Charlie Benante revela como S.O.D. e Accept ajudaram a moldar sua bateria extrema

Créditos: Miikka Skaffari / Getty Images

O baterista Charlie Benante, do Anthrax, voltou a falar sobre duas influências fundamentais para sua maneira de tocar durante participação no San Diego Comic-Con, em entrevista a Steve Harkins, do TalkShopLive. O músico relembrou como seu trabalho com o Stormtroopers Of Death (S.O.D.) ajudou a estabelecer as bases do que posteriormente seria conhecido como blast beat. Além disso, explicou como Accept, Judas Priest e Motörhead o inspiraram a desenvolver sua técnica de bumbo duplo.

Formado em 1985 por Benante, Scott Ian, Dan Lilker e Billy Milano, o Stormtroopers Of Death tornou-se um dos primeiros nomes a unir Hardcore Punk e Thrash Metal, ajudando a estabelecer as bases do Crossover Thrash. Além disso, a bateria de Benante em “Milk”, presente no clássico álbum de estreia Speak English Or Die, ganhou importância histórica. Em particular, por antecipar uma abordagem que décadas depois se tornaria essencial ao Black Metal, Death Metal e Grindcore. Charlie comentou:

“O blast beat era algo que já existia, mas nunca tinha esse nome. Em 1985, Scott e eu fizemos esse projeto paralelo chamado Stormtroopers Of Death, e no disco tínhamos uma música chamada ‘Milk’. Nosso baixista, Danny Lilker, disse: ‘Tente fazer essa batida rápida’. E eu pensei: ‘Tudo bem, parece divertido’. A música pedia aquilo. Então virou algo que as pessoas perguntavam: ‘O que você está fazendo nessa música?’. E eu respondia: ‘Estou apenas fazendo…’. Era como um blast de um pé durante toda a música. Anos depois, os bateristas de Black Metal, especialmente na Noruega e na Suécia, começaram a incorporar aquele tipo de batida. Aquilo iniciou algo que acabou se tornando o blast beat. Então, acho que aquela foi a primeira vez que ele apareceu em um disco, naquele primeiro álbum do S.O.D.

A influência não parou por aí. O próprio Benante explicou que a evolução do padrão também aconteceu durante as apresentações ao vivo. Principalmente quando a execução originalmente baseada em um único pé começou a ganhar a forma que hoje associamos ao blast beat.

“Havia uma música do Stormtroopers Of Death chamada ‘Milk’, e o riff era muito rápido. Danny Lilker, o baixista, disse que queria algo mais rápido, como uma espécie de movimento de remada. Então era basicamente um blast de um pé. Quando gravamos, nos divertimos muito fazendo aquilo. Depois, quando tocávamos ao vivo, começou a evoluir: em vez de um blast de um pé, tornou-se aquilo que hoje conhecemos como blast beat.”

Accept ensinou Charlie a usar o bumbo duplo

Antes de ajudar a estabelecer uma das técnicas mais características do Metal Extremo, porém, Charlie Benante encontrou inspiração em nomes fundamentais do Heavy Metal. O baterista contou que Judas Priest, Motörhead e, principalmente, Accept foram decisivos para que começasse a estudar o bumbo duplo. A música “Fast As A Shark”, do álbum Restless And Wild, de 1982, tornou-se um desafio pessoal para o músico.

“A bateria com bumbo duplo era algo que eu adorava. Havia essas bandas — hoje todo mundo conhece, é claro: Motörhead, Judas Priest. E então havia uma banda alemã chamada Accept. Aprendi a tocar bumbo duplo ouvindo essas bandas: Judas Priest, Motörhead e depois o Accept tinha uma música chamada ‘Fast As A Shark’. Na época, era o bumbo duplo mais rápido que eu tinha ouvido, e eu adorava. Pensei: ‘Vou aprender a tocar isso’. Então consegui outro bumbo e simplesmente aprendi sozinho. Foi a música que me levou a tocar daquela maneira.”

Charlie Benante durante a Comic-Con 2026; Créditos: Canal oficial do Anthrax

A influência de “Fast As A Shark” chegou inclusive à audição que definiria a entrada de Benante no Anthrax. Segundo ele, quando Scott Ian e Danny Lilker foram até sua casa para ouvi-lo tocar, o baterista brincou que eles não conseguiriam fazê-lo executar a faixa. Apenas para descobrir que justamente aquela música seria colocada à prova. Benante, enfim, concluiu:

“Quando entrei no Anthrax, provavelmente por volta de 1983, aqueles caras foram à minha casa para fazer a audição, e eu disse: ‘Vocês não vão me fazer tocar ‘Fast As A Shark”. Então Scott e, na época, o baixista Danny, olharam um para o outro e perguntaram: ‘Você consegue tocar?’. Eu respondi: ‘Sim, sim, vamos tocar’. Então tocamos. Foi isso. Foi isso. O acordo estava selado. Obrigado, Accept. [Risos]”

A trajetória do S.O.D. acabou deixando marcas que ultrapassaram a própria banda. Além de sua contribuição para o desenvolvimento do Crossover Thrash, “March Of The S.O.D.”, também presente em Speak English Or Die, tornou-se durante anos a música de abertura do programa Headbangers Ball. Já a combinação de velocidade, agressividade e precisão desenvolvida por Benante ajudou a conectar a linguagem do Thrash Metal à bateria cada vez mais veloz que posteriormente dominaria vertentes extremas.

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