Resenha: Nunslaughter – “Red Is The Color Of Ripping Death” (2021)

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Ao ver a descrição inicial, nota-se que se trata de uma banda americana de Death Metal, porém, a informação contida nesse grimório não é tão comum assim. O Nunslaughter é oriundo de Pittsburgh, na conhecida Pennsylvania, e que mudou sua localidade para Cleveland, Ohio. Considerando que estão surgindo muitas gratas novidades nos últimos anos, poderia associar o Nunslaughter a essa turma de sangue novo, mas a banda surgiu em meados de 1985 sob a alcunha de Death Sentence, e que durou até 1987 com este nome. Ainda no mesmo ano mudou o nome para o já citado, tendo sua duração até o ano de 2015 quando aconteceu um fato muito importante. Devido à doença do baterista de longa data Jim Sadist (James P. Konya), o vocalista Donald “Don Of The Dead” Crotsley (Nighnacht, Tondra, ex-Born From Fear, ex-Death Sentence, Flap Jack, Satanic Threat, ex-Gravewürm, ex-Derkéta (live)) anunciou em suas redes, no dia 7 de abril de 2015, que a banda ficaria em espera pelo resto do ano e ele decidiria se continuariam. Após a morte de Jim em outubro de 2015, o grupo decidiu dar seguimento à sua jornada em 2016. Durante seus serviços prestados como músico, Jim Sadist figurou nas seguintes bandas: All That Is Evil, Hangnail, Nordic Mist, Sanhedrin, Crucified Mortals, Derkéta, Gravewürm, Hideous Mangleus, Sloth, Schnauzer, The Spawn Of Satan, From The Depths, Blood Of Christ (live), 9 Shocks Terror, Adobe Cyote, Apartment 213, Lek, Minch, Pile Of Eggs, Public Execution, Satanic Threat, Scarvers Calling, Shepard Coat e Spawn.

Desde sua fundação, o Nunslaughter buscou aperfeiçoar prolificamente sua própria marca de “Devil Metal”: uma mistura maligna de Death Metal clássico e Punk / Hardcore. E por “prolificamente”, eles são igualmente sérios; seu catálogo de discos lançados rivaliza com o Sabbat (aquela mesma do Japão) e Agathocles, com os quais a banda fez divisões. Por tudo isso, o selo Hells Headbangers tem sido um grande aliado, e lançou incontáveis ​​discos dos americanos desde o início da parceria em 2003. Parte do material contido em “Red Is The Color Of Ripping Death” possui a participação de Jim Sadist, o que torna o álbum ainda mais especial para a banda e também para seus respectivos fãs ao redor das cavernas do submundo do underground gringo. O álbum será lançado no próximo dia 27 de agosto, e trará um marco importante na carreira do quarteto, que é o lançamento do seu quinto full-length, largando mais uma vez o vício com os vários EPs lançados por um tempo. Há quem diga que eles possuem mais EPs do que o jogador português de futebol, Cristiano Ronaldo, tem de gols. Para ser mais exato, além dos cinco discos de estúdio, são 45 EPs! Isso mesmo! “Quarenta e cinco” EPs! Isso sem contar os diversos splits, demos e produções ao vivo. Vale destacar os outros álbuns, Hells Unholy Fire (2000), “Goat” (2003), “Hex” (2007), “Angelic Dread” (2014).

Quem assina a produção, mixagem e masterização de “Red Is The Color Of Ripping Death” é Noah Buchanan, responsável pela manutenção das raízes de suas linhas sonoras diabólicas. Com esse novo álbum, a banda não busca firmar os pés com seus trabalhos completos dentro do cenário underground, tornando a sua discografia mais sólida sem o ar de desperdício com relação aos incontáveis EPs, que dificilmente alguém os contabilizam, e sequer escutam, pois são muitos. E outra é que os EPs não apresentam tanto destaque quanto um álbum cheio. Mesmo que cause impacto, pois existem diversos EPs que se tornaram tão clássicos quanto os discos, mas isso é bem mais difícil por ser uma amostra direta do disco em si. Só que no caso do Nunslaughter essa ideia passa longe, pois se você pensar que estamos diante do quinto álbum de um grupo que surgiu lá nos saudosos anos 80, e que este gravou 45 EPs, além de outros formatos já mencionados no início desta epístola, terá a devida sensação de desordem, impaciência ou ansiedade extrema, ou descuido da banda. Afinal, a mesma poderia trabalhar melhor esse material e ao invés de lançar de forma picada, poderia montar álbuns para conseguir melhores respostas do público. Talvez seja o momento em que definitivamente estejam pensando nisso. Se a banda resolveu seguir em frente após a tragédia já noticiada, imaginemos a força e a garra que a mesma está de encarar novos desafios. Podemos comparar ao Exodus, só que até a página dois, já que no caso do Exodus, graças aos deuses, o baterista Tom Hunting se recuperou, e poderá retornar aos trabalhos junto à sua banda, apenas seguindo a sequência do tratamento já fora de perigo.

