Fear Factory prepara álbum diverso e amplia reflexões sobre inteligência artificial, diz Dino Cazares

Créditos: GRIMM Gent

O guitarrista Dino Cazares, do Fear Factory, afirmou que o próximo álbum de estúdio da banda explorará diferentes caminhos musicais sem abandonar os elementos que definem sua identidade. Em entrevista ao GRIMM Gent, o músico comentou o single “Roboticist”, lançado no fim de agosto pela Nuclear Blast. Do mesmo modo, antecipou que o restante do disco também apresentará novas abordagens. A faixa marca a estreia em gravações de Milo Silvestro nos vocais e Pete Webber na bateria integrantes da formação de turnê há mais de três anos e meio.

Cazares explicou que a composição surgiu originalmente como uma faixa instrumental, criada três anos antes para demonstrar os recursos de seu plugin Toneforge Disruptor. A música explorava timbres limpos, texturas lo-fi, diferentes distorções e afinações mais graves. A entrada de Milo Silvestro, porém, deu ao material o impulso necessário para chegar ao público.

“Quando Milo entrou e cantou sobre a música, e fez o refrão, pensei: ‘É isso. É isso’. Ela precisava ser lançada. Também fizemos alguns pequenos rearranjos. A parte intermediária costumava ser o trecho final da música, mas mudamos isso. No vídeo original que fiz três anos atrás para a versão instrumental, eu tocava duas guitarras diferentes, uma de sete cordas e outra de oito. Agora, uso apenas uma guitarra de oito cordas, um modelo de assinatura da Kiesel. Fizemos alguns ajustes para os vocais, e o resultado ficou ótimo.”

O guitarrista também comentou as reações divergentes à nova formação, principalmente as comparações entre Silvestro e o antigo vocalista Burt Burton C. Bell.

“Não entendo por que as pessoas precisam dizer isso, porque o Fear Factory é basicamente o meu estilo. Já li muitos comentários dizendo: ‘É parecido demais com o Fear Factory’, ‘Não parece o suficiente com o Fear Factory’, ‘Ele é parecido demais com Burt’ ou ‘Não é parecido o suficiente com Burt’. Você não consegue vencer. Então você lança a música e espera pelo melhor.”

Próximo disco terá outras facetas do Fear Factory

Apesar das opiniões divididas, Dino afirmou estar satisfeito com o novo material e ansioso para que os fãs conheçam o álbum completo.

“Eu, pessoalmente, adoro a música nova. Adoro o disco que está por vir e mal posso esperar para que as pessoas ouçam o restante. Ele é diverso. Tem muitos elementos do Fear Factory que as pessoas conhecem, mas também explora outras coisas. E, claro, Milo introduz diferentes estilos vocais. Queríamos lançar algo direto, uma música curta e matadora. Acho que a próxima faixa que lançaremos também será um pouco diferente. Mas você ainda vai dizer: ‘Certo, isso continua sendo Fear Factory’. A fórmula ainda estará lá, sim, mas haverá novos elementos.”

Dino Cazares; Créditos: GRIMM Gent

Inteligência artificial e a relação entre humanos e máquinas

As letras também darão continuidade à reflexão sobre tecnologia e à relação entre seres humanos e máquinas, tema presente desde “Soul Of A New Machine”, álbum de estreia lançado em 1992. Cazares explicou que não pretende revelar todo o conceito do novo trabalho. Todavia, adiantou que as composições abordarão questões que ganharam ainda mais relevância com o avanço da inteligência artificial.

Para o guitarrista, a IA já está profundamente integrada ao cotidiano, dos celulares e aplicativos aos algoritmos e processos de criação. Ele reconheceu que a tecnologia apresenta vantagens e desvantagens, mas criticou a falta de controle dos usuários sobre o uso de seus dados. Além dos recursos naturais necessários para manter grandes centros de processamento. Também apontou uma contradição nas críticas publicadas na internet: muitas pessoas usam as próprias plataformas digitais para reclamar de uma tecnologia presente nesses ambientes.

Ao recordar o álbum “Obsolete”, lançado em 1998, Dino citou exemplos de mudanças que a banda já abordava naquela época, como o declínio das revistas impressas de música e a transformação das rádios tradicionais em serviços cada vez mais digitais. Para ele, a relação entre humanidade e tecnologia continua mudando, e o Fear Factory pretende explorar os novos desdobramentos desse cenário nas próximas composições.

Turnês e nova formação

Produzida, gravada, mixada e masterizada por Damien Rainaud, “Roboticist” chegou acompanhada de um videoclipe cinematográfico dirigido por Vincente Cordero e produzido por Arion Csihar. O lançamento coincidiu com a turnê europeia Cybernetic Domination, que contou com Crystal Lake, Hate e The Nocturnal Affair e terminou em 10 de outubro, em Londres.

A banda também anunciou uma turnê pelos Estados Unidos em novembro de 2026, com Darkest Hour e Brotality, após uma série de shows em conjunto com o Mushroomhead. A entrada de Milo Silvestro foi anunciada oficialmente em fevereiro de 2023, e ele e Pete Webber fizeram seu primeiro show como atração principal do Fear Factory em 5 de maio daquele ano, no Whisky A Go Go, em West Hollywood, na Califórnia.

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