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Clássicos: Judas Priest – “Painkiller” (1990)

É normal ver fãs de outros gêneros musicais (até mesmo do Rock clássico) tratando a audição de discos inteiros de uma maneira mais corriqueira, geralmente as pessoas não se importam muito caso um trabalho não seja tão bom quanto o esperado ou possua algumas músicas abaixo da média. Se o registro possuir 2 ou 3 hits marcantes, o suficiente para alavancar o lançamento e fazer com que o mesmo seja lembrado futuramente, está tudo bem. Já o fã de Heavy Metal costuma dar um tratamento diferente aos álbuns lançados por suas bandas favoritas e é muito mais exigente. Existe uma espécie de busca constante pela perfeição e poucas são as bandas que, ao longo de sua trajetória, conseguem apresentar discos que transcendem as críticas e passam a ser tratados como hors-concours, ou seja, acima do bem e do mal.

O Judas Priest é um dos pouquíssimos nomes na história do estilo que conseguiu realizar tal feito mais de uma vez…

   

Em 1990, o Priest já era uma banda pra lá de estabelecida, com diversos álbuns aclamados tanto por crítica quanto pelo público. No currículo estavam clássicos como “Sad Wings Of Destiny”, “British Steel”, “Screaming For Vengeance”, “Defenders Of The Faith” e outros da mesma estirpe, os caras não deviam mais satisfação a ninguém e tocavam para plateias cheias por onde passavam. É verdade que haviam apresentado o disco mais controverso de sua carreira em 1986 (o famigerado “Turbo”) e o trabalho seguinte (“Ram It Down”, de 1988), mesmo soando mais pesado e tradicional, não foi o suficiente para que fãs mais ortodoxos restabelecessem a total confiança em Halford, Tipton e seus comparsas, mas mesmo assim, caso a banda decidisse não lançar mais absolutamente nada dali em diante, o Heavy Metal ainda teria uma dívida impagável para com os ingleses.

Créditos: Photo By Aaron Rapoport

Obviamente, esta nunca foi a intenção do Judas Priest e, portanto, no dia 3 de setembro de 1990, o quinteto original de Birmingham apresentou ao mundo o seu décimo segundo álbum de estúdio: “Painkiller”.

Gravado na França, nos estúdios Miraval, com produção do renomado Chris Tsangarides, o trabalho trazia uma novidade na formação da banda, com o excepcional baterista Scott Travis substituindo o apenas correto Dave Holland. Esta não foi a única surpresa, já que a musicalidade do grupo apareceu totalmente reformulada e renovada, algumas faixas de “Ram It Down” davam pista do que estaria por vir, mas eram apenas o embrião. A obra ganhou corpo e, foi em “Painkiller”, que o Judas Priest deixou todos incrédulos e de joelhos.

Crédito: Photo By Página do Facebook

A abertura é um verdadeiro soco no estômago, um autêntico hino. Desde sua introdução de bateria, passando pelos riffs certeiros, solos estonteantes e vocais rasgados, até o seu ritmo frenético inacreditável e letra arrebatadora, a faixa título “Painkiller” é pura devastação sonora. Se você nunca cantou o refrão “He is the Painkiller, this is the Painkiller” à plenos pulmões e com os punhos cerrador para o alto, é bom rever o seus conceitos. “Hell Patrol” chega na sequência, com mais uma enxurrada de riffs matadores e um Halford beirando a perfeição. Uma música crua, com ritmo um pouco mais cadenciado em relação a canção de abertura, porém, com peso tremendo e um feeling assustador. “All Guns Blazing” traz uma introdução de voz bastante agressiva de Halford pra em seguida explodir num ritmo acelerado e empolgante. “Leather Rebel” é possuidora de riffs tão cortantes como uma navalha e a audição segue transbordando adrenalina.

