Resenha: Exodus – “Goliath” (2026)

Pois bem, amigos, no último dia 20 de março o mundo recebeu o décimo segundo álbum de estúdio do Exodus: “Goliath”. Mesmo antes de seu lançamento oficial, polêmicas ao seu redor já haviam sido criadas a partir dos singles lançados previamente (principalmente “3111” e a faixa-título), que causaram certo “estranhamento” em alguns. Dois dias antes do lançamento oficial, mais um single foi liberado: “Promise You This”; este, por sua vez, teve uma recepção melhor por parte do público.

Também vale lembrar que, nos últimos 11 anos, muitas pessoas torceram fortemente pelo retorno de Rob Dukes ao Exodus, pensando nas incríveis performances ao vivo que ele sempre entregou enquanto esteve à frente da banda (principalmente no lendário show realizado no Wacken Open Air, em 2008). Porém, essas mesmas pessoas parecem não perceber que o tempo passa para absolutamente todos nós, inclusive para Rob Dukes. É ingenuidade esperar (ou exigir) dele a mesma intensidade e potência que sua voz entregava há 11, 12 ou 20 anos.

O contexto faz diferença

Nada do que foi dito até o momento deve ser novidade para você que está lendo este texto, porém é importante levarmos em conta o contexto de um álbum na hora de escutarmos suas músicas e, claro, de escrever sobre ele.
Em “Goliath”, o contexto faz uma diferença imensa, e aqui começam algumas informações que você talvez não saiba. Para iniciar, nunca antes na história da banda existiu outro disco que foi escrito de maneira tão colaborativa quanto este. Ao contrário do que acontecia em todos os discos anteriores (basta olhar os créditos das canções), em “Goliath”, Gary Holt não foi o único compositor das faixas. Das 10 músicas presentes no disco, o líder da banda compôs 6, enquanto Lee Altus (segunda guitarra) compôs 4. Tendo em vista que são duas pessoas diferentes, com ideias e uso da criatividade distintos, era óbvio que algo diferente aconteceria aqui, não?

Pois bem. Além disso, tivemos o já extremamente comentado retorno do vocalista Rob Dukes ao front da banda, 11 anos após sua demissão e 16 anos após seu último trabalho ao lado do Exodus (“Exhibit B: The Human Condition”). Por ser um vocalista totalmente diferente de Steve “Zetro” Souza, em todos os sentidos, era óbvio também que a abordagem seria diferente do que a banda apresentou nos dois discos mais recentes — “Blood In Blood Out” (2014) e “Persona Non Grata” (2021).

Dukes é um vocalista que abre espaço para mais experimentalismos e elementos “modernos”, ao contrário de “Zetro”, que tinha na voz e na atitude aquela característica forte de um frontman de Thrash Metal dos anos 80. Por favor, não entenda errado: nada do que foi dito até o momento é uma crítica ou um elogio a quem quer que seja, e sim a constatação de alguns fatos e do contexto em que “Goliath” foi criado. Estamos entendidos até aqui? Então vamos partir, finalmente, para as músicas e comentá-las uma a uma.

Incorporação de novos elementos

“3111”, primeiro single disponibilizado, foi escolhida como faixa de abertura. Escrita por Lee Altus, ela se inicia com uma introdução consideravelmente longa (cerca de 1 minuto) e deságua em uma música típica do Exodus na fase Dukes: um riff bem desenhado e nítido, aliado a uma bateria rápida e um baixo “encorpado” e, claro, o vocal rasgado do nosso querido amigo. Confesso que essa música lembrou, em partes, “Riot Act” (de 2007). No entanto, na segunda metade, o andamento muda completamente (o que não é algo ruim), e somos contemplados por um pesado riff de corda solta aliado às clássicas alavancadas do guitarrista Gary Holt. Muitos associaram esse trecho a “Psycho Holiday”, do Pantera. Você foi um desses?

