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Resenha: Wheel – “Preserved In Time” (2021)

Gravadora: Cruz Del Sur Music

“Preserved In Time” é o terceiro full lenght da banda alemã de Doom Metal, Wheel, o qual sucedeu “Icarus”, lançado em 2013. O quarteto de Dortmund foi fundado em 2009, tendo como seu primeiro registro, o disco homônimo de 2010.

   

Aqui temos uma sonoridade totalmente alicerçada no Doom Metal old school. Entre as influências mais nítidas, Candlemass, Memento Mori e Sorcerer são nomes da escola sueca que me vêm à mente, além de Trouble e Pentagram dos Estados Unidos da América e, obviamente, os britânicos do Black Sabbath. Esse é o meu primeiro contato com o trabalho do Wheel e sem delongas vamos à avaliação do disco.

Na abertura, “A Night They Came Upon Us” apresenta riffs macabros e poderosos do guitarrista Benjamin Homberger. Uma canção sombria que conquista instantaneamente o seu espaço na memória e lá permanece pulsante. Homberger mostra que também sabe solar com toda a melodia, criatividade, feeling e pegada necessários para executar um Doom Metal que faça a pele ficar arrepiada, elevando a alma ao êxtase. “Palavras vazias e sussurro suave / Sibilou uma serpente na grama / Por um momento me senti tão grato / Mas isso nunca teve a intenção de durar / Agora estou apodrecendo neste buraco negro / Esperando por uma luz-guia / Mas os demônios que estão ao meu redor / Me arrastam mais fundo na noite. “

Se a faixa da abertura emociona, digo que “When The Shadow Takes You Over” vai além, fazendo com que todos os bons e maus sentimentos transbordem em uma viagem aos confins do universo expandido que existe dentro de cada um de nós. O vocal de Arkadius Kurek é melódico, afinado e, acima de tudo, agradável. Sua voz suave não deixa de transmitir toda a atmosfera que torna o Doom Metal tão adorado por seus fiéis fãs. O ritmo cadenciado das canções não as torna desinteressantes em um único segundo sequer. “E depois de tudo, eu me pergunto / O que eu me tornei / Uma sombra tão implacável / Sem emoção e entorpecido / Devemos viver essa desilusão? / Devemos viver nosso sonho quebrados por dentro?”.

“Afinal eles vão acender para mim uma vela / Afinal, eles vão gravar meu nome na pedra / Afinal, eles vão compartilhar algumas piadas engraçadas / Antes de finalmente me deixarem sozinho.“ Eis a música com o refrão mais marcante do registro, “After All”, além do solo de guitarra maravilhoso que é um dos meus favoritos do disco. A musicalidade do Wheel é deleite puro para os meus tímpanos. Há também nas composições uma pegada 70’s irrestível para mim que sou completamente apaixonado pela sonoridade comum daquela década. “She Left In Silence” é a canção mais “sabbathica” do álbum, tendo os riffs com a cara do gênio Tony Iommi. A cada minuto, me impressiona mais a capacidade de encantar que a voz de Kurek tem, isso torna a audição cada vez melhor. Geralmente, solos de guitarra com awah remetem a figura de Jimi Hendrix, mas para mim, o primeiro nome que me vem a cabeça quando escuto esse efeito é Mick Box, pois ninguém até hoje o usou de forma mais bonita do que ele. “She Left In Silence” tem um solo com awah que me remete aos primórdios da carreira do Uriah Heep, uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos.

Em “Aeon Of Darkness”, destaco a cozinha formada pelo baixista Marcus Grabowski e pelo baterista Cazy. O som do baixo é encorpado como aquele utilizado na década de 70, mas com um toque moderno. Em certo momento, o baixo fica isolado com a bateria sem som de guitarra e noto todos esses predicados ainda mais evidenciados. Perto de seu final, “Aeon Of Darkness” sofre uma pequena aceleração em sua dinâmica e, nesse instante, Cazy abre sua caixa de ferramenta repleta de repiques que fazem intensificar o brilho da sonoridade do Wheel. “Hero Of The Weak” tem a introdução mais lenta e soturna do full lenght. O ritmo acelera discretamente, resgatando o que vinha sendo apresentado até aqui. Kurek arrisca pequenos trechos em gutural para aumentar ainda mais o ambiente infernal fomentado pelo Doom Metal em sua essência. “Aqueles que foram feitos de pó / Para o pó eles devem retornar / E se seus filhos explodirem em chamas, meu amigo / Você não acha que algo está errado? / Existem tantos quartos para alugar no inferno / Para aqueles que morreram como mártires / A semente do mal, eles sustentam com orgulho / Até seu último suspiro.”

“Deadalus” marca o encerramento do terceiro trabalho completo do Wheel. Essa audição foi o meu primeiro feliz contato com a sonoridade do Wheel. Agora, evidentemente, buscarei ouvir seus dois discos anteriores. “Deadlus” mantém o altíssimo nível das seis faixas que a antecedem com mais um daqueles solos com awah que fazem demais a minha cuca. Eu retorno dessa minha jornada muito feliz por seu resultado surpreendentemente prazeroso. “Preserved In Time” termina tão excelente quanto começa e por enquanto está no topo da minha lista nesse subgênero tão tradicional e amado da música pesada.

Aprovado e indicado tanto para os fãs de Doom Metal tradicional quanto para os admiradores de música de extrema qualidade.

Nota: 9,4

Integrantes:

  • Marcus Grabowski (baixo)
  • Benjamin Homberger (guitarra)
  • Arkadius Kurek (vocal)
  • Cazy (bateria)

Faixas:

  • 1.A Night They Came Upon Us
  • 2.When The Shadow Takes You Over
  • 3.After All
  • 4.She Left In Silence
  • 5.Aeon Of Darkness
  • 6.Hero Of The Weak
  • 7.Deadalus

Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz

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