Scott Ian aponta AC/DC da era Bon Scott como sua banda favorita de todos os tempos

O guitarrista Scott Ian, do Anthrax, revelou por que considera a formação do AC/DC com Bon Scott sua banda favorita de todos os tempos. Em entrevista publicada no canal oficial de Bon Scott no YouTube, o músico relembrou o primeiro contato com a voz do vocalista, ainda na adolescência, ao ouvir o álbum “Powerage” durante o intervalo escolar, em Queens, Nova York. A faixa “Rock ‘N’ Roll Damnation” foi suficiente para conquistá-lo imediatamente.
“Quando me fazem essa pergunta — ‘Qual é sua banda favorita?’ — sempre preciso começar dizendo: ‘AC/DC com Bon’. Aquele momento específico, para mim, representa a música que mais gosto de ouvir em toda a minha vida. Penso naquela época, nos anos 1970, quando escutava aqueles discos. Talvez não fosse algo que, à primeira vista, devesse me fascinar tanto, porque não era como Kiss, com aquela grande imagem e toda a aparência que os integrantes construíam. Mas havia algo especial no fato de que eles faziam Rock And Roll, um estilo que já existia havia décadas, mas ao qual conseguiram acrescentar algo diferente. E, para mim, essa diferença era Bon. Ele era diferente de tudo o que havia vindo antes. Não sou crítico musical, mas nunca tinha ouvido nada parecido. Eles eram o meu Led Zeppelin, os meus Beatles. Para a minha geração, tudo girava em torno de Bon.”
A personalidade e as histórias nas letras de Bon Scott
O guitarrista também destacou a autenticidade das composições do vocalista. Principalmente em músicas como “It’s A Long Way To The Top” e “Rock ‘N’ Roll Singer”. Para ele, as letras de Bon Scott tinham uma atitude próxima à do Punk, justamente por apresentarem situações realistas, sem exageros artificiais ou clichês.
“Sinto que as letras de Bon eram muito mais próximas do Punk, porque eram mais realistas. Você pode ler as letras de “It’s A Long Way To The Top” ou “Rock ‘N’ Roll Singer” e não encontrará nenhum traço de cafonice. Esse tipo de material provavelmente seria terrível nas mãos de outros vocalistas ou cantores. Mas ele conta uma história de uma maneira tão identificável, tão real e tão visceral. Não existe enfeite, não existe conversa fiada. Ao mesmo tempo, não é como ler uma notícia de jornal. A maneira como ele constrói suas frases também mantém seu interesse, porque não parece uma história genérica sobre alguém que queria entrar em uma banda. Faz parte de sua genialidade: ele conseguia transformar algo completamente banal em uma história interessante.”

Ian acrescentou que sempre interpretou aquelas narrativas como experiências reais do próprio cantor, especialmente as histórias que evocavam uma vida de aventuras.
“Bon não pisca para você. Às vezes, parece que ele está piscando enquanto canta algumas dessas letras, mas não está. Independentemente de algumas coisas serem verdadeiras ou não, sempre acreditei que aquele cara estava contando histórias da própria vida. Se eu estivesse lendo aquilo em um livro de poesia ou em uma autobiografia, acreditaria completamente que todas aquelas histórias de piratas eram verdadeiras. O fato de ele se entregar tanto e estar tão comprometido com aquilo me fazia sentir que não estava brincando conosco, que não precisava disso. É como se estivéssemos participando da piada porque tudo parece tão real. É quase como se ele dissesse: ‘Você consegue acreditar nessa porcaria que estou contando nessas letras?’. Para um garoto de 15 ou 16 anos, era fascinante ter uma janela para a vida daquele pirata. Uso sempre essa palavra porque foi realmente a primeira coisa que pensei quando ouvi Bon Scott.”
Malcolm Young foi o professor de guitarra de Scott Ian
A admiração pelo AC/DC também moldou a formação musical de Scott Ian, que aprendeu a tocar guitarra base acompanhando os discos da banda e reproduzindo as partes de Malcolm Young, a quem considera o maior guitarrista rítmico de todos os tempos. Em entrevista à Gretsch, em 2018, ele descreveu a sensação de ouvir o grupo:
“Existe uma empolgação imediata sempre que escuto AC/DC. É como se a música fosse diretamente injetada no meu cérebro. Assim que ouço aqueles acordes, fico animado, mesmo depois de tantos anos. Se coloco “Let There Be Rock” para tocar, sinto a mesma coisa que sentia há 40 anos. A música me emociona exatamente da mesma maneira.”
O guitarrista explicou que tocar acordes abertos e marcantes representa uma experiência diferente de sua abordagem no Anthrax, baseada em palhetadas para baixo, abafamento das cordas e alternância rápida.
“Não tenho a oportunidade de tocar grandes acordes abertos na minha banda. O Anthrax trabalha com um estilo completamente diferente de guitarra rítmica. Então, quando posso tocar acordes realmente grandes e me dedicar a eles, é muito divertido, porque representa o oposto do que faço normalmente. Mas foi assim que aprendi a tocar. É algo que ainda adoro. Sempre que posso pegar uma guitarra que tenha um som e uma sensação excelentes e tocar acordes que soem perfeitos, poderia fazer isso o dia inteiro. Isso me deixa feliz. Poderia literalmente passar uma hora tocando aquele acorde de Lá repetidamente sem ficar entediado.”

A influência dos irmãos Malcolm e Angus Young também está eternizada na pele de Ian: o guitarrista tatuou os rostos dos dois músicos, com Malcolm no bíceps esquerdo e Angus no direito.
“Especificamente, esses caras significam tudo para mim como guitarrista. Foi por isso que realmente quis tatuá-los: fico feliz em poder olhar para eles todos os dias.”
Sobre seu maior ídolo, completou:
“Malcolm sempre foi meu herói desde o primeiro dia, porque basicamente me ensinou a tocar guitarra. Quando criança, eu ficava no meu quarto com os discos de vinil do AC/DC, colocando-os no toca-discos e tentando descobrir como tocar as músicas. E era tudo Malcolm. Eu aprendia especificamente ouvindo o que ele fazia. Ele foi meu professor de guitarra. Foi o motivo pelo qual aprendi a tocar guitarra base da maneira como toco.”
