Van Williams vê novo vocalista do Nevermore como escolha que honraria Warrel Dane

O baterista Van Williams falou sobre a nova fase do Nevermore em entrevista ao Sinusoidal Music e demonstrou confiança na formação que estreou ao vivo em abril, em Istambul, na Turquia. Ao lado do guitarrista Jeff Loomis, o grupo agora conta com Jack Cattoi na guitarra, Semir Özerkan no baixo e Berzan Önen nos vocais. Para Williams, o desafio de continuar sem o saudoso Warrel Dane exigia mais do que simplesmente encontrar alguém capaz de reproduzir as músicas da banda.
Segundo o músico, o novo capítulo também representa uma oportunidade de explorar caminhos diferentes sem ignorar a história construída anteriormente.
“Vai ser ótimo, cara. E não estou puxando saco de mim mesmo nem de ninguém. Só estou dizendo que as pessoas que nos acompanham e acreditaram na banda por tanto tempo… Houve alguns céticos que diziam: ‘Ah, vocês nunca poderão fazer isso. Nunca poderão continuar a banda sem esses caras’. Seja como for, eu entendo. Eu entendo, porque as pessoas se apaixonam pelos integrantes e isso realmente toca o coração de todos. Ninguém quer que alguém morra e tenha que ser substituído, ou que as bandas acabem.”

“Coisas acontecem na vida. Para nós termos uma segunda chance de fazer tudo de novo de uma maneira diferente, trazer a música de volta e fazer o final da banda — ou não o final, mas um novo capítulo a partir de onde paramos — continuar, acho isso ótimo. E, musicalmente, espero que aqueles que ficarem conosco continuem e entendam que Jeff sabe o que é ótimo para a banda. Sinto que também sei o que é ótimo para a banda e, juntos, encontramos caras que acreditamos que vão elevar e fazer esta banda seguir por um caminho mais forte. E precisamos encontrar um novo caminho. Precisamos fazer coisas diferentes. Precisamos experimentar, porque todos crescem. Ninguém fica parado no mesmo lugar.”
“Ele é o cara”: a escolha de Berzan Önen
Van Williams afirmou que ele e Jeff Loomis encontraram em Berzan Önen alguém que realmente possuía uma ligação com o material do Nevermore.
“O Berzan é um cantor e compositor incrível, e vai ser algo diferente. Vamos adicionar um pouco de qualquer coisa que sentirmos vontade de adicionar e não vamos ouvir mais ninguém, porque muitas das pessoas que achavam que não conseguiríamos fazer isso agora estão dizendo: ‘Cara, acabei de ver vocês ao vivo. Caralho, aquilo foi ótimo’.”
O baterista continuou:
“É isso que queremos fazer. E, se você acredita em nós, obrigado e venha conosco. Se não acredita, obrigado e não venha. Isso não importa para mim. Eu sei onde sou feliz, só quero ser feliz e quero que esses caras sejam felizes. E, enquanto estivermos todos felizes, vamos conquistar isso. É disso que se trata.”
Ao recordar o processo de audições, Williams revelou que ficou convencido quase imediatamente.
“Acho que o Warrel ficaria orgulhoso do cara que escolhemos para substituí-lo. Não é uma coisa fácil de fazer, com certeza. Todo mundo sabe disso. E foi uma coisa linda encontrar alguém que, quando vimos suas audições, pensamos: ‘Oh, ele não está fingindo. Ele não está aprendendo as músicas amanhã. Ele conhece as músicas’. Isso tocou o coração dele e, quando vimos os vídeos, tocou nossos corações. E pensamos: ‘Ele é o cara’, antes mesmo de chegarem mais 500 ou 600 audições.”
Um novo capítulo e a expectativa pelo futuro do Nevermore
Williams contou que a gravação enviada por Önen chegou logo nas primeiras semanas.
“A dele chegou, tipo, na primeira semana ou algo assim, e eu fiquei: ‘Caralho, Jeff, esse é o cara’. E o Jeff disse: ‘Ok, cara, não vou ouvir muita coisa’, e ficou esperando. E eu falei: ‘Ele já está aqui, cara. Ele já está aqui, cara. É ele que todos precisam superar’.”
O músico também destacou, sobretudo, que não foi apenas a capacidade vocal que chamou sua atenção:
“Mais uma vez, não apenas vocalmente, mas eram também os pequenos maneirismos que ele fazia nas audições, como fechar o punho ou sorrir. Essas pequenas coisas me tocaram mais do que qualquer outra coisa. E eu conseguia ver que ele é parecido comigo, de certa forma. E foi uma escolha óbvia. Então, quem está conosco, está conosco, mais uma vez. E quem não está, não está, e tudo bem. Tudo bem.”
Sobre a primeira apresentação da nova formação, Van Williams logo salientou:
“Bem, eu achei incrível. Foi ótimo estar no país do meu homem Berzan. E eles pareceram nos receber muito bem, e achei ótimo, uma resposta excelente. Quer dizer, eu não conseguia acreditar no quanto fomos bem recebidos lá. Então, estou apenas feliz por estar de volta, muito grato por estar aqui e por ter este homem ao meu lado.”
Já Berzan Önen, por fim, descreveu a experiência de estrear com sua banda dos sonhos diante do público de sua cidade natal:
“Foi insano. Tocar na minha cidade natal com a minha banda dos sonhos, o Nevermore, não fica muito melhor do que isso. Não fica. E a recepção foi incrível. Esgotamos o show e depois vendemos, tipo, mais 200 ingressos. Uma recepção insana.”
Depois de álbuns fundamentais como Dead Heart In A Dead World e This Godless Endeavor, o retorno do Nevermore naturalmente divide opiniões, especialmente pela ausência de Warrel Dane, que morreu em 2017. Ainda assim, Van Williams e Jeff Loomis parecem determinados a não transformar essa nova encarnação em uma simples tentativa de reproduzir o passado.
Com o Nevermore já contratado pela Reigning Phoenix Music e trabalhando em uma nova etapa de sua trajetória, a curiosidade agora se volta, principalmente, para o que Berzan Önen poderá trazer em material inédito. Se a química demonstrada no palco se estender ao estúdio, um possível novo álbum com o novo vocalista certamente será acompanhado com enorme expectativa por todos nós — tanto pelos fãs que acompanharam a banda desde os primeiros discos quanto por aqueles que querem descobrir para onde Jeff Loomis, Van Williams e seus novos companheiros levarão o som do Nevermore.
