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Resenha: Portrait – “The Host” (2024)

“The Host”, o sexto full lenght da banda sueca de Heavy Metal, Portrait, de acordo com o anúncio da Metal Blade Records, vai chegar, oficialmente, no dia 21/6/2024. Ou seja, o lançamento do sucessor do excelente ábum “At One With None” acontecerá quase três anos depois.

   

Desde quando Portrait iniciou sua história no ano de 2005, na cidade de Kristianstad, lançando seu debut homônimo em 2008, não houve um único lançamento que desabonasse a carreira do quinteto sueco. Assim sendo, a pergunta que surge é: com qual qualidade “The Host” está dando continuidade a essa discografia? Descobriremos a resposta para essa pergunta, em seguida, através da audição e analíse dessa obra.

Portrait Facebook – Photo by Stephan – DIvulgação álbum “The Host”

Antes de mais nada, é necessário dizer que vamos mergulhar na audição de uma álbum conceitual, o primeiro da carreira do Portrait. A fim de explicar o significado desse disco, recentemente, a banda fez a seguinte publicação:

“‘The Host’ é nosso primeiro álbum conceitual e será lançado em 21 de junho pela Metal Blade Records.”
“A história de ‘The Host ‘se passa no Império Sueco durante a Era do Grande Poder no século XVII. Esta foi uma era de guerra constante, quando todo homem com mais de quinze anos era considerado material militar.”

“A igreja tinha um papel central na sociedade sueca daquela época, e a tarefa de escolher os homens que seriam enviados para a guerra cabia aos padres, pois eram eles que tinham melhor conhecimento sobre a população local. Todos os homens com mais de quinze anos eram convocados uma vez por ano para a colina da igreja, onde o padre decidia quem seriam os “sortudos” (a regra de orientação era que cada décimo homem deveria ser escolhido).”

“Pregava-se que o motivo da guerra eram todos os pecados cometidos pelo homem comum, e fazer parte do exército naquela época era considerado algo sagrado.”

“Passagens bíblicas eram frequentemente citadas como referências para legitimar a conquista do território inimigo e para estabelecer um “temor a Deus” dentro do exército, os serviços religiosos eram realizados nos campos militares duas vezes por dia e quem não comparecesse seria punido.”

“Mas também existem documentos judiciais desta época que mostram que alguns soldados foram acusados ​​de terem feito pactos com o Diabo com a intenção de receber força e protecção na guerra, bem como sorte, prosperidade e assim por diante, em troca do seu próprio sangue e outras ofertas. Uma parte central deste processo, e também em outros contextos de feitiçaria em muitas partes do mundo, foi o sacramento da Eucaristia ou Sagrada Comunhão. Uma vez consagrado pelo sacerdote, o pão da comunhão torna-se a Hóstia ou corpo de Jesus Cristo, elevado a algo além das suas meras formas e imbuído de poderes mágicos.”

“Quando a palavra sacramento é usada em nossa história, na maioria dos casos ela se refere à Hóstia mencionada.”

“Havia diferentes métodos para empregar a Hoste para fins de feitiçaria. Uma das maneiras mais comuns era simplesmente conduzir os ritos mágicos depois de ter participado do sacramento na igreja, pois se acreditava que as próprias habilidades mágicas estavam no seu auge”

“Outra abordagem era roubá-lo da igreja e dá-lo como oferenda ao Diabo ou a outro(s) espírito(s) convocado(s) para o trabalho em questão. Segundo algumas tradições, a própria ação de distanciar-se da igreja e da sociedade era uma necessidade para adquirir habilidades mágicas. Uma maneira de fazer isso ritualisticamente é roubar algo da igreja, por exemplo, raspas de metal do sino da igreja, e então levá-las para uma encruzilhada ou lago distante enquanto proclama: ‘Estarei tão longe de Deus quanto essas raspas estão de Deus’. a Igreja!”.

“Outra forma ainda era levar a hóstia roubada a uma encruzilhada e ali ‘torturá-la’, numa forma de paródia da Paixão de Cristo.”

