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Resenha: Darkness – “Blood on Canvas” (2024)

Os alemães do Darkness estão de volta com mais um álbum de estúdio!

   

“Blood on Canvas” é o nome da criança e trata-se do sexto full length da banda original de Essen, North Rhine-Westphalia. Assim sendo, é o terceiro álbum em sequência desde o retorno da banda, além de dar continuidade à sua jornada atual dentro do Thrash Metal. Ou seja, a sua sonoridade principal e a premissa permanecem intactas.

Assim como Assassin e Accu§er, o Darkness retornou das cinzas e vem brindando os amantes da sonoridade rasgada e arruaceira com novos discos. Isso é muito gratificante, pois temos a oportunidade de acompanhar mais uma banda das quais tiveram um hiato após seu surgimento no início dos anos 80. Kreator, Sodom, Destruction e Tankard podem até fazer a principal quadra germânica do Thrash e serem as únicas bandas conhecidas pela maior parcela dos headbangers, mas o Darkness é uma das bandas que estão ai para mostrar que o Teutonic Thrash não é formado somente pelas quatro bandas mais famosas do cenário alemão. Afinal, existe mais amendoim nesse pacote.

Darkness: forjado no aço oitentista!

Desde a demo intitulada “The Evil Curse” a qual foi lançada em 1985, o Darkness surgiu para ampliar os horizontes do Metal alemão. Além desta, foram mais quatro demos até o lançamento do debut conhecido pelos escavadores e exploradores de sonoridades raras como “Death Squad”, lançado em 1987. Mais duas demos vieram e em sequência veio o segundo disco, “Defenders of Justice”, de 1988. “Conclusion & Revival” foi lançado no ano seguinte e com ele também veio a demo “Spawn of the Last One”, que antecedeu o término da banda, e que perdurou até o retorno definitivo em 2013.

Certamente, o mais estudioso sobre a banda irá me alertar sobre as idas e vindas dentro desse período. Entretanto, não foi algo que durou muito tempo e o retorno de forma clara e definitiva foi realmente em 2013. Para se ter uma ideia sobre esse período, em 2004 a banda se reuniu sob o novo nome Eure Erben. Todavia, ainda bem que voltaram com o nome a qual ficaram conhecidos.

photo: Thorsten Lakaw

O retorno da escuridão germânica e a apresentação do novo material

A volta da escuderia alemã do Thrash foi em 2013, mas somente em 2016 é que pudemos ver o seu poderio e toda a sua energia que estava encubada por anos a fio. Ou seja, foi uma grata surpresa através de um ótimo álbum de um retorno oficial importante. Vale ressaltar que existe um seleto grupo de adeptos do Teutonic Thrash Metal dos quais apreciam a sonoridade do Darkness, além dos próprios Accu§er e Assassin. Entretanto, o grupo de bandas emergentes não para por aí, também contendo o Paradox, Violent Force, Deathrow e Living Death, embora este último pertença ao time do Rock veloz.

Sobre “Blood on Canvas”, este foi lançado no dia 26 de abril via Massacre Records. O novo full length foi produzido, mixado e masterizado por Cornelius Rambadt no Rambado Recording Studios. Timon Kokott foi o responsável pela arte da capa, enquanto Roland Heckmann coordenou a área de layout.

Os principais singles do novo artefato sonoro do Darkness

Para quem ficou atento quanto às novidades dentro do Radar de Novidades, sabe bem que o Darkness lançou dois singles de seu mais novo trabalho. “Roots of Resistance”, que recebeu um lyric vídeo (embora seja uma junção de lyric vídeo com videoclipe) e “Wake Up in a Rage”, sendo está última a herdeira de um videoclipe. As duas faixas estão distantes uma da outra dentro do tracklist oficial do álbum. Ou seja, enquanto a primeira apresentada está na posição de número 8, antecedendo a apoteose, a segunda é a faixa de abertura de “Blood on Canvas”. Porém, o disco não possui seu poderio reunido apenas em seus respectivos singles.

