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Resenha: Portrait – “At One With None” (2021)

“At One With None” é o quinto full lenght da banda de Heavy Metal sueca, Portrait, sucessor de “Burn The World” de 2017, lançado no dia 3 de setembro, pelo selo Metal Blade Records.

   

Ou seria melhor dizer que é a quinta trombeta tocada pelo anjo do inferno anunciando uma chuva do mais sombrio Heavy Metal? Saberemos mais detalhes em seguida.

Portrait / Divulgação / Facebook

Portrait

Verdade seja dita. Kim Bendix Petersen, o “Rei Diamante”, espalhou seu clã infernal por todas as partes do mundo e alguns de seus filhos se multiplicaram, dessa forma, fazendo com que a linhagem de sangue satânico se proliferasse. Direto da cidade sueca de Kristianstad, no ano de 2005, surgiu, sem misericórdia alguma, o quarteto Portrait, que lançou seu debut homônimo, três anos mais tarde.

Com o passar dos anos, outros três discos vieram, “Crimen Laesae Majestatis Divinae” em 2011, “Crossroads” em 2014, “Burn The World” em 2017, até que chegássemos ao atual “At One With None”.

Filhos do Rei Diamante

Só para deixar bem claro, dizer que o Portrait é uma “filiação” sonora de King Diamond/Mercyful Fate não significa de forma alguma dizer que eles são uma cópia dos dinamarqueses, pois, eles têm sim muita personalidade que diferencia a sua sonoridade, porém, é inegável perceber tais nítidas influências.

Portrait / Divulgação / Metal Archives

A faixa título abre o disco, deixando clara a sua proposta e a sua qualidade. Per Lengstedt impõe, ao mesmo tempo, toda sua melodia, feeling e técnicas vocais em favor do Heavy Metal.

“Silenciosamente sussurram suas vozes novamente / Sempre ecoaram sem razão / Ainda é oculto o propósito do homem / Esforço sem fim, ligação estrita / Para buscar as estrelas / É se matar, enquanto a escala (até as estrelas), eles dizem / Em um com nenhum / Seu contentamento, diga como pode durar / Eu sou o único a questionar? / Para ficar cego em um labirinto sem fim / Esse é o papel do homem na criação? / Acorrentado ao poste que perfura cada coração que mencionei / Cativo na carne, na tristeza e na dor, eu acordei.”

Uma letra a qual reflete a existência e os questionamentos humanos sobre a mesma. Uma música que faz arrepiar. Logo depois, “Curtains (The Dumb Supper)” tem um leve toque 80’s com muito peso adicionado por riffs e linhas vocais que enriquecem a melodia. Lengstedt faz a diferença na sonoridade, já que ele é um vocalista que dá gosto ouvir em qualquer momento do dia.

Christian Lindell

Apesar de aparentar simplicidade, Christian Lindell realiza um exímio trabalho em seus riffs e solos, sendo responsável pelo alto nível das seis cordas. O baterista Fredrik Petersson assim como o baterista Anders Persson dão suporte preciso e seguro para o alicerce sonoro sueco.

“É este o crepúsculo de uma era / A ceia muda, quando os mortos voltam à vida / Este é o amanhecer do fim / A ceia que muda … E os mortos não dançarão mais.”

“Phatom Fathomer” , a fim de fechar a primeira trinca perfeita do disco, introduz com uma linda linha de baixo e segue com lindos arranjos desde aí.

“O fantasma Fathomer nos envolve a todos / Venha tirar todas as nossas duvidas / Fantasma sonda tua doce carícia / Ele deve lavar nossos pecados.”

Parte lírica agradável

Já a parte lírica me agrada muito, não é cheia de ofensas pura e simplesmente ditas, mas são inteligentes e despertam a reflexão.

“Livro sagrado aceito pelo nascimento / Bondade eterna enterrada ainda desenterrada / O velho senhor morreu para dar lugar ao próximo / Nenhuma bandeira da religião, mas crucificação constante.”

