Jeff Scott Soto mantém esperança de reconstruir amizade com Yngwie Malmsteen

O vocalista Jeff Scott Soto afirmou que continuará tentando reconstruir sua amizade com o guitarrista sueco Yngwie Malmsteen, quatro décadas depois de os dois trabalharem juntos nos primeiros álbuns da carreira do músico. Em entrevista a Remzi “Jam Man” Yates, do Rocking With Jam Man, Soto contou que a recente reunião de Ritchie Blackmore com o Deep Purple no palco serviu como inspiração para acreditar que relações antigas também podem vir à tona novamente.
“[A reunião de Ritchie com o PURPLE] foi um momento emocionante que ninguém esperava que pudesse acontecer, muito menos que acontecesse durante nossas vidas. E, para todo mundo ver aquilo, isso mostra que existe esperança. Existe uma chance de que qualquer coisa que esteja fraturada ou quebrada possa ser consertada. Existe esse Super Bonder que você pode colocar em praticamente qualquer situação. Então, nunca vou parar de estender o ramo de oliveira, dizendo ao Yngwie que não há motivo, motivo algum, para existir qualquer animosidade ou qualquer muro entre nós. Então, espero que algum dia possamos deixar isso de lado. Se não for deixado de lado para realmente trabalharmos juntos, eu não me importo. Eu me importo mais com o lado pessoal das coisas. Eu me importo mais com a amizade.”

Jeff logo continuou:
“Eu não quero ter nenhum inimigo quando deixar esta Terra. Quero partir com a consciência tranquila de que todo mundo estava bem comigo e eu estava bem com eles, sem ter nada disso na minha vida. Qualquer coisa que você acrescente a isso — uma reunião, fazer um show, uma aparição — tudo isso é algo extra. É a cereja do bolo. O principal agora é que eu quero o bolo, que, para mim, é recuperar a amizade e não ter mais nenhuma animosidade.”
Uma reconciliação sem interesses profissionais
Yates observou que todos presumem que uma reconexão com Yngwie necessariamente significaria uma turnê de reunião ou uma oportunidade para ganhar dinheiro. Soto, então, explicou que essa interpretação vem da própria internet:
“Isso é a internet em ação. É a World Wide Web sempre tentando inventar coisas que não existem apenas para acrescentar algo à história, etc. E, novamente, é por isso que deixo muito claro — quando estendo esse ramo de oliveira, deixo muito claro que não tenho nenhuma agenda. Não tenho nenhum M.O. É tudo sobre eu simplesmente querer ser amigo do cara. Nós tínhamos uma grande amizade.”

Posteriormente, ao passar do tempo, Jeff disse que foi entendendo como Yngwie era.
“Eu entendia como era ser amigo do Yngwie. Eu entendia quem ele era e como ele era e, a partir disso, aceitava meu papel em como sou quando estou perto dele. E, sim, talvez eu tenha que ser um pouco menos ‘eu’ para que possamos ter um encontro pacífico, mas estou bem com isso. Sou um camaleão. Consigo conviver com pessoas que não necessariamente pensam e sentem da mesma maneira que eu sobre a vida. Para mim, tudo se resume a estarmos bem um com o outro, e nós tínhamos isso. Mas, infelizmente, alguma coisa, ao longo dos anos, no caminho, acabou entrando no meio disso e, como eu disse, não há motivo para que isso não possa ser deixado para trás e possamos seguir em frente.”
Soto refletiu sobre acontecimentos da juventude ou declarações antigas refletidas décadas depois, quando ambos já tinham idade suficiente para compreender exatamente o que estavam dizendo um ao outro. Dessa forma, considerou que os episódios mais recentes, infelizmente, causaram danos maiores, justamente por manterem a ferida aberta e influenciarem a relação atual.
“Eu faria isso num piscar de olhos”
Ao ser perguntado se voltaria a dividir o palco com Yngwie para uma única música, sem turnê, contrato de gravação ou ação promocional, Soto respondeu:
“Não posso falar por ele, mas posso falar por mim mesmo em termos de que, 100% sim. Eu faria isso num piscar de olhos e ficaria satisfeito que aquela única vez, aquela única oportunidade, fosse suficiente para enterrarmos o machado de guerra e simplesmente seguirmos para o futuro, mesmo que nunca mais fizéssemos nada juntos. Isso apenas abriria a porta para sermos amigos novamente, para podermos ligar para ele no aniversário dele ou dizer ‘Feliz Natal’ ou ‘como está a família?’. Esse tipo de coisa. É esse tipo de coisa que sinto falta na nossa relação. Eu realmente não me importo com ‘Ah, quero cantar outro disco para ele’. ‘Ah, se eu fizer algo com o Yngwie, posso conseguir muita repercussão nas redes sociais’. Tudo isso não significa nada para mim. Zero.”