Após uma sequência de solos magnânimos da dupla Glenn Tipton e K K Downing, “Metal Meltdown” se apresenta como nitroglicerina pura e traz o Priest tocando tão rápido como nunca. Os ingleses não estavam para brincadeiras e, sem deixar a temperatura cair em momento algum, “Night Crawler” dá o ar da graça com seu refrão chiclete. Não há um momento sequer onde seu pescoço terá descanso, este disco sempre será um causador de cavalares torcicolos em qualquer headbanger que se preze. A introdução simplória de “Between The Hammer And The Anvil” evolui para uma tradicional e genuína representante do Heavy Metal inglês forjado no mais puro aço.

A canção seguinte é uma exceção à regra e, ao contrário de todas as outras, concebidas por Halford, Tipton e Downing, traz o produtor Cris Tsangarides creditado como um dos compositores. Estamos falando de nada menos que a poderosa balada power “A Touch Of Evil”. Para finalizar a audição de maneira épica, após a perfeita introdução “Battle Hymn”, temos “One Shot At Glory”, simplesmente uma das melhores músicas da banda e também uma das mais injustiçadas de todos os tempos, já que nunca sequer foi tocada ao vivo pelo Judas Priest (uma pena!).

O álbum rendeu uma indicação ao Grammy em 1991, por melhor performance de Metal e foi nesta turnê que o Judas fez a sua épica apresentação no Brasil, no famoso Rock In Rio II. O décimo segundo registro do quinteto inglês marca o retorno triunfal da musicalidade que havia consagrado a banda nas décadas de 70 e 80, mostrando também que o velho Priest sabia como poucos se renovar e não soar datado. “Painkiller” é inspiração pura e traz performances individuais definitivas tanto por parte do estreante Scott Travis e do sempre constante Ian Hill, como da dupla de guitarristas Glenn Tipton e KK Downing, que entregam riffs, solos e linhas capazes de fundir o cérebro humano. O Metal God Halford prova estar no seu auge técnico e é capaz de impressionar até mesmo aqueles que já conhecem seu potencial vocal, o cantor transita entre graves, agudos e notas inalcançáveis para simples mortais como nós. Por ironia do destino, este seria o trabalho de despedida do vocalista, que deixaria a banda logo após a turnê de divulgação, retornando apenas depois de 15 anos, em 2005.

Crédito; Photo By Sony Legacy

Entenda, em 1990, não importaria o quão vasto fosse o seu conhecimento à respeito do gênero, “Painkiller” foi o supra sumo do que o estilo poderia oferecer e caiu como uma bomba atômica em cima das cabeças de todos os fãs da música pesada. O disco, desde então, passaria a ser a definição máxima de como o Heavy Metal deveria soar e, á partir de seu lançamento, instantaneamente, entrou para o seleto hall de clássicos que se posicionam acima dos demais clássicos.

Obviamente, o gosto pessoal é algo indiscutível e as avaliações se diferenciam, porém, analisando de forma mais técnica, padronizada e deixando as paixões de lado, em todo o universo Heavy Metal eu não sou capaz de apontar um álbum melhor que “Painkiller”. Se alguma banda conseguiu realizar essa proeza e gravar tal disco, eu ainda não fui apresentado a esta obra. Este é, para muitos, inclusive para este que vos escreve, o registro máximo onde estão definidos todos os padrões conhecidos do Heavy tradicional. Obra de arte indiscutível e atemporal.

Nota: 10,0

Integrantes:

  • Rob Halford (vocal)
  • K. K. Downing (guitarra)
  • Glenn Tipton (guitarra)
  • Ian Hill (baixo)
  • Scott Travis (bateria)

Faixas:

  1. Painkiller
  2. Hell Patrol
  3. All Guns Blazing
  4. Leather Rebel
  5. Metal Meltdown
  6. Night Crawler
  7. Between the Hammer & the Anvil
  8. A Touch of Evil
  9. Battle Hymn
  10. One Shot at Glory

Redigido por: Fábio Reis

CONFIRA TAMBÉM AS RESENHAS DO CLÁSSICOS “SAD WINGS OF DESTINY” (1976) E “DEFENDERS OF THE FAITH” (1984):

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