Silenoz dispara contra ex-integrantes do Dimmu Borgir: “Alguns se aproveitaram da fama de terem estado na banda”

Photo: Joel Barrios

Ao longo de mais de três décadas de carreira, o Dimmu Borgir passou por inúmeras mudanças de formação, mas uma coisa permaneceu inalterada: Silenoz e Shagrath continuam sendo os únicos integrantes remanescentes desde a fundação da banda, em 1993. Em uma nova entrevista concedida à revista Rock Hard Greece, o guitarrista falou sobre essa longevidade. Ele também aproveitou para fazer duras críticas a alguns ex-membros do grupo, afirmando que eles se beneficiaram da reputação construída pelo nome Dimmu Borgir.

As declarações surgem em um momento importante para os noruegueses, que acabaram de lançar “Grand Serpent Rising”. Trata-se do primeiro álbum de estúdio desde “Eonian” (2018), além de iniciarem uma nova fase após a saída do guitarrista Galder, anunciada em 2024.

“Sempre fomos nós dois no comando”

Questionado se o retorno a um núcleo criativo menor faz a banda se aproximar do espírito dos primeiros anos, Silenoz concordou. Ele afirmou que trabalhar apenas ao lado de Shagrath tornou o processo de composição e de tomada de decisões muito mais simples.

Segundo ele, existe espaço para democracia dentro da banda, mas chega um momento em que decisões importantes precisam partir de quem realmente responde pelo projeto.

“Há democracia em uma banda até certo ponto. Isso funciona bem, mas, quando chegam as grandes decisões — e às vezes as mais difíceis — não dá para funcionar como uma democracia. Acho que sempre fomos nós dois no comando e fomos nós que tomamos essas decisões.”

“Alguns pegaram carona na fama do Dimmu Borgir”

O momento mais contundente da entrevista aconteceu quando o músico foi questionado se os conflitos vividos com antigos integrantes fizeram com que ele e Shagrath se tornassem mais protetores em relação à identidade da banda.

A resposta foi direta.

“Nós estamos aqui desde o primeiro dia e sempre tivemos a propriedade da banda e da marca. Ao longo dos anos, pessoas entraram e saíram. Naturalmente, elas nunca terão o mesmo senso de pertencimento que nós temos.”

Na sequência, Silenoz foi ainda mais incisivo ao comentar a postura de alguns ex-companheiros.

“Sentimos que, ao longo dos anos — e não vou citar nomes — alguns ex-integrantes talvez não tenham agido com o respeito que deveriam. Também sentimos que fomos, de certa forma, aproveitados, porque algumas pessoas pegaram carona no fato de terem feito parte desta banda.”

O guitarrista ressaltou que essa percepção não se aplica a todos que passaram pelo Dimmu Borgir. No entanto, ele afirmou que houve casos em que ex-membros utilizaram a ligação com o grupo como principal ferramenta para impulsionar suas próprias carreiras.

“Não digo que isso aconteceu com todos, mas certamente houve alguns que se aproveitaram da situação.”

Nome da banda sempre esteve acima de qualquer integrante

Apesar das críticas, Silenoz destacou que ele e Shagrath sempre procuraram colocar os interesses do Dimmu Borgir acima de qualquer questão individual. Segundo o músico, esse pensamento foi fundamental para manter a banda ativa por mais de 30 anos, mesmo diante das constantes mudanças de formação.

Essa filosofia já havia sido mencionada recentemente em outra entrevista, quando afirmou que ambos compartilham o mesmo entendimento de que o nome Dimmu Borgir é maior do que qualquer músico que passe pelo grupo.

As declarações inevitavelmente remetem ao longo histórico de saídas conturbadas dentro do Dimmu Borgir. Ao longo dos anos, músicos importantes como ICS Vortex, Mustis, Nick Barker e, mais recentemente, Galder, deixaram a banda em circunstâncias bastante distintas, algumas delas cercadas por polêmicas públicas.

Mesmo assim, Silenoz e Shagrath continuam conduzindo o projeto desde 1993 e, após oito anos sem material inédito, deram início a uma nova fase com “Grand Serpent Rising”, álbum que marca não apenas o retorno do Dimmu Borgir, mas também o começo de mais um capítulo na longa trajetória de uma das bandas mais influentes do Black Metal sinfônico.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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