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Produtores: Episódio 2 – Rick Rubin

No quadro Produtores, homenagearemos àqueles que têm um papel fundamental nos estúdios de gravação, que são responsáveis pela produção em todos as suas etapas e muitas vezes fazem a diferença no resultado final de um álbum.

Começo este artigo com a seguinte pergunta: Quantas vezes você escutou um disco de uma determinada banda e ao ouvi-lo, imediatamente, exclamou:

   

“Wow! Que disco maravilhoso e que produção excelente”.

É comum bandas lançarem trabalhos grandiosos, daqueles que beiram a perfeição e ao final da audição, o ouvinte perceber que além de um disco bem composto e caprichado, a banda se preocupou em contratar um bom produtor a fim de cuidar de sua obra.

Mais que produzir um disco de alto nível, um bom produtor passa a ser o grande responsável pelo resultado final de uma ideia desenvolvida durante meses ou até mesmo longos anos, cabendo a ele (produtor) a responsabilidade de entregar uma obra primorosa, de qualidade inquestionável e principalmente de fechar com chave de ouro toda uma história compactada em 50 ou 60 minutos de duração, escrita com muito trabalho e suor derramado.

Ou seja, a banda entrega uma pedra bruta e recebe de volta um diamante.

Por outro lado, os riscos de uma produção equivocada podem atrapalhar todo o processo criativo. Ou seja, um disco que demorou meses para ser composto e que levou inúmeras horas de ensaios, sem contar o stress dos músicos durante todo o processo de composição, pode ter um final trágico.

Quando isso acontece literalmente passa a ser um grande pesadelo, pois imaginamos que além de muita grana investida em prol de um trabalho que deveria ser de qualidade, passa a ser uma terrível preocupação pois cabe a banda se virar e tentar apagar essa mancha negra de sua história. O que certamente não deve ser tão simples assim.

Neste caso a reação do ouvinte é diferente da mesma no início desse texto seria:

“Meu Deus, que produção ordinária é essa? Sério que alguém pagou por isso?”

Neste caso, a banda tem apenas duas opções:

  • 1.Contratar um novo produtor que possa “refazer” todo o trabalho e com isso, mais grana precisa ser injetada.
  • 2.Encarar a realidade dos fatos e saber que a banda tem em mãos um disco de qualidade questionável, onde o resultado final é simplesmente comprometedor. Em alguns casos, estes trabalhos maus produzidos podem sim virar referência e fazer com que a banda seja lembrada sempre por este detalhe.

Isso caberia um outro comentário por parte do ouvinte:

“O disco é excelente mas a produção é lastimável”.

Acredito que em casos como este não tenham nenhum tipo de devolução do que foi devidamente pago, bem como não acredito que haja alguma forma da banda recorrer pelo prejuízo obtido com o resultado final.

Há casos de grupos que optam por cuidar de suas próprias produções. Com isso eles:

  • 1.Não se limitam e/ou não se preocupam com o fato de ter alguém palpitando sobre suas criações.
  • 2-Não correm o risco de investir pesado, contratando um produtor que no final entregue um trabalho aquém do esperado.

Em alguns casos, produtores são pagos apenas para realizarem seu trabalho em parceria com o grupo, cabendo a ele não dar palpites ou tentar direcionar a banda.


Traduzindo: Nós pagamos seu trabalho e você não dá pitacos!

Contudo, é preciso falar das grandes produções musicais e seus produtores que fizeram bonito no quesito qualidade, ao entregar verdadeiras obras de qualidades ímpares.

Há evidentemente casos onde alguns produtores foram além das expectativas, produzindo discos que se transformaram em referências musicais e enaltecidos também por sua primorosa produção.

O bom desempenho de alguns produtores chegou ao nível máximo de qualidade, elevando o nome de algumas bandas e seus respectivos álbuns. Em alguns casos, a ligação passou a ser tão importante que alguns chegam a ser considerados integrantes.

É comum em algumas entrevistas, os músicos dizerem que ele (produtor) é nosso 4º ou 5º integrante.

Esta relação pode ser benéfica para ambos, pois a banda passa a ter plena confiança no cara responsável por cuidar dos detalhes técnicos, enquanto o produtor sabe que terá total liberdade na sua próxima missão, cuja liberdade de expressão é fundamental para a finalização da mesma.

   

O excelente desempenho de alguns produtores e suas obras musicais atingiram um nível absurdo de qualidade ao ponto de influir diretamente na sonoridade das bandas.