O cantor também falou sobre como a internet pode dificultar uma aproximação. Isto pois comentários negativos rapidamente se transformam em discussões e declarações acabam virando manchetes. Soto defendeu que, em uma relação pessoal, o mais importante é conhecer quem está do outro lado. Bem como não permitir que interpretações externas determinem o significado de suas palavras.
“Sim. E isso realmente se resume a: ‘Você me conhece, eu conheço você. Não deixe nenhuma dessas coisas entrar na sua cabeça’. Como você disse, há tantas coisas que eles distorcem, filtram ou diluem, e isso se transforma em algo que não era para ser ou que não deveria ter sido. Então, a partir disso, é como se você soubesse quem eu sou. Você sabe o que eu diria e como eu diria. Se isso foi mal interpretado ou alguém quer transformar isso em algo que não é, você deveria me conhecer bem o suficiente para saber o que eu quis dizer com aquilo. E esse é o ponto principal. Tudo se resume aos indivíduos. Você não pode deixar que o público ou os cowboys da internet inventem coisas ou queiram inventar coisas. Você precisa ter certeza de que é forte o suficiente com o indivíduo ou os indivíduos, e eles conhecem seu M.O., sabem quem você é e tudo aquilo pelo que você se importa. Porque, a partir disso, você consegue superar e passar por qualquer uma dessas coisas.”
Quatro décadas depois
Por fim, quando perguntado o que gostaria que Yngwie entendesse sobre sua posição atual, Soto deixou claro que sua intenção permanece a mesma que vem expressando há anos:
“Bem, eu já disse isso em muitas entrevistas há muitos anos, e é a mesma narrativa. É tudo o que já discutimos. Eu só quero que ele saiba que não quero nada dele. Não estou tentando ser amigo dele novamente para, quem sabe, poder estar em um álbum com ele, ou para podermos compor juntos, ou para ele me produzir. É absolutamente um trilhão por cento genuíno que sinto falta do meu amigo. Nós éramos amigos antes. Podemos ter dito algumas coisas ao longo do caminho, ou feito algumas coisas ao longo do caminho, que teriam rompido ou mantido o relacionamento rompido por mais tempo. Mas, novamente, para cada ação existe uma reação. Se uma ação foi lançada contra mim, eu vou reagir, e vice-versa. É a natureza humana. É quem somos. É o que somos. Mas, no fim, estou apenas procurando ser amigo e estar bem com todos que fizeram parte do meu passado, do meu presente e do meu futuro, e é simplesmente assim que sou. É assim que vejo as coisas.”
Soto cantou nos dois primeiros álbuns de Malmsteen, “Rising Force” (1984) e “Marching Out” (1985). Em 2017, os dois protagonizaram uma troca pública de declarações depois que Yngwie afirmou que sempre havia escrito tudo em seus discos, incluindo letras e melodias. Na ocasião, Soto contestou essa versão e afirmou que havia participado da autoria de algumas das músicas dos trabalhos iniciais do guitarrista.
Apesar das divergências acumuladas ao longo de quase quatro décadas, Jeff Scott Soto continua deixando claro que sua prioridade não é uma reunião musical, uma gravação ou qualquer benefício profissional. Nos últimos anos, sua tentativa de reaproximação com Yngwie Malmsteen tem sido apresentada como algo essencialmente pessoal: recuperar a amizade que os dois tiveram antes que os conflitos colocassem essa relação em segundo plano.
