e emblemáticas bandas da história do Metal moderno — o Nevermore —, além dos apresentadores Fabio Reis e Daniel Dante, tivemos a participação especial do redator chefe do site Metal Na Lata, Johnny Z, e do guitarrista e vocalista da banda Stormsorrow, Kahlil Souto. O ranking está disponibilizado nesta matéria e você também pode assistir ao debate através do link abaixo:

Com vocês: Nevermore – Do Pior ao Melhor!

07 – The Obsidian Conspiracy (2010)

Lançado em maio de 2010, “The Obsidian Conspiracy” marcou o último capítulo da trajetória do Nevermore antes do encerramento definitivo da banda. Produzido por Peter Wichers (ex-Soilwork), o disco chegou em um período turbulento, com desgaste interno evidente entre os integrantes. Apesar das dificuldades, o registro mostrou uma banda ainda tecnicamente afiada.

Em termos comerciais, o disco obteve resultados relativamente sólidos para os padrões do Metal extremo/progressivo. Entrou na Billboard Heatseekers e apareceu em rankings europeus, especialmente na Alemanha. Entre as músicas mais lembradas estão “Emptiness Unobstructed”, “The Termination Proclamation” e “Without Morals”. Embora parte dos fãs tenha recebido o trabalho positivamente, muitos consideraram que o grupo havia perdido parte da agressividade e da atmosfera sombria que marcaram os discos anteriores.

Musicalmente, “The Obsidian Conspiracy” apresenta um som mais polido e acessível. Há menos elementos progressivos intrincados e mais foco em refrões e estruturas diretas. O guitarrista Jeff Loomis continua impressionante tecnicamente, mas o disco transmite uma sensação mais contida em comparação com os clássicos da banda. Nos bastidores, os conflitos internos já eram enormes, especialmente envolvendo Warrel Dane, e pouco tempo depois o grupo entraria em hiato indefinido.

06 – Nevermore (1995)

O debut autointitulado do Nevermore surgiu em 1995, poucos anos após o fim do cultuado Sanctuary. A banda nasceu praticamente como uma continuação espiritual daquele grupo, reunindo Warrel Dane e Jim Sheppard ao lado do guitarrista Jeff Loomis, que rapidamente se transformaria em um dos nomes mais respeitados da guitarra moderna no Metal. O álbum foi produzido por Neil Kernon, figura importante na carreira do grupo.

Embora não tenha alcançado números expressivos de vendagem, o disco chamou atenção dentro do underground norte-americano e europeu. Faixas como “What Tomorrow Knows” e “Garden Of Gray” ajudaram o grupo a construir sua identidade e conquistar uma base fiel de fãs. A recepção da crítica foi bastante positiva, especialmente pela mistura pouco convencional de peso, melodia e técnica.

Na parte musical, o álbum ainda possui fortes conexões com o Heavy Metal Tradicional e o Thrash Metal dos anos 80. Ao mesmo tempo, já traz elementos progressivos e sombrios que se tornariam marca registrada do grupo. A performance vocal de Warrel Dane aparece mais teatral e dramática, enquanto Jeff Loomis começa a desenvolver o estilo técnico e melódico que o consagraria posteriormente.

05 – Enemies Of Reality (2003)

Lançado em 2003, “Enemies Of Reality” chegou em um momento delicado para o Nevermore. Depois do enorme reconhecimento conquistado com “Dead Heart In A Dead World”, a expectativa dos fãs era altíssima. O disco foi produzido inicialmente por Kelly Gray, conhecido por seu trabalho com o Queensrÿche, mas a produção recebeu tantas críticas que posteriormente o álbum ganhou uma remixagem assinada por Andy Sneap.

Comercialmente, o trabalho manteve a boa fase da banda no cenário do Metal moderno e ajudou o grupo a permanecer relevante no circuito europeu. “Enemies Of Reality”, “I, Voyager” e “Tomorrow Turned Into Yesterday” se destacaram entre os fãs. Ainda assim, a produção original acabou ofuscando parte do impacto do álbum e gerou divisões intensas dentro da comunidade metálica.

Na questão musical, o disco aprofunda o lado mais pesado, técnico e progressivo do Nevermore. Há riffs extremamente densos, afinações graves e uma atmosfera quase claustrofóbica em vários momentos. A banda estava claramente buscando evoluir além do Thrash tradicional, incorporando influências modernas sem perder identidade. Mesmo com problemas de mixagem, muitas composições do álbum envelheceram muito bem.

04 – The Politics Of Ecstasy (1996)

“The Politics Of Ecstasy” foi lançado em 1996 e consolidou rapidamente o Nevermore como uma das bandas mais inteligentes e sofisticadas do Metal americano da década. Produzido novamente por Neil Kernon, o disco mostrou uma evolução absurda em relação ao debut. O grupo passou a ser visto como um dos principais nomes do chamado Progressive Metal moderno, embora sempre mantendo raízes fortes no Thrash Metal.