Citando nomes, podemos facilmente dizer que Robert John “Mutt” Lange e Rod Smallwood são dois nomes que se encaixam perfeitamente como grandes exemplos.

Mas afinal de contas qual é o papel de um produtor?

Ele é pago apenas para obedecer ordens e executar seu trabalho de forma profissional após receber os valores cobrados por seus préstimos ou tem o direito de opinar em outras áreas que não lhe dizem respeito, mas por terem uma visão mais ampla dos negócios, sentir-se no direito de opinar, interferir e até mesmo exigir muito mais de seus clientes? (no caso, as bandas).

Em nosso quadro, apresentamos uma viagem pelo mundo das produções musicais, onde falaremos um pouco sobre trabalhos consagrados de grandes produtores e suas grandes obras em discos que chamaram a atenção não apenas por sua sonoridade, ou por serem gravados por uma banda de renome, mas principalmente por apresentarem um nível técnico e impecável de produção. Ou deveríamos chamar de superproduções.

Os textos trarão informações sobre a obra desses gênios dos botões, destacando algumas bandas e discos que causaram impacto ao serem lançados.

Nosso segundo capítulo homenageará o produtor Rick Rubin (Slayer, The Cult, AC/DC, Black Sabbath…)

Nome: Frederick Jay Rubin

Codinome: Rick Rubin

Data de Nascimento: 10 de março de 1963

Local: Long Beach, Nova York, Estados Unidos da América
Ocupação: Produtor Musical

Estilo: Hip Hop, Heavy Metal, Country

   

Ano de Atividade: 1981-Presente

RICK RUBIN / Divulgação / Facebook

Principais bandas/artistas produzidos por ele: Mick Jagger, Tom Petty, AC/DC, System Of A Down, Billy Corgan, Black Sabbath, Neil Diamond, Red Hot Chilli Peppers, Weezer, Danzig, Wolfsbane, The Cult, Metallica, Slayer, etc.

Em nosso segundo capítulo, falemos do renomado Rick Rubin, um dos maiores produtores musicais de todos os tempos.

Em seu extenso currículo, trabalhos de grande sucesso que vão do Rap, Hip Hop, Country, R & B, Rock Alternativo, Psicodélico, Industrial, Pop, passando por Folk Rock, Hard Rock, Heavy e Thrash Metal.

São dele produções de sucesso em discos de nomes como Beastie Boys, Run DMC, LL Cool J, Public Enemy, Eminem, Shakira, Ed Sheeran, Rihanna, Adele, Red Hot Chilli Peppers, Weezer, Tom Petty, Johnny Cash, Mick Jagger, Bob Dylan, Audioslave, Linkin Park, System Of A Down, AC/DC, The Cult, Danzig, Metallica, Slayer, e outros.

Antes, porém, falemos um pouco de sua história antes de se tornar referência no mundo das produções musicais.

Frederick Jay Rubin nasceu em 10 de março de 1963 em Long Beach, Nova York.

Descendente de judeus, Rick veio de família simples já que seu pai era atacadista de sapatos e sua mãe dona de casa.

Quando era estudante, Rubin fez amizade com Steve Freeman, diretor do departamento audiovisual da escola onde frequentou. Freeman lhe deu algumas aulas de guitarras e composições, o que o fez tocar numa banda com seus amigos de infância.

Um de seus professores o ajudou a montar a The Pricks, banda Punk cujos integrantes eram seus amigos de infância. Em uma das apresentações da banda, Rubin foi jogado para fora do palco para brigar com o público. O episódio aconteceu no famoso CBGB, clube de música , localizado em Manhattan e conhecido por ter sido o berço de diversas bandas de renome, principalmente, relacionados ao Punk Rock.

Em 1984, durante seu último ano de ensino médio, Rubin fundou ao lado de Russell Simmons (produtor musical) a Def Jam Recording, conhecida como Def Jam Records, gravadora pioneira nos estilos Hip Hop e R&B (Rhythm and Blues), conhecida por revelar nomes como Snoop Dogg, Ludacris, Ice -T e outros. Anos mais tarde a mesma revelaria artistas como Rihanna, Ne-Yo e Kanye West.

   

Voltando aos anos 80: Em 1982, uma faixa da Hose, banda onde Rubin era um dos integrantes, tornou-se o primeiro lançamento do Def Jam, um single de vinil de 45 rpm 7 “.

