Resenha: Törment Grave – “Temple of Unhallowed” (2026)

O Törment Grave surge diretamente de Belém do Pará para reforçar e contribuir com o solo fértil do norte do Brasil. Como o magnífico Stress, do icônico vocalista e baixista Roosevelt Bala, já havia pavimentado esse solo, os conterrâneos paraenses chegam agora para ampliar os horizontes locais. No entanto, em vez do Heavy Metal tradicional dos pioneiros, a nova banda aposta em um Death/Thrash Metal denso, intenso e vigoroso. Dessa forma, a ala do Metal extremo ganha mais um nome de peso na lista de grandes novidades do país.

Anos antes de conceber o álbum de estreia, “Temple of Unhallowed”, o Törment Grave atendia por Attomic Force – mais precisamente entre 2012 e 2013. Todavia, os integrantes rebatizaram a banda em 2013 com o nome atual, que soa mais atrativo e combina melhor com a proposta musical, visto que o primeiro nome lembrava apenas uma banda de Thrash Metal.

Embora tenham lançado o EP “Beyond the Aeons of Death” em 2018, os paraenses ainda precisavam de um trabalho completo. A banda demorou cinco anos para lançar esse primeiro registro de estúdio, o que acabou inviabilizando um alcance maior e mais conciso dentro do underground nacional. Apesar disso, os músicos seguiram em frente e finalmente entregam o seu debut. O selo Records DK lançou “Temple of Unhallowed” no dia 5 de junho de 2026. Portanto, este ano abre caminho para mais uma novidade do cenário nacional. Para os que estão congelados como o Capitão América, vale lembrar que o nosso acervo sempre apresenta novidades, incluindo discos de bandas brasileiras novatas ou antigas.

Törment Grave e sua receita clara e direta

Os músicos planejam executar a junção de dois subgêneros clássicos com total devoção e dedicação pelo Metal, sem enfeites, penduricalhos ou qualquer tipo de forçada de barra. Com essa premissa direta, o grupo busca manter uma parede sonora constante e moldável dentro das características dos estilos. Além disso, eles conseguem manter uma personalidade e identidade própria. Embora essa seja a parte mais difícil de todas, o encouraçado paraense tira isso de letra.

Atualmente, o guitarrista e vocalista Alef de Oliveira comanda o projeto ao lado do estreante baixista Alberto Vinicius (Sulfurcide). Juntos, os dois reacendem a alma da banda e seguem adiante. Por outro lado, o baterista Caio Sarmento não faz mais parte do grupo, segundo as informações apuradas. Vitor Hugo é o atual baterista da banda e quem gravou as linhas percussivas do disco estreante. Ou seja, há muitas informações desatualizadas e desencontradas, o que acarreta em um texto com sequências cheias de remendos para tentar afunilar e colocar a casa em ordem. Essa é uma boa lição para a própria banda aprender, caso queira ampliar seus horizontes em busca de um lugar ao sol. Mesmo assim, o trabalho vale à pena ser divulgado.

Segundo informações do perfil da banda em suas redes sociais oficiais:

“É com imensa satisfação que apresentamos a arte do nosso full length, um trabalho feito com muita dedicação e comprometimento. Gravado e produzido no The Coven estúdio do nosso irmão @viniciuscarvalhomusic e arte feita pelo talentoso @blasphemator_art. Nos próximos dias o material estará disponível nas principais plataformas digitais e em breve disponível fisicamente. Mantemos vivos nosso compromisso com o metal extremo, seguindo a nossa verdadeira vontade.”

Törment Grave / Facebook

O mar subterrâneo musical de “Temple of Unhallowed”

O debut não esconde segredos sobre seu estilo e formato, pois a banda apresenta uma proposta direta com a atmosfera empoeirada do underground. Embora integre o submundo do Metal extremo, a obra entrega uma produção equilibrada, caprichada e sem maiores deslizes. A princípio, os músicos iniciam a jornada com “Ancients Dreams (Intro)”, onde dedilhados sombrios criam uma atmosfera densa para emergir o ouvinte em pesadelos ancestrais.

Em seguida, “Doomsday Summoning” invoca o apocalipse na Terra por meio de uma sequência infalível de riffs. Essas linhas de guitarra trafegam primeiro pelo Death Metal e, logo após, pelo Thrash Metal. Ao mesmo tempo, os vocais cavernosos orientam a audição para o fim dos tempos, sob o comando de riffs agressivos e solos açoitadores. Ademais, a frenagem com os pratos em meio aos dedilhados caóticos abre caminho para blast beats incendiários, resultando em uma abertura violenta de quem leva o legado extremo a sério.