“Esta é uma história sobre o desenvolvimento espiritual, e a história começa quando o protagonista, a quem chamamos de ‘o soldado’, foi recentemente escolhido pelo padre local para se juntar ao exército e decide trilhar um caminho sem volta.”

A escolha do soldado, a introdução e o pacto de sangue

Assim que a faixa introdutória “Hoc Est Corpus Meum” começa a soar, ela já nos arrepia da cabeça aos pés. Em seguida, temos o primeiro single do álbum, a qual saiu em formato de videoclipe, “The Blood Covenant”. Desde que ouvimos essa canção pela primeira vez, só por ela, já sabíamos que o novo álbúm do Portrait não nos decepcionaria. No entanto, a altíssima qualidade que foi apresentada nessa e nas demais composições superou todas as nossas expectativas, nos deixando bastante surpresos.

“A meia-noite chegou / O solstício está aqui agora e tudo está preparado Venha, ouça-me agora enquanto eu chamo, oh diabo / Eu assino este pacto com meu sangue / E peço-lhe agora para me conceder sua força / E das rodadas inimigas me proteja / Eu te dou minha vida / Para atuar como seu instrumento aqui nesta terra / E como um lobo entre ovelhas caminharei / Minha alma será sua, para sempre / Minha conquista e vitórias honrarão seu nome / Ouça agora meu chamado e traga suas bênçãos / Toda a minha vida engoli as mentiras da igreja / Eu dei tudo por nada / Por este pacto agora eu sempre me deleito em sua luz / A aliança de sangue / Conceda-me sua riqueza / Venha quebrar as algemas do jugo da pobreza / E eu lhe darei seu sangue e corpo / O sacramento deles, eu roubarei / E na encruzilhada eu te darei / Para que os portões se abram / Toda a minha vida engoli as mentiras da igreja / Eu dei tudo por nada / Por este pacto agora eu sempre me deleito em sua luz / A aliança de sangue / Chifrudo das eras / Toda a minha vida agora coloco em suas mãos / Venha, ouça-me agora enquanto eu rezo, oh diabo / Esconda agora meu trabalho, dos olhos deles / Proteja-me quando eu entrar na casa deles / Tudo pela graça da sua sombra mais negra.”

Tão logo soam os primeiros acordes de “The Sacrament” (conforme disse Portrait, é uma referência a hóstia do sacramento católico da eucaristia) damos de encontro com as explícitas influências na sonoridade do Mercyful Fate e King Diamond. Mas, é necessário dizer, que a cada novo lançamento, Portrait deixa suas caracterísitcas próprias mais evidentes, dando uma personalidade única a sua música. Não que a princípio, o quinteto fosse algum tipo de cópia. Porém, a cada nova composição, Portrait parece mais pronto para romper o seu casulo inicial, em busca de sua identidade. Antes que nos esqueçamos, precisamos elogiar os recursos técnicos do frontman Per Lengstedt. Ele é, inegavelmente, um cantor de altíssimo gabarito.

Portrait / Live Reprodução / Facebook – “The Host”

A fantástica mescla de elementos musicais

Uma introdução de bateria de Anders Persson faz com que “Oneiric Visions” surja em meio a audição, enquanto Lengstedt desperta o Rei Diamante que existe dentro de sua alma. Contudo, outras referências interessantes estão por vir nas canções seguintes. O trio de cordas, formado pelos guitarristas Christian Lindell e Karl Gustafsson, assim como pelo baixista Fredrik Petersson, é absolutamente perfeito em suas performances, tanto em riffs quanto em solos.

Se até esse ponto a audição já nos levava ao êxtase, daqui em diante tudo fica ainda mais impressionante. A power ballad “One Last Kiss” nos faz pensar em mix equilibrado entre King Diamond e Bruce Dickinson e, embora isso possa parecer estranho, é exatamente esse a atmosfera musical que essa canção transmite.

Logo depois, é a vez de “Treachery”, a qual faz nascer mais elementos inéditos nesse registro. Os arranjos de bateria têm, em certos momentos, elementos comuns do Blackened Death Metal. Ja as vozes de Lengstedt, ora lembram King Diamond ora lembrar Iron Maiden (Dickinson Era). Essa é a primeira composição no disco em que os ingredientes de Prog Metal aparecem com mais frequência.

