Fernando Ribeiro explica a espera por novo álbum do Moonspell: “Nunca esperamos ter qualquer tipo de sucesso”

Fernando Ribeiro (à direita); Créditos: Redes sociais do Moonspell

O vocalista Fernando Ribeiro, do pioneiro português do Gothic Metal, Moonspell, falou sobre os desafios enfrentados durante a criação de Far From God, o mais recente álbum da banda, lançado em 3 de julho pela Napalm Records. Em entrevista ao canal finlandês Rockin Häkissä, o músico explicou por que o grupo levou vários anos para definir a direção do sucessor de Hermitage, além de comentar a importância do processo coletivo de composição.

Segundo Fernando, criar material inédito se torna um desafio particular para uma banda que completará 35 anos de carreira em 2027 e carrega uma discografia marcada por diferentes propostas musicais.

“Você sempre se pergunta se há espaço para a nossa música nova, porque temos grandes álbuns no passado, um legado e grandes memórias com os fãs, começando em Wolfheart e indo até Hermitage.”

No entanto, segundo Fernando, quando os integrantes decidiram conscientemente fazer “um álbum de Gothic Metal, muito simples, descontraído, atmosférico e melódico”, as composições começaram a surgir rapidamente.

O Moonspell preferiu esperar até encontrar a direção certa

Embora Far From God tenha chegado cinco anos após Hermitage, lançado em 2021, Fernando Ribeiro ressaltou algo importante. O Moonspell permaneceu ativo durante esse intervalo, incluindo turnês e um trabalho com orquestra sinfônica. Para ele, essas experiências, acima de tudo, também ajudaram a preparar o terreno para o novo disco, que reúne oito faixas.

“Estamos muito felizes com este álbum. É um disco sólido — oito músicas, e todas soam poderosas. Todas soam legítimas. Até agora, tudo bem. Somos muito gratos. É o nosso décimo quarto álbum de estúdio, então não tomamos nada como garantido. Mas a resposta tem sido enorme.”

Todavia, o vocalista também explicou que o grupo evita transformar o lançamento de um disco em uma obrigação ditada por um ciclo automático de mercado.

“Não fazemos um álbum apenas para sair em turnê. Tentamos evitar aquela agenda que acaba desgastando a criatividade das bandas.”

Fernando, igualmente, lembrou que a Napalm Records compreendeu a necessidade de esperar até que o material estivesse pronto. No entanto, as dúvidas que surgiram durante o processo acabaram encontrando resposta na própria música, e não em planos comerciais ou exigências externas.

“É quando estamos juntos na sala que a música acontece”

Outro ponto central para Fernando Ribeiro é a forma como o Moonspell desenvolve suas composições. A banda prefere trabalhar presencialmente, reunindo os integrantes e o produtor no mesmo ambiente, em vez de construir o material à distância.

“Primeiro você precisa ter uma mente curiosa, ouvir música, ler livros, prestar atenção ao que acontece no mundo, ao que acontece com as pessoas, com o amor, a morte, todos esses grandes temas do Heavy Metal e da cultura Gótica. Não acho que exista uma fórmula ou um segredo.”

Créditos: Rockin Häkissä

Ele continuou:

“A música é uma coisa coletiva. Não acredito muito em fazer tudo sozinho ou sem a banda. Isso não seria algo que eu enxergaria para mim. A música é um grande processo. É algo simples, mas também complexo, porque você precisa pensar em muitas coisas. Mas, quando você pensa demais nisso — é preciso fazer isso até certo limite —, quando você exagera, isso já começa a ser ruim para você. Então você precisa voltar e seguir o sentimento.”

A perspectiva de uma banda portuguesa no Metal

Durante a conversa, Fernando Ribeiro também refletiu sobre a origem do Moonspell e sobre a maneira como o grupo encara sua trajetória internacional. Para o cantor, a banda jamais partiu do princípio de que alcançaria reconhecimento fora de Portugal. Principalmente em uma cena na qual países como Finlândia e Suécia possuem uma presença histórica muito forte.

“Viemos de Portugal. Nunca esperamos ter qualquer tipo de sucesso, então temos uma percepção diferente sobre estar em uma banda em comparação com muitas outras, como, por exemplo, bandas da Finlândia ou da Suécia, onde existem tantos grupos bem-sucedidos. Para nós, é um grande privilégio. É uma grande honra, e precisamos fazer as coisas com muita qualidade, porque as pessoas infelizmente não olham para Portugal procurando Metal ou Rock. Elas procuram outros países.”

O músico, por fim, acrescentou que essa realidade criou uma cobrança própria para artistas portugueses.

“Quando eles entram em contato com bandas portuguesas como o Moonspell ou outros grupos, você realmente precisa ser muito bom no que faz. Caso contrário, eles simplesmente vão descartá-lo.”

Far From God marca o 14º álbum de estúdio da banda

Produzido por Jaime Gomez Arellano, conhecido por trabalhos com Paradise Lost, Ghost e Sólstafir, Far From God representa o 14º álbum de estúdio do Moonspell. Arellano iniciou o trabalho com a banda no próprio estúdio do grupo antes de levar o processo para o Orgone Studios. Local este onde aconteceram as gravações do disco.

Depois das diferentes experiências exploradas ao longo da carreira e do intervalo desde Hermitage, o Moonspell decidiu voltar a uma abordagem assumidamente ligada ao Gothic Metal. O novo lançamento, com atmosfera melódica e construída coletivamente, com a identidade da banda como ponto de partida. Você pode conferir o novo álbum com o parceiro do Mundo Metal: RMR II. Tenham boas audições!

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