Veremos os principais destaques do novo álbum, mas você pode conferir os vídeos citados antes. Além disso, ambos estão em ordem de acordo com os seus lançamentos.

A ala lírica e arruaceira dos thrashers alemães – Parte 1

Certamente, você irá pensar em assuntos sobre conflitos entre nações, decisões políticas abruptas e a devassidão que tudo isso causa. Isso é de fato costumeiro quando o assunto é tocar esse clássico subgênero do Metal, pois é sempre bastante atrelado a tudo isso. Entretanto, o Darkness varia um pouco essa premissa e entrega alguns temas normalmente inseridos em outros estilos como o Death Metal, só para exemplificar.

Antes de assinalar os principais destaques da obra, vamos conhecer um pouco sobre esses temas utilizados pelo revigorado Darkness.

   

O início com “Wake Up in a Rage” é marcado por muita revolta, típica do Thrash Metal mesmo. Ou seja, fala sobre acordar com vontade quebrar todo mundo na porrada, quase como um dia de fúria. Já na sequência em “A Couple of Kills”, o assunto pode ser resumido como uma temporada de caça aos cervos, mas pode também ser uma metáfora para a caçada humana em que os poderosos apontam seus rifles para a população indefesa.

A primeira tríade lírica é preenchida através de “Night in Turmoil”, que por sua vez, entrega mais coisas a se pensar. Seja por uma doença como o câncer ou algum impedimento muito grave, isso acaba tornando o alvo mais forte e resistente diante de um gigantesco problema como esse. Novamente, pode ser usada como metáfora sobre a luta de pessoas sofridas que buscam sempre um lugar ao sol. O sangue ferve e a luta continua.

A ala lírica e arruaceira dos thrashers alemães – Parte 2

“Human Flesh Wasted” mostra a revolta de um cidadão comum ao enlouquecer em seu trabalho e desenvolvendo pensamentos nada bondosos para com o seu patrão. O pensamento é macabro de como ser um canibal, elucidando possíveis acontecimentos caso o personagem fosse de fato um apreciador da carne humana como alimento e fonte de prazer e tortura. Cannibal Corpse, é você?! Todavia, a premissa é bastante interessante e condizente com o dia a dia do trabalhador de baixa renda. Afinal, quem nunca quis canibalizar o seu patrão? Não minta para mim! Hahahaha!

Já estamos na metade do disco e em “This and My Heart Beside”, temos um tema pouco utilizado dentro do Thrash, mas que possui bastante relevância. Afinal, trata-se do ciclo da vida e todo aprendizado adquirido. Tudo isso, além de incluir agradecimentos por conta dos acertos e a atenção e o reconhecimento de que os erros acontecem e abrem novos e diferentes caminhos. Também é citado sobre o início ser como uma lousa limpa e o amor é tratado como algo natural e a confiança é um recurso global. E em uma minuciosa resolução das estrofes, podemos ver que alguém está lembrando dos ensinamentos de sua mãe ou da mãe de alguém, dizendo que agora se deve seguir em frente com fé e em busca de seus grandes objetivos. Por fim, acaba sendo a letra mais reflexiva de todo o álbum.

A ala lírica e arruaceira dos thrashers alemães – Parte 3

“Truth Is a Whore” faz um comparativo direto da verdade com uma prostituta. As sensações que a verdade causa tanto antes, quanto durante e depois são semelhantes ao estar com uma prostituta. Quem já contratou os serviços de uma profissional do sexo poderia explicar se isso é plausível. Entretanto, pode-se pensar que no momento que antecede a verdade, existe a ansiedade e a sensação de dúvida, precedido da confiança que poderá crescer no revelar da verdade ou não. Aí dependerá do que vem a ser a verdade. Parece simples, mas também possui complexidade.

“Defcon Four” já entrega o assunto logo através de seu nome, pois se trata um estado de alerta usado pelas forças armadas norte-americanas. A indignação com a política e os políticos dos quais roubam e exploram todos os dias. Tudo é cercado por esse quadro de alerta. Em suma, Defcon é uma expressão utilizada pelo departamento de defesa norte-americano e representa um alerta de postura das forças armadas. Graduado de um até cinco, demonstra o quanto o exército está preparado para um possível ataque ou guerra.

