Terry Butler descarta Kam Lee do Left To Die: “Não há absolutamente nenhuma possibilidade”

Da esquerda pra direita: Rick Rozz , Kam Lee e Chuck Schuldiner; Créditos: Press

O baixista Terry Butler, ex-Death e Massacre e atual integrante do Obituary, não deixou margem para dúvidas sobre uma possível participação de Kam Lee no Left To Die. Em entrevista a Terry Palamara, do Loud And Proud Italy, o músico afirmou que ele e o guitarrista Rick Rozz não pretendem voltar a trabalhar com o antigo vocalista e baterista do Mantas, apesar da ligação histórica de Lee com parte do repertório revisitado pelo grupo.

O Left To Die lançou em 17 de julho, pela Relapse Records, seu primeiro álbum completo, Initium Mortis. A formação reúne Butler e Frederick “Rick Rozz” DeLillo, dois nomes ligados à fase clássica do Death. Ao seu lado, temos Matt Harvey, do Exhumed e Gruesome, e Gus Rios, ex-Malevolent Creation. O repertório do disco resgata composições dos primeiros anos de Chuck Schuldiner, incluindo material do Mantas, banda que antecedeu o Death e que também contou com Rozz e Kam Lee.

Butler não poupa críticas a Kam Lee

Questionado se o Left To Die chegou a considerar convidar Kam Lee, Terry Butler foi categórico ao descartar qualquer possibilidade:

“De jeito nenhum. Há um trilhão por cento de certeza de que Kam não fará parte do Left To Die. Quero dizer, trabalhei com o cara, conheço ele há 40 anos. Ele sempre foi tóxico. Sim, ele é talentoso, mas é difícil demais trabalhar com ele. Não sei. O processo de pensamento dele, às vezes, parece nem ser humano, na verdade. E, sim, não conseguimos trabalhar com ele. Rick e eu não vamos trabalhar com ele. E pronto. É o que é.”

Terry Butler por Stefan Bollmann

O baixista reconheceu, contudo, a importância de Lee nas gravações iniciais das músicas.

“Ele tocou bateria e cantou naquelas músicas antigas do Mantas e do Death, mas a melhor parte da contribuição dele é realmente o canto. A bateria não é das melhores, mas, ei, é para isso que servem as demos.”

Em seguida, Butler reforçou que o assunto sequer entrou em discussão entre os integrantes:

“Mas, resumindo: não, nós nunca sequer pensamos nisso, porque todos nós já trabalhamos com ele no passado, e não há absolutamente nenhuma possibilidade de que voltemos a trabalhar com ele no futuro.”

A disputa em torno da história do Mantas e do Death

A declaração ganha peso porque Kam Lee participou diretamente da fase embrionária do universo que mais tarde daria origem ao Death. Em 2008, o músico chegou a defender publicamente sua contribuição para composições presentes nas primeiras demos do Mantas/Death. Na ocasião, afirmou que escreveu letras e padrões de bateria para várias faixas, além de ter sido responsável pelos vocais originais de parte desse material. Segundo ele, enquanto Chuck Schuldiner e Rick Rozz desenvolveram riffs de guitarra, sua participação também teria sido fundamental na construção das primeiras gravações.

Créditos: Benediction

Formado originalmente como Mantas em Altamonte Springs, na Flórida, o projeto de Chuck Schuldiner adotou posteriormente o nome Death e se tornou um dos principais pilares do Death Metal. Ao lado de bandas como Possessed, o grupo ajudou a estabelecer os fundamentos do estilo. Bem como exerceu influência decisiva sobre a cena da Flórida, que ganharia projeção internacional no fim dos anos 1980 e durante a década seguinte. Schuldiner morreu em 13 de dezembro de 2001, após enfrentar um glioma pontino.

Left To Die revisita os primeiros capítulos do Death

Enquanto Kam Lee permanece definitivamente fora dos planos, o Left To Die segue explorando justamente o período em que Mantas e as primeiras encarnações do Death começaram a moldar uma sonoridade mais extrema. Initium Mortis reúne novas gravações de composições daquele catálogo inicial e funciona como uma extensão do trabalho que a banda já vinha realizando ao vivo, interpretando principalmente músicas de Leprosy, além de faixas do debut Scream Bloody Gore.

Assim, a participação de Rozz, que viveu diretamente parte daqueles primeiros anos ao lado de Chuck Schuldiner, mantém uma conexão histórica com o repertório. Entretanto, pelo menos segundo Terry Butler, essa história não abrirá espaço para um reencontro com Kam Lee.

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