O grupo conseguiu um certo sucesso na cena, dividindo o palco com nomes relevantes da cena Punk e Hardcore (na época) como Meat Puppets, Hüsker Dü, Circle Jerks, Butthole Surfers e Minor Threat. A banda se separou, em 1984, quando a paixão de Rubin mudou para a cena Hip Hop de Nova York.

Os anos seguintes levaram Rubin a trabalhar com inúmeros artistas de estilos voltados ao Rap e Hip Hop. Vale lembrar que Rubin não é um produtor movido apenas por música pesada (Hard Rock, Heavy Metal, Thrash Metal, etc) e isso fica evidente em suas produções para nomes como Beasties Boys, Run DMC, LL Cool J, entre outros.

Por motivos óbvios, pulemos uma boa parte da história e vamos direto ao ano de 1986, quando Rick Rubin foi o escolhido para produzir o terceiro disco da banda americana de Thrash Metal Slayer. Um tal de “Reign In Blood”.

Conhece?

Após a excelente recepção do disco “Hell Awaits”, Brian Slagel, produtor e agente do Slayer, percebeu que a banda precisava de maior impacto em seu novo álbum. O produtor partiu para algumas negociações com novas gravadoras e uma delas era justamente a Def Jam Records, de Rick Rubin e Russell Simmons.

Após as famosas negociações, Slayer finalmente teria seu novo álbum produzido por Rick Rubin, para desespero de alguns membros do Slayer que segundo Kerry King, “Havia pontos fortes e outros mais fracos,” lembra. Pensávamos:

“Quem é este gajo que pensa que vai agarrar na mais pesada banda de Metal da altura, colocá-la numa gravadora de Hip-Hop, e fazer alguma coisa de bom?”.

Por outro lado, Dave Lombardo (bateria), sabendo do interesse de Rubin, deu início aos contatos com o produtor, enquanto os demais membros não queriam deixar a Metal Blade Records, com a qual a banda tinha contrato.

“Reign in Blood” foi gravado e produzido por Rubin durante três semanas em Hollywood, Los Angeles. Foi a primeira experiência profissional que ele teve com o Heavy Metal, o que fez com que a sua perspectiva fresca e nova transformasse de forma substancial o som de Slayer.

RICK RUBIN / Reprodução / Facebook

Após as gravações e principalmente a produção , Tom Araya admitiria que “os dois primeiros álbuns não tiveram uma produção sábia”. Enquanto o guitarrista Kerry King refere mais tarde que “Wow, conseguimos ouvir tudo, e não apenas tocar rápido; as notas estão dentro do tempo”. O mesmo Kerry King dá todos os créditos a Rubin pela evolução que a banda teve, “Ele limpou o nosso som,” explica .

“Ele percebeu o que já tínhamos feito, mas disse-nos que não precisava de todo o ‘reverb’ e outras coisas que estávamos usando na altura. Ele foi mais cara-a-cara.”.

   

“Reign in Blood” foi bem recebido por fãs e críticos e o grande responsável por dar ao Slayer a atenção de um público mainstream de Metal. O disco foi o primeiro da banda a figurar na lista da US Billboard 200, alcançando a 94a posição. Em novembro de 1992, o registro foi contemplado com disco de ouro pela RIAA (Recording Industry Association of America).

A parceria de sucesso entre Slayer e Rubin renderia bons frutos para ambas as partes e o’resultado foram os discos “South Of Heaven” (1988), “Season In The Abyss” (1990), “Decade Of Aggression” (1991), “Divine Intervention” (1994), “Undisputed Attitude” (1986), “Diabolus In Musica” (1998) e “World Painted Blood” (2009).

Em abril de 1987, os britânicos do The Cult lançavam “Electric”, terceiro álbum da carreira e o sucessor de “Love”, disco que apresentava a banda com um pé no Gothic Rock, porém esta sonoridade mudaria completamente no novo trabalho, já que a banda dispensaria Steve Brown e Rick Rubin assumiria a produção, trazendo consigo a missão de missão de mudar/refazer o som da banda.

Alguém aí duvida do resultado final de “Electric”?

O resultado não poderia ser outro senão o sucesso e a exposição (ainda mais) do The Cult nas paradas musicais. “Electric” atingiu a 38a posição da US Billboard 200.


O álbum foi apresentado no livro “1001 Albums You Must Hear Before You Die” (1001 Álbuns Que Você Precisa Ouvir Antes de Morrer).

