Joe Satriani explica dificuldade em reproduzir riffs de Eddie Van Halen: “Ninguém fazia as coisas como ele”

Joe Satriani ao vivo com Sammy Hagar; Créditos: Jon Luini / Chime Interactive

O guitarrista Joe Satriani relembrou as dificuldades que enfrentou ao receber o convite para reproduzir as partes de guitarra de Eddie Van Halen em um projeto de tributo ao Van Halen. Em entrevista ao podcast Talk Is Jericho, apresentado pelo vocalista do Fozzy e astro do wrestling Chris Jericho, o músico explicou por que inicialmente recusou a ideia e como a proposta acabou evoluindo para uma colaboração com Sammy Hagar.

Satriani contou que aceitou o convite por impulso, mas logo percebeu o tamanho do desafio.

“Quando me ligaram e me convidaram para assumir o projeto, ouvi a mim mesmo dizendo ‘sim’ e, em seguida, dentro da minha cabeça, ouvi: ‘Você acabou de dizer sim?’. Ninguém pode substituir Ed Van Halen. Então desliguei o telefone e pensei: ‘Acho que acabei de dizer sim’. Mas, duas ou três semanas depois, após passar bastante tempo estudando as músicas, lembro que liguei de volta e disse: ‘Pessoal, não posso fazer isso. Não tem como’. Não consigo imitar Ed de maneira convincente. Passei tanto tempo tentando deliberadamente não soar como outras pessoas que simplesmente não consigo imitá-lo. Eles diziam: ‘Não, não. Você é o único cara que consegue’. E eu pensava: ‘Bem, não sei por quê, mas tudo bem’. Um mês depois, liguei novamente: ‘Não vai funcionar’. Eu estava aprendendo aquelas músicas e elas eram muito estranhas de tocar. Foi isso que descobri.”

A maneira única de tocar de Eddie Van Halen

O guitarrista explicou que a dificuldade não estava apenas na velocidade ou na técnica do lendário músico, mas também em suas escolhas pouco convencionais.

“Além de ser um virtuose, Ed era peculiar. Ele fazia as coisas de uma maneira que ninguém mais fazia, e aquilo saía naturalmente para ele. Quando você tenta fazer essas mesmas coisas, de repente pensa: ‘Bem, essa não é a minha sensibilidade’. Então, o resultado sai um pouco atrasado ou adiantado, ou simplesmente não tem o balanço certo, porque você não toca daquela maneira.”

Satriani também comentou que passou bastante tempo assistindo a vídeos de guitarristas reproduzindo o repertório de Van Halen. Segundo ele, encontrou cerca de mil músicos, de oito a 80 anos, executando as partes com grande precisão. Além disso, observou que a tecnologia de modelagem de amplificadores já permitia reproduzir o chamado brown sound, a sonoridade característica de Eddie.

Projeto original acabou dando lugar à parceria com Sammy Hagar

A primeira proposta de tributo acabou desmoronando poucas semanas antes de um show previsto para Nova York. Satriani preferiu não comentar os problemas internos que levaram ao cancelamento. No entanto, contou que, meses depois, Sammy Hagar, seu antigo companheiro no Chickenfoot, apresentou uma ideia diferente. Dessa vez, o repertório incluiria músicas de Chickenfoot, Montrose, da carreira solo de Hagar. Além das fases de David Lee Roth e Sammy no Van Halen.

Joe Satriani em entrevista a Chris Jericho

O guitarrista explicou que a nova abordagem facilitou sua participação, pois não exigia uma reprodução fiel do estilo de Eddie. Ele também destacou que Wolfgang Van Halen, filho do guitarrista e ex-baixista do Van Halen, já havia se manifestado sobre o projeto, tornando o cenário diferente daquele do convite inicial.

Satriani ainda ressaltou que interpretar o repertório ao vivo exige adaptação constante, em vez de simplesmente copiar gravações de estúdio.

“Se existem pessoas interessadas em uma imitação de Edward Van Halen, há pelo menos mil guitarristas fazendo um trabalho incrível. Preciso agradecer a eles pelos tutoriais, porque você vê as versões ao vivo, nas quais Eddie improvisava todas as noites, e depois escuta as gravações, algumas delas bastante estranhas, com várias camadas e partes sobrepostas que não fazem muito sentido. Quando vê alguém tocando, pode pensar: ‘Certo, agora entendi. Estou vendo o que está acontecendo’. De alguma maneira, é preciso ir do começo ao fim da música.”

Satriani integrou turnê de Sammy Hagar em 2024

O músico acrescentou que tocar com Sammy Hagar e Michael Anthony atualmente também exige uma abordagem diferente daquela de décadas atrás.

“Não funciona muito bem imitar alguém a partir de uma gravação enquanto você toca com pessoas no presente, porque elas não tocam exatamente como no disco. Não sei como colocar isso em palavras, mas, basicamente, toda vez que você vai tocar “Judgement Day”, é uma experiência nova. Você precisa estar totalmente presente com a banda que está no palco e com o público diante de você. Pelo que consigo perceber nos vídeos e pelo que vi quando assisti a eles ao vivo, era assim que Ed e Alex faziam todas as noites. Eles eram completamente insanos. Ainda bem. Era por isso que gostávamos deles, não é? Eles se desafiavam a fazer algo diferente em cada música, todas as noites. É algo incrível.”

A parceria acabou se concretizando na turnê The Best Of All Worlds, realizada em 2024, na qual Satriani e Anthony acompanharam Hagar em apresentações centradas no repertório do Van Halen. Antes disso, os três haviam integrado o Chickenfoot, supergrupo que lançou dois álbuns entre 2009 e 2011 e excursionou pelos Estados Unidos sem incluir músicas do Van Halen no repertório.

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