Após “3111”, começa uma das grandes cacetadas do álbum: “Hostis Humani Generis”. Não há muito o que falar aqui: estamos diante de uma música como podemos esperar de uma banda como o Exodus — rápida, agressiva, com solos de guitarra de ambos os guitarristas e uma letra tão violenta quanto a parte musical em si. Essa música poderia facilmente fazer parte de qualquer um dos três álbuns anteriores que o Exodus lançou com Rob nos vocais.

Na sequência, temos “The Changing Me”, que trouxe como convidado especial o líder do Hypocrisy, Peter Tägtgren, dividindo os vocais com Dukes no refrão. Provavelmente foi aqui que alguns ouvintes começaram a estranhar as coisas. A guitarra inicial é algo diferente do que muitos poderiam esperar do Exodus, pois nota-se a influência de outros elementos no som, como Heavy Metal tradicional e algo do tipo.

Novamente, isso é ruim? Não, de forma alguma. Trata-se de uma introdução muito bem feita, que antecede um riff pesado, como queremos ouvir. Algo que podemos destacar é o excelente trabalho da dupla Holt/Altus nos solos de guitarra, porém isso é algo que acontece ao longo de todo o disco. Sem dúvidas, esse é um dos grandes destaques do novo álbum da banda: os duetos entre os guitarristas são extremamente bem construídos, além das respectivas bases que cada um executa enquanto o outro sola.

AC/DC e Doom Metal? Temos!

Após “The Changing Me”, seguimos para o último single apresentado: “Promise You This”. Aqui também é nítido que a banda trouxe influências e inspirações diferentes do habitual. Todos sabemos que eles são fãs declarados de AC/DC, por exemplo, mas até então essa admiração nunca havia sido incorporada a uma música autoral da banda, apenas a covers. Em “Promise You This”, isso mudou. Obviamente, existe todo o peso e agressividade característicos do Exodus, mas há, com certeza, inspiração nesse estilo. O refrão também chama atenção por ser mais melódico do que o habitual. Apesar de diferente, é uma bela música (vale reiterar, novamente, os belos solos de guitarra).

Chegamos, provavelmente, à faixa mais polêmica e diferente de “Goliath”: a faixa-título. Extremamente cadenciada/arrastada, ela é densa e pesada, porém o fato de não se desenvolver muito ao longo de seus pouco mais de 5 minutos talvez não tenha cativado a atenção e admiração de todos. Não é uma música ruim, porém não há nada de muito marcante a ser destacado (o diferencial aqui é a participação da violinista Katie Jacoby, amiga de longa data da banda). Já pensou se o Exodus fizesse Doom Metal? É o que “Goliath” parece.

Presença marcante de Lee Altus

Indo para a segunda metade do disco, encontramos duas das músicas que mais merecem sua atenção (ambas escritas por Lee Altus). “Beyond The Event Horizon” retoma a fúria e velocidade que todo fã do Exodus gosta de ouvir. Apesar de apresentar uma quebra de andamento em determinado momento, são pouco mais de 5 minutos de uma música intensa e, como de costume, com um belíssimo trabalho de guitarras.

Na sequência, a também pesadíssima “2 Minutes Hate” certamente fará até o fã mais old school da banda sorrir. O andamento não tão acelerado certamente não significa ausência de peso (ao menos quando falamos do Exodus). Em termos de andamento, pode-se dizer que ela parece uma irmã mais nova da lendária “Blacklist”, um dos maiores hits da banda.

Desculpe a insistência, caro leitor, mas aqui é necessário reiterar mais uma vez o trabalho das guitarras nos solos — e com justiça. Essa música apresenta três solos (intercalados) de cada guitarrista, algo não visto em nenhuma outra faixa do disco. Solos dinâmicos e precisos, todos acompanhados por uma base extremamente sólida. Repare nisso durante a audição.

Uma leve queda que precede o final épico

Como sabemos, nem tudo são flores, e aqui chegamos ao ponto inegavelmente mais fraco de “Goliath” (se é que posso dizer assim). “Violence Works” é uma música um pouco confusa: possui uma introdução bem estranha e, após ela, não apresenta grande desenvolvimento, principalmente em termos de dinâmica. Talvez seja a faixa em que o Exodus concentrou com mais força suas influências de bandas modernas, resultando em algo próximo ao Groove Metal. Apesar da letra interessante (como o nome sugere), não há muito mais a destacar positivamente.