Logo na próxima curva, surge “Covenant of Fire”, que revela pactos de sangue e a queima de almas profanas através de rituais expressivos. A banda entrega uma sonoridade sem massagem, pronta para metralhar qualquer um que se oponha ao Death Metal rústico, rude, cavernoso e desgraçado. Além disso, os solos distorcidos soam como súplicas das almas no meio dos ritos antigos.

Por outro lado, “Oath of Madness” repete a fórmula anterior, mas não obtém o mesmo crédito. Mesmo assim, o colapso mental e a insanidade entram em cena para ampliar o poder massivo do alicerce sonoro e dos próprios versos. Os músicos aplicam uma leve mudança de andamento nas bases principais, o que confere um ar mais saudosista à música. Consequentemente, a faixa varia mais da metade para o fim e ganha mais brilho.

Evocando mais Metal da morte

Posteriormente, “Evoke” reforça o chamado das forças ocultas e das entidades malignas com o mais puro Death Metal. O gancho do baixo abastece os blast beats insanos da bateria, inserindo uma camada explosiva e veloz. Simultaneamente, os riffs de guitarra ganham ímpeto com breves variações, provando que o disco não alivia em nenhum momento. O encerramento carrega o caos agonizante das alavancas distorcidas.

Na sequência, “Visions Beyond the Gates” traz novidades em sua abertura ao apresentar solos iniciais torturantes e uma bateria vitaminada com enxofre. Mais solos surgem para complementar e enobrecer a obra malevolente, porém com características mais melodiosas e menos caóticas. Contudo, a música mantém a pegada e explora o território com total afinco. Pouco depois da metade, as linhas de guitarra entram em um modo melódico e inflamável, conduzindo a um desfecho estratégico e direto para elucidar as visões proféticas do que existe além dos portões do inferno.

Adiante, os tons menores de bateria funcionam muito bem e enfeitam as viradas em “Temple of Unhallowed”. O grupo adota esse cuidado porque a faixa-título precisa de mais artifícios para prevalecer no disco. Nesse sentido, dedilhados lamuriantes flertam com o Black Metal e consagram o templo profano que a mente humana cria com suas crenças macabras. Por fim, os solos técnicos e devastadores tiram a música da zona comum.

“Infernal Creature” apresenta a materialização de um demônio gerado no próprio inferno. Aqui, o Thrash Metal se une ao Death Metal e provoca labaredas nos tímpanos do ouvinte. O formato ganha tons ainda mais intensos devido ao alto teor de maldade sonora, enquanto os pedais alternam entre momentos contínuos e trepidações simples, de acordo com a dinâmica do som.

Passagem aberta para os deuses malignos

Dando continuidade, o surgimento de deuses invertidos aumenta e acelera a queda iminente das divindades. É dessa maneira que “Evil Gods Creation” se apresenta. O lado nefasto da força ganha território quando a banda pisa no acelerador e acrescenta mais caos sonoro à receita. Essa ideia se propaga e resulta em um Death/Thrash épico e vigoroso, onde a faixa mergulha em variantes musicais ao misturar solos técnicos com bases cruas e pesadas.

Por fim, o templo maligno proíbe a visita de estranhos, e quem desobedece às regras recebe a danação eterna. A apoteótica “Endless Damnation” entra em cena de modo completamente direto, sem esboçar diferenciais que a coloquem em um setor único. A cozinha rítmica mantém uma locomotiva musical bem afiada ao lado de solos cavalares, mas a composição não entrega mais brilho ou intensidade do que as faixas anteriores. Talvez uma breve cadência marque a música, mas esse elemento isolado não sustenta uma ideia já gasta no álbum. Apesar disso, o maior destaque fica por conta dos solos generosos e completamente carcomidos — no melhor sentido para o estilo.

Nota: 8,3

Integrantes:

  • Alef de Oliveira (guitarra, vocal)
  • Alberto Vinicius (baixo)
  • Vitor Hugo (bateria)

Faixas:

  1. Ancients Dreams (intro)
  2. Doomsday Summoning
  3. Covenant of Fire
  4. Oath of Madness
  5. Evoke
  6. Visions Beyond the Gates
  7. Temple of Unhallowed
  8. Infernal Creature
  9. Evil Gods Creation
  10. Endless Damnation
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