Massacre: “A aniquilação absoluta da raça humana é uma espécie de sonho molhado para os misantropos”, diz Kam Lee

O vocalista do Massacre, Kam Lee, compartilhou uma reflexão sobre arte e entretenimento gerados por inteligência artificial e como as pessoas estão lidando com toda essa revolução tecnológica que se tornou tão amplamente debatida ao redor do mundo. Para Kam Lee, “estamos testemunhando o declínio do espirito criativo humano”. Em uma postagem nas redes sociais, ele comentou:
“Com tantos sentimentos anti-IA circulando por aí, acho que provavelmente é um bom momento para iniciar um movimento de verdade.
Há décadas não víamos um nível tão grande de conscientização global sobre um assunto. Quando foi a última vez que você ouviu ou vivenciou algo tão profundo e tão significativamente contestado por pessoas em todo o planeta? Independentemente de país, política, religião ou crenças de qualquer tipo, uma coisa que todos os seres humanos, em todas as culturas e línguas, estão começando a apoiar de fato é a abolição completa de qualquer tipo de arte ou entretenimento criado por inteligência artificial.
Os seres humanos temem a ferramenta quando esta promete remover a mente humana do processo de criação e substituí-la por material gerado artificialmente.
Percebemos como a humanidade se tornou obsoleta quando a criatividade humana é substituída pela inteligência artificial e a realidade baseada em tecnologia confunde a linha entre o que é real e o que é ficção. A Matrix é real.
Um grito silencioso se espalha pela Terra – um grito que é o último suspiro das almas humanas em todo o planeta.
Como ateu, não acredito na crença tradicional na alma humana, mas admito que estou testemunhando o declínio do espírito criativo humano.
O fim da expressão individual da consciência e do eu através da arte, porque a inteligência artificial replica a experiência humana e a quantifica, reduzindo-a a meros números. Nós, humanos, nos perdemos no processo de quantificação e nos tornamos apenas mais uma fórmula. Nos rendemos a um sistema que nos foi dito que nos ajudaria a encontrar uma maneira melhor e mais fácil de expressar nossa visão – sem realmente perceber que, no momento em que os criadores se tornam criação do universo artificialmente criado, nossa existência se torna obsoleta.
Sei que este desabafo cairá em ouvidos surdos — e que já é tarde demais, visto que mais de 90% da população mundial já está atolada até a cintura em águas infestadas de tubarões, com um balde cheio de isca. É inevitável que nossa arrogância como seres humanos seja nossa própria ruína. Ou talvez seja apenas um desejo meu.
Quero dizer, a aniquilação absoluta da raça humana é uma espécie de sonho molhado para os misantropos.”
O Massacre é uma das formações mais importantes na construção do Death Metal da Flórida e da própria identidade do gênero nos anos 80. Liderado pelo vocalista Kam Lee, o grupo ajudou a definir elementos que se tornariam fundamentais para o estilo. Alguns deles são o uso dos vocais guturais, atmosfera macabra e riffs extremamente pesados para a época. As demos lançadas no circuito underground, como Aggressive Tyrant e Chamber Of Ages, viraram verdadeiras relíquias do tape trading e influenciaram inúmeras bandas extremas.
Além disso, o clássico álbum From Beyond (1991) consolidou o Massacre como um dos pilares do Death Metal tradicional ao lado de nomes como Death, Obituary, Deicide e Morbid Angel. O trabalho de Kam Lee certamente teve impacto direto sobre gerações posteriores de vocalistas extremos. Ele é frequentemente citado como um dos precursores do “death growl”, característica essencial do gênero. Inesperadamente, o músico participará da próxima turnê do Benediction, substituindo Dave Ingram.