Seguindo com a audição, nos deparamos com “Summon Of The God Unknown”, a faixa épica do disco, com seus quase 8 minutos de duração. Assim, durante esse tempo, ficamos expostos a uma canção densa, de clima pesado e sombrio. O andamento não é muito rápido, mas a energia contida faz com que você preste atenção em cada detalhe. É justo mencionar os diferentes estilos vocais que Rob Dukes aplica aqui, intercalando seus vocais rasgados com linhas mais melódicas e quase limpas em alguns momentos.

Por fim, “Goliath” se encerra com “The Dirtiest Of The Dozen”, uma música que começa e termina acelerada e aborda, em sua letra (escrita pelo baterista Tom Hunting), uma reflexão e celebração dos anos em que o Exodus permaneceu (e permanece) na estrada. Trata-se de uma das letras mais criativas e interessantes já feitas pela banda. Musicalmente, é um encerramento à altura, com uma faixa que te fará bangear de forma involuntária, se é que me entende.

Maturidade

Para finalizar, um comentário importante e justo: a “cozinha” do álbum ficou acima da média. Tom Hunting é um monstro das baquetas, e todos nós sabemos disso, assim como Jack Gibson executa seu trabalho com maestria desde que entrou na banda, nos anos 90. No entanto, o baixo em “Goliath” se destaca em cada uma das músicas, garantindo ao instrumento um protagonismo mais do que merecido. Trata-se, sem dúvida, de um dos melhores trabalhos de Jack Gibson em termos técnicos.

Ao ouvir o disco na íntegra, faixa a faixa, percebe-se que existem, sim, novos elementos e influências no som da banda. Mas desde quando isso é algo negativo? O inevitável passar do tempo traz maturidade, e maturidade, muitas vezes, significa explorar novos horizontes — e foi exatamente isso que o Exodus fez. Ao abrir espaço para colaborações, assinar com uma nova gravadora após mais de 20 anos e trazer de volta Rob Dukes, a banda mostrou que é capaz de modernizar seu som sem perder uma única grama de peso. Mesmo após mais de 40 anos de estrada, o Exodus segue relevante no cenário do Metal mundial e ainda demonstra grande criatividade na composição de material novo.

Nota: 8

Integrantes:

  • Tom Hunting (bateria)
  • Gary Holt (guitarra)
  • Jack Gibson (baixo)
  • Lee Altus (guitarra)
  • Rob Dukes (vocal)

Faixas:

  • 01 3111
  • 02 Hostis Humani Generis
  • 03 The Changing Me
  • 04 Promise You This
  • 05 Goliath
  • 06 Beyond The Event Horizon
  • 07 2 Minutes Hate
  • 08 Violence Works
  • 09 Summon Of The God Unknown
  • 10 The Dirtiest Of The Dozen
2 comentários
  • achei album bem estranho uma hora quer ser arrastado e depois vem numa pegada mais frenetica as vezes numa mesma musica ,nao necessariamente isso e algo ruim uma das minhas favoritas da era dukes e a “the atrocity exibition” faz isso com maestria mas aqui em algumas faixas quiseram simular isso mas para mim infelizmente nao teve exito ,para mim melhor faixa e changing me com peter apesar de ser diferente e uma faixa divertida e que empolga outra boa e a beyond event horizon apesar de firula aqui e ali nao incomoda tanto,o ponte forte e vocal do dukes continua bem afiado porem nas musicas promise you this e summon of the god unknown senti ate leve flertada com metalcore vocais bem estranhos meio limpos demais,nota 8 acho ta justo apesar de nao ser perfeito passa longe de ser ruim.

  • sei a reclamação de uso de IA ta meio defasado ou parece por pura birra mas esse clipe do goliath e pessimo oque contribuo ainda mais para povo nao curtir essa musica que é bem fraca de fato.

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