“Sound the Horn”, por sua vez, é a faixa mais acelerada do disco. Inicialmente, o seu ritmo de bateria parece conduzir um Black Metal old school, mas logo ela ganha preciosas variações de andamento, que a tornam absolutamente incrível.

PORTRAIT / Divulgação / Metal Archives

Engolindo a hóstia do pacto com o diabo

Na sequência, “Dweller of the Threshold” segue a fomentar o peso e a velocidade, ao propósito de manter a temperatura de suas antecessoras. Ao passo que “Die in My Heart”, por conta de seu refrão, de uma modo ímpar, invoca uma aura totalmente sombria e exuberante.

“Voice of the Outsider” e a canção desse disco na qual a voz de Lengstedt mais se assemelha a de Bruce Dickinson, mas é claro que nos referimos as fases de ouro do Iron Maiden da década de 80. Aliás, as guitarras e o baixo acompanham o frontman nessa viagem a era clássica da Donzela de Ferro. Dessa forma, temos uma música que merece ser ouvida no modo “repeat”, várias e várias vezes. Valerá demais à pena, garantimos, pois temos algo aqui que há muito tempo Steve Harris e seus comandados não proporcionam aos seus fãs mais tradicionalistas.

Quase chegando ao fim de “The Host”

   

Perto do fim, “From the Urn” chega para recolocar o mais conhecido Portrait no comando das acões, mesmo que seja temporariamente. Quando ouvimos a sua sucessora, “The Men of Renown”, pela primeira vez, temos a impressão de que ela é um tema instrumental, pois a parte vocal começa depois de mais de um minuto de duração. Nesse tema, inclusive, a voz de Per Lengstedt faz lembrar discretamente a voz de Eric Adams (Manowar), talvez provavelmente pelos valores épicos impostos pela temática lírica conceitual.

Grande Finale

Dando continuidade a audição, “Sword of Reason (The Steel of Revenge)” reune, ao mesmo tempo, todos os elementos presentes na referida obra. Desse modo, temos uma canção que serveria de modelo para alguém que precisse de uma aperitivo que fizesse uma espécie de resumo do que podemos encontrar na audição do disco na íntegra.

Enfim, a missão de fechar “The Host” ficou por conta da composição “The Passions of Sophia”. Antes de falar sobre essa, é necessário que falemos de uma crítica comum aos mais recentes lançamentos do Iron Maiden. Você pode pensar, mas vai falar de Iron Maiden novamente? Pois é, o contexto pede exatamente que se comente sobre isso. Muitos afirmam que as atuais músicas da Donzela de Ferro seriam mais interessantes se tivem durações mais curtas.

Damos de encontro com “The Passions of Sophia”, a qual tem 11m28s de duraçao e é perfeita do primeiro ao último acordo, com um show de performance de todos os integrantes do Portrait, sem exceção. Curiosamente, a faixa que encerra o disco em questão nos falar lembrar da músicas de longa duração do Iron Maiden, mas aquelas da década de 80, as quais eram fabulosas e que podiam ser ouvidas repetidas vezes sem cansaço mental. Iron Maiden, veja se reaprende a fazer músicas longas com o Portrait.

Opinião pessoal do redator: Portrait lançou não só o melhor disco de sua carreira, como o melhor de 2024, até o presente momento.

Nota 9,6

Integrantes:

  • Anders Persson (bateria)
  • Christian Lindell (guitarra)
  • Per Lengstedt (vocal)
  • Fredrik Petersson (baixo)
  • Karl Gustafsson (guitarra)

Faixas:

  • 1.Hoc Est Corpus Meum (Intro)
  • 2.The Blood Covenant
  • 3.The Sacrament
  • 4.Oneiric Visions
  • 5.One Last Kiss
  • 6.Treachery
  • 7.Sound the Horn
  • 8.Dweller of the Threshold
  • 9.Die in My Heart
  • 10.Voice of the Outsider
  • 11.From the Urn
  • 12.The Men of Renown
  • 13.Sword of Reason (The Steel of Revenge)
  • 14.The Passions of Sophia

Redigido por: Cristiano “Big Head” Ruiz

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