A ala lírica e arruaceira dos thrashers alemães – Parte 4

Logo na emenda temos quase que uma visão de um outro ponto através de “Roots of Resistance”. Novamente o tema político vem à tona e a pergunta é sobre os caras justos que lutariam contra a mentira. Nessas horas todos somem, ou praticamente todo mundo de fato. Os resistentes à exploração global se defendem de forma silenciosa e não gritam em redes sociais como se fossem os super-heróis do momento. Portanto, manipulação e 15 minutos de fama também estão encaixados nessa trama.

A apoteose acontece através da faixa-título, em que tudo é envolto por sangue. A história da humanidade é banhada em sangue. Todas as lutas, revoltas, revoluções, tudo feito à base de sangue. O significado da capa do disco é o sangue na tela, representando todas as fases da humanidade e que até hoje funciona assim. Em alguns lugares de forma mais branda e em outros de forma mais drástica. O sangue na tela é nosso e parece que nunca faltará tinta para manchar a tela…

Pic: Promo

As centelhas da escuridão germânica

“Wake Up in a Rage” não é apenas um single qualquer e muito menos uma faixa comum de abertura, pois apresenta elementos muito bem construídos para a trama inicial. Por exemplo, o barulho do despertador “acordando” o ouvinte é essencial para a pancadaria subsequente. Entretanto, isso não fica no lado comum jamais, pois os vocais de Lee entram em uma espécie de fala como uma mistura de anúncio e revelação do que virá adiante. A guitarra de Arnd pega fogo junto do baixo de Ben. Várias são as paradas e cortes primordiais do Thrash e isso eleva a qualidade e o ímpeto da canção. Lacky sabe o que faz com seu kit e impõe o ouvinte a entrar nessa valsa. Os solos iluminam a escuridão germânica e colocam o tempero certo nessa revolta sonora com molho dos conterrâneos Kreator e Assassin.

“A Couple of Kills” possui um solo base muito bacana, pois traz a agressividade e os cortes precisos do estilo, mas o destaque maior está no setor dos solos de guitarra. A composição das melodias são um show à parte e evidenciam a evolução técnica não apenas de Arnd, mas de toda a tropa. “Night in Turmoil” possui um começo que lembra “Civilization Collapse” do Kreator (“Phantom Antichrist”, álbum de 2012) por conta da introdução de bateria, sendo cortesia de Lacky.

   

Porém, as cordas trazem um pouco do tempero encontrado na sonoridade do Megadeth. Não em exagero, mas com a dosagem certa para a ocasião, juntamente com suas próprias características. Possui uma junção de cadência com intervalos muito bem encaixados e que proporcionam uma experiência muito digna a quem possa ouvir. As melodias soam como o Kreator atual e o peso costumeiro do Darkness está presente até mesmo na hora de servir de base para os solos.

Outros pulsares do Darkness

“Human Flesh Wasted” possui uma intro com violão e um tilintar baixinho e gélido de piano, que serve muito bem para conduzir os versos. Seu modelo inicial de canto é parecido com a primeira faixa e o seu andamento mistura as sonoridades das mesmas bandas. “This and My Heart Beside” possui semelhanças com o Korzus graças ao seu andamento vagaroso, mas quando aumenta um pouco a velocidade, lembra “People of the Lie”, também do Kreator, agora do clássico “Coma of Souls” (1990). Seu ímpeto é crescente à medida em que a canção avança e isso pode te empolgar a querer ouvir esse som mais de uma vez antes de seguir em frente dentro do álbum. Os solos são mais breves e simples, porém executam muito bem o seu papel nesse capítulo cinematográfico musical.

