Sakis Tolis rejeita cobrar fãs por encontros: “Eu jamais faria um meet-and-greet pago”

Créditos: Redes sociais de Sakis Tolis

O vocalista e guitarrista Sakis Tolis, do veterano grupo grego Rotting Christ, deixou clara sua posição sobre a crescente prática dos meet-and-greets pagos. Em entrevista ao Metalgigs.us, o músico afirmou que não concorda com a cobrança para que fãs possam conhecer seus artistas favoritos. Do mesmo modo, explicou que, caso algum encontro pago tenha ocorrido em nome da banda, a decisão não partiu dele.

Questionado se, em algum momento, cobrará fãs para dar autógrafos, Sakis respondeu de maneira direta:

“De modo geral, sou contra meet-and-greets pagos. Se alguma vez cometi o erro de receber dinheiro por um, certamente não estava ciente disso, porque teria sido o promotor quem organizou isso sem que eu soubesse.”

“Sou um fã no coração”

Para Sakis, sua relação pessoal com a música influencia diretamente essa visão. O músico destacou que ainda se considera um fã. Ademais, tenta preservar valores de uma época anterior, apesar das grandes mudanças que ocorreram na indústria musical.

“Sou um fã no coração. Gosto de acreditar que ainda sou um romântico nesse sentido. Tento preservar algo da nossa era, que mudou tão rápida e dramaticamente, e espero transmitir pelo menos alguns desses valores para a geração mais jovem.”

Créditos: Redes sociais de Sakis Tolis

Em seguida, o frontman reforçou que não pretende cobrar por esse tipo de experiência. No entanto, reconheçe que talvez abrisse uma exceção como fã de determinados artistas.

“Então, não, eu jamais faria um meet-and-greet pago. E provavelmente também não pagaria por um. Embora eu não tenha certeza absoluta disso, porque existem certas bandas que amo tanto que talvez eu mesmo fizesse isso.”

O que se dá e o que se recebe

Na visão de Sakis Tolis, a questão ultrapassa apenas o relacionamento entre artista e público. Além do mais, está ligada à própria maneira como cada pessoa encara a vida.

“No fim, acredito que tanto a música quanto a vida em geral são sobre aquilo que você dá e aquilo que recebe em troca. A maneira como você enxerga filosoficamente a vida acaba determinando a forma como você age.”

Enquanto os encontros pagos se tornam cada vez mais comuns no circuito de turnês, as palavras do músico contrastam com um modelo que também divide opiniões entre artistas e fãs. Para alguns, todavia, trata-se de uma forma necessária de gerar receita. Enquanto para outros, a prática pode criar uma diferença entre aqueles que conseguem pagar e aqueles que não têm condições de desembolsar valores extras para conhecer seus ídolos.

35 anos de uma trajetória que atravessou o Black Metal

A posição de Sakis surge após mais de três décadas à frente do Rotting Christ, banda fundada em 1987 ao lado de seu irmão, Themis Tolis. Em dezembro passado, o grupo lançou o Blu-ray “35 Years Of Evil Existence – Live In Lycabettus”. Trata-se do registro de seu primeiro show no histórico Lycabettus Hill Theater, em Atenas, diante de 7 mil pessoas.

Ao longo de sua trajetória, o Rotting Christ lançou 14 álbuns de estúdio e realizou mais de 1.300 shows pelo mundo, sendo referência do Black Metal Grego. De igual modo, construiu uma discografia que transitou por diferentes caminhos do Black Metal, Gothic Metal e do Metal Extremo. Depois de 35 anos de atividade, Sakis Tolis segue defendendo uma relação com a música que, para ele, continua baseada em algo simples: o vínculo direto entre o artista, sua obra e aqueles que a acompanham.

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