Silenoz explica como Dimmu Borgir superou conflitos e manteve sua trajetória

Silenoz por Mystic Festival

O Dimmu Borgir atravessou mudanças de formação, divergências internas e momentos de grande pressão ao longo de sua trajetória, mas continua ativo após mais de três décadas. Em entrevista a Łukasz Dunaj, da Noise Magazine, durante o Mystic Festival, realizado em Gdańsk, na Polônia, entre 3 e 6 de junho, o guitarrista Sven “Silenoz” Kopperud refletiu sobre os períodos mais difíceis da carreira da banda. Bem como destacou a parceria com o vocalista Shagrath como um dos principais motivos para sua longevidade.

Questionado sobre o momento mais complicado da história do Dimmu Borgir, Silenoz apontou as mudanças de formação. Além da necessidade de preservar a continuidade do grupo.

“Obviamente, acho que toda banda por aí quer tentar evitar mudanças na formação. Mas, às vezes, isso precisa ser feito basicamente para salvar o restante da banda. E posso dizer que, desde o começo, tanto Shagrath [o vocalista Stian Tomt Thoresen] quanto eu tivemos esse verdadeiro sentimento de posse em relação à banda e à marca, e estamos aqui desde o início. E nem sempre concordamos, mas concordamos mais do que discordamos. E acho que nós conduzirmos a banda com esse sentimento de posse talvez tenha sido, às vezes, muito mais intenso do que para outras pessoas envolvidas, e isso é compreensível, porque nem todo mundo pode sentir da mesma forma. E acho que essa é uma das partes desafiadoras, das partes difíceis. Mas ainda estamos aqui, e temos uma ótima equipe conosco. E há uma razão para ainda estarmos aqui”.

“Somos feitos para fazer isso”

Apesar dos conflitos, Silenoz afirmou que o Dimmu Borgir nunca esteve realmente perto de acabar. Segundo ele, as discussões, embora inevitáveis depois de tantos anos, não diminuem a paixão pelo trabalho, que sempre serviu como ponto de equilíbrio.

“Hum, não realmente. Provavelmente estivemos à beira de nos bater e de brigas e coisas assim, mas isso é normal, eu acho. Depois de tantos anos, é inevitável que existam algumas divergências. Mas acho que o que nos traz de volta ao meio é que amamos o que fazemos e somos feitos para fazer isso. E temos essa convicção de que, sim, basicamente ainda temos aquela sensação de imortalidade, aquela sensação de invencibilidade que tínhamos no começo”.

Ao relembrar o período posterior a “In Sorte Diaboli“, de 2007, considerado um ponto de virada comercial para a banda, Silenoz admitiu que a grande mudança de formação obrigou o grupo a praticamente recomeçar.

“Bem, tivemos um grande conflito e uma grande mudança de formação depois de ‘In Sorte’. E, obviamente, você sente que precisa meio que começar do zero. A única alternativa é desistir, o que não é uma alternativa para nós. Então precisamos simplesmente encontrar uma maneira de lidar com isso, e fazemos isso da melhor forma possível. E às vezes você não tira 10, às vezes tira sete ou seis, e isso é normal. Mas isso apenas deixa você com mais fome para voltar ao topo, de certa maneira. E, obviamente, isso provavelmente vai soar arrogante, mas fazemos isso primeiro por nós mesmos, e, se gostamos do que fazemos, deve haver alguém por aí que também vai gostar. Alguns vão odiar, mas muitas pessoas também vão gostar, e, se fizermos a coisa certa para nós, então será a coisa certa para muitas outras pessoas”.

Sem plano B

A ausência de uma alternativa fora da música também aparece, sobretudo, como um dos elementos fundamentais para Silenoz.

“Como eu disse, desistir ou ceder nunca esteve realmente presente para nós, porque não temos um plano B. Nunca tivemos um plano B, e acho que essa foi uma das chaves para ainda estarmos aqui: não ter algo para o qual voltar caso alguma coisa não dê certo. Porque trabalhamos em direção a um ponto em que tem que dar certo. E, às vezes, você não fracassa, mas não tira 10, como eu disse. Mas isso acompanha todo artista — todo pintor, todo escritor, autor, cineasta, seja quem for. É a dinâmica”.

Sobre a química artística com Shagrath, o guitarrista descartou a existência de algum segredo especial.

“Não acho que exista algum segredo além do fato de que nós simplesmente… É isso que deveríamos fazer. E, se temos um obstáculo, se temos uma divergência, enfrentamos isso da melhor maneira possível. Às vezes, isso significa talvez não nos comunicarmos por algumas semanas. Mas acho que isso é muito normal. E então alguém pega o telefone, e conversamos como se nada tivesse acontecido, e então lembramos por que ainda estamos aqui, e meio que damos um tapinha nas costas um do outro e seguimos em frente”.

Silenoz (à esquerda) e Łukasz Dunaj (à direita); Créditos: Mystic Festival

Questionado sobre divergências fundamentais entre os dois, Silenoz reconheceu que existem opiniões diferentes, mas ressaltou que ambos procuram priorizar a banda e o trabalho coletivo.

“Sim, acho que temos opiniões diferentes sobre certos assuntos, mas acho que, no fim das contas, todos queremos o que é melhor para todos os envolvidos. Queremos o que é melhor para a banda, o que é melhor para a música, o que é melhor para cada integrante. E vamos encarar os fatos: se você está em uma banda ou em um grupo de pessoas e tem algo em conjunto, a democracia só funciona até certo ponto…”

O guitarrista complementou explicando como ele e Shagrath lidam com decisões difíceis:

“Há decisões fáceis de tomar, e é quando todo mundo quer levar o crédito. Mas, se há decisões difíceis e desafiadoras que precisam ser tomadas, então somos Shagrath e eu que precisamos fazer isso. E, sim, às vezes não concordamos, mas geralmente chegamos a um determinado compromisso se houver um caso em que discordamos”.

Atualmente, o Dimmu Borgir promove Grand Serpent Rising, lançado em 22 de maio pela Nuclear Blast Records. Mais recentemente, acaba de concluir uma turnê norte-americana ao lado de Suffocation e Hulder. Em outubro, a banda ainda dividirá os palcos europeus com o Behemoth na turnê In League With Satan, que também contará com o Dark Funeral. Para uma banda que nunca teve um plano B, a agenda mostra que Silenoz e Shagrath continuam seguindo exatamente a mesma convicção que os acompanha desde o início.

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