O álbum não teve grande impacto comercial em termos de charts, mas se tornou um verdadeiro clássico cult entre músicos e fãs mais técnicos. “The Seven Tongues Of God”, “This Sacrament” e “Next In Line” ganharam enorme destaque dentro do repertório da banda. Muitos admiradores enxergam esse disco como o momento em que o Nevermore encontrou definitivamente sua identidade sonora.

Musicalmente, o álbum é extremamente complexo e carregado de mudanças rítmicas, harmonias dissonantes e vocais dramáticos. Jeff Loomis começou a chamar atenção mundial por seus solos e riffs extremamente sofisticados, enquanto Warrel Dane explorava temas filosóficos, psicológicos e políticos em suas letras. Era uma banda ambiciosa, técnica e sem qualquer preocupação em soar comercial.

03 – This Godless Endeavor (2005)

Lançado em 2005, “This Godless Endeavor” representou uma espécie de renascimento criativo para o Nevermore após as controvérsias envolvendo “Enemies Of Reality”. Produzido por Andy Sneap, o disco trouxe finalmente a sonoridade pesada e cristalina que muitos fãs queriam ouvir. O trabalho apareceu em diversos rankings de melhores discos do ano dentro da imprensa especializada.

O álbum teve excelente recepção tanto da crítica quanto do público e ajudou a elevar ainda mais o prestígio do grupo no circuito mundial do Metal. Faixas como “Born”, “Final Product” e a monumental “Sentient 6” se transformaram rapidamente em favoritas dos fãs. O disco também consolidou Jeff Loomis como um dos guitarristas mais influentes do Metal moderno.

Na parte musical, “This Godless Endeavor” consegue equilibrar técnica absurda, peso brutal e senso melódico. O grupo soa mais agressivo do que nunca, mas também extremamente refinado. As letras de Warrel Dane abordam temas existenciais, religiosos e políticos com profundidade impressionante. A química entre os músicos atingia um dos pontos mais altos da carreira da banda.

02 – Dreaming Neon Black (1999)

“Dreaming Neon Black”, lançado em 1999, é frequentemente apontado como o disco mais emocional e conceitual da carreira do Nevermore. Inspirado parcialmente em acontecimentos pessoais vividos por Warrel Dane, o álbum possui uma atmosfera melancólica e intensa do começo ao fim. Produzido por Neil Kernon, o trabalho mostrou uma banda artisticamente madura e disposta a correr riscos.

Embora não tenha sido um fenômeno comercial, o disco ganhou enorme status cult ao longo dos anos. Músicas como “Beyond Within”, “Poison Godmachine” e “Dreaming Neon Black” se tornaram essenciais dentro da discografia do grupo. Muitos fãs enxergam esse trabalho como o mais emocionalmente poderoso da carreira do Nevermore.

Na questão musical, o álbum mistura agressividade, melodias sombrias e elementos atmosféricos de forma brilhante. O grupo explora dinâmicas mais introspectivas sem abandonar o peso característico. A interpretação vocal de Warrel Dane é absolutamente devastadora em vários momentos, enquanto Jeff Loomis entrega algumas das guitarras mais criativas de sua carreira.

01 – Dead Heart In A Dead World (2000)

Lançado em 2000, “Dead Heart In A Dead World” é amplamente considerado o auge absoluto do Nevermore. Produzido por Andy Sneap, o disco elevou a banda a outro patamar dentro do Metal mundial. Foi o álbum que consolidou definitivamente o grupo como referência técnica, criativa e emocional dentro do cenário pesado dos anos 2000.

O trabalho teve excelente repercussão entre crítica e fãs, tornando-se facilmente o álbum mais popular da carreira do grupo. “Narcosynthesis”, “Inside Four Walls”, “The River Dragon Has Come”, “The Heart Collector” e “Believe In Nothing” ajudaram o disco a alcançar um público ainda maior. Até hoje, muitos músicos citam esse álbum como influência direta na evolução do Metal moderno.

Musicalmente, “Dead Heart In A Dead World” é praticamente impecável. O álbum consegue unir agressividade, melodias memoráveis, riffs absurdamente pesados e composições sofisticadas sem soar excessivamente técnico. Jeff Loomis entrega aqui talvez sua melhor performance em estúdio, enquanto Warrel Dane alcança um equilíbrio perfeito entre agressividade e emoção. A banda estava no auge criativo, técnico e composicional, produzindo um disco que permanece moderno mesmo décadas depois.

Ouça Nevermore sem moderação através da nossa playlist exclusiva:

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
1 comentário
  • achei lista bem coesa acho so trocaria o godless endeveour para quarto lugar e colocaria o obsidian conspiracy em terceiro lugar acho ele album sensacional mas admito que o dead heart e dreming neon black tem maior peso para mim merecendo o topo do podio.

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