Outro fator que intriga os nobres arqueólogos e detetives do Metal, é que o novo álbum dos americanos possui catorze faixas, o que de cara realmente assusta, já que normalmente um álbum de Death Metal possui no máximo dez músicas. O que contrapõe o possível acúmulo é o fato de que as canções são bem curtas, resultando em um total de pouco mais de trinta minutos de som. Já a capa mostra com ampla clareza do que se trata o novo artefato sonoro dos caras, tendo o tradicional bode sacrificando sem dó suas vítimas. Confira comigo essa perversão sonora para ver se realmente estão empenhados em seguir adiante.

Pé na porta, o que se tem a dizer logo na abertura de “Murmur”, que despeja toda sua malevolência sonora, e o que presenciamos também é um tempero com o nome de assassino nesse breve início. Seguindo uma linha ainda mais extrema temos “Beyond And Alone”, com Don Of The Dead ainda mais infernal com seus vocais cavernosos, acompanhado do baixo perseverante e pulsante de Detonate. Riffs com afinações baixas e algumas variações tornam a inspiração dita ainda mais latente. Já estamos na terceira faixa, e “To A Whore” carrega a chama sueca do todo poderoso Unleashed, mostrando que o Nunslaughter não parece ser uma banda de brinquedo, mas sim uma dilaceradora de almas penadas, falidas e inúteis. Conforme a audição da obra prossegue, podemos lembrar de várias outros nomes do estilo, o que torna o disco bem atrativo, porém, isso pode se tornar uma armadilha à própria banda por coloca-la em um campo que não prevaleça a sua possível identidade. Muitas vezes a banda em si não está realmente se utilizando de vários fatores influenciáveis, mas acaba se deixando levar por suas criações variadas e que serão facilmente comparadas a outras composições mais conhecidas. É sempre um grande desafio percorrer esse caminho e nem sempre poderá se sair vitorioso. No entanto, a trinca inicial do disco provoca uma euforia importante para que se continue a audição.

A quarta “múzga” chamada “Banished”, coloca uma linha mais “calma” no caldeirão da bruxa e alinha bem a estrutura que representa bem o estilo, na qual podemos citar os compatriotas do Obituary como referência. A quinta canção é simplesmente a autointitulada e se apresenta mais cadenciada assim como sua antecessora, mas só para acordar o ouvinte e avisar que o ataque ainda nem começou. O jogo de pratos da bateria de Wrath alertam o ouvinte que a roda se abrirá e o mosh irá começar! Após Don recitar “Red Is The Color Of Ripping Death”, o chamado é dado e fica uma pergunta. Guitarras afiadas entram no cardápio? Tormentor diz que, sim, senhor! Death Metal na essência com toques de Thrash como um bom orégano na pizza. A pancadaria come solta no campo e o time americano parte para o ataque sem dar chance de respiro ao adversário. Don Of The Dead se mostra bastante à vontade, espalhando as boas maldades de seus versos nos tímpanos da galera, sendo um dos maiores destaques deste novo trabalho. “Eat Your Heart” possui um início completamente voltado para o Metal mortífero sueco, principalmente em relação ao já comentado Unleashed. Nota-se uma fidelidade grande com o subgênero viva dentro da banda. Junto a isso temos uma distorção dos vocais de Don, incorporando o verdadeiro demônio.

