Wolf Hoffmann relembra fase mais difícil do Accept: “Não gosto nem de pensar nos anos 90”

O guitarrista Wolf Hoffmann, líder do Accept, relembrou os momentos turbulentos enfrentados pela banda durante a década de 1990. Em entrevista a Marko Syrjala, do Metal-Rules.com, o músico falou sobre a perda de espaço do Heavy Metal naquele período. Bem como das tentativas do grupo de se adaptar ao cenário dominado pelo Grunge, além do sentimento de que, após Predator, talvez tivesse chegado a hora de encerrar a trajetória da formação clássica.
Ao ser questionado sobre 1996, Hoffmann não escondeu sua aversão àquela época.
“’96. Aqueles malditos anos 90, que eu odeio. Não gosto nem de pensar nos anos 90. Foi provavelmente o ponto mais baixo da nossa carreira, porque era uma época em que todo mundo estava pensando em Grunge, e ninguém queria ouvir falar de Heavy Metal. Ninguém queria ouvir solos de guitarra ou… Era simplesmente uma época diferente. E nós tentamos e tentamos nos adaptar um pouco aos tempos, mas foi horrível. E, quando as coisas dão errado, a banda começa a ficar tensa, todo mundo começa a apontar o dedo e ninguém fica feliz. Foi assim naquela época. Todo mundo estava miserável. Mas nós tentamos e, eventualmente, a banda…”
Objection Overruled e o fim de uma era
Embora os anos 90 tenham começado de maneira relativamente positiva com Objection Overruled, de 1993, Wolf Hoffmann acredita que o disco chegou tarde demais para encontrar o público que o Accept havia conquistado na década anterior.
“Certo. Foi um bom álbum, mas os tempos já tinham acabado. Os anos 80 tinham terminado. Teria sido melhor se tivéssemos feito aquelas músicas, talvez, nos anos 80, eu acho. Porque eu sentia que o álbum era bom, mas não havia ninguém ali para ouvi-lo, se você entende o que quero dizer.”

Três anos depois, o grupo lançou Predator, último álbum com o vocalista Udo Dirkschneider antes de mais uma separação. Ao falar sobre o trabalho, o guitarrista admitiu que, apesar do esforço coletivo, já percebia que a situação não caminhava bem.
“O lado positivo é que fizemos um álbum, que tentamos muito e que tínhamos boas intenções. Mas simplesmente não era para ser. Ninguém pensou: ‘Vamos fazer um álbum ruim’. Todos nós pensamos: ‘Vamos dar o nosso melhor e usar aquilo que temos’. Mas, no fundo, eu sentia que toda aquela coisa estava desmoronando e que talvez fosse hora de fazer outra coisa na vida.”
Quando Wolf Hoffmann acreditou que o Accept havia chegado ao fim
Mesmo após concluir a turnê mundial de Predator, encerrada no Japão, Hoffmann carregava a impressão de que aquela poderia ser a despedida definitiva do Accept.
“Eu sentia que tínhamos tido uma boa carreira e que talvez aquele fosse o fim dela. Era assim que eu me sentia. Eu achava que o Heavy Metal era divertido; eu tinha aproveitado aquilo ao máximo, mas tinha acabado. Era o meu sentimento pessoal. ‘O mundo não quer mais saber de nós, então vamos todos seguir em frente’.”
O futuro, porém, reservou outro caminho para Wolf Hoffmann e o Accept. Depois de anos marcados por mudanças, separações e retornos, a banda enfim voltaria a encontrar estabilidade e seguiria sua trajetória até alcançar a marca de 50 anos. As declarações do guitarrista mostram como até mesmo grupos históricos podem atravessar períodos em que o futuro parece incerto. E principalmente como, às vezes, uma história que parecia encerrada ainda tem muitos capítulos pela frente.