Infelizmente, este foi o único trabalho da banda com o produtor que contrataria Bob Rock para assumir o excelente “Sonic Temple”.

Além dos citados Slayer e The Cult, Rubin também produziu trabalhos de bandas como ZZ Top, Wolfsbane, Trouble e o Black Sabbath. Sim, foi dele (Rubin) a produção de “Thirteen” , 19º e último álbum da banda britânica.

Os resultados positivos das vendagens de “13” (Thirteen), paralelamente coroa o excelente trabalho da produção de Rick Rubin, já que o disco de fato é bem produzido, embora algusn criticos digam ao contrário.

Caso do critico musical Ben Ratliff (The New York Times) que chamou o disco de fadiga auditiva. Segundo ele, o resultado final da produção soou altamente masterizada.

RICK RUBIN / Reprodução / Facebook

Apenas para se ter uma ideia dos números (vendagens), o disco atingiu a primeira posição nos seguintes países: Alemanha, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Suécia, Suíça e Reino Unido.

Não obstante, ele atingiu a 86a posição da US Billboard 200, contemplando a banda com disco de ouro na Alemanha, Áustria e Reino Unido. Em países como Brasil, Canadá e Polônia, o álbum recebeu disco de platina.

   

Paralelamente a música, Rick Rubin também conta com algumas produções voltadas a longas, séries e documentários. Dentre algumas de suas obras cinematográficas, Rubin produziu documentários para artistas como Tom Petty, Korn, Red Hot Chilli Peppers, Johnny Cash, Eminem, Jay-Z, Paul McCartney, entre outros.

Ao longo de sua carreira, o produtor foi indicado ao Grammy Awards, cerimônia de premiação da que presenteia anualmente os profissionais da indústria musical com o prêmio Grammy, em reconhecimento à excelência do trabalho e conquistas na arte de produção musical.

Das vinte e duas vezes em que foi indicado, o produtor foi contemplado nove vezes com o prêmio, sagrando-se vencedor em categorias distintas nos anos de 1998, 2005, 2007, 2009,2012 e 2021.

Algumas observações acerca de Rick Rubin:

  • .Em 2007, a MTV o chamou de “o produtor mais importante dos últimos 20 anos”. Ainda em 2007, Rubin apareceu no programa “100 Pessoas Mais Influentes do Mundo” da revista Time.
  • .Os seis discos com o Red Hot Chilli Peppers resultaram em 12 singles em primeiro lugar na parada de músicas alternativas da Billboard, um recorde que a banda em 2015 ainda detém e vários prêmios, incluindo dezesseis nomeações para o Grammy (com seis vitórias) com um prêmio de Produtor do Ano. A banda vendeu mais de 80 milhões de álbuns em todo o mundo, a maioria dos quais produzidos por Rubin. Vários membros do Chili Peppers também foram usados em outros projetos por Rubin.
  • .Após 24 anos trabalhando como produtor, a banda anunciou, no final de 2014. o fim da parceria.
  • .Em maio de 2007, Rubin foi nomeado diretor da Columbia Records. Rubin co-produziu o álbum “Minutes to Midnight ” do Linkin Park de 2007 com Mike Shinoda. Outros trabalhos da banda como “A Thousands Sun” (2010) e “Living Things” (2012), também foram produzidos por ele.
  • .Em 2012, ganhou o Prêmio Grammy de Álbum do Ano, por sua contribuição para o álbum “21” da cantora pop Adele.
  • .Rubin deixou a Columbia Records e reviveu o selo American Recordings por meio de um contrato com a Republic Records. Os primeiros álbuns lançados sob este novo acordo foram “La Futura” de ZZ Top e “The Avett Brothers” do The Carpenter.
  • .Ainda em 2012, tentou gravar um álbum cover com Crosby, Stills & Nash, mas as breves sessões não tiveram sucesso. Graham Nash passou a descrever as sessões como irritáveis e não uma ótima experiência.
  • .Recentemente, Rick Rubin assinou um acordo com a Endeavor Content, empresa (produtora) voltada ao ramo televisivo, atuando na área de filmes, séries e documentários.

O produtor de nosso próximo episódio será o lendário e saudoso Martin Birch. Não perca!

Criado por: Geovani “Vicentino” Vieira & Cristiano “Big Head” Ruiz

Redigido por: Geovani “Corega” Vieira

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