Quer mais pedrada? “Annihilate The Kingdom Of God” inicia os serviços percussivos sob o comando de Wrath, até que entram a guitarra de Tormentor, o baixo de Detonate, e todo comboio envolto de perversidade e agressividade sonora do jeito que o povo gosta. Há um momento bacana em que o baixo conduz o movimento anti-divino, até que a canção pega no tranco e acelera de modo bastante considerável. Na sequência temos a veloz “Beware Of God” com toda a sua carga variante acionada, trazendo consigo uma pequena aura oriunda do Black Metal, mas sem tornar a canção um híbrido. Muito longe disso, apenas sendo uma característica buscada através dos elementos escolhidos para os vocais e trechos dos riffs tocados. “Black Cat Hanging“ mantém o ritmo oferecido por sua antecessora sem maiores novidades. Chega a vez de “Dead In Ten”, apresentando uns toques inspirados no eterno riffmaster Tony Iommi, que antecedem um novo circuito de obscenidades musicais da melhor qualidade. Blast beats são sempre uma boa pedida quando encaixados de maneira correta. Novamente uma lentidão proposital e depois o andamento prossegue e faz com que a faixa se torne outro destaque do disco. Até por conta de uma maior velocidade durante toda a viagem em “Dead In Ten”. Acompanhando os momentos mais contidos, “The Devil Will Not Stray” mantém as tradições e assim como “Black Cat Hanging”, não evidência um diferencial mais aparente e abrangente. Até sua parte mais veloz faz parte da receita da canção anterior, claro que com mudanças que não a colocam como uma mera cópia. A faixa é boa e mantém o disco no prumo certo.

“The Temptress” inicia a saga da trinca final com mais elementos de Unleashed, Dismember e afins. Que tal um pouco de Morbid Angel nessa receita de bolo infernal? Ouça com a devida atenção que irá descobrir muito mais bandas envolvidas nessa trama, outras até diferentes das que foram citadas aqui pelo tradicional nanquim. O baixão de Detone estende o tapete negro para a passagem de “Casket Lid Creaks”, que se arrasta na estrada em busca de sangue e carne fresca. Quase entrando na residência do Doom Metal, a canção segue com seu discurso vagaroso, diferente da maior parte do disco. Novamente a criatura abismal entra em cena, um pouco antes da canção entrar em disparada até o seu final. Se prestou atenção, notou que a parte rápida já é outra faixa e se chama “Below The Cloven Hoof”. E assim se encerra o novo trabalho do Nunslaughter.

A ideia que se tem após analisar as profundezas da área devastada pela sonoridade do Nunslaughter é de que a banda possui capacidade para seguir em frente, tendo em vista a sua visão sobre o que se propõe a fazer em prol dos fãs do estilo e de Death Metal em geral. Não é um disco com solos de guitarra, e o fato de não serem comentados é pelo fato de serem mencionados ao fim da escrita. Portanto, é certo dizer que em alguns momentos fez-se um pouco de falta, nem que fossem alguns poucos segundos, já que as faixas são curtas. No entanto, ainda assim boa parte delas conseguiram se sobressair e apresentar boas qualidades e diferenciais que não tornam o álbum cansativo de ouvir. É preciso e agressivo na medida certa e existe futuro se pensarmos em lançamentos futuros. Creio que Jim tenha gostado do resultado final, até por ele ter participado de boa parte das canções contidas neste disco, inclusive o nome do álbum. Para quem gosta de uma boa dose de maldade sonora boa, “Red Is The Color Of Ripping Death” é uma escolha bastante adequada.

“VERMELHO É A COR DA MORTE RIPANTE!” – Jim Sadist (R.I.P.)

Nota: 8,7

Integrantes:

  • Don Of The Dead (vocal)
  • Tormentor (guitarra)
  • Wrath (bateria)
  • Detonate (baixo)

Faixas:

  1. Murmur
  2. Broken And Alone
  3. To A Whore
  4. Banished
  5. Red Is The Color Of Ripping Death
  6. Eat Your Heart
  7. Annihilate The Kingdom Of God
  8. Beware Of God
  9. Black Cat Hanging
  10. Dead In Ten
  11. The Devil Will Not Stray
  12. The Temptress
  13. Casket Lid Creaks
  14. Below The Cloven Hoof

Redigido por: Stephan Giuliano

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