Ajeite a poltrona, mas não se sente nela! Afinal, não é música para ficar sentado! Espere o som do atrito do plugue, ouça a respiração e espere para o ataque. Os solos iniciais são a alma do negócio! Se eu falar que novamente lembra uma mistura de Kreator com Assassin, vão me bater já, já! A banda por si só é o destaque por aqui. Uma faixa mid-tempo que impõe respeito até para o defensor da velocidade máxima. Estamos falando de “Truth Is a Whore” e que além disso, também possui uma linha de baixo muito presente e com direito a breves solos de Ben.

Semelhança com o Sepultura? É isso o que “Defcon Four” entrega de início antes de descambar para uma velocidade primorosa e condizente com o enredo. Em questão de ritmo veloz para um belo mosh esta é uma excelente pedida. E ainda sobra espaço para solos avassaladores e com apelação na alavanca, quase invocando um caldo de sopa sabor Slayer.

Créditos: Thorsten Lakaw

Vai falar do álbum todo? Sim! Me empolguei, ué?!

“Roots of Resistance” é outro single bastante veloz, além de ser bem melódico também. Aqui a junção pode ser vista como o encontro entre Kreator, Megadeth, Assassin, o próprio Darkness e uma pitada leve de Deathrow nos entornos da estrada musical. Considero o melhor ritmo vocálico de todo o disco. Não é a melhor letra e nem a melhor faixa do álbum, mas as linhas vocais de Lee apresentam uma levada muito marcante.

Por fim, a grande apoteose ocorre com a maior faixa de “Blood on Canvas”, que também vem a ser o nome da “múzga”. O início da faixa final é vagaroso e quase acústico, quase uma balada e isso assusta. O lado vagaroso é proposital para as linhas de guitarra ganharem tons mais obscuros e manterem o compasso calmo, porém mais denso. Tudo isso serve de preparo para o que vem a seguir após as primeiras sequências de palhetadas insanas.

Ela muda as suas direções e encarna algo de Annihilator e também de Metallica, mas na parte veloz temos até nuances voltadas para o Sodom. Os vocais de Lee se mostram bastante inspirados e complementam formidavelmente a faixa. Ao passar da metade do tempo, a canção retoma o plano inicial com sua levada cativante e que já não assusta mais, incluindo um solo bem peculiar e bom de ouvir. E que depois se transforma em algo ainda mais presente e latente. Não sei se é a faixa mais complexa da carreira do Darkness, mas com toda a certeza é uma delas. Os solos chegam ao estado da correria desenfreada e coloca todo mundo para bater cabeça. O refrão poderá ser cantarolado a plenos pulmões. É só experimentar que isso ocorrerá de fato.

Cante comigo e com o Darkness essa parte final:

“Paint with blood
Blood on canvas
Blood
Blood, blood on canvas
Blood, blood on canvas

Blood on canvas (canvas)”

Considerações finais

Em suma, era para citar os principais destaques, mas como cada faixa possuía algo bastante relevante, não daria para deixar de fora e sentir que a resenha ficou pela metade. Portanto, molhei a pena um pouco mais no nanquim e tratei de manchar a tela com mais sangue virtual. Entretanto, cabe a você decidir quais os maiores destaques de “Blood of Canvas”. Não sei por qual motivo esse nome me lembra Os Cavaleiros do Zodíaco, mas está valendo… E mais uma coisa: aumentem o som na hora de ouvir, “pufavô”! Afinal, o Darkness está firme e forte desde o seu retorno e tem muito a caminhar nessa jornada voltada para o Metal.

“In a sphere of depression
In a sphere of devastation
Where it´s time to never lose faith
A warm memory is any place

Thanks for your heart
Thanks for your upbringing
You founded my soul
Thanks this, this and my heart”

nota: 8,9

Integrantes:

  • Lee (vocal)
  • Arnd (guitarra)
  • Ben (baixo)
  • Lacky (bateria)

Faixas:

1. Wake Up in a Rage
2. A Couple of Kills
3. Night in Turmoil
4. Human Flesh Wasted
5. This and My Heart Beside
6. Truth Is a Whore
7. Defcon Four
8. Roots of Resistance
9. Blood on Canvas

Redigido por Stephan Giuliano

   
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