Roger Glover explica por que nunca se cansa de tocar “Smoke On The Water” com o Deep Purple

O baixista Roger Glover, do Deep Purple, explicou em uma nova entrevista ao podcast Creativity: Something From Nothing, apresentado pelo produtor Michael Bradford, por que continua encontrando novas experiências ao tocar “Smoke On The Water” ao vivo. Apesar de ser uma das músicas mais conhecidas da história do Hard Rock, o músico afirma que a perspectiva do público transforma cada apresentação.
Ao comentar se existem músicas do repertório que continuam parecendo novas a cada apresentação, Glover respondeu:
“Isso acontece bastante, na verdade, especialmente com uma música como “Smoke On The Water”, o clássico da banda de 1972. É uma música muito simples. Todo mundo a conhece. E me perguntam bastante: ‘Você não está cansado de tocar isso?’ E eu diria: ‘Não, não estou’. Porque eu não a ouço da minha perspectiva. Eu a ouço da perspectiva do público. Há pessoas lá fora que talvez estejam ouvindo isso ao vivo pela primeira vez. Eu me coloco no lugar delas. E embora seja uma música simples, na verdade, justamente porque é uma música simples, você pode se movimentar um pouco. Eu nunca toco a mesma linha de baixo — é muito parecida, mas de vez em quando você pode se divertir um pouco com ela, e isso não altera as coisas. Apenas a torna mais interessante para você. Mas é a sensação do público que eu mais absorvo disso.”

Por conseguinte, o baixista também explicou como o palco modifica sua percepção do tempo. Além disso, coloca em contato direto com tudo o que acontece ao redor:
“A coisa mágica de tocar ao vivo é que o tempo se reduz a microssegundos. Você está tão vivo — você nunca está tão vivo até estar no palco, e você está muito vivo… Você está consciente dos outros músicos, do público, das luzes, do som, da sua própria execução. E tudo acontece tão rápida e instantaneamente que você acaba confiando no instinto, esperando conseguir sair dessa.”
Uma música que continua provocando o público
As novas declarações retomam uma ideia que Glover já havia apresentado em entrevistas anteriores. Ao Guitar World, em 2018, o baixista explicou que nunca se cansou de executar “Smoke On The Water” porque prefere observar a reação da plateia. Bem como aproveita a estrutura simples da composição para variar sua linha de baixo. No ano passado, ao The Guardian, ele também destacou o impacto imediato da música sobre os espectadores. Posteriormente, chegou a comparar sua execução a ter um botão capaz de fazer o público enlouquecer.
A música continua presente na atividade atual do Deep Purple, que lançou “Splat!” em 3 de julho pela earMUSIC. O álbum representa a sexta colaboração da banda com o produtor Bob Ezrin, responsável por todos os trabalhos do grupo desde “Now What?!”, de 2013, e recebeu elogios por preservar a identidade do conjunto enquanto apresenta uma sonoridade considerada uma das mais pesadas de sua fase recente.
Após uma extensa sequência de shows pela Europa, o Deep Purple segue com a turnê mundial de “Splat!”, que reúne 86 apresentações em 28 países. Enquanto isso, “Smoke On The Water” continua ocupando um espaço singular no repertório: para Roger Glover, a longevidade da música não depende apenas de sua importância histórica, mas também da reação de quem está diante do palco.
