Scott Ian relembra demissão de Joey Belladonna no Anthrax: “Em retrospecto, eu estava errado”

Créditos: Mark Horton

Durante participação no podcast Naked Lunch, o guitarrista Scott Ian, do Anthrax, voltou a falar sobre a dolorosa decisão de dispensar Joey Belladonna em 1992 e substituí-lo por John Bush, do Armored Saint. Ao refletir sobre aquele período, o músico admitiu que, décadas depois, passou a enxergar a situação de outra forma. Embora ressalte que a escolha partiu coletivamente da banda.

Questionado sobre a decisão de remover Joey Belladonna da banda foi somente sua ou uma decisão conjunta da banda, Scott foi direto:

“Não fui só eu [que achei que tirar o Joey em 1991 era a decisão certa]. Foi uma decisão da banda naquela época. Se tomamos a decisão certa ou errada, é fácil… E eu falo bastante sobre isso no meu livro, I’m The Man: The Story Of That Guy From Anthrax. Mas, naquele momento, era uma decisão que precisava ser tomada. E é uma merda. Sempre que você passa por algo assim em uma banda, quando faz uma mudança desse tipo, é a coisa mais difícil, pior, estressante… de partir o coração.”

Uma decisão que mudou o rumo da banda

Segundo Scott Ian, entre 1991 e 1992 os integrantes sentiam que o Anthrax caminhava musicalmente em uma direção na qual Belladonna já não parecia se encaixar. No entanto, o guitarrista hoje reconhece que talvez o grupo pudesse ter encontrado outra solução.

“Em retrospecto, eu disse isso no meu livro: eu estava errado. Se tivéssemos realmente dedicado tempo a isso, não havia razão para… E isso não é nenhuma crítica ao John Bush, é claro, porque eu amo o John e ele é um grande cantor. Mas 30 anos passam e você tem tempo para pensar sobre essas coisas.”

Scott Ian por Phil Rosenthal World

Ian acrescentou que consegue imaginar um cenário em que Belladonna teria cantado em Sound Of White Noise, de 1993, sem que isso diminuísse a qualidade do álbum.

“Provavelmente existe um mundo onde o Joey poderia ter cantado naquele disco e teria sido um grande álbum. E eu não digo isso de forma negativa sobre ninguém.”

O retorno que colocou Belladonna novamente no Anthrax

Até mesmo músicos de bandas gigantescas do Metal precisam tomar decisões dificílimas que, certas ou erradas, podem alterar para sempre a trajetória de um grupo. Felizmente, a história entre Joey Belladonna e Anthrax ganhou outro capítulo anos depois. Scott Ian lembrou que o cantor retornou oficialmente em 2010. Mais precisamente, um pouco antes da participação da banda nos históricos shows do Big Four, ao lado de Metallica, Slayer e Megadeth.

“Pedimos para o Joey voltar em 2010, e ele disse sim. E já se passaram 16 anos desde que o Joey retornou, e fizemos o melhor trabalho que já fizemos. A banda está melhor do que nunca. E, sim, tudo meio que tomou um rumo e seguimos nesse caminho desde então. Tem sido incrível.”

O reencontro, aliás, aconteceu de maneira surpreendentemente simples. Charlie Benante entrou em contato com Belladonna, os integrantes se reuniram para tomar um café em Nova York e fizeram o convite.

“O Charlie simplesmente disse a ele: ‘Nós queremos você de volta na banda. Você quer fazer isso?’. E o Joey respondeu: ‘Sim, é tudo o que eu sempre quis fazer’. Foi simples assim, rápido e fácil. E retomamos exatamente de onde havíamos parado.”

Uma nova fase e a expectativa por Cursum Perficio

Ian ainda recordou a emoção de voltar a tocar com Belladonna, especialmente ao ouvir novamente sua voz em clássicos como Madhouse e Medusa:

“A primeira vez que entramos na sala e começamos a tocar juntos de novo, especialmente tocando as músicas antigas e ouvindo o Joey cantar músicas como ‘Madhouse’ e ‘Medusa’ novamente, eu fiquei arrepiado… Fizemos uma reunião com ele em 2005 e 2006, mas pareceu certo em 2010, quando ele voltou.”

Agora, com Joey Belladonna novamente consolidado na formação, o Anthrax se prepara para lançar seu aguardado 12º álbum de estúdio, Cursum Perficio, em 18 de setembro, pela Megaforce nos Estados Unidos e pela Nuclear Blast na Europa. Depois de tantos caminhos, mudanças e decisões que poderiam ter levado a história para direções muito diferentes, a nova fase chega carregada de expectativas. E, principalmente, em torno daquele que será o primeiro trabalho de inéditas da banda em uma década.

Deixe seu comentário