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Clássicos: Accept – “Restless And Wild” (1982)

Ouvir “Restless And Wild” nos dias de hoje e chamá-lo de clássico é uma tarefa fácil, porém, sempre que escrevo sobre discos desta grandeza, gosto de ambientar o leitor na época em que o álbum foi lançado. Neste caso, tal intento é importantíssimo para que se tenha a noção exata do que o Accept proporcionou ao Metal mundial através de seu quarto trabalho de estúdio.

Em 1982, a NWOBHM estava em ebulição na Grã Bretanha e começava a influenciar diretamente na musicalidade de diversas bandas ao redor do mundo. O Accept nesta época havia lançado dois álbuns que não emplacaram (o debut homônimo de 1979 e “I’m A Rebel”, de 1980). Foi apenas com seu terceiro trabalho lançado em 1981 (o ótimo “Breaker”), que o grupo realmente se profissionalizou e passou a contar com produtor, empresário e estrutura básica. Obviamente, “Breaker” obteve um resultado muito melhor do que seus antecessores e serviu para colocar a banda no mapa do Metal mundial, mas eles estavam ainda muito longe de se tornar uma unanimidade.

   
ACCEPT / Divulgação / Facebook

A atenção de todos estava voltada para a Inglaterra e até mesmo bandas mais veteranas se rendiam aos encantos da New Wave Of British Heavy Metal. Em março de 1982, o Iron Maiden começou a se desgarrar das demais bandas novatas e despontou para o estrelato com o lançamento de “The Number Of The Beast”. O Motorhead apresentou “Iron Fist” em abril e o Judas Priest chegou com “Screaming For Vengeance” em julho. Não era fácil concorrer neste cenário e, mesmo em países distantes da Europa, tínhamos grandes obras sendo concebidas, um bom exemplo é o debut dos estadunidenses do Manowar, “Battle Hymns”, que chegou às lojas em junho.

Foi em meio a esse turbilhão de lançamentos da mais alta estirpe que o até então modesto Accept resolveu finalmente mostrar a que veio. No dia 2 de Outubro de 1982, quando “Restless And Wild” foi oficialmente lançado, o quarteto original de Solingen tomou de assalto a cena.

Fico imaginando como foi a reação dos primeiros headbangers que tiveram acesso ao álbum e, sem saber de nada, começaram a ouvir a primeira faixa do lado A, onde a mítica introdução com seu “heidi heido heida, heidi heido heida…” é rispidamente interrompida pelo som de um disco sendo riscado e o grito cortante e visceral de UDO Dirkschnider dá início a pancadaria insana de “Fast As A Shark”.

Nada havia sido tão veloz e agressivo até então. Nada!

“Fast As A Shark” foi uma das músicas de maior impacto sobre a cena mundial na época, influenciando diretamente a criação de estilos como o Speed Metal, Power Metal e, até mesmo, uma referência para o Thrash que surgiria em pouco tempo. Somente esta abertura, certamente, já valeria a experiência, mas o álbum era muito mais do que apenas uma faixa marcante.

Este é um daqueles raros casos onde a banda acerta em cheio no alvo e consegue conceber uma obra impecável, sem qualquer deslize e, absolutamente, todas as músicas são acima da média. A canção título “Restless And Wild” se tornou um hino e é executada até os dias atuais nos shows. “Neon Nights”, com seu ritmo cativante e um refrão pegajoso também se transformou em clássico, o mesmo aconteceu com “Flash Rockin’ Man” e a épica “Pricess Of The Dawn” (que solos são esses meus amigos!?). Mas ainda havia espaço para muito mais, já que mesmo nas composições menos badaladas como “Ahead Of The Pack”, “Shake Your Heads”, “Get Ready”, “Demon Night” ou “Don’t Go Stealing My Soul Away”, o que temos é uma coleção de momentos inesquecíveis e Heavy Metal da mais alta qualidade.

ACCEPT / Reprodução / Facebook

Os músicos precisam ser ovacionados também, pois apresentam performances fantásticas sem exceção. Desde os vocais rasgados (e ao mesmo tempo melodiosos) de UDO, aos riffs e solos espetaculares de Wolf Hoffmann, até a fantástica parte rítmica formada pelo monstruoso Peter Baltes (baixo) e Stefan Kaufmann (bateria), o grupo mostra entrosamento, sintonia e um bom gosto assombroso.

Foi através deste registro que o Accept deu o passo mais significante da sua carreira, passando a ser conhecido e reconhecido internacionalmente. “Restless And Wild” abriu caminho para uma sequência invejável de grandes lançamentos. A trinca iniciada com ele, seria complementada alguns anos depois com os mega clássicos “Balls To The Wall” (1983) e “Metal Heart” (1985). Até hoje, esta é considerada a fase de ouro da banda.

Voltando ao início do texto, podemos afirmar que 1982 foi um ano de extrema importância para a música pesada. Eleger um disco como o melhor deste ano, além de ser uma questão que envolve gosto, seria uma total injustiça com os demais clássicos que foram concebidos. O que podemos afirmar com total convicção, é que em 1982, NENHUM álbum foi “mais Metal” do que “Restless And Wild”. Podemos afirmar também que NENHUMA música conseguiu ser mais impactante que “Fast As A Shark”.

Um verdadeiro marco e obrigatório em qualquer coleção que se preze!

Integrantes:

  • Udo Dirkschneider (vocal)
  • Wolf Hoffmann (guitarra)
  • Peter Baltes (baixo)
  • Stefan Kaufmann (bateria)
  • Herman Frank (guitarra)*

* não tocou no disco, mas foi creditado

Faixas:

  • 1. Fast As A Shark
  • 2. Restless And Wild
  • 3. Ahead Of The Pack
  • 4. Shake Your Heads
  • 5. Neon Nights
  • 6. Get Ready
  • 7. Demon’s Night
  • 8. Flash Rockin’ Man
  • 9. Don’t Go Stealing My Soul Away
  • 10. Princess Of The Dawn

Redigido por Fabio Reis

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