Segunda trinca perfeita

A segunda trinca inicia com “He Who Stands”. As variações vocais dão um tom ainda mais sombrio à canção de um disco que segue perfeito desde seus primeiros acordes. A guitarra dedilhada é a cereja desse bolo de deliciosa receita. Além disso, alguns vocais guturais dão um tom extremo que está presente na alma da formação da banda. Não há nada negativo que possa ser apontado. Os mágicos dedilhados continuam dando as cartas em “Ashen”. Porém, eles são somente o prenúncio de maravilhosos riffs, os quais conduzem o espírito do ouvinte através do rítmo da canção. Enfim, após dois minutos de introdução instrumental, chegam os vocais que mesclam reminiscências que viajam de King Diamond a Jeff Scott Soto. Entrentanto, como confiar em uma mente totalmente enfeitiçada por tão sedutora música?

Black Metal

   

Eu posso simplesmente estar tirando conclusões erradas nessa minha jornada através do Heavy, mas há arranjos de bateria que lembram Black Metal. Inclusive, como eu já mencionei anteriormente, isso faz parte dos primórdios da formação do grupo.

A mesma linha de bateria “mais extrema” volta em “A Murder Of Crows”. A influência no mestre Rei Diamante aflora ainda mais intensamente nesse instante, dando um tom dinamarquês ao Metal sueco. Anders Persson, por sua vez, destaca a sua bateria, elevando-a a outro nível.

Portrait / Reprodução / Facebook

Metal de extrema qualidade com veia extrema

Quando as primeiras notas de “Shadowless” são executadas, tenho a impressão que escutarei Power Metal a seguir, porém, obviamente, não é isso que acontece. Ainda que as linhas vocais transbordem melodia. Logo depois, os macabros dedilhados voltam com “The Gallow’s Crossing”, ois quais proporcionam grandes momentos na audição na maioria das vezes que são empregados.

Posso dizer, da mesma forma, que nessa música o vocal de Lengstedt atinge o seu auge dentro do registro, abusando do sentimento e da afinação que lhe são peculiares. Aliás, os riffs e solos de Lindell me fazem lembrar Iron Maiden em sua fase áurea.

Faixas bônus

Há duas faixas relacionadas como bônus: “The Blood Is The Life” e “Farewell To The Flesh”, porém, não consegui encontrar versões do álbum sem que as mesmas estivem presentes. Tal fato causa estranheza, pois não entendo o motivo delas serem citadas como extras. Em suma, o mais importante e o que deve ser salientado é que são mais duas belas canções que encerram um álbum que está entre os melhores de 2021, sem a menor sombra de dúvida.

“At One With None”

“At One With None” chegou para abrilhantar a categoria Heavy Metal no ano presente e eu tive a sorte de ser “escalado” para essa resenha pela equipe Mundo Metal. A propósito, os agradeço imensamente por tal sugestão e indicação, pois valeu muito à pena do início ao fim.

Portrait é uma daquelas bandas vitoriosas que tiveram o mérito de encontrarem a sua sonoridade perfeita e cada nota desse quinto full lenght é a prova disso que acabo de afirmar.

Aprovado e indicado, portanto, para os fãs de Heavy Metal, mesmo o mais sombrio de todos.

Nota: 9,2

Integrantes:

  • Per Lengstedt (vocal)
  • Fredrik Petersson (baixo)
  • Christian Lindell (guitarra)
  • Anders Persson (bateria)

Faixas:

  • 1.At One With None
  • 2.Curtains (The Dumb Supper)
  • 3.Phatom Fathomer
  • 4.He Who Stands
  • 5.Ashen
  • 6.A Murder Of Crows
  • 7.Shadowless
  • 8.The Gallow’s Crossing
  • 9.The Blood Is The Life
  • 10.Farewell To The Flesh
   

Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz

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